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quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Economias Camponesas na Hispânia Romana

Peasant Economies & Societies
 in Ancient Roman Iberia

Bermejo Tirado, J. & Grau Mira, I. (2025): Peasant Economies and Societies in Ancient Roman Iberia. Elements in Ancient and Pre-modern Economies. Cambridge University Press. Cambridge. ISBN: 9781009611190  DOI: 10.1017/9781009611190

Sinopse  
Este Elemento revisita os paradigmas historiográficos e arqueológicos das economias rurais romanas, com foco particular nas comunidades camponesas da Península Ibérica Romana. 


Tradicionalmente ofuscadas pela predominância do modelo de villa schiavistica, centrado em grandes propriedades agrícolas operadas por escravos, pesquisas interdisciplinares recentes revelaram a complexidade e a persistência das economias camponesas. 


Ao integrar dados de levantamentos arqueológicos, escavações de resgate e análises textuais, este volume destaca a importância dos assentamentos dispersos, das pequenas propriedades rurais e das estratégias agrárias sustentáveis ​​que definiram a paisagem camponesa. Estudos de caso de diversos setores da Península Ibérica demonstram diversos modos de uso da terra, como cultivo intensivo, rotação de culturas e adubação, que contrastam com os pressupostos económicos vinculados a modelos de produção dominados pelas elites. 


Além disso, o autor explora as estruturas socio-econômicas e as estratégias adaptativas dos camponeses romanos, enfatizando o seu papel central na formação das paisagens. Este Elemento defende a reavaliação do campesinato romano como agentes ativos e complexos na história antiga.

INDEX

1 Introduction: Defining Roman 
Peasant Economics p. 1

2 Roman Peasant Settlements and
 Productive Structures p. 9

3 Roman Peasant Economy as Seen 
through Landscapes and Agrarian Systems p. 31

4 Roman Peasant Networks 
and Economic Hubs p. 40

5 Peasant Economies and 
Roman Markets  p. 45

6 Conclusions and Future Directions p. 48

References p. 53


Descarregar o livro em:  Peasant Economies Roman Iberia

Produção e Artesanato na Italia Pré-romana - Livro

Organizations of Production and Crafts in Pre-Roman Italy

Burkhardt, N. & Krämer, R.P. (eds.) (2022): Organizations of Production and Crafts in Pre-Roman Italy. Archaeology and Economy in the Ancient World: Proceedings of the 19th International Congress of Classical Archaeology, Cologne/Bonn 2018 Vol. 11. Propylaeum. Heidelberg.  ISBN: 978-3-96929-058-3   DOI: 10.11588/propylaeum.87

Sinopse  
Embora questões e abordagens econômicas estejam se tornando cada vez mais importantes nos estudos clássicos, esse não é necessariamente o caso das pesquisas sobre a "Itália pré-romana", a península Itálica, a Sicília e a Sardenha durante a Idade do Ferro. 


Até recentemente, praticamente não havia estudos económicos sobre a "Itália pré-romana", com algumas exceções que se concentravam em áreas muito específicas: (1) a especialização do artesanato e da produção no contexto dos processos de urbanização; (2) setores produtivos específicos, como agricultura, metalurgia e produção de sal; (3) estudos de colónias gregas e contactos entre gregos e "populações indígenas"; (4) análises do comportamento do consumidor, especialmente o consumo de cerâmica grega.


No entanto, escavações e investigações recentes de oficinas, por exemplo em Gabii, Pithekoussa, Crotona, Lokroi Epizephyrioi, Naxos, Selinunte e Kyme/Cumae, produziram uma riqueza de novos dados que estimulam uma discussão frutífera e produtiva sobre as formas organizacionais de produção e artesanato na "Itália pré-romana". Nesta ocasião, quatro membros do Grupo de Trabalho Etrusco e Itálico da DArV eV (Associação Alemã para o Estudo de Etruscos e Italianos) discutiram aspetos económicos da "Itália pré-romana" neste painel, com base nos seus projetos de pesquisa atuais. 



