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quinta-feira, 12 de junho de 2025

Vivendo na Idade de Pedra - Livro

Living in the Stone Age

Rutherford, D. (2018): Living in the Stone Age. Reflections on the Origins of a Colonial Fantasy. University of Chicago Press. Chicago. 

Sinopse
Em 1961, John F. Kennedy referiu-se aos papuas como "vivendo, por assim dizer, na Idade da Pedra". Na sua maioria, políticos e académicos aprenderam desde então a não chamar as pessoas de "primitivas", mas, quando se trata dos papuas, a mancha da Idade da Pedra persiste e, por décadas, tem sido usada para justificar a negação dos seus direitos básicos. Por que essa fantasia tem se apoderado tanto da imaginação de jornalistas, formuladores de políticas e do público em geral?
 

Vivendo na Idade da Pedra responde a essa pergunta acompanhando as aventuras de autoridades enviadas às terras altas da Nova Guiné na década de 1930 para estabelecer uma base para o colonialismo holandês. Essas autoridades tornaram-se profundamente dependentes das boas graças dos seus futuros súbditos papuas, que eram seus anfitriões, guias e, em alguns casos, amigos. 


Danilyn Rutherford mostra como, para preservar seu senso de superioridade racial, esses oficiais imaginaram estar viajando na Idade da Pedra, uma realidade paralela onde sua própria impotência era uma resposta razoável a condições sobrenaturais, e não um sinal de ignorância ou fraqueza. Assim, Rutherford demonstra, nasceu uma ideologia colonialista.


Viver na Idade da Pedra é um chamado para escrever a história do colonialismo de forma diferente, como uma história de fraqueza, não de força. Isso mudará a maneira como os leitores pensam sobre o contacto cultural, as fantasias coloniais de dominação e o papel da antropologia no mundo pós-colonial.
   

INDEX

Preface
  
Introduction: Living in the Stone Age

Part 1. Sympathy and Its Discontents: 
A  Colonial Encounter

 1. Hospitality in the Highlands

 2. Sympathetic State Building

Part 2. Vulnerability and Fantasies of Mastery

 3. Technological Passions

 4. Technological Performances

Part 3. Lessons for a New Anthropology

 5. Sympathy and the Savage Slot

 6. The Ethics of Kinky Empiricism
  
Notes
  
References 


Disponível em:  Living in Stone Age

sexta-feira, 3 de maio de 2024

A Ilha dos Homens Menstruantes - Livro

The Island of Menstruating Men

Hoghin, I. (1970): The Island of Menstruating Men, Religion In Wogeo, New Guinea. Chandler Publishing. Londres e Toronto. ISBN: 0-8102-0386-3

    
Sinopse 
Ian Hogbin pertenceu à era heroica da antropologia. Ele foi membro da brilhante geração do período entre guerras que incluí a Raymond Firth, Leo Fortune, Margaret Mead, Gregory Bateson e Hortense Powdermaker, todos eles pioneiros na pesquisa de campo na região insular do Pacífico Sul. 




A Ilha dos Homens Menstruantes foi uma exploração pioneira do género no arquipélago de Wogeo quando publicada pela primeira vez. Hoje continua a ser um importante e completo estudo de uma religião melanésia, examinando-a em relação a outras facetas da cultura –mitologia, crenças sobre doença e morte, crescimento e maturidade, magia, estrutura social e moralidade. 




É um exame articulado e perspicaz do significado da tradição e da integração da cultura. É também um relato cativante do etnocentrismo e da justificação dos Wogeo para o mesmo, exemplificando, em miniatura, o que parece ser um dos grandes problemas da espécie humana.
   

INDEX


Descarregar o livro em:  The Island of Menstruating Men

sábado, 9 de setembro de 2023

Uma olhada a Guerra "Pré-histórica"

Hoje o nosso caro colega Cristobo de Milio Carrin deu-nos a conheçer este documento audiovisual de primeiro ordem sobre a guerra nas sociedades chamadas em tempos "primitivas", ou  que de jeito mais adequado tribais (seguindo a Sahlins) ainda que em isto ultimamente também há descontentos. O video se trata de parte do documentaio Death Birds feito por Robert Gardner.em 1963 em Papua Nova Guine, na que se mostra uma batalha real entre dois clãs do povo Dani do Vale de Baliem, os Willihiman-Wallalua e os Wittaia.

