A abordagem das novas éticas subliminares do nosso tempo levanta, pela sua complexidade, grandes dificuldades e outros tantos problemas. Para além de ser um tema polémico, quando entramos, objectivamente, pelos casos concretos e pelos detalhes.
Se é certo que os interditos contribuiram, de algum modo, no passado, para o progresso das sociedades primitivas, e são considerados como tal, pela grande maioria dos etnógrafos, o mesmo não se poderá dizer dos tabus preciosistas que enxameiam e tentam normalizar, através das polícias dos costumes, os procedimentos dos dias de hoje.
Os métodos bárbaros do novo calificado do ISIS radicam, claramente, numa leitura tosca e literal do Alcorão e num puritanismo de raízes medievais, que floresce, sobretudo, por entre os ignorantes boçais e nos adolescentes excessivos e tardios - grande parte dos novos mártires oscila pelas idades entre os 15 e os 30 e poucos anos, como se tem visto.
Nas sociedades ocidentais, se os novos inquisidores e vestais, guardiões do novo Templo do politicamente correcto, chegam por vezes à meia idade, não deixam também de fazer supor um raquitismo mental interior, nimbado da maior ignorância cultural. Catequistas acrisolados de uma nova religião laica, ardem diariamente no seu fanatismo cego.
Aprisionam o que não deviam, criam amplas liberdades para o que não devia ser. As novas educações, a extrema complacência em relação às artes - como se disso dependesse a democraticidade da cultura... -, os pruridos com pinças com que abordam a história, os géneros e a política, só me fazem lembrar, por ironia, o título de um filme de 1973, de Marco Ferreri: Touche pas à la femme blanche! Evito pensar que, perigosamente, podemos estar muito perto de The Crucible (As Bruxas de Salem), de Arthur Miller...