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terça-feira, 24 de outubro de 2023

Gerações, Iniciação e Território entro os Meru

A COMPLEX POLITY

Peatrik, A-M. (2022): A Complex Polity. Generations, Initiation, and Territory, among The Old Meru of Kenya. Africae Monographs d´ethnologie. University of Paris Nanterre. Nairobi e Nanterre. DOI: 10.4000/books.africae.3232


Sinopse  
Unindo etnografia e história, este livro oferece uma análise aprofundada da política pré-colonial dos Meru do Quénia e das suas transformações radicais de 1908 até à década de 1950. Aborda as múltiplas questões da iniciação e da política de pertença, desvenda os percursos de vida entrelaçados de homens e mulheres e desemaranha a teia da vida familiar e a transferência de poder entre gerações políticas. 



Restaurando dois exemplos bem conhecidos da política Meru ao seu devido lugar – o enigmático mûgwe e o famoso njûûri ncheke – o livro também oferece uma nova leitura da controversa história de Mbwaa. Lança luz sobre a crise da década de 1930 que afecta as iniciações masculinas e femininas e estabelece uma ligação com as transformações demográficas e a mudança radical que ocorreu durante a década de 1950. 


Uma Política Complexa renova a questão da historicidade dos sistemas políticos de geração entre os Meru, bem como em outras partes do Quénia e da África Oriental.De forma mais ampla, o trabalho visa promover a antropologia comparativa para melhorar o conhecimento das democracias e políticas pré-coloniais africanas e uma compreensão mais profunda da mudança social e cultural na longue durée, ligando a África pré-colonial e pós-colonia

INDEX

Introduction: The Hidden Criterion

Part one: Puzzling generations: or, how the system really worked

Chapter one: Making a way through life

Chapter two: Mastering the succession of generations

Part two: Multivocal generations: Weaving kinship and politics

Chapter three: Family, residence and territory

Chapter four: Composite Kinship

Chapter five:  Alliance, filiation, and the generation-set system: 
from one gaaru to another

Part three; Ritual as means of government

Chapter six: The state of warrior

Chapter seven: Sets and powers of women

Chapter eight: The Fathers of the country, the mûgwe, 
and the blacksmith

Chapter nine: Mbwaa, or the drama of suspended time

Part four: Confronting modernity. Ritual rivalries 
and demographic issues

Chapter ten: The colonial intrusion and the crisis of authority

Chapter eleven: A change of demographic regime

Conclusion

Appendix A. Evaluation of written sources: Accounts 
from early travelers and colonial archives

Appendix B. Tigania-Igembe territorial sections and subsections, 
based on the Headmen’s list posted in 1918

Appendix C. Book Review by Bernardo Bernardi (2000)

Glossary

Bibliography

Index


Livro disponivel em:  A Complex Polity

sábado, 9 de setembro de 2023

Uma olhada a Guerra "Pré-histórica"

Hoje o nosso caro colega Cristobo de Milio Carrin deu-nos a conheçer este documento audiovisual de primeiro ordem sobre a guerra nas sociedades chamadas em tempos "primitivas", ou  que de jeito mais adequado tribais (seguindo a Sahlins) ainda que em isto ultimamente também há descontentos. O video se trata de parte do documentaio Death Birds feito por Robert Gardner.em 1963 em Papua Nova Guine, na que se mostra uma batalha real entre dois clãs do povo Dani do Vale de Baliem, os Willihiman-Wallalua e os Wittaia.

Há que ter em conta o povo dani que pelas datas da filmaçao os povo dani apenas empeçara porque aquele então a ter seus primeiros contactos com os occidentais, já que não foram descobertos até 1938 quando um bo de reconhecimento da zona topou a primeira evidèncias de eles naquela zona das terras altas Guineanas. Por tanto esta é uma filmação de extraordinario valor que mostra um imagem da vida e da forma de façer a guerra de um grupo humano ainda não inserido no processo colonial.

