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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Piastas e "Reis Extranhos" de Hoje e Ontem


Não é nada extranho, nem desconhecido, que as linhagens reais sõem ser frequêntemente as menos "autotoctonas" naqueles paises nas que reinam. Em este sentido vai um artigo recente publicado na revista Nature Communicationque vem a aportar , através do analise paleo-genètico, alguma luz sob a origem da dinastia piasta, que protagoniza a época fundacional do reino da Polonia.

Boleslvo Piast, Bolesłavo I de Polònia

O estudo feito sob os restos esqueleticos disponiveis dos membros das distintas ramas de esta linhagem aporta dados que questionam a origem local, e mesmo a eslavicidade da familia piasta:

"Seis indivíduos identificados como Piasts apresentavam haplogrupos R1b. As análises dos dados gerados para os Piasts R1b individuais sugeriram que seu ancestral comum pertencia à linhagem R1b-P312. Atualmente, essa linhagem é observada com maior frequência na Grã-Bretanha... As evidências apresentadas acima indicam que todos os indivíduos classificados como Piastas R1b pertenciam a uma mesma família e compartilhavam a mesma linhagem do haplogrupo Y R1b-BY3549, atualmente rara na Europa. Entre as amostras datadas do período anterior à formação do Estado Piasta, a mesma linhagem foi encontrada em três amostras antigas: CGG_023713 (datada de 770–540 a.C.) da atual França<sup> 42</sup> , CGG_107766 (datada de 20–200 d.C.) dos atuais Países Baixos<sup> 42</sup> e VK177 (datada de 880–1000 d.C.) da atual Inglaterra <sup>43</sup> . Assim, nossos dados revelam que os Piastas pertenciam à linhagem R1b-BY3549, sugerindo que eram migrantes de origem não eslava...
Os resultados obtidos indicam que os Piastas não eram de origem eslava e, portanto, sugerem que forças externas desempenharam um papel fundamental no processo de formação da Polônia."
Igualmente o estudo mostra a forte interconexão via alinças matrimonias entre a dinastia polonesa a as outras casas reias da Europa medieval contemporanea:

"Muitas das filhas de Piast e as mulheres que se casaram com membros da família Piast também representavam dinastias europeias famosas; portanto, os dados genéticos que coletamos para os membros da dinastia Piast nos permitem prever haplogrupos mitocondriais (mt-hgs) para mais de 200 figuras históricas conhecidas. Dentro desse grupo, há 108 Piasts, 32 Rurikids, 12 Giediminids, 23 Árpáds, 15 Přemyslids, 13 Hohenzollerns, 10 Habsburgos, 8 Wettins, 5 Angevinos e 4 Wittelsbachs ..."

Isto ultimo não é nada extranho, nem inesperado, a pouco que se observe a história das linhagens reais europeias caraterizada por um forte endogamica dentro do grupo e a pressença frequente por estes emparentamentos de dinastias de origen foraneo regindo as distntias monarquias europeias. 

o evidènte parecido familiar dos primos Nicolas II da Russia e Jorge V de Inglaterra.

Os reis de Grécia, esoclhidos após a independencia, eram de origem alemão e casaram-se quase na sua maior parte com linhagen de essa mesma origem e algumas escandinavas em menor medida. Os ingleses levam sendo governandos por soberanos não anglo-saxões mesmo desde a morte de Harold Godwineson: franceses da Normandia, e da Aquitânia, galeses (Tudor), escoceses (Estuardo), neerlandeses (Orange), e alemães (desde os Hannover aos actuais Mounbaten-Winsord, em realidade Watterberg-Saxonia Coburgo Gotta (1).

Jean-Baptiste Bernardotte, Carlos Joâo XIV de Suécia

Na Suecia actual os reinam os descendes omonimos de um general transfugade de Napoleão (os Bernadotte), e assim um trás o outro, e isso sem ter em conta a citada endogamia de grupo que faz que quase todos os membros das casas reais europeias actuais sejam primos entre sim em um ou outro grão e as vezes por partida dobre ou tripla.


