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domingo, 12 de julho de 2020

Recuperado de um moleskine (35)


Em tempos, creio que na última década do século XX, estive para comprar um andar no Bairro Azul. Era um quarto andar e dele se via completamente a Praça de Espanha; com algum esforço visual e de corpo, julgo que se avistava também uma nesga do Tejo, ao longe.
Eu gostava da zona, parecia-me sossegada, ampla q. b. e arejada. Ia, às vezes, visitar uns parentes, que moravam na Ramalho Ortigão, num rés-do-chão alto de divisões médias e agradáveis, e eu vinha de lá quase sempre satisfeito e bem disposto. A rua tinha ainda 2 mercearias tradicionais. E metro, perto.
El Corte Inglés ainda vinha longe, farmácia havia ao pé e a Gulbenkian não ficava distante. A IN-CM tinha, nessa altura, uma livraria (que fechou depois) à beira da Fundação. O preço do andar em vista, era convidativo, e a compra só não se concretizou, porque havia obras profundas e caras, a fazer no elevador.
Inexplicavelmente, creio que me lembrei disto, por me vir à ideia o início de Den Afrikanske Farm, de Karen Blixen (1885-1962), que viria a dar o filme Out of Africa. Que começa por esta frase singular: "Eu tive uma fazenda em África, no sopé das colinas Ngong..."
Ou terá sido por o Carlos C. e S., que morava então no Bairro Azul e que eu visitava amiudadas vezes, ter feito grande parte da sua vida profissional em Moçambique? Não sei ao certo - a memória trabalha, frequentemente, em piloto automático.


quinta-feira, 1 de março de 2018

Filatelia CXXII (... e alguma História...)


No período logo após a descolonização africana, e sobretudo nos anos 60, o mundo assistiu a várias tentativas de secessão de partes do território dos jovens países independentes. As mais  importantes terão sido o Katanga (de 1960 a 1963), no ex-Congo Belga, e o Biafra, no sudeste da antiga Nigéria inglesa. Estes surtos independentistas decorriam de mapas feitos, principalmente no séc. XIX, a régua e esquadro (a exemplo do mapa Sykes-Picot de 1916, no tocante à Palestina. E de que ainda hoje a região se ressente, negativamente...), no sossego de gabinetes dos governos europeus, que não levavam em linha de conta as diferenças de etnias, religiões e culturas dos povos africanos. Mas também da cobiça de companhias multinacionais desejosas de se reapropriarem das matérias primas do continente negro, num dissimulado neo-colonialismo de interesses.



Um dos casos mais trágicos terá sido a secessão do Biafra, encabeçada pelo general Ojukwu (1933-2011), da etnia ibo, mas que foi discretamente incentivada pela companhia francesa de petróleos Elf Aquitaine. Mas também apoiada por vários países europeus e africanos, de supremacia branca, como a França, Espanha, Portugal, Noruega, pela Rodésia e África do Sul. Esta secessão era também vista com simpatia pelo Vaticano e pelo papa Paulo VI. A guerra civil durou de 30 de Maio de 1967 a Janeiro de 1970. A tragédia foi de consideráveis proporções, com a morte de milhares de crianças à fome, apesar das ajudas de várias instituições internacionais.
O Biafra chegou a cunhar moeda e emitir selos próprios, de que damos conta da primeira e terceira séries. Bem como reproduzimos os respectivos Envelopes do Primeiro Dia. Por curiosidade, posso informar que o apoio do governo português ao Biafra se dava a partir das ilhas de S. Tomé e Príncipe.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Culturas e idades


Passará despercebido a muitos, que a Alemanha costuma dedicar um especial interesse político, económico e cultural, aos países vizinhos geograficamente colocados a Leste. Talvez mesmo superior ao que consagra aos seus vizinhos do Oeste europeu. Disso se faz eco, por exemplo, o livro (Pátria Apátrida) que ando a ler de W. G. Sebald.
Sendo do ano da minha colheita este escritor, isso poderá também indiciar uma escolha geracional, posterior à II Grande Guerra. O que, perante alguns autores da Europa Oriental, me deixa, por vezes, em branco, relativamente ao assunto de alguns capítulos mais específicos da referida obra. Nomeadamente, certos ficcionistas secundários do desaparecido império austro-húngaro, de que tenho um deficiente enquadramento.
A idade, no entanto, irmana as pessoas, frequentemente, pelas afinidades culturais comuns e referencias concretas, semelhantes, bem como históricas. Acontece que, por brincadeira e cá por casa, no convívio familiar temporário, eu e J. G., nos temos vindo a tratar pelos pseudónimos de Dr. Livingstone e Mr. Stanley, humoristicamente.
Porque, apesar de criados em países diferentes (Alemanha e Portugal), ambos temos presente o célebre episódio do encontro, em África, dos 2 exploradores. Que ficou consagrado pela expressiva pergunta inicial de Henry Morton Stanley: Doctor Livingstone, I presume?! Facto histórico comum, afinal, ao nosso (quem diria?) património cultural. Europeu. E, assim, ambos também, sabemos perfeitamente daquilo de que estamos a falar...

