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sábado, 6 de julho de 2019

Meninos de coro, sem decoro


É feio, parece mal, mas vamo-nos habituando a que, pessoas que tiveram importância na vida pública nacional, ao menor indício de culpa ou negligência que se lhes aponte, não assumam a sua responsabilidade, mas sacudam para o lado os pingos de lama ou culpem os outros. Como crianças irresponsáveis e cobardes.
O que só comprova a mediocridade moral de grande parte das chamadas elites portuguesas e de muitos políticos que nos andaram a (des)governar.

sábado, 28 de julho de 2018

Os neo-puritanismos


A abordagem das novas éticas subliminares do nosso tempo levanta, pela sua complexidade, grandes dificuldades e outros tantos problemas. Para além de ser um tema polémico, quando entramos, objectivamente, pelos casos concretos e pelos detalhes.
Se é certo que os interditos contribuiram, de algum modo, no passado, para o progresso das sociedades  primitivas, e são considerados como tal, pela grande maioria dos etnógrafos, o mesmo não se poderá dizer dos tabus preciosistas que enxameiam e tentam normalizar, através das polícias dos costumes, os procedimentos dos dias de hoje.
Os métodos bárbaros do novo calificado do ISIS radicam, claramente, numa leitura tosca e literal do Alcorão e num puritanismo de raízes medievais, que floresce, sobretudo, por entre os ignorantes boçais e nos adolescentes excessivos e tardios - grande parte dos novos mártires oscila pelas idades entre os 15 e os 30 e poucos anos, como se tem visto.
Nas sociedades ocidentais, se os novos inquisidores e vestais, guardiões do novo Templo do politicamente correcto, chegam por vezes à meia idade, não deixam também de fazer supor um raquitismo mental interior, nimbado da maior ignorância cultural. Catequistas acrisolados de uma nova religião laica, ardem diariamente no seu fanatismo cego.
Aprisionam o que não deviam, criam amplas liberdades para o que não devia ser. As novas educações, a extrema complacência em relação às artes - como se disso dependesse a democraticidade da cultura... -, os pruridos com pinças com que abordam a história, os géneros e a política, só me fazem lembrar, por ironia, o título de um filme de 1973, de Marco Ferreri: Touche pas à la femme blanche! Evito pensar que, perigosamente, podemos estar muito perto de The Crucible (As Bruxas de Salem), de Arthur Miller...

terça-feira, 9 de maio de 2017

Girouette


Não terá sido o primeiro, mas é dos mais significativos golpes de rins, político. Ora, com um comandante de navio como Hollande percebe-se que os ratos espertos abandonem o barco, antes de irem ao fundo.
(Coitado do PS francês que, depois de Jospin e Mitterrand, se foi transformando, por dentro, num autêntico albergue espanhol!...)
O problema, ou talvez não, é que estes chico-espertos, habitualmente, além de não terem a coluna vertebral muito direita (salvo seja!), também não devem muito à ética, nem à inteligência - quem for ingénuo, que os compre, como hamsters.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Divagações 83


Questão curiosa: se não aceitamos um banqueiro escroque (Oliveira Costa, por exemplo), porque é que aceitamos e temos simpatia por um cavalheiro ladrão (Arsène Lupin, neste caso)?
Grande parte da diferença de critérios reside nos planos em que ocorrem os casos: na realidade ou na ficção. Somos até capazes de, num filme, apoiarmos (intimamente) o vilão da fita, desde que tenha habilidade e classe, e seja corajoso. Mas, na vida real, condenamos, sem apelo nem agravo, o malfeitor (Ricardo Salgado, por exemplo, [não refiro Passos Coelho, porque lhe falta classe e habilidade...], no caso BES).
Talvez se possa concluir que não há somente uma ética, nem uma forma humana, única, de julgar.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Divagações 50


Eu sei que estamos no tempo da desmemória. Ou, em pleno, no tempo da leveza que Kundera inaugurou, para título de livro. Mas fomos, entretanto, muito mais longe em direcção ao conforto da leviandade, à ausência de vergonha, ao desprezo pela palavra dada, na relação para com os outros. Em suma, instalámo-nos, por infantilismo serôdio, num estádio muito próximo da completa irresponsabilidade humana. E já nem falo sequer da boa educação...
A telenovela lumpen a que assistimos, na última semana, de alguns actos pueris deste (des)Governo português, estão aí, na sua magnificência chula, para o provar. Como podemos, pois, pedir ao comum da terra, ao ruano, ao cidadão anónimo, que faça melhor, ou se conduza, com ética, responsavelmente?
Se ele, também e provavelmente, já se esqueceu daquilo que deve ser a conduta de um ser humano.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Uma questão delicada