Tampouco o facto de descender a dinastia fundadora da Polonia de um extrangeiro não resultaria demasiado disonante na época. Sem ir mais longe no ambito polones pode-se pensar no comerciante saxão Kizo que a tribo eslava dos luticios escolhera como chefe durante a revolta do ano 983 contra o dominio do Sacro-Imperio Romano Germânico. 


Também poderiamos citar igualmente a figura de outro extrangeiro: Rurik, aquele varego de origem sueca que fundara a Rus de Kiev, dando origem a dinastia dos rurikidas que dera monarca aos distintos principados poskievanitas, incluido o de Moscova até que Ivan IV, O Terrivel assasianra ao seu proprio filho e herdeiro cortando abruptamente a continuidade familiar.

Rurik e seus irmãos Trúvor chegam a Ládoga. Víktor Vasnetsov (1913)

Neste sentido estes "aventureiros" vindos de fora que atuam como fundadores de identidade etnico-políticas, depois convertidas em estados, não estão muito longe de realidades mais exoticas como a dos "reis extranhos/forasteiros" (Strnage Kings) táo tipicos do Sureste Asiático. O imaginario dos stranger king em esta região soe repressentar o poder político como algo essencialmente alheio a comunidade, uma especie de corpo extranho, vindo de fora in illo tempore mas que com a sua chegada estabelece uma nova ordem que subsiste até o momento atual e vem compretar em certa forma a sociedade pré-arrivada do strange king.

gravado no que se amostra o encontro do explorador holandês Joris van Spilbergen 
com o rei Vimaladharmasuriya I de Kandi, 1609

A ideaia dos stranger kings, além do seu contexto actotono, chegaria em esta região converter-se numa forma de interpretar e justifica,r dentro dos esquemas cosmologicos locais a realidade da dominação de potencias extrangeiras durante o posterior periodo colonial. O antropologo Marshall Sahlins amplou o padrão extendo-o a outros contextos geograficos e culturais (desde a Polinesia e Africa, à Grécia Antiga ou o mundo mesoamericano), considerando que este sistema era uma das formas elementais, senão a forma elementar por antonomaisa, de emergência do poder político nas sociedades humanas (Sahlins, 2008).

fotografa do filme Farewell to the King (1989)  inspirado no topos do Strange King

Segundo o antropologo no sistema de Stranger Kings existia uma repartição em duas esferas de atividade (a reprodução e poder) em termos uma dicotomia esencial entre a "autoctonia" e a "aloctonia". O padrão geral dos relatos sobre a chegada do strange king é conhecido, e reconocivel em muitas tradições ao longo do mundo, desde os mitos e lendas aos contos populares: mostra a chegada de um heroe, um extrangeiro alheio a comunidade, inclui o conflito com alguma entidade local, nomalmente descrita como monstroussa, e remata com o matrimonio entre o heroe foraneo e uma princesa autoctona que cria essa união armonica que reconcilia alotono e o autoctono dentro dum todo. 

Recorrentemente este extrangeiro atua como heroi cultural, que introduçe diversas innovações: novas costumes, objetos, ritos, ... marcando assim uma ruptura com a ordem anterior (cambio nas formas de matrimonio, na estrutura social, novas instituições, etc). Além da ominpressencia nas lendas e contos deste topos do heroi exiliado que mata a monstro e casa com a princesa local, há em estas tradiçoes sobre "reis extranhos" e fundacionais algo mais arcaico e esencial sob o proprio conceito de poder político, que em si proprio aparece cataterizado como algo "extranho", no doble sentido da palavra, algo vindo de fora mas que supõe  também uma "anomalia" com respeito a ordem previa que vem a tranformar.


É inevitavel não recordar alias aquelas comunidade de "Sociedades contra o Estado" (que quizas fora mais preciso denominar como "contra o poder"), descritas na Amaçonia por Pierre Clastres, Essas sociedades que consciênte e ativamente anulam, atraves de distntas estrategias, qualquer possivel comportamento que levasse ao estabelecimento de uma autoridade ou prestigio superior de algum individuo sob outros membros da comuidade, no que pudera fundar-se a constituição de qualquer formas de poder ou proto-poder politico de facto.  


