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sábado, 6 de maio de 2017

Impressionismos


Cada país (nosso conhecido) terá, com certeza, para cada um de nós, uma determinada atmosfera, cheiros e sabores, impressões subjectivas, peculiaridades mais ou menos próprias que lhe compõe, em suma, uma fisionomia de traços bem marcados, favoráveis ou desfavoráveis.
A Áustria tem, no meu arquivo de memória, a imagem longínqua de Christine, os selos, a ideia peregrina de uma pequena nação desfavorecida que precisava de exportar crianças (no post-Guerra), pelo menos, temporariamente; e, depois, um certo barroquismo Habsburgo, desmesurado, a cripta dos Capuchinhos em Viena. Mozart, como antídoto, e Salzeburgo, o crescente emblemático feito pastelaria em cafés requintados e decadentes. Enfim, a fronteira catolicíssima, e neutra, antes do orientalismo otomano. Curiosamente, hoje, ainda sem terrorismos, e profundamente à direita, politicamente.

P. S.: e desculpe-se o mau gosto iconográfico da imagem de postal turístico, algo pesada e claustrofóbica, que encima este poste, mas condizente com a minha ideia desse país europeu, hoje.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Manfred Chobot (Áustria, 1947)


Para meu filho

Contigo eu quisera
construir de novo o mundo,
mudar a ordenação das pedras,
renovar o existente,
mas não sei se prefiro
oferecer-te a realidade
ou dar-te a fantasia
para brinquedo.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A História, o "croissant" e o pastel de Belém



Não fazem ideia os meus amigos e estimados seguidores, nem eu imaginaria, ao colocar a imagem de um deslavado croissant, num poste que fiz sobre um artigo de J. Pacheco Pereira, em 11/2/2012, que iria concitar um tão grande número de visitas, sobretudo sobre a imagem.
Vieram de França (muitas), da Turquia, do Kuwait, da Alemanha, de Marrocos... mas havia um denominador comum na maioria dos visitantes: sabiam árabe. Ora este pastel folhado, se hoje está relacionado com o pequeno almoço e gastronomia franceses, veio originariamente de Viena (Áustria) e apenas no séc. XIX. Lendas há que o associam com o cerco de Viena, no séc. XVII, feito pelas forças otomanas. E, aqui, é que bate o ponto, talvez, e o inusitado número de visitas havidas.
Pois, hoje, além da imagem de um outro croissant, resolvi juntar uma imagem de um pastel de Belém. A ver se concita visitantes da Palestina e Israel, pelo menos... O tempo o dirá. 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Christine





Do tempo chegam memórias, às vezes, inesperadamente. Basta que regresse uma voz a interromper um silêncio, para que um capítulo do arquivo morto volte ao primeiro plano das imagens activas.
Nos finais dos anos quarenta do séc. XX, depois da II Grande Guerra, cerca de oito centenas de crianças austríacas - dadas as carências do seu país natal - foram acolhidas por famílias portuguesas e por cá ficaram até 1953. Aprenderam o português, vestiram à portuguesa, tomaram contacto com os costumes portugueses. Depois, regressaram à Áustria.
Hoje, um Amigo com quem já não falava há muito tempo, telefonou-me. E, o arquivo morto da memória, reabriu um capítulo esquecido.
P. S. : para F. J. V. C. F..