O foco de todas as contribuições está na produção e no artesanato. O objetivo deste volume é contribuir para o debate sobre possíveis padrões geográficos, cronológicos e funcionais na organização do artesanato e da produção, por meio da discussão de estudos de caso e métodos atuais.

INDEX

Organizations of Production and Crafts in 
Pre-Roman Italy: An Introduction
Nadin Burkhardt, Robinson Peter Krämer

Was there an Etruscan Ritual Economy? 
Tracing the Organization of
Production and Crafts in Etruscan 
Sanctuaries (8th–5th Centuries BC)
Robinson Peter Krämer

For the Pottery and for the Potters: 
an Ergonomic Approach to Pottery
Production in Italy (8th–1st Century BC)
Raffaella Da Vela

Spezialisierungsfolgen: Struktur und 
Befunde der metallverarbeitenden
Werkstätten in frühgriechischen Siedlungen
Nadin Burkhardt

An Iron Age Metal Workshop
 at Gabii, Latium
Sophie Helas


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sábado, 16 de agosto de 2025

Produção e Comércio na Itália Pré-Romana - Livro

Production, Trade, & Connectivity in Pre-Roman Italy

Armstrong, J. & Cohen, S. (2022): Production, Trade, and Connectivity in Pre-Roman Italy. Routledge Monographs in Classical Studies. Routledge. Londres. ISBN: 978-0-367-63793-4 DOI: 10.4324/9781003120728

Sinopse   
Este livro explora a complexa relação entre produção, comércio e conectividade na Itália pré-romana, confrontando ideias estabelecidas sobre as conexões entre pessoas, objetos e ideias, e destacando como a mudança social e a formação da comunidade estão enraizadas nas interações individuais.





O volume aborda e se baseia em recentes mudanças de paradigma na arqueologia e na história do Mediterrâneo antigo, que centralizaram os processos sociais e económicos que produzem comunidades. Utiliza uma série de estudos de caso, abrangendo a produção, o comércio e a movimentação de objetos e pessoas, para explorar novos modelos de organização da produção e a relação recursiva existente entre as esferas cultural e económica da sociedade humana. 



As contribuições abordam questões de agência e produção em múltiplas escalas de análise, desde discussões teóricas mais amplas sobre comércio e identidade em diferentes regiões até explorações contextuais específicas de técnicas de produção e da distribuição da cultura material pela Península Itálica.


Produção, Comércio e Conectividade na Itália Pré-Romana destina-se a estudantes e académicos interessados em arqueologia e história da Itália pré-romana e do início da República Italiana, mas especialmente em produção, comércio, formação de comunidades e identidade. Aqueles interessados em questões de interação cultural e mudança material no mundo mediterrâneo antigo encontrarão exemplos comparativos e abordagens metodológicas úteis em todo o livro

INDEX


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terça-feira, 25 de junho de 2024

O uso e Produção do Ocre - Documentário

A utilização de pigmentos minerais, em particular o ocre vermelho, está atualmente no centro do debate sobre a origem do homem moderno e a complexidade cultural. A primeira evidência segura do uso do ocre foi encontrada em sítios arqueológicos de 400.000 anos na África e na Europa. Nestes locais, as rochas ricas em ferro são modificadas por trituração, raspagem, fricção e martelamento para produzir pó vermelho. 



Em alguns casos, peças de ocres modificadas foram usadas como giz. Vestígios de processamento de ocre na forma de fragmentos de ocre e ferramentas de processamento  foram encontrados na maioria dos locais da Idade da Pedra Média na África Austral e oriental, após 160.000 anos atrás, mas as informações sobre como e por que esse material foi usado por populações anteriores ainda são escassas.



A análise do ocre ainda em uso pelas sociedades tradicionais é essencial neste contexto. Neste documentário, investigadores da Universidade de Valência, Bordéus e Bergen apresentam os resultados das suas pesquisas sobre o paleolítico e o uso atual do ocre na Etiópia. Eles concentram a sua atenção no famoso sítio arqueológico da Caverna Porc-Epic, Dire Dawa. 



