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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Morreu Claude Lecouteux

Acabo de saber do falecimento, o passado dia 13 de novembro, de Claude Lecouteux, professor emérito de estudos germânicos na Universidade da Sorbona e reconhecido especialista em folclore e mitologia medieval. Formado como filólogo especializado em línguas germânicas Lecouteux dedicou a sua obra a analisar diversos temas do folclore e a literatura europeia a partir dos textos medievais, desde as sagas islandesas a literatura alemã e francesa amostrando uma profunda erudição e conhecimento dificilmente superáveis. 


O seus estudos recolheram uma ampla variedade de temas que abarcaram boa parte do Imaginario europeu durante o periodo medieval, como as crenças sobre os mortos, seres míticos como as fadas (entre elas Melusina), os génios territoriais, os espíritos domésticos, a caça selvagem, etc, etc... era em resume um de esses autores de referência para os que nos temos dedicado a estas temáticas folkoricas e etno-históricas, e sobre tudo desde uma perspetiva diacrónica e de longa duração

Pessoalmente descobri a obra de Lecouteux por puro acaso, quando  sendo ainda estudante topei um dos seus livros "Anões e Elfos na Idade Media" em um livraria (Índice) agora já fechada. No entanto folheava o livro topar surpressivamente a referência à obra de Dumézil (outro autor fundamental naqueles anos formativos), no meio do estudo de estes seres míticos, e que definisse a própria obra como uma contribuição a mitologia menor da 3 Função, já me indicou que este autor não era um especialista mais em literatura medieval, senão que a sua visão ia muito além do convencional. Aquele foi um livro que devorei e a primeira de muitas leituras que me abriram um muito extenso campo de estudo e novas possibilidades. 

Parte da extensa obra de Lecouteux, foto P. Lajoye

Alguns aportes seus como o seu artigo sob a estrutura das lendas melusínicas e sobre tudo o seu "Demos y Génios comarcais na Idade Media" (livro que tenho muito desgastado pelo uso e consulta repetidos) tem sido influências importante, mesmo diria que fundamentais, na minha própria pesquisa, como por exemplo nos meus estudos sob os ritos jurídicos de toma de pose do território. Foi tenho que dizer o autor que. junto a minha estância de estudos na Alemanha, me abriu de facto os olhos ao mundo do Folklore Jurídico e a Rechtsrchäologie. Mesmo chegara faz alguns a anos a enviar-lhe um dos meus artigos sobre este tema, que ele recebera com grande amabilidade e interesse.

Em resume, vai-se um grande pesquisador que deixa após si um importante legado, formado por mais de 100 artigos e 31 livros (seu curriculum aqui), que oferecem contribuitos fundamentais e são uma autêntica mina de informação. 

Uma grande perda para o mundo académico e especialmente para esta pequena sub-tribo que somos os mitólogos, sic tibi terrae levis


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

CARGO Nº 22/2 - 2024

CARGO Nº 22/2 - 2024

Journal for Cultural and Social Anthropology

INDEX 

Editorial  pp. 6-7
Zdeněk Uherek 

Articles

Untold Stories in the History of Anthropology: 
Japan, Colonialism, Anglophone Hegemony, 
and World Anthropologies pp. 8-33
Takami Kuwayama

Vintage Hunters: Creating Vintage in 
the Czech Republic pp. 34-52
Varvara Borisova

About the imagination of Czech~
 development engineers p. 53-75
Jan Werner

Discussion/Diskuse

Has the EASA Lost its Way? pp. 76-78
Adam Kuper (Author)

Remembering/Vzpomínka

Den umistelige: Remembering Thomas
 Hylland Eriksen pp. 79-82
Zdenka Sokolíčková 

Reviews/Recenze

Rethinking Margins in the Anthropocene
Thorsteinsson, Björn, Katrín Anna Lund, Gunnar 
Thór Jóhannesson, and Guðbjörg R.
 Jóhannesdóttir, eds. 2024. Mobilities on the margins: 
creative processes of place-making. of Arctic 
Encounters. Cham: Palgrave Macmillan pp. 83-88
Tobias Herman Hendrik Feltham