E fazil imaginar como poderia ter sido possivel o passo desde tal estado de "anarquia", coidadosamente mantido com tanta constància, à aparição das primeiras chefias e sistemas de poder, e perceve-lo, em certa forma, como um ato carismático e de fonda transgressão.  Relacionando igualmente este ato de quebra primordial com alguns dados etnográficos, como o carater de grande “transgressor”, que alguns povos africanos atribuem a seus chefes, aos que se permite -ou mesmo exige-se?- um comportamento fortemente “antisocial” que rompe as normas quotidianas da sociedade, e deriva frequentemente num desempenho excesivo de uma violência arbitraria, concevida, e justificada, coma um elemento constitutivo e necessario do proprio poder e sacralidade do “monarca” (Simonse, 2017).

chefe "fazedor de chuva" da vila de Cakereda (1972)

Noutro ordem de coisas Sahlins entendia que os sitemas de stranger king aparecem em contextos de forte contato e intercambio intercultural a longas distancias, no que o antropologo norteamericano denomina como "Cosmopoliticas". Não seria muito extranho considerar que em momentos de forte contacto cultural, expostos á troca e a chegada de novas formas, objetos, pessoas e constumes, o vindo de fora termine alterando a propria realidade constitutiva preexistente de uma comunidade.

Neste sentido esse imaginario, que mostra a formação do poder como a chegada de algo anomalo vindo desde fora, e vinculado as qualidades de algum sujeito ou grupo carismáticos, seria especialmente adequado como repressentação mitica dos profundos cambios sociais que se estâo a operar em distintos niveis. Nâo é uma imagem que resulte extranha, precissamente, a um arqueologo. 


De certo, se agora pensamos em epocas da pré- e proto-história europeia nas que se fazem vissiveis grandes cambios culturais: unificações em koines linguisticas ou arqueológicas, a expansão de elementos de cultura material como armas, adornos, etc., a grandes distàncias, junto com tecnologias; e outros saberes denominados, as vezes, como "conhecimento esoterico" investidos ao mesmo tempo do prestigio do inusual e do distante das suas origens (Helms, 1999). não seria extranho imaginar algo similar ao que topamos no caso dos stranger kings


Assim o pensara já defunto Michael Rowlands para o Bronze Final europeu (Ling e Rowlands, 2015), mas poderia-se igualmente projetar-se o mesmo padrão, segundo a nossa opinião, a momentos aina mais afastados da pré-história europeia como o calcolítico, mesmo com a possivilidade de vincular isto a questões tão discutidas e controversas, como o processo de  indo-europeização (2)


Mas  faz-me pensar em outra questão também: se os "reis" da pré- e proto-história foram alguma vez strange kings em que medida não estamiaos a criar uma imagem distorsionada, quando nos debruçamos sob as tumbas, frequentemente de essa elite "regia" precissamente, para analisar a paleo-genetica do conjunto de uma sociedade num momento concreto?. Em que medida repressentaria hoje uma imagem genètica adequada do homem e mulher comuns do seu pais o ADN dum monarca europeu?

Os strange kings, como os seus filhos postumos, desde logo não são um bom exemplo da autoctonia do povo comum, precissamente
   

Artigo: 

Zenczak, M., Handschuh, L., Marcinkowska-Swojak, M. et al. (2026):" Genetic genealogy of the Piast dynasty and related European royal families." Nat Commun Nº 17, 3224  DOI: 10.1038/s41467-026-71457-1

Bibliografia complementar

Classtres, P. (2010): La sociedad contra el estado. Virus editorial. Bilbao
   
Helms, M. (1993): Craft and the Kingly Ideal. Art, trade and power. University of Textas Press. Austin.  aqui
   
Rowlands, M. & Ling, J. (2013): "BoundarIes, flows and Connectivities: mobility and Stasis in the Bronze Age"  Bergerbrant, S. & Sabatini, S. (eds.): Counterpoint: Essays in Archaeology and heritage Studies in Honour of Professor Kristian Kristiansen. BAR International Series 2508. BAR Publishing. Oxford. pp. 497-509
   
Sahlins, M. (2008a): Islas de Historia. La muerte del capitán Cook. Metafora, antropologia e historia. Gedisa. Barcelona.
   
