Mostrar mensagens com a etiqueta "Le Monde". Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta "Le Monde". Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Apontamento 37: As poderosas senhoras e os pobrezinhos



Ontem, um amigo trouxe-nos um jornal francês que aproveitou um "cartoon" de António, anteriormente publicado no "Expresso", com as "pobres" figuras das duas senhoras poderosas reproduzidas acima.
A "lagarta", que costuma apresentar-se com roupagens de alta costura, à francesa", afinou, ultimamente, o seu discurso hipócrita, falando dos "pobrezinhos", coitados, a sofrerem com os programas do FMI. 
A "senhora" Merkel, a quem o António, certamente por deferência, não pôs os soquetes que ela costuma usar mesmo debaixo de vestidos de cerimónia, é conhecida pelos seus casacos "chapa zero".
No entanto, a pretensa sovinice merkeliana vale apenas para os pobrezinhos, já que ela bebe da mesma fonte ideológica da "lagarta".
E, para centrar a questão naquilo que verdadeiramente interessa, nada melhor do que terminar com a brilhante síntese de Viriato de Soromenho-Marques, publicada, hoje, no "DN".


Post de HMJ

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Geografia, intercâmbios, tribos e famílias


Há dias, em conversa cordial, veio à mesa o tema que titula este poste e, se um de nós preferia a palavra família, para caracterizar o agregado humano de proximidade, os outros dois interlocutores optavam pelo termo tribo, talvez pelo seu mais amplo significado antropológico. Porque o primeiro entendia que família era, antes de tudo, unidade, enquanto à tribo estariam associados sentimentos de inveja e rivalidade, fossem eles de cariz profissional, ou não. Ora, eu creio que, mesmo a família contém em si, também, factores de emulação, desacordo e até inveja que acabam, quase sempre, por existir em qualquer grupo humano. Mas também segregam sinais de semelhança, completude e inter-ajuda solidária, se não por afecto, pelo menos, por dever e regra social.
A geografia inicial destes grupos é a de proximidade. Lembro-me que, na infância-adolescência, e na minha rua, eramos três a coleccionar selos: E. dedicava-se à França e colónias francesas, Q. juntava selos da Bélgica e de Itália, e eu guardava, com particular agrado, estampilhas da Alemanha e da Holanda, preferencialmente. E, depois, entre nós, cedíamos os repetidos desses países, aos outros amigos.
O mesmo acontecia com livros e leituras: E. comprava todas as obras de Urbano T. Rodrigues, eu, os de Fernando Namora. E íamos emprestando, um ao outro, as obras que íamos lendo, fazendo anteceder os empréstimos de pequenos comentários de avaliação sobre as leituras já efectuadas.
Na actualidade, estes intercâmbios subiram de patamar. Com o meu bom amigo H., troco semanalmente, depois de lidos, o "Obs" e o TLS pelo Atual (do Expresso) e pelo "Le Monde". Para proveito de ambos, e da tribo.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O tempo, a forma e o conteúdo


Ao ler em "Le Monde" (29/11/13), um pequeno texto sobre a perda  de influência e esquecimento a que foi votada a obra da poetisa Anna de Noailles (1876-1933), outrora muito lida em França, dei-me a pensar em como os poemas, ou grande parte da poesia, fica indefesa perante o Tempo. Muitas vezes por ser excessivamente datada ou porque dedicada a um motivo que, com os anos, vai perdendo importância.
Em tempo de veleidade juvenil, eu costumava dizer, peremptoriamente, que um poema, para subsistir, não devia conter palavras demasiado actuais e concretas, como por exemplo: telefone ou máquina de escrever que, no futuro, poderiam assumir novas formas ou, pura e simplesmente, desaparecer. E que para os leitores vindouros seriam objectos obsoletos, sem significado, nem simbologia perpétua.
Porque, de algum modo, uma peça de teatro ou um romance adaptado ao cinema, até mesmo uma ópera, cujo tema com o tempo se tornou desajustado ou naïf, através de uma nova encenação imaginosa e inteligente, poderá adaptar-se aos nossos dias. Um poema dificilmente ressuscita. A menos que nele haja algo de misteriosamente intemporal ou mágico. Lembremos:

O sol é grande, caem co'a calma as aves,
...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

As falenas


As falenas, para quem não saiba, são pequenas borboletas nocturnas que têm vida muito breve.
Por outro lado, a fidelidade, no seu sentido mais magnânimo e não romântico, nem conjugal, é uma virtude humana muitissimo rara.
O jornal francês "Le Monde" falava, desenvolvidamente e há algum tempo, na fadiga do Blogger, como uma circunstância das novas tecnologias. Grande parte dos Blogues não chega a completar 4 anos de exercício... Por cansaço do seu autor, quando são uninominais. Percebo inteiramente as razões.
Na realidade, 5.328 postes (que são os que conta o Arpose), em menos de quatro anos, são um acervo considerável. Mas não nos iludamos, não é por uma nova aquisição, mesmo que espectacular, que um Museu passa a ser mais visitado, com constância e fidelidade. 
Dos 79 seguidores do Arpose, cerca de 1/5 são visita constante e diária - agradeço-lhes, muito reconhecido, esta prova de paciência, constância e estímulo para comigo. Que me dão forças, e não fadiga, para continuar. Mas a restante centena e meia diária (média de Agosto) de visitantes são bissextos, deslumbrados por alguma imagem mais insólita ou audaz, oportunistas, sugadores de traduções e textos, em suma, são as falenas... E nunca interagem, nem comentam, são vozes, meramente, passivas e vegetais.
É por isso que eu só me comprometi a seguir 11 Blogues, de que, aliás, gosto muito. É tudo aquilo que pode a minha fidelidade, capacidade e atenção possível. Modesta, com certeza, mas humana e sólida. Diária.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A rainha


O jornal "Le Monde", de 3/2/12, dedica um extenso artigo a Isabel II, a propósito do 60º aniversário da sua coroação. O periódico refere, entre outras coisas, que a rainha não abdica, nunca, da escolha pessoal, muito criteriosa, dos seus colaboradores mais próximos, quer sejam secretários, consultores ou damas de honor - que são 12. Não quer, por exemplo, homens com barba ou bigode, no seu séquito. (Embora o jornal não refira que as suas escolhas nem sempre foram acertadas. Anthony Blunt (1907-1983), seu consultor para Arte, veio a descobrir-se, em 1979, que trabalhava para o KGB. Mas realmente não usava barba, nem bigode...)
E "Le Monde" termina, muito british, dizendo que Isabel II não reina, de facto, senão sobre os cisnes, as baleias e os esturjões do seu reino. Um inglês, com humor, não diria melhor.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Roland Barthes e a Torre Eiffel


O suplemento de "Le Monde" de 16/12/2011, a propósito de ofertas literárias pelo Natal, faz um destaque especial, na primeira página, chamando a atenção para um pequeno (96 páginas) livro de Roland Barthes, publicado inicialmente, em 1964, com o título La Tour Eiffel. O livro foi reeditado, agora, pela Seuil. É um exercício de Barthes sobre o triunfo do "vazio". Passo a traduzir um pequeno excerto do texto de R. Barthes:
"A Torre não é nada, cumpre apenas uma espécie de grau zero do monumento; ela não participa de nada em matéria do sagrado, nem mesmo da Arte; não se pode visitar a Torre  como se visita um museu: não há nada para ver na Torre. Este monumento vazio recebe, no entanto, cada ano duas vezes mais visitantes do que o Museu do Louvre."