O vídeo mostra o que alguns autores têm denominado como "guerra ritual", um tipo de guerra de baixa intensidade ocasional, e que frequentemente tem um caráter estacional ou cíclico. Por exemplo, Roy Rappaport num conhecido estudo clássico sobre outro povo papuas os marind (aqui) observou com a recorrência das guerras tinha relação com o ciclo produtivo e os ciclos de esgotamento dos recursos cada certo tempo num sistema de horticultura singelas de tala e queima. Rappapor mostrou como estas guerras cíclicas estavam conectas com o ritual e com o todo o conjunto da organização social de este povo papue

Outro elemento interessante no vídeo é a própria forma de combater que amostra na que observa um constante baile entre o ataque e a evitação, típico de uma forma de guerra na que os combatentes carecem de proteções e estão mutuamente expostos ante o ataque do outro. O uso de armas para projetar como seta ou lanças favorecem, pela perigosidade dos projécteis, uma ausência de combate corpo a corpo ou de aproximações excessivas ao inimigo.

O combate consiste, pois tanto no ataque como na fugida e na evitação prévia, como se observa, isto da lugar a uma letalidade em certa forma controlada, com certamente mais ferido que mortos. Não é uma guerra total e a massacre no campo de batalha seja frequente, ainda que esta tampouco é desconhecida entre os dani ou outros grupos papuas. 

De facto a guerra jogava um papel fundamental entre os dani, como descrevia o próprio diretor: 

"Quando filmei em 1961, os Dani tinham uma cultura neolítica quase clássica. Eram excepcionais na forma como concentraram as suas energias e basearam os seus valores num elaborado sistema de guerra intertribal e vingança. Grupos vizinhos de clãs Dani, separados por faixas não cultivadas de terra de ninguém, travavam frequentes batalhas formais. Quando um guerreiro era morto em batalha ou morria ferido e mesmo quando uma mulher ou uma criança perdia a vida num ataque inimigo, os vencedores celebravam e as vítimas lamentavam. Como cada morte tinha de ser vingada, o equilíbrio era continuamente ajustado, com o ânimo dos lesados ​​levantado e os fantasmas dos camaradas mortos satisfeitos assim que uma vida compensatória do inimigo era tirada"

Uma oportunidade para amossar-nos a esta fenestra que nos mostra como poderia ser a guerra e a sociedade durante parte da nossa pré-história, penso sobre tudo na guerra durante o período neolítico ou ainda durante o calcolítico. 


No Jardim da Guerra - Vida e Morte na Papua

Gardens of War

Robert Gardner, R., & Heider, K.G. (1969): Gardens of War: Life and Death in the New Guinea Stone Age.  Random House. New York.


Um ano após a saída do filme Dead Bird (1968) do qual temos posteado um fragmento aqui acima, o antropólogo e documentalista norte-americano Robert Gardner publicou este livro, que agora aqui oferecemos sobre a vida social e a morte no grupo humano dos dani, que oferece um registo fotográfico extraordinário sobre as sociedades tribais da Papua num momento no que apenas  principiaram a sofrer o contacto com o mundo ocidental e os estragos do colonialismo.


Sinopse 
Os Dugum Dani, sobre cuja cultura este livro extraordinário é o primeiro registo fotográfico completo, são uma tribo da Idade da Pedra de agricultores guerreiros neolíticos que vivem no Grande Vale de Baliem, nas Terras Altas Centrais do oeste da Nova Guiné. 


Na época em que essas fotografias foram tiradas, os Dugum Dani eram quase únicos, pois ainda não apenas praticavam a guerra ritual, mas também eram praticamente intocados por qualquer forma de civilização moderna. Em 1961, o Centro de Estudos de Cinema do Museu Peabody da Universidade de Harvard montou uma expedição para registrar este mundo intocado. 




Robert Gardner organizou o Centro para a investigação antropológica do cinema porque, como ele diz, “até ao ano 2000 a sociedade humana promete variar pouco de continente para continente. O transporte e a comunicação ligarão o vale mais remoto e o planalto mais distante aos centros de tecnologia. 


Os desertos serão irrigados, os pântanos drenados e as culturas que se desenvolveram em resposta ao isolamento ou às dificuldades terão desaparecido".


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