Sahlins, M (2008b): "The Strnager-King or elementary forms of the politics of life" Indonesia & the Malay World Nº 36, pp. 177–199  DOI: 10.1080/13639810802267918
     
Simonse, S. (2017):  Kings of Disaster: Dualism, Centralism and the Scapegoat King in Southeastern Sudan.  Fountain Publishers. Kampala
   
Ling, J. & Rowlands, M. (2015): "The ‘Stranger King’  (bull) and rock art" Skoglund, P., Ling, J. & Bertilsson, U.: Picturing the Bronze Age..Swedish Rock Art Series Vol. 3. Oxbow Books. Oxford. pp. 89-184  PDF

Notas:
1) A substituição do apelido Saxonia-Coburgo-Gotta por Winsord foi resultado da molesta sonoridade alemã de este durante o a I Guerra Mundial. Igual questão motivou a anglização como Mountbatten do apelido Wattenberg.
2) Consideramos que boa parte da mitologia Indo-europeia, como o tema do "combate dos deuses", pode ser frutiferamente reinterpretada em termos da oposição "autotono" "alotono" pressente na estruturas dos sestemas de Strange King, o qual coincidira curiossamente já com a inicial intuição comparatista de Sahlins quando reconheceu a obra de Dumézil como uma das inspirações principais do seu modelo (Sahlins, 2008a)
    

Postatem relacionada: Uma olhada a migração na Pré-história

domingo, 19 de abril de 2026

O Problema do Parentesco - CAJ Nº 36/2

Kinship Trouble:

 Traversing Interdisciplinary Boundaries between Archaeology, Archaeogenetics and Socio-cultural Anthropology

Cambridge Archaeological Journal 

Nº 36/2 - 2026


INDEX

Kinship Trouble: What, When, Where, 
Why, and How—and So What? pp. 151-164
Sabina Cveček, Maanasa Raghavan, 
Penny Bickle

Scrutinizing Kinship and Biological Relatedness 
Through the Lens of Palaeogenomics pp. 165-171
Carlos Eduardo G. Amorim, Jennifer Raff

Multi-disciplinary Approaches to Prehistoric 
Kinship Systems of Europe pp. 172-183
Alissa Mittnik, R. Alexander Bentley

The Tie That Binds Us? Challenging the Primacy 
of DNA in Kinship Studies and Re-Centring 
Community in Defining Human Connections 
across Time pp. 184-189
Hannah M. Moots, Krystal S. Tsosie, 
Mehmet Somel

Landscapes of Pre-Hispanic Andean Kinship: 
Ancestors, Ayllus and Relationality pp. 190-202
Beth K. Scaffidi

Matters of Life and Death: Kin-work 
at Funerals pp. 203-211
Catherine J. Frieman, 
Caroline Schuster

Caring beyond Kinship: Exploring Non-biological 
Relatedness and Childcare in Burial Contexts 
across Disciplines pp. 212-218
Ana Mercedes Herrero-Corral

Bringing Kinship Back into 
the House pp. 219-230
Peter M. Whiteley

Spectral Connections: Anthropological 
Engagements with Posthumous Reproduction 
pp. 231-237
Sandra Carol Bamford

Kinship Analysis in Specified Contexts: When 
Interdisciplinary Cooperation is Too Narrow, 
Results Tend to be Misleading pp. 238-246
Sabina Cveček, Andre Gingrich

Commentary: Making Kin 
Beyond Kinship pp. 247-250
Rosemary Joyce

Commentary: Leaning In to 
Kinship Trouble pp. 251-253
Emma Kowal

Commentary: Afterword 
pp. 254-257
Tim Ingold


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sexta-feira, 3 de abril de 2026

O Problema do Parentesco

KINSHIP TROUBLE

Traversing Interdisciplinary Boundaries 
between Archaeology, Archaeogenetics 
and Socio-cultural Anthropology

Quando: 14 Abril
Onde: On-line

A rede Arqueologia e Género na Europa (AGE) da Associação Europeia de Arqueólogos organiça o dia 14 de abril uma sessão de lançamento virtual do numero monográfico do Cambridge Archaeological Journal com o titulo "Problemas de parentesco: atravessando fronteiras interdisciplinares entre arqueologia, arqueogenética e antropologia sociocultural".


