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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Máxima ou mínima?


Quase todas as ruinas têm um ar de nostalgia.

sábado, 6 de julho de 2024

Uma fotografia, de vez em quando... (185)


 
O fotógrafo francês Pierre Gonnord (1963-2024) foi sobretudo um notável retratista e fixou-se a partir de 1988 em Espanha, onde veio a falecer. Os seus interesses foram sobretudo gente marginal e nómadas que preenchem uma grande parte da sua obra.


Na segunda década do século XXI, dedicou-se a fotografar grupos de ciganos que, vindos de Espanha, se dirigiam para Estremoz e Évora. Estas obras vieram a contribuir para uma exposição que fez, nos Estados Unidos, em 2015. Com grande sucesso, aliás.



terça-feira, 16 de agosto de 2022

Divagações 180



Cidades há que têm um encantamento natural e próprio. Para não dizer: magia. Até para reis (D. João II, D. Manuel I...) Ainda há dias, no seu Memórias e Imagens, Margarida Elias dedicou a Évora uma série de fotografias, testemunhando assim a sua beleza indesmentível. Eu fui lá, pela primeira vez, aos 20 anos, e foi simpatia instantânea. Lá comi, em estreia, a primeira Sopa à Alentejana. E de lá trouxe um pequeno, rústico prato pintado à mão, com a imagem de um ceifeiro. Objecto a quem dedico, ainda hoje, um particular afecto. Até em memória da cidade.



voltei há pouco pelas palavras de Vergílio Ferreira, em Conta-Corrente 1 (1972, 18 de Fevereiro):
"Regressados de Évora. Foi agradável, como sempre, a estadia em casa dos Silvas. Compareceram os Brancos e os Charruas. Só não compareceu o passado. E foi por ele que lá fomos." (pg. 109)

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Mercearias Finas 180



Amavelmente me fizeram chegar uma série de fotografias (Obrigado!) que, em geral, me lembraram, pela profusão de marcas de vinho, as paredes do saudoso e já desaparecido Restaurante Isaura que honrava pela qualidade da sua gastronomia e rica escolha vínica a Avenida Paris, ali para os lados do Areeiro lisboeta.



Este caso acontece em Évora, num café, e privilegia temática e graciosamente vinhos com pássaros nos rótulos, desde o Norte até ao Sul, não faltando sequer o renomado duriense Quinta de la Rosa e um bairradino Luís Pato. Um senão que devo anotar: não se destinam a consumo de clientes do café, mas a consumo dos donos. E é pena...


A mostra, diga-se, contempla várias dezenas de vinhos, nestas pelo menos 7 estantes existentes na insólita enoteca eborense.

Adenda: embora pouco a propósito, insere-se nos temas desta rubrica dizer que ontem saboreámos uma deliciosa sopa de beldroegas, feita das plantas que, quase todos os anos, crescem, espontaneamente, em dois dos vasos da varanda a Sul. Acompanhada por um Dão branco de Silgueiros, que não tinha nenhuma ave no rótulo...

terça-feira, 8 de junho de 2021

Uma fotografia, de vez em quando... (148)

 


Irritação? Curiosidade? Ou apenas a cegonha à procura de um poleiro, mais alto e mais seguro?

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Simetria a Sul...


... vista de baixo.

sábado, 23 de março de 2019

Mercearias Finas 144


Pão de Rala, Encharcada, Sericaia, Rançoso de Mourão. Estes nomes enchem-me de doçura a memória gustativa, não preciso de ir ao estrangeiro para me babar de sobremesas finas. E são todas originais do Alentejo, terra que sempre pensámos pobre e amarga.
Doçaria conventual, convenhamos, que não era do povo, que labutava de sol a sol. Esse fazia uso inteligente até das ervinhas que cresciam nos campos, como as beldroegas, para a sua essencial e parca alimentação de todos os dias difíceis.
Perguntarão porque falo, hoje e aqui, destas sobremesas tão finas.
É simples a resposta: porque, na passada Quinta-feira (21/3/2019), provei, num modesto e improvável restaurante de Évora, a melhor Encharcada de toda a minha vida.
Juro!

