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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A manhã em tons dourados


De manhã, e já na rua, apercebi-me de um vulto feminino, saído de um pequeno centro comercial outrabandista, a colocar, em local estratégico e bem visível, um cartaz (+ 1) a anunciar a compra de ouro.
Loira platinada, casaco comprido de boa marca, rabo de cavalo com argola de veludo negro, donde saíam os cabelos, parecia uma "tia de Cascais". Mas agora, por causa da crise e da troika, quase tudo sofreu uma desvalorização. E estas senhoras queques parece que foram despromovidas para "primas de Chelas".

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Uma história de sucesso : o arrumador da minha rua


Ainda me lembro dele, aqui há uns 7 ou 8 anos, esgrouviado e despenteado, com a sua garrafa de água de litro e meio, e um ar esgazeado e sujo. Depois, fez uma parceria familiar com uma jovem de "paupérrimas feições" que praguejava mais alto e mais fundo do que um estivador empedernido. Pegavam às 7,30 da manhã e largavam às 11; voltavam a meio da tarde e por ali ficavam, aos gritos, impropérios e gesticulações até os lugares de estacionamento ficarem todos preenchidos com os carros dos noctívagos para o Bairro Alto. Por volta da meia-noite, costumavam introduzir, nos dois parquímetros da rua, cápsulas de latas de coca-cola, para os inutilizar, e assim exercer o seu mester, impunemente. O casal, entretanto, ia bebendo cerveja, em vez de água, por garrafas de litro. Um dia a rapariga desbocada desapareceu, para sempre (overdose?, mudança de ramo?). Entretanto, o arrumador fez-se amigo de algumas "Tias" que trabalham na zona e que até lhe facultavam a chave do carro, para ele lhes arrumar o veículo, nos melhores espaços. E há 4 anos, pouco mais ao menos, começou a vir para o trabalho num carro velho, um pouco desconjuntado, que conduzia com habilidade surpreendente. Já tratava as "Tias" pelo nome próprio e cumprimentava, de igual para igual, os engenheiros e doutores da zona. Entretanto, mudou de carro, um Opel, em segunda mão, mas em bom estado. Já vestia roupa de marca e rapou a cabeça, modelarmente. O negócio ia de vento em popa, e tinha já muitas "Tias" e clientes fidelizados. E arranjou um empregado, esgrouviado como ele era a princípio, que arrasta os pés, praguejando continuamente. Para minha surpresa, este seu colaborador, há dois meses ou três, começou a vir de bicicleta, para o seu posto de trabalho. Qualquer dia, se calhar, também compra um carro em 2ª mão. Entretanto, o patrão, ou arrumador primitivo, já aparece menos: poupa-se e trabalha mais como supervisor. Deve andar a pensar em arranjar uns "franchisados" e mudar de carro, outra vez... São as novas oportunidades!