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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Mais um Fado

Este fado, algo insólito e heterodoxo pelo tema, com letra de Gabriel de Oliveira sob mote e versos de Augusto Gil (1873-1929) e música de Frederico de Brito, dá pelo nome de Maria Madalena. É, de algum modo, o contraponto lisboeta do Samaritana, fado de Coimbra (com letra de Álvaro Cabral) que, até 1974, estava proscrito das serenatas públicas na cidade do Mondego. Só se podia ouvir no recato das Repúblicas conimbricenses - onde a Censura não entrava - como de facto o ouvi por duas vezes, pelo menos. Por ser um dos meus poucos fados-fetiche, arquivei-o no Arpose, em poste de 12 de Agosto de 2010.
É tempo, no meu entender, de dar voz a Lucília do Carmo (1919-1998), nesta belíssima interpretação de Maria Madalena, incluindo-a no Blogue.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Miscelânea bibliográfica e poético-canora


Quando, em Dezembro de 1963, a Portugália fez sair, na sua prestigiada colecção Poetas de Hoje, os Poemas de Edmundo de Bettencourt (1889-1973), o poeta madeirense não seria conhecido de muitos leitores portugueses. O seu nome, um pouco a exemplo recente de Bob Dylan, era mais reconhecido como cantor, nesse particular, de fados de Coimbra. As Saudades de Coimbra, de sua autoria, e Samaritana eram gravações de êxitos que lhe estavam associados.
Mas o elogioso prefácio (Relance sobre a poesia de Edmundo de Bettencourt), de Herberto Helder, com um apologético apoio e explicação dos singulares Poemas Surdos, contribuiram para que o livro fosse procurado e se esgotasse. A insularidade de ambos os poetas talvez explique esta aproximação, à partida, pouco provável.


Afora poesias avulsas, esparsas e intermédias publicadas em revistas, Edmundo de Bettencourt fora colaborador (e, depois dissidente, com Torga e Branquinho da Fonseca) da revista Presença e publicara apenas e sob a  chancela deste movimento, 33 anos antes, um único livro de poemas intitulado O Momento e a Legenda (1930). O meu exemplar, adquirido não há muito tempo num alfarrabista de Lisboa, fora dedicado a Mário Coutinho (1899?-1984) e incluia, solto, também um poema passado à máquina, assinado, que teria sido publicado na Revista de Portugal, segundo indicação manuscrita de Edmundo de Bettencourt.


Não ficaria de bem comigo se não juntasse, a este poste, uma das gravações, antigas, do poeta-cantor de Coimbra, pese embora a deficiente gravação do fado conimbricense que, para mim, é um dos mais bonitos que conheço. Talvez valha a pena informar que o fado "Samaritana", em causa, no período do Estado Novo, era proibido, pelo tema provavelmente beliscar a moral católica. Pude, no entanto, ouvi-lo, na República Baco, clandestinamente e entre amigos, no início dos anos 60, em Coimbra. E aqui fica ele, pela voz de Edmundo de Bettencourt. Que era também poeta. Como o Bob Dylan.