On Pre-Malinowski Fieldworkers
Ethnographers before Malinowski. 
Pioneers of Anthropological Fieldwork, 
1870–1922. Edited by Frederico Delgado Rosa 
and Han F. Vermeulen. New York, Oxford: 
Berghahn Books, 2022 pp. 89-96
Petr Skalník


Descarregar a revista: Cargo Nº 22/2 - 2024

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Colin Renfrew (1937-2024)

Acaba de ir-se um dos mais grandes. Ontem dia 24 morria Colin Renfrew, vulto de primeira ordem da arqueologia contemporânea. Renfrew foi uma das figuras centrais da "Nova Arqueologia" dos 70, a que aportou grandes contribuições e conceitos como o de "interação política entre pares" (peer-polity interaction) de grande utilidade para descrever os diversos processos de interação (competição, emulação, troca, conflito) entre unidades políticas autónomas que intervém nas dinâmicas de muitas sociedades da pré- e proto-história. 

Além da sua adscrição inicial ao funcionalismo da corrente processual, Renfrew soube reciclar-se inúmeras vezes sendo pioneiro de muitas linhas de pesquisa de plena atualidade, como a arqueo-genética, uma linha que desenrolou durante anos em solitário praticamente, até o desembarco massivo recente da paleogenómica, da mão das análises de ADN Antigo, no campo da arqueologia. 

Também iniciou outra linha actual de pesquisa a Arqueologia Cognitiva, numa data tão tempera como o ano 1994 com o livro "Ancient Mind", linha que ampliou e consolidou em colaboração com Lambros Malafouris, após a revolução que nas Ciências Cognitivas supus as técnicas de neuroimagem durante as primeiras décadas dos 2000.

Muitos lhe devemos a Colin Renfrew ter-nos introduzido nisto da arqueologia através dos seus livros já clássicos como "A Origem da Civilização", "Antes da Civilização. A revolução do radiocarbónio na pré-história europeia" ou "Arqueologia e Linguagem". 

Este último livro gerou muita controvérsia no âmbito arqueológico e linguístico, pela sua proposta de uma via diferente de indo-europeização vinculada à expansão do neolítico desde Anatólia. Esta obra abriu um período de cooperação de Renfrew com vários linguistas, partidários da sua hipótese anatólica, e geneticistas que se prolongou durante várias décadas. Um interesse tempera pela arque-genética que não se restringiu apenas ao âmbito europeu senão que também se debruçou sobre a etnogeneses de outras zonas geográficos como Pacífico colaborando em estudos sobre Papua-Nova Guine ou a Nova Zelândia (aqui). 


Em tudo isto Renfrew mostrou uma abertura de mente e um flexibilidade que lhe permitiu adaptar-se aos câmbios dentro da disciplina, fincando sempre a cabeça de novas correntes e linhas inovadoras. A isto unia uma honestidade intelectual, a que não importava retificar de ser necessário (como sucedeu no caso da sua aceitação final da teoria estépica de Gimbutas), uma virtude, muitas vezes, difícil de topar no mundo académico. 
   
Renfrew no sitio arqueológico de Keros do qual dirigiu as excavações

Vai-se por tanto um grande referência da arqueologia, sem a qual seria difícil reconstruir a história da disciplina desde a segunda metade do século XX até a atualidade. O mundo da arqueologia fica hoje de luto.