quinta-feira, 21 de março de 2019

Aqui ao pé


Continuo a gostar de falar de Portugal. Dividido entre o anglófilo de espírito e a germanofilia ordenada e atraente da classificação, o meu coração balança. Mas não os troco por este amor desordenado e íntimo pelas coisas nacionais. Por que o hei-de trocar por paixões assolapadas longínquas, ou por anunciar, pasmado, exposições, colóquios e manifestações culturais que não me estão ao pé de visitar? Terrunho, sim, mas não saloio deslumbrado...
Nunca me considerei garganta do Império, ou acrítico quanto ao que se passa em Portugal. Mesmo assim temos quanto nos basta, não vale a pena servirmos de propagandistas cegos de terras estranhas.
Pedro Barroso é que tem razão. Ainda ontem fui a Évora e vim de lá de alma lavada.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Últimas aquisições (10)


Esta série da Lello & Irmão, embora datada, tem abundante iconografia, mas também textos competentes. Gabriel Pereira (1847-1902), que chegou a ser director da BNP, era um profundo apaixonado e conhecedor da história e fastos eborenses. O sucinto folheto de 1894, sobre o Pão, tem apenas 18 páginas, sendo muito curioso e documentado.
Dei pelas duas obras 5 euros. A este preço, seria pecaminoso deixar os 2 livrinhos no Alfarrabista...

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Um simples painel de 4 azulejos


Pelo nome, iriamos dar a Queluz e ao conhecido e primoroso restaurante, e assim faria todo o sentido que os azulejos tenham sido confeccionados em Sintra, que lhe fica próxima. Desiludam-se, porém. Porque o painel foi colocado no pátio interior de uma nobre mansão, ao fundo da rua do Raimundo, em Évora. Talvez para lembrar que, no Alentejo, também se podem degustar magníficos pratos de caça, em estação propícia. Como perdizes, por exemplo.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Província e livrarias


Eu creio que a paisagem livreira, em Évora, não se alterou desde que eu lá estive, pela primeira vez, no início dos anos 60. Apesar da Universidade, depois de instalada. Continua a haver uma única  média livraria, na praça do Giraldo. Voltei a visitá-la, em Maio passado, e a mesma insuficiência se notava. As duas empregadas pareceram-me também muito pouco habilitadas para a função. E as prateleiras e estantes estavam adornadas de títulos e capas espalhafatosas que se podem encontrar na Staples, nas lojas híbridas dos CTT ou em qualquer grande superfície - em suma, o trivial mediocre.
Agora, em Guimarães, e no início deste mês de Junho, o desconsolo foi maior...
Nos anos 50, a cidade tinha duas boas livrarias: a Casa das Novidades e a Livraria Lemos, ambas na rua da Rainha. Eu era cliente da primeira, em que me abastecia de produtos de papelaria e livros escolares, mas também lá ia comprando os volumes iniciais da minha ainda incipiente biblioteca. Depois, nos anos 60, abriu, na rua de Santo António, a então moderníssima Livraria Raul Brandão, que ficava quase em frente da Gráfica Minhota, que também tinha livros para venda. Mais tarde, e na rua Gil Vicente, inaugurou-se a Orfeu. Assim, nos anos 80, Guimarães contava com 5 boas livrarias.
A Livraria Raul Brandão foi a primeira a fechar. A Lemos foi-se reconvertendo e, hoje, mais parece uma loja de decoração; quando lá entrei, no princípio de Junho, não teria mais do que 50 livros expostos, para venda! A Orfeu, na Gil Vicente, parecia uma loja de lembranças para turistas pouco exigentes. E a minha querida Casa das Novidades, onde pontificava, dinâmico e sabedor, o Ginha, no meu tempo, abastardara-se de tal modo, que nem se notava que fora uma livraria de referência. Quem diria que Guimarães, a exemplo de Évora, tem agora também um polo de ensino da Universidade do Minho?!
Que tristeza...

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Sinais


Em 1969, Jorge de Sena (1919-1978), vindo dos E. U. A., onde leccionava na Universidade de Wisconsin, rumou à Europa. Dessa viagem, veio a resultar, no final do ano, a publicação, pela Portugália, de um livro de poemas intitulado Peregrinatio ad loca infecta. Na sua passagem por Lisboa, proferiu uma pequena palestra na Sociedade das Belas Artes. A sala onde o colóquio se realizou estava apinhado de curiosos, amigos e admiradores, mas também de alguns agentes da Pide, dissimulados por entre a multidão. Tive o prazer de assistir a esse acontecimento.
Um facto comprova que Jorge de Sena esteve, também, em Évora, a 11 de Fevereiro de 1969, na Biblioteca Pública da cidade. Foi com surpresa e alegria que constatei, ao compulsar uma miscelânea do século XVIII, há dias, que o Escritor também estudara esses documentos. Na folha anexa, constava, entre outras, a assinatura (ver imagem) de Jorge de Sena, que a requisitara por motivos de estudo. Se lhe terá sido útil é que não o posso afirmar...