segunda-feira, 21 de março de 2016

Da ingenuidade, como disfarce


Da leitura do jornal Público, de hoje, colhi dois motivos de reflexão. E ambos de candura quase infantil...
Para onde quer que vá ou viaje, um Presidente norte-americano, havemos de vê-lo sempre rodeado de seguranças. Ora, todos eles (seguranças) são facilmente identificáveis: fatos sombrios foleiros, óculos escuros, quer chova ou faça sol, e cabelo rapado ou cortado à escovinha. Qualquer sniper banal e mesmo pouco dotado os reconhecerá à distância... Como nós reconhecemos, nas ruas portuguesas, aos pares, os Meninos de Deus da seita americana, na sua clonagem geminada e fruste.
A segunda reflexão veio-me dum título, reproduzido abaixo. Já suspeitámos ou ficámos a saber para que zona do mundo se irão orientar os negócios do nosso ex-vice-primeiro-ministro, desempregado. Ou, eventualmente, quem lhe irá dar trabalho e pagar-lhe o ordenado futuro...


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Sinopse de viagens régias portuguesas, por um modesto amador de História


Talvez por extremos, na Europa, foram os nossos reis parcos viajantes. Se a capital oficiosa portuguesa foi descendo pelo mapa e no tempo, de Guimarães até Lisboa, passando por Coimbra e Leiria, e chegando a Évora, nos últimos reinados da segunda dinastia, as deslocações para fora do território nacional, tirando Espanha (por negócios políticos, tratados, escaramuças ou batalhas, e casamentos) e o norte de África (pela conquista), foram sempre raras e episódicas, por parte dos nossos monarcas.
Se o conde D. Henrique, pai do nosso primeiro rei, veio de França, e D. Afonso III lá esteve, antes de subir ao trono, terá de se esperar até D. Afonso V, para que um rei português pise, de novo, o solo gaulês, se exceptuarmos o regente D. Pedro, seu tio, duque de Coimbra, que esse, sim, cumpriu as "sete partidas do mundo", para depois vir a morrer em Alfarrobeira, ignominiosamente. Sublinhe-se, também, na primeira dinastia, o triste destino de D. Sancho II que foi morrer a Toledo, por exílio, onde está sepultado. E o único rei luso que nem depois de morto regressou a Portugal.
De resto, só os Braganças, da quarta e última dinastia, viajaram mais. D. João VI, em direcção ao Brasil, para escapar aos exércitos de Napoleão, e D. Pedro IV que por lá andou e gerou numerosa prole. Mais um grande intervalo, para registar, as visitas diplomáticas de D. Carlos pela Europa, bem como as viagens de D. Manuel II, nosso último rei, que acabou por morrer exilado na Inglaterra.
Mais domésticos e sedentários do que cosmopolitas, os nossos reis foram-se ficando, quase sempre, pelo terrunho pátrio. O que também terá contribuído, porventura, para uma certa estreiteza de horizontes mentais, em muitos casos.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Divagações 85


Parece haver cada vez mais dinheiro, no mundo. Na posse de cada vez menos pessoas. Não sei que autor clássico dizia que: o pobre, raras vezes, rouba o rico, mas os ricos roubam quase sempre aos pobres.
Se tivesse que referir o tema mais importante do último TLS, que ando a ler, eu diria, que o assunto temático mais significativo e dominante, é: África. Provavelmente o continente mais rico em matérias primas; e, tirando a Austrália, o menos populoso.
Mas, também, o mais mal sucedido, depois da era colonial. E a China, paciente e subtilmente, aproveita e até dá uma ajuda...

