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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Miscelânea sacro-profana, ou a sabedoria de sair a tempo...


Não foi com absoluta indiferença que, hoje, soube que José Mourinho foi despedido do Manchester United, apesar do futebol não constituir, para mim, um motivo de especial atenção e interesse crucial.
Muitas batalhas se ganharam com simuladas retiradas, seguidas de contra-ofensivas - é da História. Mas, a arte de sair ou de retirar a tempo, implica um desapego e uma sabedoria de que poucos são capazes. Até Napoleão, grande estratego, nem sempre a soube exercer com frieza e inteligência.
Por isso, as atitudes de Álvaro Cunhal e de Bento XVI, que hoje relembro, merecem todo o meu respeito.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Abel Salazar


Ao iniciar a leitura do segundo volume da biografia (política) de Álvaro Cunhal (Temas e Debates, 2001), por José Pacheco Pereira, fiquei agradavelmente surpreendido ao saber que aquele tinha grande admiração pela obra de Abel Salazar (1889-1946), e lhe dedicara algumas referências críticas elogiosas na correspondência que trocaram.
Lembrei-me das primeiras pinturas de Abel Salazar, que conheci, no início dos anos 70, em casa de um amigo, perto de Urgezes, nos subúrbios de Guimarães. Pequenas telas intimistas, de interiores, com singular tratamento da luz, que me deixaram fascinado. Mais tarde, tomei contacto com mais trabalhos pictóricos deste médico nascido em Guimarães, que pintava muito bem, na Sociedade Martins Sarmento.
E porque lhe admiro, também, a obra, hoje, concluí que as suas pinturas talvez estejam subavaliadas e ele, como bom pintor, está muito esquecido por quem gosta de pintura portuguesa. Por isso, aqui o venho recordar pelo seu auto-retrato, por uma paisagem e ainda pela jovem das Galerias Lafayette.



quarta-feira, 1 de abril de 2015

Bibliofilia 119


A plaquete é singela, modesta, e teve uma tiragem, em 1977, de 10.000 exemplares. São 11 poemas de circunstância e engajados (coisa que hoje já não se usa...), mas eu nunca tinha visto este opúsculo de Mário Castrim (1920-2002). Pessoa, para mim, de grata memória, e de quem me recordo muito bem.
E, pelo preço que me pediram, seria um crime deixar a plaquete na estante do Alfarrabista. Além disso, tem dedicatória manuscrita, do Autor. O que não é coisa pouca...

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Adagiário CXXIX : Maio (4)


1. Em Maio, o rafeiro é galgo.
2. Sáveis em Maio, maleitas todo o ano.
3. Pela Ascenção, coalha a amêndoa e nasce o pinhão.
4. Viva o Maio carambola, que ele vai jogando a bola.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Curiosidades 69 : o juiz pintor


Não será caso único, porque a mim também já me aconteceu: no meio de uma reunião, palestra ou conferência entediante, ir fazendo traços e desenhos, a esferográfica, na folha branca que tivesse à minha frente. Dizem que também Álvaro Cunhal, nalgumas sessões parlamentares, o praticava. É possivel que o facto ateste alguma irrequietude de espírito.
Agora, que juizes também o fizessem, e com alguma arte, é que eu desconhecia. Ao que parece, e segundo o TLS (nº 5733), o All Souls College (Oxford) guarda uma colecção interessantíssima de cenas de tribunal, aguareladas. O seu autor, Pierre Cavellat (1901-1995), juiz e francês, era particularmente dotado de sentido estético. E, provavelmente, aborrecia-se, às vezes, com alegações intermináveis e verborreicas, durante os julgamentos. E, para se entreter, ia deixando correr a mão sobre o papel. Depois, aguarelava em casa...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Genealogias do post-25 : Álvaro III, o breve


O primeiro dos Álvaros foi o Cunhal: era um Senhor. O segundo Álvaro era Barreto, também tinha cabelo branco e marcava, pelo menos profissionalmente, a diferença em qualquer dos Ministérios onde entrasse.
O terceiro tem falta de cabelo e foi emigrante no Canadá, tendo regressado, recentemente às berças. Mas tem a vida armadilhada, bem como a sua área de actuação. O TGV, vai haver: é uma das contrapartidas aos chineses, pela compra do terminal de Sines - é o que dizem.
Mas pior, ao que parece, é que as estações do Metropolitano de Lisboa irão ter todas nomes de grandes empresas ou de multinacionais, em vez de nomes de localização geográfica. Assim, por exemplo, a Estação Baixa-Chiado passará a chamar-se: "PT-blue". É esperar, para ver.
Talvez por isso, hoje, o terceiro lanço das escadas rolantes, na subida, da referida estação, estava, de novo, parado e avariado...como aqui há uns meses.
Por isso e talvez, Álvaro III, o breve.

a ms, surrealmente grato.