O que é “problema de parentesco”? Quando e onde surgiu, e por que é importante agora? Este lançamento virtual apresenta uma edição especial interdisciplinar do Cambridge Archaeological Journal que coloca essas questões no centro do debate contemporâneo. " Problema de Parentesco: Transpondo Fronteiras Interdisciplinares entre Arqueologia, Arqueogenética e Antropologia Sociocultural".


O termo “ problema de parentesco” captura tanto as tensões provocadas por recentes avanços arqueogenéticos quanto os limites de reduzir o parentesco à relação biológica, ao mesmo tempo que abre espaço para repensar o parentesco como um fenômeno social, relacional e ético. 


Desenvolvida a partir de sessões interdisciplinares na Associação Americana de Antropologia (Toronto, 2024) e no Instituto Arqueológico da América (Chicago, 2025), esta edição especial promove um diálogo contínuo entre áreas que nem sempre compartilham a mesma linguagem conceitual, fundamentando a discussão em bases teóricas e estudos de caso multirregionais dos campos constituintes. 


O lançamento virtual oferecerá uma visão geral acessível de seus temas centrais: colaboração ética, integração de abordagens biológicas e sociais e a compreensão do parentesco como um ato de cuidado e (não)mutualidade do ser. Acadêmicos das áreas de antropologia, arqueologia e ciências da vida são cordialmente convidados a participar desta conversa sobre como estudamos o parentesco e por que ele é importante para a compreensão da diversidade humana no passado e no presente.

A sessão decorrera entre as 16:00 e 18:00h e pode ser seguida por Zoom após registo no seguinte link


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O Poder nas Sociedades sem Escritura - NeHeT Nº 9

NeHeT Nº 9 - 2023   

Pouvoir(s) dans les sociétés 
sans écriture

en Égypte et ailleurs, dialogues 
sur les formes du pouvoir
    

INDEX

Introduction et bibliographie générale
Julie Villaeys Le Galic

The Power to Move Mountains: Considerations 
on the Transport of Megaliths in Middle 
Neolithic Western Europe
Bruno Boulestin

Comment classer les sociétés secrètes? 
Violence privée, privation de la violence
Tangui Przybylowski

La naissance chaotique de l’État dans
les sociétés de l’Europe continentale 
au Ier millénaire A.C.
Sophie Krausz

Pouvoirs et sociétés aux origines de l’Égypte 
(c. 4500-2900 BC). Un récit à reconstruire
Béatrix Midant-Reynes, Dorian Vanhulle

Être «roi de Haute et de Basse-Égypte» 
à Thèbes durant la Deuxième Période 
intermédiaire: question de termes, 
affaires de sources
Anne-Laure Daubisse

Système de parenté et construction de 
l’État: l’Égypte vue de Madagascar
Boris Lelong

Conclusion
Julie Villaeys Le Galic


Ir ao número da revista em:  NeHeT Nº 9 - 2023

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Matriarcado, Género e Poder - Livro

Matriarchy, Gender and Power

Raffenne, C. & Coquet-Mokoko, C. (eds.) (2026): Matriarchy, Gender and Power. Interdisciplinary Perspectives. Routledge. Londres.  ISBN: 9781003633518  DOI: 10.4324/9781003633518
 
Sinopse  
Este livro explora as conceitualizações do poder feminino através da noção de matriarcado em uma variedade de contextos históricos, culturais e epistemológicos.


O matriarcado tem sido marginalizado e até mesmo ridicularizado como objeto de estudo, embora seja consistentemente referido como um símbolo do poder feminino. A falta de um engajamento sério com o matriarcado tem sufocado a investigação crítica sobre formas alternativas de organização do poder de gênero, e é essa lacuna que este livro busca preencher. 


Reexaminando o matriarcado a partir de uma perspetiva científica e interdisciplinar, este livro visa ir além das dicotomias simplistas de poder masculino versus feminino por meio de diversas investigações sobre o conceito de matriarcado que concebe o poder não como dominação, mas como interconexão, cuidado e liderança orientada para a comunidade. 


