Mostrar mensagens com a etiqueta África do Sul. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta África do Sul. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Anote-se, para que conste

A globalização até nos kit-Medina (oferta da Câmara M. de Lisboa), post-recobro da vacina para o Covid, se notava. Os saquinhos simpáticos para HMJ e para mim, só diferiam na fruta. Igual o pacotinho de bolachas de água e sal, da fábrica Vieira de Castro, de V. N. de Famalicão e a embalagem aerodinâmica de água colhida algures na U. E., relativamente anódina. Quanto à fruta, calhou-me mais uma vez uma maçã, mas oriunda da Polónia; HMJ recebeu uma pêra da África do Sul...

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Uma fotografia, de vez em quando... (114)


Eu creio, firmemente, que se a qualidade e engenho do fabbro é grande, ainda que a sua arte seja engajada ou comprometida, pode sempre ter altura estética.
Nascido no Soweto (África do Sul), o fotógrafo Ernest Cole (1940-1990) teve que se exilar, cedo na vida, depois da publicação do livro House of Bondage (1967) em que, através das imagem (fotografias), denunciava as condições desumanas do apartheid. Com intenso espírito religioso e convicções arreigadas de justiça, Cole foi ganhando a sua vida como fotógrafo freelancer de várias publicações estrangeiras, que o acolheram.


De forma muito simples, ele soube definir, objectivamente, a sua perspectiva sobre a injustiça do sistema político sul-aficano dessa altura. Por estas certeiras palavras:
" A crueldade essencial desta situação (apartheid) é que nem todos os negros sendo virtuosos, todos os brancos estão condicionados em não ver quão cruéis são as injustiças que eles próprios impõem aos seus vizinhos cor."

Convenhamos que foram imagens e palavras de sabedoria, aquelas que Ernest Cole usou, em defesa da sua causa e luta, pela igualdade e pela justiça.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Em diagonal


É sabido que Nelson Mandela (1918) se encontra entre a vida e a morte e até um jornal inglês, para escândalo de muitos, titulou na primeira página: que o deixassem descansar. Parece-me justo - foi uma vida cumprida, pelas melhores razões e pelos mais humanos e nobres princípios.
Mas antes que o ciberespaço se encha de carpideiras e orações fúnebres, quando a sua morte acontecer, queria chamar a atenção para um aspecto lateral que não deixa de ser importante, para mim.
Há muita gente que confunde, em democracia, tolerância com fraqueza, liberdade com abuso, direito à diferença com o exercício de dislates, insultos e baixezas. Nem a ética nem a democracia se compadecem com isso, muito menos com a violência, seja ela verbal ou física. Na síntese de uma mudança tem sempre que existir um diálogo limpo e leal, e um consenso.
A África do Sul teve, em simultâneo, a sorte do encontro de dois homens justos, tolerantes e democráticos, na sua encruzilhada de Futuro. Por isso, ao falar de Mandela, não posso esquecer Frederik de Klerk (1936). Foi deste respeito mútuo que morreu o Apartheid e a nação Sul-Africana ganhou direito à sua razão de ser.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cupidez


É conhecido o provérbio que diz qualquer coisa como: ao leão moribundo, até o burro dá coices.
Sabe-se, também, da presente debilidade física de Nelson Mandela (1918), cuja memória dá claros sinais de enfraquecimento e que já tem dificuldades em reconhecer os mais próximos. Mas não morreu ainda e será sempre um exemplo de tolerância para e no país, África do Sul, que o viu nascer.
O que eu não sabia, e o penúltimo "Obs." (18/4/13) conta, é que a família e os amigos mais próximos já disputam os despojos e o nome do "leão sul-africano". Se os filhos do primeiro casamento utilizaram o título da sua autobiografia ("Long walk to Freedom") para etiquetar uma linha de vestuário, os filhos de Winnie, não se ficaram atrás, e lançaram um vinho com o nome de "House of Mandela". E não só: o seu advogado pessoal (George Bizos), conluiado com mais 2 amigos, companheiros de prisão, têm utilizado em seu proveito os largos fundos (1,3 milhões de euros) do legado de Mandela, que os tinha declarado como representantes. Parece, no entanto, que Graça Machel se tem comportado de forma eticamente responsável, e deve assistir a tudo isto, com grande mágoa.
O que faz a cupidez humana!...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Retratos (4) : José J. C. G.


