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sexta-feira, 23 de junho de 2023

Monstros, Deviantes e Marginalidades

Margins, Monsters, Deviants


Merkelbach, R. (2020): Margins, Monsters, Deviants: Alterities in Old Norse Literature and Culture. The North Atlantic World Vol. 3. Brepols Publishers. Leiden  ISBN: 978-2-503-58586-4 DOI: 10.1484/M.NAW-EB.5.118188


Sinopse
A literatura islandesa medieval muitas vezes foi reduzida ao supostamente realista Islendingasogur e seus principais protagonistas em detrimento de outros gêneros e personagens. De fato, tal foco obscurece e apaga a importância daqueles seres e narrativas que se movem à margem da cultura dominante –seja social, étnica, ontológica ou textualmente. 

"O Troll da floresta" de Theodor Kittelsen 1906, Museu Nacional de Noruega

Este volume visa oferecer uma nova perspectiva sobre uma variedade de abordagens teóricas e comparativas para explorar representações de alteridade, monstruosidade e desvio. Envolvendo-se com a interação de gênero, personagem, texto e cultura e explorando questões de alteridade comportamental, sociocultural e textual, essas contribuições examinam assuntos que vão desde o estudo de narrativas de saga fragmentadas e 'Outras' até atitudes em relação a pessoas estrangeiras e terras, e alteridades em textos mitológicos e lendários. 

desenho de guerreiro-lobo da placa de Toorslunda; e recriação do artista Johnny Shumate


Juntos, os documentos efetivamente desafiam as percepções de longa data sobre a falta de ambigüidade na literatura islandesa medieval e oferecem uma compreensão muito mais sutil da importância do 'Outro' naquela sociedade.


INDEX

Introduction: Old Norse Alterities in Contemporary Context 
p. 9
Rebecca Merkelbach and Gwendolyne Knight 


Section I Paranormal Beings

Categorizing the Werewolf; or, the Peopleness of 
Shapeshifters p. 27
Gwendolyne Knight 

Taming the Wolf: Reading Bisclaret in Light of 
Old Norse Kennings p.45
Minjie Su 

Between Myths and Legends: The Guises of 
Goðmundr of Glæsisvellir p. 69
Tom Grant and Jonathan Y. H. Hui 


Section II Rogue Sagas

‘The coarsest and worst of the Íslendinga Sagas’: Approaching 
the Alterity of the ‘Post-Classical’ Sagas of Icelanders p.101
Rebecca Merkelbach 

Considering Otherness on the Page: How Do Lacunae Affect t
he Way We Interact with Saga Narrative?p. 129
Joanne Shortt Butler 

Section III Marginality and Interconnectedness

Surface, Rupture, and Contextualities: Conflicting Voices of the 
Iberian ‘Other/s’ in Old Norse Literature  p. 159
Roderick W. McDonald 

Otherness along the Austrvegr: Cultural Interaction 
between the Rus’ and the Turkic Nomads of the Steppe  p.189
Csete Katona 

The Man Who Seemed Like a Troll: Racism in Old Norse 
Literature  p. 215
Arngrímur Vídalín 


Afterword. Otherness, Monstrosity, and Deviation: 
The Perpetual Making of Identities p.239
Ármann Jakobsson 

Index of Primary Sources  p.241

General Index  p. 243


+INFO sobre o livro em: Margins, Monsters, Deviants

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Retornando a Pré-história - Livro


Black to the Stone Age


Pitcher, B. (2022): Back to the Stone Age: Race and Prehistory in Contemporary Culture. McGill-Queen's University Press. ISBN:  9780228014515


Sinopse: A vida humana pré-histórica é um ponto de referência comum na cultura contemporânea, inspirando tentativas de se tornar pessoas mais felizes, saudáveis ou melhores. Explorados pelo capitalismo, subjugados pela tecnologia e vivendo à sombra da catástrofe ambiental, apelamos ao pré-histórico para escapar do presente e modelar formas alternativas de viver nossas vidas. 



Em "De volta volta à Idade da Pedra", Ben Pitcher explora como as ideias sobre raça estão fortemente entrelaçadas nas poderosas histórias de origem que usamos para explicar quem somos, de onde viemos e como somos. Usando uma ampla gama de exemplos da cultura popular – desde práticas cotidianas como acender fogueiras e caminhar na floresta até engajamentos com tecnologias genéticas e DNA neandertal ... 


De megálitos e manequins de museu a programas de televisão e best-sellers de não-ficção – Pitcher demonstra como a pré-história está viva no século XXI, e argumenta que os voos populares de volta no tempo fornecem achegas reveladoras sobre ansiedades, obsessões e preocupações atuais. 