Prolongamento serôdio da silly season, a polémica Rui Ramos versus Manuel Loff, ameaça eternizar-se em minudências e actores menores em busca de protagonismo. O primeiro historiador tem mais adeptos, o segundo, menos defensores. E o jornal Público vai dando cobertura da Cruzada, ou dos folhetins desenxabidos da telenovela.
Em França, a polémica do momento é mais séria. A editora Pierre-Guillaume de Roux aceitou publicar, de Richard Millet (1953), editor da Gallimard, o livro "Langue Fantôme suivi d'Éloge littéraire d' Anders Breivik", onde se faz , de algum modo, o branqueamento e justificação do ogre de Oslo e seu massacre de jovens, referindo: "Breivik est ce que méritait la Norvége." Para além disso, a obra é xenófoba, e o autor, controverso, até pelo seu passado.
As posições gaulesas, intelectualmente, dividem-se, mas a grande maioria condena a decisão da Editora, por aceitar publicar o livro. E Céline vem à colação, bem como outros autores malditos. Censura ou liberdade plena de expressão? Predomínio da Ética ou amoralismo permissivo? É realmente uma questão maior e delicada, que se põe, em Democracia.
 No último Le Nouvel Observateur, o Nobel e escritor J. M. Le Clézio (1940) toma posição contra a publicação do livro, e escreve: "Au nom de quelle liberté d'expression, à quelles fins ou en vue de quel profit un esprit en pleine possession de ses moyens (du moins on le suppose) peut-il choisir d'écrire un texte aussi répugnant?".
Eis a questão - no fundo.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Em nome da ética ... não escreva ao Presidente

O pacato cidadão resolveu escrever ao Presidente da República, solicitando esclarecimentos sobre a manutenção -excepcional - do "princípio dos direitos adquiridos" para os titulares de cargos políticos do governo regional da Madeira. O exponente invocava o artigo 13º(2) da Constituição da República Portuguesa para obter uma resposta, "em nome da ética e da igualdade dos cidadãos", face a uma escandalosa discrepância de tratamento entre portugueses.
A não-resposta chegou:

Pergunta final:
Não haverá, no meio de tantos Conselheiros de Estado, quem defenda, numa próxima reunião e na presença do referido titular do governo regional da Madeira, a dignidade dos cidadãos ?
Post de HMJ

sábado, 23 de julho de 2011

Equidade e Ética

Após a escrita do texto sobre Hans e Sophie Scholl, reencontrei o livro sobre a "Rosa Branca", numa edição do Fischer Verlag de 1964. Curiosamente, e para além de me confrontar com os próprios sublinhados da época, deparei-me, novamente, com uma citação de Johann Gottlieb Fichte.


[1762 - 1814]

"Deverás agir [na tua vida] como se o destino da causa alemã
dependesse de ti e dos teus actos
e a responsabilidade fosse tua."

Apesar de esta máxima ter acompanhado, mentalmente, a minha vida, já não me lembrava onde e quando tinha lido conselho tão marcante. Ora, a citação consta do livro acima citado, fazendo parte de um "esboço de defesa" do Professor Huber, catedrático de Filosofia da Universidade de Munique, assassinado em 13.7.1943 no âmbito do processo sumário contra o movimento da "Rosa Branca".
[Confesso que não conheço a restante obra de J. G. Fichte, embora admitindo algumas polémicas, objecto de estudos que aqui não têm cabimento.]
Ora, a escolha da citação pelo Professor Huber para a sua defesa, e com a devida diferença de regimes da Alemanha de então e da República Portuguesa actualmente, encaminhou-me para pensamentos tristes.


Perante tudo o que o símbolo acima reproduzido devia significar, e notícias hoje divulgadas sobre benesses do Governo Regional da Madeira, concluí que altos representantes do Estado não tiveram, infelizmente, acesso à máxima de J. G. Fichte. Recomendo-lhes, por isso, a leitura do livro acima citado. E, na ausência de ética e abertura mental para palavras tão elevadas, que não abusem da equidade e da dignidade dos outros cidadãos.

Post de HMJ