Por meio dessa abordagem, as contribuições examinam as possibilidades emancipatórias do matriarcado, ao mesmo tempo que reconhecem as limitações e os desafios que o acompanham.

INDEX


+INFO sobre o livro em:  Matriarchy, Gender & Power

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Praticas Funerárias e Inferências Sociais

Pratiques mortuaires et inférences sociales 

Bulletins et Mémoires de la Société
 d’Anthropologie de Paris 

Nº 37/2 - 2025

Sinopse 
Compreender o funcionamento das sociedades antigas tem sido uma componente importante, senão mesmo fundamental, da investigação arqueológica desde o seu início. Nesta perspetiva, os sítios funerários podem fornecer informações valiosas sobre as relações entre indivíduos, grupos e culturas. 


As abordagens bioarqueológicas tradicionais, combinadas com os recentes desenvolvimentos nas técnicas biomoleculares, abriram caminho para a exploração de áreas anteriormente inacessíveis para períodos antigos. É agora possível documentar, com uma precisão cada vez maior, a organização e o recrutamento de indivíduos e grupos dentro dos espaços funerários, os hábitos alimentares, a mobilidade de indivíduos ou grupos, as suas origens e até os seus laços de parentesco biológico. 



Os estudos biológicos e funerários multi-proxy e multi-escala, integrados em todos os dados arqueológicos (arquitectura e material funerário, gestão de corpos, etc.), oferecem novas perspectivas sobre a interpretação dos sistemas sociais, sendo agora possível discutir com crescente profundidade as estruturas e o funcionamento dos grupos, sistemas de redes, hierarquias e sistemas residenciais segundo os quais operam.


Esta edição especial reflete a diversidade de disciplinas mobilizados para explorar as práticas sociais das sociedades antigas através de dados funerários. Sejam baseadas em dados funerários, osteológicos, biomoleculares, ou isotópicos, as diversas contribuições nesta edição demonstram a importância de abordar os contextos funerários com uma perspetiva abrangente e interdisciplinar. 


Assim, é através de uma análise cruzada e contextualização de dados arqueológicos que podemos compreender toda a complexidade das práticas sociais que estruturavam as sociedades antigas.  
   

INDEX

Explorer les liens sociaux à travers les pratiques mortuaires 
Maïté Rivollat, Dominique Castex, 
Bérénice Chamel, Olivia Munoz, 
Mélanie Pruvost, Hélène Réveillas, 
Stéphane Rottier

Contextualizing descent in Neolithic 
northern Europe
Chris Fowler

Invisible death rites in the early Neolithic: 
Results of an archaeothanatological analysis of 
funerary practices in Linearbandkeramik settlements
Iseabail Wilks, Zuzana Hukeľová, 
Martin Furholt, Katharina Fuchs, 
Maria Wunderlich, Krisztián Oross,  
Penny Bickle

Pratiques funéraires des populations du second 
âge du Fer en Gaule: nouvelles perspectives 
de recherche et études préliminaires 
de cas champenois et normands
Elodie Caserta, Lola Bonnabel,
Gaëlle Granier

An Isotopic Exploration of Medieval Nun Diet 
at Saint-Pierre de l’Almanarre, Var, 
France: A Pilot Study
Jane Holmstrom, Yann Ardagna, 
Tosha Dupras, David Ollivier
   

Articles

BASE – BAsicranial Sex Estimation: An R package 
for sexing adult western European individuals 
from the cranial base morphometry in 
bioarchaeology and forensic anthropology
Alexandra Boucherie, Caroline Polet, 
Martine Vercauteren, Philippe Lefèvre 
Frédéric Santos

Femoral and pelvic morpho-structure in 
extant primates and fossil Homo: 
insights into locomotor adaptations
Quentin Cosnefroy
  

Comptes-rendus d’ouvrage

Sans sépulture. Modalités et enjeux de la 
privation de funérailles de la Préhistoire 
à nos jours Aurore Schmitt, Élisabeth 
Anstett (eds.), Archaeopress, 2023
Matthieu Gaultier