Sit tibi terrae levis


segunda-feira, 22 de julho de 2024

James C. Scott (1936-2024)


A passada sexta-feira dia 19 de julho, morria James C. Scott, antropólogo anarquista autor de clássicos como o "Arte de não ser gobernados", "Contra o grão"  ou "Os Dominados e a Arte da resistência" entre outros muitos

A pesquisa de Scott inicialmente focada nas sociedades camponesas do sudeste asiático abriu-se comparativamente a outros casos (tanto antigos como atuais) estudando as sociedades sem-estado (camponeses, bárbaros) como uma alternativa consciente as formas de organização política autoritária e as formas de resistência e as estratégias mediante as que os grupos subalternos eludem na vida quotidiana o controle do poder. A obra de Scott aportou importantes conceitos como o de "infrapolitica" e influi fortemente na pesquisa antropológica, histórica e arqueológica, sendo uma inspiração para boa parte dos pesquisadores atuais.

Ademais de a teoria, e inspirado pelas sociedades camponesas e a sua vocação anarquista, James C Scott, compaginou a pesquisa e a docência universitaria com a ocupação de pequeno fazendeiro, na sua página web da Universidade de Yale (aqui), se auto-definia como "Profesor de Antropologia, co-diretor do programa de Estudos Agrarios e campones mediocre"

James C. Scott (2024): "Intellectual Diary of an Iconoclast" Annual Review of Political Science Nº 27 PDF


Postagem relacionada: A Arte de não ser Gobernados

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Gustav Hennigsen (1934 – 2023)


Hoje soubemos da morte do antropólogo Gustav Henningsen. Henningsen era conhecido sobre tudo pelos seus trabalhos sobre a bruxaria na Idade Moderna, entre os que destaca a obra "O advogado das bruxas" que dedicou ao inquisidor Salazar de Frias, Ambito de pesquisa este da bruxaria no que os seus trabalhos eram uma referência mundial, junto com um dos seus mestres Júlio Caro Baroja, mas também realizou trabalho de campo em Galiza a finais dos anos 60.

Durante três anos ele e sua mulher Marisa Rey-Henningsen pesquisaram na zona de Ordes, pesquisa da qual existe um interessante arquivo fotográfico, que foi faz uns anos em uma exposição no Museu do Povo Galego, da qual saiu também um catalogo com o titulo "Galicia Máxica. Reportaxe dun mundo desaparecido. Fotografias etnográfica 1965-1968" 




Foi daquela quando durante a inauguração daquela exposição conheci a Gustav Hennigsen e a sua dona. A minha parelha por aquele então que já o conhecera anos antes quando ela trabalhava de arquiveira no Arquivo Histórico Nacional onde Henningsen assistia regularmente para consultar documentação sobre a inquisição, nos apresentou. Aquele dia o matrimonio Henningsen doara o seu arquivo fotográfico ao Museu do Povo Galego onde actualmente se custodia.  

Outra parte do legado de Hennigsen a que se refere a seus estudos sobre a bruxaria e a inquisição foi doada alguns anos depois, no 2020, a universidade público, com motivo do qual a revista Príncipe de Viana dedicou 2 numero (278-279) como homenagem ao matrimonio Henningsen. Uma grande perda D.E.P



sexta-feira, 2 de junho de 2023

Gregor Marchand (1968-2023)



Onte dia 1 de junho faleceu após uma longa enfermidade o destacado pré-historiador Gregor Marchand, consumado especialista no neolítico. Marchand defendera no ano 1997 a sua tese com o titulo "La néolithisation de l’ouest de la France", baixo a direção de J. P Demoule, onde analisava a transição na costa atlântica da França, com especial foco na Bretanha, entre o mesolítico e o neolítico. Após isto em 2000 ingressou no CNRS em 2000, no que chegou a ser nomeado Diretor de Pesquisa. 