Há que ter em conta o povo dani que pelas datas da filmaçao os povo dani apenas empeçara porque aquele então a ter seus primeiros contactos com os occidentais, já que não foram descobertos até 1938 quando um bo de reconhecimento da zona topou a primeira evidèncias de eles naquela zona das terras altas Guineanas. Por tanto esta é uma filmação de extraordinario valor que mostra um imagem da vida e da forma de façer a guerra de um grupo humano ainda não inserido no processo colonial.

O vídeo mostra o que alguns autores têm denominado como "guerra ritual", um tipo de guerra de baixa intensidade ocasional, e que frequentemente tem um caráter estacional ou cíclico. Por exemplo, Roy Rappaport num conhecido estudo clássico sobre outro povo papuas os marind (aqui) observou com a recorrência das guerras tinha relação com o ciclo produtivo e os ciclos de esgotamento dos recursos cada certo tempo num sistema de horticultura singelas de tala e queima. Rappapor mostrou como estas guerras cíclicas estavam conectas com o ritual e com o todo o conjunto da organização social de este povo papue

Outro elemento interessante no vídeo é a própria forma de combater que amostra na que observa um constante baile entre o ataque e a evitação, típico de uma forma de guerra na que os combatentes carecem de proteções e estão mutuamente expostos ante o ataque do outro. O uso de armas para projetar como seta ou lanças favorecem, pela perigosidade dos projécteis, uma ausência de combate corpo a corpo ou de aproximações excessivas ao inimigo.

O combate consiste, pois tanto no ataque como na fugida e na evitação prévia, como se observa, isto da lugar a uma letalidade em certa forma controlada, com certamente mais ferido que mortos. Não é uma guerra total e a massacre no campo de batalha seja frequente, ainda que esta tampouco é desconhecida entre os dani ou outros grupos papuas. 

De facto a guerra jogava um papel fundamental entre os dani, como descrevia o próprio diretor: 

"Quando filmei em 1961, os Dani tinham uma cultura neolítica quase clássica. Eram excepcionais na forma como concentraram as suas energias e basearam os seus valores num elaborado sistema de guerra intertribal e vingança. Grupos vizinhos de clãs Dani, separados por faixas não cultivadas de terra de ninguém, travavam frequentes batalhas formais. Quando um guerreiro era morto em batalha ou morria ferido e mesmo quando uma mulher ou uma criança perdia a vida num ataque inimigo, os vencedores celebravam e as vítimas lamentavam. Como cada morte tinha de ser vingada, o equilíbrio era continuamente ajustado, com o ânimo dos lesados ​​levantado e os fantasmas dos camaradas mortos satisfeitos assim que uma vida compensatória do inimigo era tirada"

Uma oportunidade para amossar-nos a esta fenestra que nos mostra como poderia ser a guerra e a sociedade durante parte da nossa pré-história, penso sobre tudo na guerra durante o período neolítico ou ainda durante o calcolítico. 


domingo, 26 de fevereiro de 2023

Porcos para os Ancestrais - Livro

Pigs for the Ancestors 


Roy A. Rappaport, R. A. (1984): Pigs for the Ancestors - Ritual and Ecology of a New Guinea People. Yale University. 

Sinopse  
Este influente trabalho é o livro mais importante e amplamente citado já publicado em antropologia ecológica. É um estudo de caso clássico da ecologia humana numa sociedade tribal, do papel da cultura (especialmente do ritual) na gestão de recursos locais e regionais, do feedback negativo e da aplicação da teoria dos sistemas a uma população antropológica.


É considerado um importante trabalho teórico, mas também é empiricamente fundamentado na meticulosa coleção de dados quantitativos e qualitativos de Rappaport sobre questões "materiais" como dieta e gasto energético, bem como domínios mentais-cognitivos-ideacionais como mito e folclore. taxonomias. O tour de force de Rappaport é um clássico reconhecido porque contribui de muitas maneiras para a teoria antropológica, a metodologia etnográfica, a antropologia ecológica e a antropologia da religião. 


Esta edição ampliada oferece uma reavaliação cuidadosamente fundamentada e empiricamente focada do estudo original de Rappaport no contexto de problemas teóricos e metodológicos em curso.

INDEX


Descarrega o livro em: Pigs for the Ancestors