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

"Quien no puede dar en el asno, da en la albarda"


Os "Indignados", ao que parece, já começaram também a aparecer no Uganda. Sinal dos tempos.
Perante a opressão e ataques soezes, os seres humanos acabam por reagir, mais ou menos, da mesma maneira. Foi assim que, quando a nefanda Moody's começou a denegrir Portugal, baixando-lhe a nota, nos insurgimos, aqui no Arpose, e apontamos o facto cobarde de nem sequer darem a cara, acobertando-se no escuro das suas tocas. Com extrema dificuldade conseguimos postar a cara de um dos seus elementos: Antonio Tomas, trintão macilento, de ar linfáctico e enfezado. Mas a fotografia até era pouco nítida, parecendo que o rapaz também sofria de acne.
Pois a jornalista Isabelle Talès, do Le Monde, queixa-se do mesmo ("Triple aïe", em 21/10/2011). Os ratos da Moody's não dão a cara. No caso da França, eles dão a notícia, mas não aparecem rostos, apenas surge o logotipo da Agência de ratos, ou o arranha-céus onde está sediada. Já é um ponto: fica-se a saber onde moram estes murganhos.
Ora, os espanhóis têm um provérbio (título deste poste) que, traduzido para português, diz: "Quem não pode bater no asno, bate na albarda". E aqui deixo um conselho de insurgimento objectivo aos erráticos "Indignados" do mundo que acampam nas praças principais das cidades. Que se dirijam às sedes destas agências de ratos e, na impossibilidade de dar  umas bengaladas valentes nos musaranhos, escavaquem aquilo tudo, destruam totalmente essas tocas nefandas. Será uma jornada mais limpa, objectiva e útil para bem da Humanidade.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Dois sublinhados (polémicos?) no "Le Monde"


Da leitura do "Le Monde", de 13/10/2011, amavelmente cedido por H. N., ressaltaram-se-me à reflexão 2 pontos de vista que passo a referir e traduzir, para partilha mais alargada:
1. Sanjay Subrahmanyam (1961), académico indiano a leccionar na América (Califórnia) e autor duma extensa biografia sobre Vasco da Gama ( ao que parece, "homem de pernas muito curtas, barba preta, nariz longo e lábios apertados") foi entrevistado pelo "Le Monde", a propósito da tradução e saída dessa biografia, em França, do navegador português. Numa das respostas, Sanjay afirma: "...É errado dizer que os Portugueses vieram ao oceano Índico para abrir o mercado, eles foram lá para fazer um certo tipo de comércio, com muita violência. ..."
Devo acrescentar que, quando li aqui há uns anos esta biografia, em português, não achei este historiador, de origem indiana, particularmente imparcial.
2. No mesmo jornal, li com especial interesse um texto de Elisabeth Roudinesco (1944), francesa de origem paterna romeno-judaica, analisando e comentando um livro de Laure Murat, intitulado "L'homme qui se prenait pour Napoléon". Diz a jornalista que "Todos os médicos da alma puseram a questão de saber se as convulsões políticas desempenharam um papel na eclosão do delírio e na aparição da loucura." E há, também, intercalado no texto, um sub-título muito curioso: "O nascimento da psiquiatria coincide com a invenção da guilhotina."
Ora, se os portugueses não estão a ser, nem vão ser (que eu saiba) guilhotinados, no momento presente, pelo menos, estão a ser asfixiados, desesperadamente, do ponto de vista económico-financeiro.

com agradecimentos a H. N..

sábado, 2 de julho de 2011

ND versus DSK


Evitei, por várias razões e motivos, escrever aqui, ou comentar, sobre o caso, na altura e a quente. Mas agora que, ao que parece, a "montanha" da Justiça americana "pariu um rato", parece-me oportuno dizer alguma coisa. Verberar a histeria dos Media, sobretudo do grupo Murdoch que aproveitou o caso até à exaustão. A condenação anunciada do ex-director-geral do FMI terá sido um filão rentável para as audiências. E as imagens serviram, optimamente, os desígnios torpes (onde é que eu já vi isto?). É, no entanto curioso, que a libertação, substituída por retenção domiciliária, de DSK se tenha produzido só depois da nomeação da Sra. Lagarde para a direcção do FMI. E da proclamação de Martine Aubry, como candidata às eleições presidenciais francesas. Até parece uma conspiração feminina...
Resta-me referir as sábias palavras de um homem ponderado que talvez ajudem a perceber o caso. Jean Daniel disse: "...Havia um homem e uma mulher, um rico e uma pobre, um judeu e uma muçulmana, em suma, qualquer reserva sobre o fundamento das acusações do procurador revelam um preconceito." Finalmente, no "Le Monde", Alain Frachon escreveu: "Quando o par justiça/imprensa funcionam sem um contrapeso entramos numa voragem devoradora." E é tudo.