Les graines de l’au-delà, domestiquer 
les plantes au Proche-Orient Nissim Amzallag, 
Éditions de la maison des Sciences 
de l’homme, Paris, 2023
Fanny Bocquentin & Aline Emery-Barbier

Dominique Henry-Gambier, itinéraires d’une 
paléoanthropologue, du terrain aux interprétations 
sociales. Bruno Boulestin, Aline Averbouh, 
Patrice Courtaud, Sacha Kacki, Bruno Maureille, 
Anne-marie Tillier (dir.), Ausonius Éditions, 2025
Frédérique Valentin

Nécrologies

In memoriam Claude Blanckaert (1952-2024)
Arnaud Hurel

In memoriam Claude Masset (6 octobre 1925 – 3 mai 2025)
Philippe Chambon, Dominique Jagu, 
Isabelle Le Goff, Pascal Sellier, 
Philippe Soulier
  

Actualité

Présentation des résultats de l’enquête 2024 
concernant la Société d’Anthropologie de Paris
 (SAP) Floriane Remy, Laura Maréchal, Cécile Buquet,
 François Marchal


Descarregar a revista:  BMSAP Nº 37/2 - 2025

domingo, 26 de outubro de 2025

Clã e Paço no Levante Antigo - Livro

Palace-Clan Relations in the Bronze and Iron Ages Levant

Bezzel, H., Covello-Paran, K., Krause, J.J & Sergi, O. (2025): Palace-Clan Relations in the Bronze and Iron Ages Levant. Textual and Material Approaches. Walter De Gruyter. Berlim. ISBN: 9783111405513 DOI: 10.1515/9783111411330

Sinopse  
Estudos recentes demonstraram que as sociedades do antigo Oriente Próximo se consideravam parte de um único tecido social, dividido não por modo de vida ou local de residência, mas sim por associações tradicionais de parentesco. 


As relações de parentesco parecem manter a sua integridade essencial por longos períodos, mesmo dentro de organizações políticas complexas. No passado, era comum considerar a formação do Estado como um processo evolutivo –da tribo ao Estado– durante o qual antigas relações de parentesco e identidades tribais se dissolvem diante da identidade política imposta pelo "Estado". 


Hoje, porém, parece não haver relações evolutivas entre a tribo e o Estado, visto que ambos representam identidades que coexistem simultaneamente. É nesse contexto que emerge um elemento estrutural comum às antigas unidades políticas levantinas: a sua natureza fragmentada, baseada principalmente num conceito abrangente de parentesco.




Este livro apresenta estudos de diferentes políticas e sociedades do Levante da Idade do Bronze e do Ferro e além, destacando as suas estruturas sociais e políticas baseadas em parentesco, interações e formações finais, conforme podem ser obtidas de fontes materiais e textuais.

INDEX


+INFO sobre o livro:  Palace-Clan Relations in Levant

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Cambridge Archaeological Journal Nº 35/3 - 2025

Cambridge Archaeological Journal

 Nº 35/3 - 2025 
  

INDEX

‘Out-of-time’ Objects: Commemorating and Forgetting 
Traditions through Bronze Age Metalwork in Southern 
Britain pp. 401-417
Matthew G. Knight

Transdisciplinary Theoretical Approaches to 
Migration Studies in Archaeology pp. 418-434
Anders Högberg, Kristian Brink, 
Torbjörn Brorsson, Helena Malmström

Social and Genetic Relations in Neolithic Ireland: 
Re-evaluating Kinship pp. 435-455
Neil Carlin, Jessica Smyth, 
Catherine J. Frieman, 
Daniela Hofmann, Penny Bickle, 
Kerri Cleary, Susan Greaney,
Rachel Pope

More Error than Minority: Gendered Burial Practices 
Align with Peptide-based Sex Identification in Early
 Bronze Age Burials in Central Europe pp. 456-471
Katharina Rebay-Salisbury, Margit Berner, 
Karin Wiltschke-Schrotta, Ana Mercedes Herrero Corral, 
Michael Wolf, Fabian Kanz

