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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Livros de arte, catálogos de exposições, preâmbulos


Hoje em dia, é muito raro eu comprar um livro de arte, sobretudo com predominância iconográfica. São normalmente luxuosos, em novos, e muito caros; usados, são muitas vezes vendidos ao desbarato, porque perderam a actualidade. Nos anos 70, eram postos displicentemente em salas de visitas, nas casas de novos-ricos, a dar um toque de fingido requinte...

Na segunda metade do século XX, era também frequente, cá dentro e lá fora, poetas e escritores fazerem pequenos textos introdutórios em catálogos de exposições de pintores. Alguns muito felizes. Estou-me a lembrar de Eugénio de Andrade, com textos belíssimos sobre a pintura de Carlos Carneiro, Resende, Angelo de Sousa, Armando Alves, José Rodrigues... Mas também Pedro Tamen e Vasco da Graça Moura, por exemplo, assinaram belas prosas para o mesmo efeito.
Esta semana, o meu alfarrabista de referência tinha duas mesas grandes coalhadas de catálogos de exposições. Desde os anos 20 da Sociedade de Belas-Artes (modestos), até aos da Galeria S. Mamede, passando pelos de Manuel de Brito, da Galeria 111. O acervo não chegava, porém, ao século XXI, que agora não se vende tanta pintura, e os catálogos são pobretes, muitas vezes não passam de uma folha de fotocópia, com uma ou nenhuma reprodução. 

Catei, naquela floresta, textos que me interessassem, mas a colheita foi pobre em quantidade, embora válida de qualidade. Trouxe para casa um catálogo de uma exposição de Cargaleiro, na S. Mamede (1981/1982), com uma imaginativa prosa de Agustina. E outro, da Fundación Juan March (1991), sobre uma retrospectiva de Vieira da Silva, riquíssimo de iconografia. Com um poema de René Char e que integra, também, um retrato de Árpad Szenes, tendo como modelo a Mulher, que deixo em imagem final, para quem o não conheça. E porque gosto muito dele.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Hoje e logo pela manhã


São muito raros os escritores que conseguem transformar um acontecimento, mesmo que grave, num momento eterno de Arte, ou numa obra perene. Porque já Drummond dizia, sabiamente: "...não faças poemas sobre acontecimentos"...
Mas, hoje e logo pela manhã, veio a bailar-me na cabeça, o primeiro verso de um poema de Sophia, feito à memória de Catarina Eufémia. Que, no seu microcosmo perfeito, pelo menos para mim, poderia ser uma citação lapidar e essencial. Diz assim:

O primeiro tema da reflexão é a justiça...


sexta-feira, 12 de abril de 2013

De Alberto de Lacerda, para a Primavera


Diotima

És linda como haver Morte
depois da morte dos dias.
Solene timbre do fundo
de outra idade se liberta
nos teus lábios, nos teus gestos.

Quem te criou destruiu
qualquer coisa para sempre,
ó aguda até à luz
sombra do céu sobre a terra,

libertadora mulher,
amor pressago e terrível,

Primavera, Primavera!


Nota pessoal: este poema, de Alberto de Lacerda (1928-2007), aparece pela segunda vez no Blogue - a primeira, foi em 21/3/11. Mas, assim como muitas vezes repetimos a leitura de poesias, será legítimo que eu volte a colocá-lo, uma vez que a Primavera terá, agora, vindo para ficar. E, apesar do verso final do poema ser excessivamente redutor, ou banal, ensombrando a beleza alta dos versos 1 e 2, bem como do sexto e sétimo, este é, porventura, o poema, de Alberto de Lacerda, de que mais gosto.


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Árpád Szenes





É um daqueles casos em que a fama da Mulher (Maria Helena Vieira da Silva) obliterou a do Homem. Mas Árpád Szenes, que nasceu a 6 de Maio de 1897, em Budapeste, é, sem dúvida, um bom pintor e, sobretudo, um grande desenhador. Mostram-se, em imagem, 2 obras de Árpád: um retrato do poeta Alberto de Lacerda e um guache, sem título, de 1961. Árpád Szenes morreu em Paris, a 16 de Janeiro de 1985.