Do livro-tijolo à folha volante


Esta caracterização singular de (livro-)tijolo, no que se refere aos volumosos e densos livros a rondar as 1.000 páginas, devo-a a um bom Amigo - a quem peço autorização para a usar. Mas todos nós os podemos ver, a estes livros-tijolo, a serem devorados (lidos?) no metropolitano e nos autocarros, por pessoas das mais diversas idades e de ambos os sexos. Nos homens, mais os jovens.
Mas tudo vai tendo novas modas e, como os vinhos de fortes graduações, por saturação do consumidor, se vão transformando em vinhos mais leves, assim também é provável que estes calhamaços pesados, lidos nos transportes públicos, dêem lugar a pequenas folhas volantes literárias, de muito mais fácil manuseio e leitura. Há prenúncios e "Le Monde", na sua edição de 24/6/2011, faz-se eco deste facto.
O primeiro sinal de alarme terá sido a edição de "Indignez-vous!" de Stéphane Hessel (de que já falamos, aqui, no Blogue), com 32 páginas, que em França custava 3,00 euros e que, em 8 meses, vendeu mais de 2 milhões de cópias, fazendo a fortuna e a notoriedade de uma pequena editora de Montpellier. Não tenho números sobre as vendas em Portugal, mas sei que, na Itália e Espanha, as traduções foram um sucesso de venda, também. As editoras francesas estão a apostar em força nestas pequenas brochuras, de grande difusão, sobre temas candentes. Hessel já tem mais uma folha volante na forja, em parceria com o sociólogo Edgar Morin, para além dum livro de entrevistas, publicado entretanto.
Adeus, Livro-tijolo!?

para H.N., com agradecimentos.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sinais do Tempo : blogues e contribuidores



Pela mão amiga de H. N., tomei conhecimento através de "Le Monde", de algumas novidades relacionadas com: sítios, blogues e contribuidores. Será, porventura, um fait-divers mas é, também, um sinal dos tempos. Desde a greve dos colaboradores do sítio do jornal "Huffington Post", na América, que se cansaram de contribuir, graciosamente, até Hughes Serraf, em França, começa a haver um movimento crescente e impaciente no sentido de que este trabalho seja remunerado. Os contribuidores cansaram-se de apenas ganharem visibilidade e notoriedade, de terem de suportar os plagiadores e sanguessugas que proliferam à volta, e de, nada de concreto, receberem em troca. Se alguns ainda auferem um modesto pagamento (de 200 a 620 euros, na França), a grande maioria dos que escrevem para sites nada ganham. O jornal "Le Monde", no desenvolvimento do tema, acrescenta: "Manter um blogue é uma ascese: é preciso alimentá-lo todos os dias. E, depois, mais dia menos dia, acontece um fenómeno bem conhecido sob o nome de «fadiga do bloguer». Começa a sentir-se o vazio, pensamos: «Já não tenho nada para dizer, acabaram-se-me as ideias» - refere Caroline Franc..."

A acompanhar, com atenção...

com a devida vénia a "Le Monde" e agradecimentos a H.N..

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Salão de Recusados XXIX : Umberto Eco



O jornal Le Monde, de 12 de Outubro de 2010, publicou uma entrevista de Umberto Eco (1932) sobre diversos assuntos. Dela retirei 2 respostas que passo a traduzir:
1. Sobre a Internet: " A Internet é o escândalo duma memória sem filtragem onde não se distingue o erro, da verdade."
2. Sobre livros: "Há o amor do objecto. Se eu vou à minha cave e reencontro o meu Pinocchio de quando eu tinha 8 anos (...) regressam-me as emoções que eu não encontro numa disquete que contenha o texto do Pinocchio."

P.S.: para H.N., com agradecimentos.