The Ties That Bind: Computational, Cross-cultural 
Analyses of Knots Reveal Their Cultural Evolutionary
 History and Significance pp. 472-488
Roope O. Kaaronen, Allison K. Henrich, 
Mikael A. Manninen, Matthew J. Walsh, 
Isobel Wisher, Jussi T. Eronen, 
Felix Riede

A Queer Feminist Perspective on the Early Neolithic 
Urfa Region: The Ecstatic Agency of the Phallus pp. 489-503
Emre Deniz Yurttaş

Relationality, Immanence, Hierarchy: The Nature 
and Culture of Being(s) at Göbekli Tepe pp. 504-521
Marc Verhoeven

Womb Politics: The Pregnant Body and 
Archaeologies of Absence pp. 522-535
Marianne Hem Eriksen, Katherine Marie Olley, 
Brad Marshall, Emma Tollefsen

From Monumental Realism to Denatured Beast: 
The Transformation of the Elk Image in Rock Art 
of the Altai Mountains (Mongolia) and 
its Cultural Implications pp. 536-557
Esther Jacobson-Tepfer

Ochre and Identity: An Exploration of Perinatal 
Mortality, Personhood and Social Acknowledgement 
at Khok Phanom Di, Central Thailand pp. 558-569
Sarah Elizabeth Paris


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terça-feira, 29 de julho de 2025

Acta Archaeologica Nº 76/1- 2025

Acta Archaeologica Academiae Scientiarum Hungaricae

Nº 76/ 1 - 2025

INDEX

Editorial p. 1

The Upper Palaeolithic in the Dunazug Mountains 
(Transdanubia, Hungary): A case study from 
Kiskevély Cave near Csobánka pp. 3–11
Kristóf István Szegedi, Tibor Marton, 
György Lengyel 

New data to the Bell Beaker period from Vas 
County (Western Hungary) New settlements 
of the Bell Beaker complex and other 
archaeological periods on a site 
on the outskirts of Bucsu pp. 13–53
Gábor Ilon 

“Residential Building Techniques with Wood and 
Daub in Prehistory: What we find, what we 
reconstruct” – The 30th EAA Annual meeting 
in Rome, Italy (27–31 August 2024), Session 432
Reconstructing two buildings and architectural
 decorations on the Bronze Age Tell of 
Borsodivánka-Nagyhalom (Northeastern Hungary) 
pp. 55–81
Klára P. Fischl, Tamás Pusztai, 
Miklós Buzás, Astrid. K. Röpke, 
Eva Drunagel, Jana Anvari, 
László Gucsi, Ádám Balázs, 
Tobias L. Kienlin 

From hearths to homes: Fire installations in the 
Bronze Age settlement of Toboliu pp. 83–100
Marian Adrian Lie, Alexandra Găvan, 
Tobias L. Kienlin 

Revealing the house – Elements of the ‘architectural 
manual’ behind the houses on the Százhalombatta-Földvár 
Bronze Age tell pp. 101–113
Magdolna Vicze, Marie Louise Stig Sørensen, 
Gabriella Kovács 

Architectural techniques in the Bronze Age 
tell settlement of Bakonszeg-Kádárdomb 
pp. 115–130
Ádám Balázs

A Late Bronze Age ‘house’ of the Gáva ceramic style: 
A case study from Poroszló-Aponhát pp. 131–148
Polett Kósa 

House architecture in the Early Iron Age fortified 
settlement of Dédestapolcsány-Verebce-bérc 
pp.149–166
Marcell Barcsi 

From past to present: The research history of 
the Hajdúbagos–Cehăluţ pottery tradition and 
its territorial distribution in the light of 
recent research pp.167–211
Orsolya Gyurka, Anna Szigeti 

Bronzekrug aus Tamási pp. 213–230
Klara De Decker

Book Reviews

Kinship, sex and biological relatedness. 
The contribution of archaeogenetics 
to the understanding of social and 
biological relations. Edited by Harald Meller, 
Johannes Krause, Wolfgang Haak 
and Roberto Risch pp. 231–234
Eszter Bánffy 

Zsolt Visy, Morsa archaeologica et historica, 
I–II. Selected papers pp. 235–237
Friderika Horváth 


Ir ao número da revista: Acta Archaeologica Nº 76/1 - 2025