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Balancete sumário


Da antiga Suite Tripla, de amplas janelas, lembro-me que licitei, para Inglaterra, um selo clássico e raro português, aqui há uns bons anos atrás. E fui bem sucedido.
Desta vez ficamos na Suite Velha, grande, mas com pouca luz natural. Almejamos, também por curiosidade, vir a ficar no Quarto dos Frescos, da próxima vez.
Do que mais vi, há que fazer referência aos manuscritos (Xavier de Matos, José Mazza, Pinto Brandão...) e a muitas dezenas de cegonhas, pelo caminho. Que se erguiam como sentinelas, do alto dos ninhos plantados nas torres da REN. Ou voando, com elegância longilínea pelos céus alentejanos. 
Trouxe transcrito um soneto fescenino de Tomás Pinto Brandão (1664-1743), talvez inédito, mas que terei pudor de vir a registar no Arpose que, por norma, evita chocar as almas mais sensíveis. A ver vamos, como diz o cego, na sua inocência esperançosa...

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Recuperado de um moleskine (31)


Por aqui se começam a convocar D. João II e, sobretudo, D. Manuel I, se não quisermos ir mais longe. E para não falar do campo de teixos (o céltico ibhar ou o eburos, gaulês) que também lhe veio ao nome. Mas nós vamos em busca das sombras de Galharde, de Xavier de Matos, que se acolheu ao mecenato generoso de Cenáculo e lhe dedicou várias poesias laudatórias. E espero ter à mão, autógrafos ou não, versos manuscritos de Sá de Miranda. Que decerto lá chegaram a partir de algum dos filhos de D. João III, originalmente, e que foram passando, através dos séculos, de mão em mão, com veneração e respeito.
Como é que pelo Verão, os nossos reis a escolhiam como cidade da sua vilegiatura?, eis o que me pergunto. Sem resposta lógica e suficiente para a minha curiosidade. Mas a cidade acolhe bem, quem venha, e é sempre muito bonita...



Nota: em imagem, apontamentos parciais e pessoais que levei, numa das primeiras visitas que lá fiz.

sábado, 28 de junho de 2014

Citações CLXXXII


Os turistas que visitam os centros das velhas cidades europeias não os encontram na sua vitalidade funcional, mas como redutos museológicos. O centro da cidade torna-se um objecto de nostalgia.

Daniel Innerarity (Saragoça, 1959), citação colhida na revista ípsilon, de 27/6/14.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Património


Celebra-se, hoje, pelo menos a nível nacional, o Dia do Centro Histórico. Não hesitaria em destacar o de Évora e o de Guimarães que, muito justamente, foram reconhecidos pela Unesco. A sua harmonia estética é flagrante, entre muitos outros, até do estrangeiro - não precisamos de ir lá fora...
Não sei quando começaram a ser chamados assim, nem quando as autarquias começaram a cuidar deles com desvelo e concentrada atenção regionalista, orgulhosa. Mas sei, em relação a Guimarães, quando tudo se começou a preparar. Foi nos finais dos anos 50, início dos 60 do século passado, e pela mão de particulares, que tinham amor à terra. E principiaram a comprar e restaurar velhas casas degradadas do centro da cidade, mesmo sem qualquer apoio, na altura, da autarquia.
E o resultado está à vista.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Em louvor de Mértola