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Impromptu (8)


O todo ou o tudo são conceitos informes e estranhos, quase tão inapreensíveis como é a noção de infinito. Ambos têm aspectos de material e imaterial, que mais dificultam, ainda, a sua compreensão humana. Serão, de algum modo, conceitos-limite.
Livros, animais, plantas, numa vida, só deles poderemos abarcar e conhecer, ao vivo, uma pequena parte, ínfima se tivermos em conta a sua totalidade. Saber, por exemplo, que a primeira girafa (o mais alto dos animais terrestres) a pisar solo europeu, só terá acontecido no ano 49 a. C., dá que pensar...
Terá sido uma oferta de Cleópatra a Júlio Cesar e, vinda de África, chegou a Roma nesse ano já distante.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Preferências


Não me perturbou, grandemente, o recente escândalo do negócio das carnes europeias, chocou-me, sim, a ganância de alguns produtores a venderem "gato por lebre", ou seja, cavalo por bovino. Porque, embora mais doce, a carne de cavalo é tão boa como as outras, desde que manipulada correctamente, do ponto de vista sanitário. E é muito mais barata (cerca de 25% do custo da de bovino). Nos anos 60, em Coimbra, havia um larguíssimo consumo de carne de equino, creio até que era a cidade portuguesa que mais a consumia, na alimentação humana. Desconheço se, hoje, isso ainda se verifica. E se mantém a preferência.
O "Obs." (nº 2521) dedicou, a este momentoso problema, um extenso dossiê que tem algumas passagens que podem causar alguma repugnância, a estômagos mais delicados e, sobretudo, aos vegetarianos convictos. Mas, o que eu achei mais curioso e interessante, foi a diferença de gosto de alguns povos, pelas diferentes partes da carne de frango. Assim, os europeus são consumidores preferenciais de peitos de frango, enquanto os africanos priveligiam as coxas. E, pasme-se!, os chineses gostam, principalmente, das asas, patas, da pele e das cartilagens das carcaças... Ora, isto, só vem favorecer o trabalho dos produtores, na destrinça. E nada se perde...

domingo, 8 de abril de 2012

Inesperadamente fresco, e naïf

Recordando a auto-mutilação e auto-fragmentação de África, cada vez mais acentuada, embora incentivada, subtilmente, do exterior.

domingo, 10 de julho de 2011

Forças centrífugas e forças centrípetas


O Sudão dividiu, finalmente, as suas "águas": o Sul, cristão, animista e com petróleo, dividiu-se do Norte islamita. A Independência foi celebrada ontem. Cabinda (e com amplas razões históricas e a que Portugal faltou, em compromisso) continua a reinvindicar a sua independência e a ser um "mosquito" a picar, irritante, o cleptocrata "elefante" angolano. Há também a Casamance, e tantos outros territórios africanos a desejar a autonomia. Nem todos terão petróleo, como no caso do Biafra, com a sua guerra nos anos 60, ou o Katanga, dos diamantes e ricas minas. Em África, tirando as ilhas, as fronteiras (?) foram criadas, quase sempre artificialmente, pelos colonizadores no séc. XIX, sobretudo tendo em vista os seus interesses, e não as etnias e tradições geográficas e históricas locais. Por isso não me admiram as lutas tribais e os actuais ajustamentos territoriais.
Mas também a Europa, ainda recentemente, andou em guerra nos Balcãs, pela autonomia regional e redefinição fronteiriça (ex-Jugoslávia). Para não falar na constante ameaça de cisão na Bélgica, com a separação entre Valónia e Flandres. O Chipre dividido, a Irlanda, a Catalunha e as suas reinvindicações separatistas. E a Córsega, em relação à França. Ou a Escócia, em relação ao Reino Unido... Neste panorama, Portugal, com as suas fronteiras centenárias e sem separatismos (exceptuando o Sr. Jardim), é um oásis de unidade. E, na Europa, ia-me esquecendo da cisão da Checoslováquia (entre a Eslováquia e a República Checa). Por excepção europeia, a reunificação alemã, apenas, e em sentido contrário.
No meio destas aspirações (motivadas por interesses muito variados) de separação, independência e autonomia, todos os países europeus se querem integrar na UE (União Europeia), talvez interessados nos eventuais benefícios decorrentes. Ilusões que a actual crise tem desmentido de forma objectiva, pelo menos tendo em conta a solidariedade que temos observado, em relação aos países mais frágeis. Mas as forças centrípetas e centrífugas continuam a coexistir, aparentemente, de forma quase absurda. Mundo às avessas?