Eles também documentam a coleta, o aquecimento, o processamento, a mistura com outros ingredientes e o uso do ocre para tratamento capilar pelas mulheres Hamar, bem como o papel desse material na cultura Hamar.



terça-feira, 29 de novembro de 2022

A Evolução do Parentesco - Palestra


A Evolução dos Sistemas de Parentesco e Matrimonio


Aproveitamos agora para deixar o vídeo da palestra proferida pela Dr. Laura Fornunato, antropóloga da Universidade de Oxford, especializada em antropologia evolutiva e que se tem abdicado com mais pormenor no desenrolo e condicionamentos dos sistemas de parentesco e matrimonio. 


Em esta palestra faz uma síntese da sua pesquisa sobre estas questões, destacando os condicionantes relacionados com o sistema produtivo e as forma de transmissão da herança a descendência de acordo com o anterior, e a demografia que cada padrão gera.


Amostrando de passo as possibilidades que um estudo não apenas multicultural mas também filogenético pode abordar estas problemáticas, questão que a autora tem aplicado aos sistemas de parentesco das sociedades de origem indo-europeu e austronésio. O qual pressente um grande interessa para arqueólogos não só especializados na proto-história europeia senão também os que estudas a difusão da cultura palita ou para os linguistas em geral, que como é sabido também usam estes tipo métodos. O qual recorda e continua, ainda que com outro metodo e ferramenta, os estudos de Jack Goody sobre a diferença entre sistema familiares euro-asiaticos e africanos.


Sinopse: 

Os sistemas de parentesco e casamento representam as maneiras pelas quais os humanos organizam o parentesco e a reprodução. A pesquisa apresentada em esta palestra estende os fundamentos filosóficos, teóricos e metodológicos da biologia evolutiva para o estudo desses aspetos do comportamento social humano. Especificamente, utiliza a teoria dos jogos para mostrar que a evolução do casamento monogâmico pode ser compreendida com base na teoria da aptidão inclusiva. 

Os resultados mostram que, onde os recursos são transferidos entre gerações, o casamento monogâmico pode ser vantajoso se a divisão de recursos entre os descendentes de múltiplas esposas causar um esgotamento de seu valor adaptativo e/ou se as fêmeas concederem aos maridos maior fidelidade em troca de investimento exclusivo de recursos em seus descendentes.

Avaliam-se os resultados do modelo usando evidências sobre a história e a distribuição transcultural do casamento e estratégias de herança. Isso sugere que o casamento monogâmico pode ter surgido na Eurásia após a adoção da agricultura intensiva, pois a propriedade da terra tornou-se crítica para o sucesso produtivo e reprodutivo. 

 The Evolution of Marriage and Kinship Systems



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domingo, 23 de outubro de 2022

Do Caçador (Endo)Metropolitano


Um amigo disse-me uma vez que as pessoas que se dedicavam à pesca e viviam em zonas costeiras "eram por mentalidade os últimos caçadores-coletores"; anedotas como essa de que chegaram do Grande Sol, e aproveitaram para renovar a cozinha com a ingexão monetária de uma boa campanha.


Antes de que uma turma ofendida se me bote derriba e me acuse com o índice de desconhecimento da situação, e de denigrarem aos pescadores e gentes do mar (longe de mim tal coisa), aclarar duas coisas: 1) nada há de mau nem negativo em ser um caçador-recoletor e pensar como tal (a Humanidade leva mais tempo sendo isso, caçadora, pescadora e recoletora, e pensando como tal, do que leva portando trajem ou mesmo sacho na mão), e 2) a opinião não era minha senão de esse amigo, discutível como qualquer opinião e apoiada apenas na sua interpretação e experiencia subjetiva como empregado de gestão em uma confraria de pescadores.


Outro dia, comentando isso com outro amigo surpreso, ele me disse que seu sogro, que havia sido pescador, ficou muito surpreso com esse comportamento de seus parceiros. Ele economizava dinheiro, e me esclareceu "mas ele não era de lá, ele era do interior onde se dedicavam à agricultura".