Com propriedade geográfica e histórica cronológica, eu poderia dizer que fui conhecendo Portugal, de forma quase clássica. Se Évora se atravessou no meu caminho nos anos 60, só em 1975 atingi o Algarve. Mas só em 1976 visitei Mértola, que logo me encantou. Era ainda um pequena vila, quase abandonada, não ganhara espaço na agenda arqueológica e turística que, mais tarde, Cláudio Torres lhe viria a dar, num amor sem freio de dedicação e vida. Porque essa alcantilada terra alentejana, confluência de tantos interesses e culturas mediterrânicos (e vestígios indeléveis fenícios, gregos, romanos, árabes e, finalmente, portugueses), merecia-o. Dessa primeira visita, em 1976, recordo nítida uma ânfora (romana?) enorme, a frescura de um pátio interior, num Agosto inóspito, e um insólito quintal duplex e alcantilado, em dois patamares, alto sobre um Guadiana exíguo. 
Lá voltei, anos mais tarde, roído de saudades, para estadia mais demorada em casa modesta de turismo rural, com cozinha gigantesca enxameada de compotas campestres, para barrar o pão honesto do pequeno almoço, sobre o rio. Devia ser Junho, e o mês portou-se bem, equilibrado em temperaturas. Do outro lado, no "Casa Amarela", ficou-me no goto e na memória gustativa, um "Borrêgo à Pastora", rústico e simples, com aromas suavíssimos de ervas desconhecidas e mágicas de mouras encantadas. Uma selvagem perdiz estufada a preceito, uma mugem ribeirinha e fresca que trouxemos. Mas também as muralhas, os vestígios da História, que vimos, um lindo tapete de lã artesanal e a simpatia das gentes da vetusta Myrtilis. Tudo estava mais bonito e continuava despretencioso e simples.
Nunca fui a Cancun, nem à Praia das Galinhas, nem à cosmopolita Nova Iorque, para me gabar aos colegas de trabalho, depois das férias, em Setembro ou Outubro. Nem irei. De Portugal, e das cidades antigas, creio que só me falta conhecer Pinhel - digo-o com pena, porque nunca lá estive. Mas aos que não conheçam, recomendo Mértola, vivamente. No Alentejo e sobre o Guadiana. 

para H. N., cordialmente.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Évora e o Cicioso


Sempre gostei de monografias, sobretudo, quando o tema é do meu agrado. Já o expliquei, aqui, no Blogue, principalmente, por causa da pequena história. Por outro lado, Évora é uma das minhas preferidas cidades portuguesas. Há ainda um outro aspecto que me fez comprar este livro de José Manuel Queimado, editado no ano quente de 1975. Que é a toponímia eborense, curiosa e interessante: Travessa dos Beguinos, Rua do Tinhoso, e por aí fora, porque os alentejanos têm uma imaginação prodigiosa para nomes e alcunhas.
Saí um pouco defraudado das explicações de nomes, no livro. Um dos que mais me intrigava, era o da Rua do Cicioso, bem comprida e não muito larga. Ora, segundo a monografia, a origem do nome virá de João Mendes Cicioso, eborense que foi vereador, comerciante e procurador às Côrtes. Terá vivido durante os reinados de D. Afonso V, D. João II e D. Manuel I, e chegou a ser preso, talvez por especular com o preço e venda de trigo. Pouco mais acrescenta a monografia, sobre o homem.
Consultado o Dicionário de Morais, este informa que "cicioso" é um "indivíduo que tem o defeito de falar ciciando (ou sussurrando)". Prefiro imaginar, por isso, como já fazia antes de ler este livro que o João Mendes era um comerciante de "falinhas mansas", ou que falava "achim", ou tipo "sopinha de letras"...o que é muito mais interessante, convenhamos.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Em louvor do Peneireiro



Nos jornais, recentemente, li que o francelho ou peneireiro das torres foi reintroduzido nos ares e céus de Évora. Fiquei contente, porque gosto muito de Évora e não gosto menos destas pequenas aves de rapina. Mas Évora foi apenas pragmática e natural, na resolução de um problema citadino. No centro histórico da cidade abundam, para além do razoável, os pombos e os ratos. E o peneireiro "sabe tratar" deles...
O primeiro peneireiro das torres, ao vivo e em liberdade, que vi, foi - por incrível que pareça - no coração de Lisboa. Julgo que em 1999. Acoitava-se num enorme edifício devoluto, de memória sinistra. E, numa manhã de Verão, aqui há cinco ou seis anos, quando começavam a construir, nesse edifício, um condomínio fechado, pareceu vir despedir-se de nós, do alto duma chaminé já desactivada. Olhou-nos sobranceiro e, passados 2 ou 3 minutos, levantou voo, alto, e nunca mais apareceu. Apetece-me, sempre, pensar que terá ido para o arvoredo de Monsanto. Felizmente, teve sucessor, para alegria do nosso olhar.
Há três ou quatro anos, da varanda a leste, apercebi-me do voo alto, ao fim da tarde, duma ave inesperada que logo me pareceu de rapina. Com os binóculos, consegui identificá-la: era um peneireiro das torres, ou francelho, outrabandista. Mais tarde, compreendi que era uma família: um casal e uma cria pequena. E, por aqui, ainda ele tem Natureza que farte, bichos aos montes e horizontes largos. Por isso, também, e apesar deste outrabandista ser mais esquivo do que o citadino, voltou-me o contentamento, de os ver altos, no seu voo elegante e nobre de aves de rapina.
P. S. : para H. N., por variadíssimas razões.