De volta à Idade da Pedra mostra que o passado humano não está gravado em pedra. Ao abrir o pré-histórico à contestação crítica, Pitcher coloca a justiça racial no centro das questões sobre a existência e persistência do Homo sapiens no mundo contemporâneo.


INDEX

Introduction

1 A Turn to Prehistory

2 Becoming Prehistoric

3 Prehistory and the Popular Culture of the Anthropocene

4 Genetic Prehistory

5 Prehistory, Landscape, and Belonging

6 Facing Up to Prehistory

7 Piltdown Man and the Endomorphic Gravel Pit

Conclusion

Notes

Bibliography

Index


+INFO sobre o livro em: Back to the Stone Age

quinta-feira, 30 de março de 2023

Raças e Nações, Ciência e Poder

NATIONAL RACES

McMahon, R. (2019): National Races: Transnational Power Struggles in the Sciences and Politics of Human Diversity, 1840-1945. Critical Studies in the History of Anthropology. University of Nebraska Press. Lincoln. ISBN: 9781496205827


Sinopse: 
National Races explora como a política interagiu com a ciência transnacional no século XIX e início do século XX. Essa interação produziu discursos de identidade nacional poderosos e racializados, cuja influência continua a ressoar na cultura e na política de hoje. Etnólogos, antropólogos e raciólogos compararam tipos físicos modernos com achados de esqueletos antigos para desenterrar o passado pré-histórico profundo e a verdadeira natureza das nações. Esses cientistas entendiam que certos tipos físicos eram o que Richard McMahon chama de “raças nacionais”, ou as essências biológicas eternas das nações.


Os colaboradores deste volume abordam uma tensão central na classificação antropológica da raça. Por um lado, os classificadores eram nacionalistas que explícita ou implicitamente usavam narrativas raciais para promover agendas políticas. Seus relatos da geopolítica pré-histórica trataram as “raças nacionais” como representantes das nações para legitimar as posições geopolíticas atuais. Por outro lado, a comunidade transnacional de estudiosos raciais resistiu às forças centrífugas do nacionalismo. Seu projeto interdisciplinar foi um episódio vital no desenvolvimento das ciências sociais, usando a classificação biológica da raça para explicar a história, a geografia, as relações e a psicologia das nações.


National Races vai ao cerne das tensões entre nacionalismo e transnacionalismo, política e ciência, examinando a ciência transnacional da perspetiva de suas periferias. Os colaboradores do livro complementam o foco tradicional dos historiadores na França, Grã-Bretanha e Alemanha, com uma miríade de estudos de caso e exemplos de identidades raciais e nacionais do século XIX e início do século XX em países como Rússia, Itália, Polônia, Grécia e Iugoslávia. , e entre os antropólogos judeus.


INDEX


+INFO sobre o livro em: National Races

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

A Face Escura de Le Bon - Uma aclaração

Anda circulando estes dias em distintas versões meme uma frase da "Psicologia das Massas" de Gustave Le Bon, livro que influi muito no seu tempo sobre o particular (Freud) e que eu pessoalmente tive que ler no seu tempo para uma das assinaturas de psicologia que teve que ler durante a universidade (coisas de estudar uma carreira interdisciplinar e ser disléxico)

Não vou negar que essa obra tenha ainda coisas de interesse e apreciações as vezes corretas, mas como conheço um pouco o contexto histórico e intelectual da época e do autor creio que compre aclarar alguma coisas sobre quem era Le Bon e porque escreveu a "Psicologia das Massas" e, sobre tudo, quais eram "as massas" que tinha na cabeça quando escreveu essa obra:

Le Bon o Reacionário

Junto coa "Psicologia das Massas" Le Bon escreveu "A Revolução Francesa e a Psicologia das Revoluções", em realidade os dois livros criticavam o mesmo, pois Le Bon era um ultraconservador (em essa época lhes chamavam "reacionários") e estava em contra tanto da Revolução Francesa (e as Revoluções Liberais da primeira metade do s. XIX), assim como contra Democracia ou o nascente Socialismo, para ele todas estas coisas (Revolução, Democracia, Socialismo) eram exemplos do que passava se essas massas irracionais não estavam controladas ferreamente por umas elites civis e religiosas e chegavam a ter poder.

O mais paradoxal é que Psicologia das Massas que era uma crítica e denuncia do manipulável das massas inspirou durante os anos 30 aos fascistas italianos, Mussolini era um leitor ávido de Le Bon, assim como nazis alemães, o próprio Hitler mesmo o cita no seu Mein Kämpf, para desenhar técnicas de manipulação de massas.