O agricultor, goste ou não, é obrigado a planejar sua atividade em uma série contínua e gerenciar um excedente, por mais limitado que seja (para consumir e para reservar para plantar novamente), o caçador vive em um mundo mais descontínuo (hoje é possível caçar uma boa peça, talvez nada manhã) e não tem sobrante ou capacidade para armazená-lo (o que não se come hoje e agora vai apodrecer cedo), seu consumo está, portanto, condicionado por essa descontinuidade e incerteza. E isso cria seu próprio sistema de racionalidade adaptada a circunstância.


Se isso for transplantado para a uma situação atual muito geral na que as pessoas tem apenas empregos precários (se tiverem) e, portanto, rendas que estão sujeitas a incertezas sem capacidade de armazenar um excedente, no máximo fazer fronte às despesas cotidianas sem dever dinheiro ao banco (o que se chama “chegar a fim do mês” (coisa que como pai de uma família que eu conheço muito bem). Isso pode explicar essa lógica do carpe diem não-maximiçador, lógica de "consumir rapidamente”, que a fim de contas é apenas um consumir preferentemente agora que você pode pelo menos consumir algo (amanhã ao pior já não).


Se o ascetismo de poupança é sempre uma raridade, ao contrario do que defendem os neo-liberais (atrapados em isto em uma bizarra antinomia que pede consumir domesticamente como um aristotélico mas insta a ir ao Mercado como um smithiano ortodoxo). Sendo isto, como afirma-mos por norma geral, uma esquisita "raridade”, é óbvio que em essas condições ainda mais o será; porque tal ascetismo devera então ser praticamente um ascetismo de "monge mendicante" (se não se tem de que poupar, pelo menos não-gastar nada), ou o que hoje se chama eufemisticamente "políticas de austeridade" .Querer que as pessoas vivam assim, seguindo essa regula monacal secular, nesse contexto é uma fantasia delirante quando não uma utopia.


Por certo, a Utopia de Moro, fora a primeira obra em sugerir uma rígida planificação das horas trabalho e de uma ociosidade, não "ociosa" precisamente senão igualmente "produtiva". Um proto-taylorismo in nuce que tampouco é tão estranho. Devemos ter em conta, algo bem conhecido, que a ascese aforradora andou, quase sempre, da mão com a exaltação da "produção" (mas sempre, curiosamente, mais do lado do produtor e algo menos da do proprietário).



O "trabalho dignifica" diz a sabedoria do povo, mas o trabalho dignificou primeiro como castigo e mortificação do corpo, ao nível de se zorregar as costas com uma disciplina ou copiar tediosos manuscritos por horas destroçando, no entanto, com o esforço a vista. Esse e não o outro era o sentido originário do "ora et labora" monacal.

Depois, sem sair do mesmo âmbito ascético, o trabalho dignificou como uma demonstração externa de virtude e/ou "graça", ideia exprimida até suas ultimas consequências, como já no seu dia vira o Max Weber, pelo Calvinismo na ideia da predestinação para a riqueza ou "evangelho da prosperidade".

E finalmente, já como um fim em si próprio, apenas um significante valeirado do significado, uma cascara ou exoesqueleto vazio no momento atual de (Tardo-)Capitalismo; quando você não acredita mais nele como meio de alcançar o ilustrado e salvífico "progresso" (alguns ainda acreditam, mas são poucos e, normalmente, pretensiosos), e fica reduzido a mera subsistência.



Função "subsistêncial" na que o termo “Precariedade” torna cada vez mais sinónimo -e eufemismo- de outra palavra mais feia, que por isso mesmo não se quer pronunciar: “Indignidade”.


Indignidade emergente que fica sem que por isto se dilua na consciência o peso tortuoso do pecado, o estigma social e autoassumido do trabalho: o “des-emprego”. Alguns dirão que isto é "vitimismo", mas não falemos de "vitimismo": o anho pouco se queixou, para o pudera ter berrado, no justo momento de em que foi degolado ... mas, nada havia já que expiar. Nada há de "natural" em tudo isto


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