Quando re-acordei do traumatismo, no Santa Maria, a 1 de Novembro de 1973, cerca da meia-noite, o José J. C. G. (1937-1988) estava a meu lado, deitado numa maca térrea, o rosto ensanguentado, e a gritar: "- Tirem-me daqui!" A mim, o nariz doía-me terrivelmente, tinha partido a cana e, quando me assoei, o lenço ficou rubro. Tentei reconstituir tudo e foi difícil: só me lembrava, no automóvel, ao entrarmos no túnel do Campo Grande, de dizer: "- Começou a chover...", para o H. S. que ia ao volante e para o José, que ia sentado no banco de trás; eu ia no lugar do morto. Mas quem sofreu mais foi o meu Amigo da rectaguarda que foi projectado para fora da viatura, aquando do choque, e rojou vários metros pelo solo, até bater numa árvore. Mas, na altura do hospital, o tempo intermédio desvanecera-se por completo na cabeça, e uma branca nebulosa ocupara esse espaço. Só algum tempo depois, os três conseguimos reconstituir o acidente, como um puzzle difícil a que faltavam, para sempre, algumas peças. José teve duas fracturas expostas e só 3 meses depois voltou à empresa.
Eu tinha-o conhecido em 1972, já ele tinha 2 dedos a menos na mão direita - acidente da Guerra Colonial. Mas era folgazão, caloroso e solidário. O pai morrera-lhe cedo e José crescera e fizera-se homem, com um padrasto de nacionalidade italiana de quem herdara, provavelmente e por mimetismo, um gesticular frequente e um concentrado amor a Florença. Como eu, também gostava de vinhos velhos (lembro-me de um "Grantom", da Real Companhia Velha, anoso, que ele abriu e estava um espanto!) que compartilhava com alegria e generosidade. Mas depois desse segundo acidente do José, que eu partilhara, ficou-me um pressentimento irracional de que o meu Amigo tinha uma estrela maléfica a pesar-lhe no destino.
Depois da "Viradeira" de 76/77, o José, que assumira posições políticas no PREC, foi "emprateleirado", e resolveu sair da empresa. Fomo-nos encontrando, espaçadamente, para jantar. E eu sabia que ele estava com dificuldades financeiras. Falava-me de ir para Angola, para se aguentar melhor. Na última vez que jantei com ele, no "Rio Grande", veio acompanhado por uma Senhora jovem, a María de J., que conhecera em Cádiz, e por quem se apaixonara, perdidamente, rompendo um casamento de mais de 20 anos, e de que tivera  um casal de filhos. Quando me veio trazer a casa, de carro e na Ponte 25 de Abril, como vinhamos só os dois, sei que lhe disse: "- Não peças demais à María de J.!" Ele sorriu, e sei que andava feliz.
Acabou por ir para Moçambique, com a nova Mulher. E íamos trocando correspondência regular.
Uma noite do início de Outubro de 1988, a primeira mulher do José telefonou-me a dizer que o meu Amigo morrera e que a urna chegava no dia seguinte a Portugal. Tinha falecido na África do Sul, para onde fora de urgência, vindo de Moçambique, por lhe ter rebentado uma úlcera no estômago, fragorosamente. Os operadores já não o puderam salvar. Tinha pouco mais de 50 anos.
Cerca de dez dias depois, nascia no Maputo, um filho póstumo do meu Amigo, a quem María de J. pôs o nome de José J. C. G., Júnior. María de J. morreria cerca de 12 anos depois, em Cádiz. Nunca cheguei a conhecer o Júnior, mas sei que vive em Espanha.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Os "papabiles"



Hoje, entre as 20,15 e as 20,30hrs., as três principais estações de TV portuguesas sobrepuseram-se, decalcaram-se cristã e piedosamente, na expectativa de anunciar os 23 (24) jogadores de futebol convocados para a selecção portuguesa que irá jogar na África do Sul. Pontificava Carlos Queiroz que virá a ser bestial ou besta, consoante o objectivo a conseguir.
E falava-se, na época do Salazar, dos três "efes" excessivos... Agora, até os intelectuais se benzem, respeitosamente, na água benta do futebol, antes de entrar em cena. "Não posso com tanta ironia", para citar Fernando Assis Pacheco que até gostava de futebol, mas com moderação.