Le Bon o antifeminista, racista e eugenista

Le Bon também considerava que as raças se diferenciavam pela inteligência e por tanto havia povos -e civilizações superiores a outros ("Psicologia da Evolução dos Povos", "A Civilização da Índia" "A Civilização dos Árabes")

E consideraba que igualmente os varões eram por natureza mais inteligentes ao ter o cérebro mais grande, pelo qual estava em contra do acesso das mulheres a educação e as responsabilidades politicas -entre elas o direito ao voto- ("Da natureza das mulher e a sua incompatibilidade como o exercício do poder") e igualmente era partidário da eugénica, do colonialismo e criticava aos pacifistas como bom militarista que era ("Psicologia do Socialismo", "Sobre as Primeiras Consequências da Guerra" -a I Guerra Mundial- ).

Despistados, Memes e viralidade

Levi-Strauss tem morto já 3 ou 4 vezes no Facebook, cada certo tempo alguém topa na rede a nova do seu passamento sem reparar na da data, ao qual lhe seguem mostras de desconsolo pela morte de este grande antropólogo (morreu com 100 e pico de anos pelo que agora já seria Matusalem se estiva morrendo outra vez). 

Não é nada novo, de igual jeito cada certo tempo aparecem frases descontextualizadas de diversos autores (outro caso recorrente e o dum meme com uma frase de Ayn Rand -uma pensadora apenas apta para gente sem nenhuma empatia (ou quase), isto é para psicopatas que cada certo tempo alguém topa e saca do caixão: mesmo picaram na armadilha gente de esquerdas e até acratas digo "acratas" de verdade, não Ancaps loucos) ... mas não nos enganemos se hoje Le Bon vivesse seria um decidido partidário de Marie Le Pen e similares.

Nem Demonizar nem Angelizar, "oui ou non? ... differant"

Não se trata tampouco de demonizar a esse barbudo, que já faz tempo que esta repousando no Campo Santo, isto é algo demasiado frequente hoje na redes sociais, nas que se perde por apaixonadamente o bom juízo e um mirada racional sobre os assuntos nos que se discute... mas sim de entender criticamente o que lemos e sê-nos vem ao ecrã fortuitamente.

Podemos escusar a ignorância, ninguém sabe tudo e pode cometer erros, nem temos de saber de todos, quem eram e a que abdicavam o tempo livre, todos pudemos interpretar coisas sem saber, sentir-nos identificados com uma frase concreta de alguém com o que em realidade nunca nos identificaríamos, é inevitável. Mais certo é que uma vez conhecido o contexto e as implicações de algo (um texto, uma ideia), quando a nossa mirada se torna "informada", obviamente, já não pode ser a mesma

Porque ler ainda?, ... e como Ler?

Não digo que não se leia a Le Bon (além do meme que emerge de vez em quando do esquecimento), mesmo ler a Le Bon conhecendo seu contexto e os porquês do que diz mesmo pode ter utilidade, pode ser um bom exercício critico de revisão dos prejuízos ou mentalidade de uma época, tal vez de esse contraste pudéramos ainda aprender algo de nós mesmos, de alguns discursos ou ideias que as vezes assumimos inconscientemente sem consciência dos ecos curiosamente similares ao autor que lemos, o espelho estranho do passado pode-nos ajudar no "estranhamento" do nosso pressente, distanciando-nos do que se entende como "obvio", nenhum "sentido comum" é comum além das coordenadas do seu contexto na época e no espaço geográfico que ocupa.

Se pode se ler a Le Bon, sim, mais não desde a ingenuidade senão desde uma visão critica e informada. Desde este ponto de vista ler a Le Bon não tem porque fazer de ti um Leboniano. como tampouco a leitura de algum discurso das Obras Completas de B. Mussolini te faz automaticamente fascista e italiano, ou não se pode ler a Carl Schmidt sem ser militante do NSPD?, mesmo se pode aprender algo sobre alguns sinais de alarma que de outro jeito nos passariam desapercebidos.

Basicamente assim é como pensa um historiador... senão quedaríamos sem fontes 


Algo de Bibliografia:

Uma pequena escolma da obra de Le Bon aqui

Sobre a infuencia de Le Bon e o lebonianismo no contexto sudamericano e caribenho:

Flórez Bolívar, F.J (2009): "Rastros, rostros y voces del racismo institucional en Cartagena: Un acercamiento a partir del debate de la “degeneración de las razas”, 1910-1930" Jangwa Pana Nº 6-7 aqui

Gallo, O. (2021): "Inmigración y eugenesia en el Caribe" Esboços, Florianópolis, Nº 28, 47 aqui