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domingo, 14 de setembro de 2014

A par e passo 106


Nada de mais "nobre" do que a expressão, o olhar, o acolhimento, o sorriso e os silêncios de Mallarmé, inteiramente devotado a um fim secreto e alto. Tudo nele procedia de algum princípio sublime e reflectido. Actos, gesto, propósito, mesmo quando familiares; até mesmo as suas invenções mais fúteis, os nadas muito graciosos, os pequenos versos de circunstância, (em que ele não deixava senão surgir a arte mais rara e mais sábia), tudo procedia do puro, tudo parecia conformar-se à nota mais grave do ser, que é a sensação de ser único e de existir apenas uma vez.
Seria por isso necessário que ele não consentisse senão na perfeição.

Paul Valéry, in Variété III (pg. 19).

Nota pessoal: o meu insuficiente conhecimento da obra de Stéphane Mallarmé (1842-1898) não me permite ter uma opinião fundamentada sobre esta citação de Valéry, a propósito do poeta simbolista francês.

quarta-feira, 12 de março de 2014

A musa de Baudelaire, em duas perspectivas


Jeanne Duval (1820-1862), nascida provavelmente no Haiti, foi a inspiradora e companheira mais constante de Baudelaire (1821-1867). Dividem-se as opiniões sobre a influência benéfica ou maléfica que ela terá exercido sobre o Poeta francês, mas a relação entre ambos foi bastante turbulenta. Baudelaire chamava-lhe "Vénus Negra".
Em imagem, ainda nova, num retrato de Nadar, que com ela viveu, também. E uma tela de Manet (alguns duvidam que Jeanne Duval tenha sido a modelo), que a representa, pouco antes de falecer.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Pinacoteca Pessoal 66 : duas marinhas de Manet


Indiscutivelmente, não foram as marinhas e paisagens de mar que fizeram a fama e a glória de Édouard Manet (1832-1883). A sua obra, na encruzilhada entre o Realismo e a Modernidade, é considerada precursora dos impressionistas, e ousada, mais nos temas do que na técnica. Emblemáticos são, sobretudo, "Le déjeneur sur l'herbe" ou "Olympia" que, quase todos, conhecem.
Menos divulgados serão todavia "Le Kearsage à Boulogne", do MOMA, ou "Vue de mer, temps calme", do Art Institute of Chicago, em imagem. Duas marinhas, pintadas entre 1863 e 1865, de que gosto muito.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Berthe Morisot



Berthe Morisot, nascida a 14 de Janeiro de 1841, numa família burguesa, culta mas tradicional (ao que parece, ainda descendente de Fragonard), foi uma das poucas pintoras do séc. XIX a adquirir projecção importante. Discípula de Corot, foi modelo de vários quadros de Édouard Manet que, também, lhe pintou o retrato (na primeira imagem deste poste). Tendo aderido ao impressionismo, a partir de 1889 abandona esta corrente de pintura por a achar limitativa. Os seus últimos quadros são mais intimistas, sublinhados por um tratamento muito próprio da luz, subtil e delicado. Berthe Morisot morreu em 1895. O segundo quadro em imagem ( À Maurecourt) pertença de colecção particular, foi executado em 1874.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Civilidade (18) : sobre os piqueniques


Sobre piqueniques, Beatriz Nazareth no seu Manual de Civilidade e Etiqueta (Lisboa, 1898), na página 72, adverte:
"Na nossa opinião os pic-nics devem-se evitar. N'estas festas reina uma familiaridade que toca a raia dos inconvenientes. Cada qual sente-se em sua casa e as pessoas de natureza um pouco grosseiras não se julgam obrigadas á etiqueta que existe quando há só um amphitryão. E depois, porque estas refeições de despezas comuns dão logar a todas as especies de reparos pouco caridosos, pouco amaveis e pouco convenientes: «Aquella senhora trouxe dois frangos e seis pessoas para comer. - «A  menina X. deu um prato de morangos e comeu de tudo quanto havia», etc.
Estas festas acho-as possíveis apenas sob a condição de reunir todas as pessoas egualmente bem educadas."

domingo, 23 de janeiro de 2011

Édouard Manet



Édouard Manet nasceu em Paris a 23 de Janeiro de 1832. Do seu quadro, porventura mais conhecido, Olympia (1863), cujo modelo foi Victorine Meurent, mostra-se um esboço prévio. A pintura remete, irresistivelmente, para a Vénus de Urbino, de Ticiano (1490?-1576), que se guarda nos Uffizi. E, de algum modo, para as Majas, de Goya (1746-1828), pintadas entre 1800 e 1803, de que se diz que o modelo terá sido a Duquesa de Alba. Edouard Manet morreu, em Paris, a 30 de Abril de 1883.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

As "greguerías" de Ramón Gómez de la Serna



Já aqui falamos (5 e 6 de Maio de 2010) deste espanhol que criou o termo "greguerías" e as produziu em grande quantidade. As primeiras eram mais longas, conceptistas (quase num registo Quevediano), mais objectivas e neutras; depois foram tendendo para maior concisão, humor, muitas vezes, num "flash" fotográfico, oportuno e perspicaz sobre a Natureza e os homens. Como um "hai-kai" europeu, mais livre e mais aberto. As 3 que traduzi, a seguir, pertencem à primeira fase e foram escritas entre 1913 e 1919.
1. Todas as carnes mortas parecem doer-se mesmo quando o talhante as corta. Todas menos o presunto... O presunto está satisfeito por ter melhorado com a morte e a salga; está satisfeito de ser o rico presunto, e gosta de repartir-se em fatias finas, revelando, além disso, a sua beleza fatiada e inconfundível.
2. Essas duas nuvenzitas brancas, sozinhas, pequenas como meninas - como meninas na primeira comunhão - que se veem, às vezes, no céu sereno, na grandeza admirável do céu. Parecem cheias de timidez e fechadas no meio da grande esplanada azul... Parecem ovelhas perdidas, extraviadas do rebanho, sem saber para onde ir, quietas e olhando para todos os lados, irresolutas e atónitas... Tão grande se transforma o seu sentimento de modéstia ante a imodésta extensão azul, que se desvanecem magicamente no azul.
3. No Outono deviam cair todas as folhas dos livros.