Marchand dirigiu numerosas escavações em jazigos do paleolítico mesolítico e neolítico desenrolando um modelo que punha acento nas profundas alterações registando-se durante a época que conheceu profundas alterações ambientais (recuo da glaciação com regresso dos episódios 4 , radical renovação da fauna e da flora e elevação considerável do nível do mar ),  mudanças que motivaram uma funda mudança técnica e económica entre mesolítico e neolítico, foi esta linha de pesquisa a que orientara o projeto de pesquisa que desenrolara a sua entrada no CNRS “Sistemas técnicos, ambiente e mudanças culturais no Mesolítico e Neolítico da costa atlântica da Europa”

Gregor Marchand era um dos especialistas de referencia sobre o neolítico na academia europeia e francesa e especialmente no tema da fácies do chamado Neolítico Atlântico com uma abundante produção investigadora, com contribuições de vulto s a esta temática. A parte de isto Marchand mantinha um blogue sobre atualidade cientifica sobre o mesolítico e neolítico intitulado Prehistoire-Atlantique.



segunda-feira, 29 de maio de 2023

Jean Haudry (1934 - 2023)

Ontem dia 28 morria o indo-europeias e sancritologo Jean Haudry. Formado École Normale Supérieure e discipulo de especialistas de bulto dentro da linguistica indo-europeia como  Louis Renou, André Martinet, Émile Benveniste e Michel Lejeune. Lecionou sucessivamente nas universidades de Montpellier e Paris como assistente de latim e lingüística, antes de ser nomeado professor de sânscrito e gramática comparada na a Universidade de Lyon. 
Defendeu uma tese em 1977 e, cinco anos depois, fundou um Instituto de Estudos Indo-Europeus na mesma universidade. Além disso, Jean Haudry foi eleito diretor de estudos de gramática comparativa de línguas indo-européias no IV sseção da École Pratique des Hautes Etudes em 1976. Tornou-se professor emérito em 1998 na Universidade de Lion III. 



Além das polémicas publicas sobre a afiliaçâo política que escureceram a su figura, a obra de Haudry tem alguns elementos de fondo interesse para repensar alguns elementos da tradição indo-europeia, como a reelaboraçào que na sua obra "La religion cosmique des Indo-Européens" (1987) fez do trifuncionalismo dumeziliano reinterpretado em termos cosmologicos

Um esquema que mostra uma estrutura espacial do mundo, dividido em três espaços celeste (1ª função), atmosférico (2ª função) e ctónico (3ª função), esta construção espacial teria um reflexo termporal, que num plano micro se fundaria no curso visível diário do sol em 3 etapas (aurora - dia - ocaso/noite) associadas a cada uma das zonas cosmológicas e as cores que os caracterizam no esquema trifuncional (vermelhor (2ª função) - branco (1ª função) - preto/et alii (3ª função)). 

Em um plano mais amplo este esquema temporal se prolonga ao ciclo anual, estruturado pela dicotomia entre uma metade escura/ctónica do ano e outra luminosa / celeste conectadas por um ponto liminar de transiçáo primaveral (associada metaforicamente a deusa Aurora) entre ambos. 


No fundo segundo Haudry o esquema trifuncional seria uma evolução particular de um esquema primário mais básico dual dividido em dois metades antagónicas escura/luminosa que ele considera poderia corresponder mesmo com um estagio de pensamento pré-neolítico que subsistiria em elaborações posteriores mais complexa já de tipo triple.

~
Haudry também pesquisou sobre outros elementos da tradição indo-europeia como o simbolismo do fogo no ritual, ou abstrações como a tríade pensamento-palavra-acçáo como estruturante de uma welstanschaum de estes povos e que analisou num interessante livro com esse mesmo título. Uma hipótese especialmente polémica foi a sua recuperação da ideia exposta a inícios do século XX pelo político indu Bal Gangahar Tilak sobre um suposto origem circum-polar dos indo-europeus, a qual foi geralmente rejeitada pela maioria dos especialistas.


Trabalhador incansável há pouco de um mês Jean Haudry sacava ao prelo a sua ultima obra o Lexique de la tradition indo-européenne, concebida como uma grande soma da sua pesquisa durante este anos. Entre os discípulos de Haudry figuram especialistas como estudioso das religiões indo-europeias Philip Jouet ou o nosso chorado e caro amigo Eulogio Losada Badia, que foi em vida catedrático de sânscrito na Sorbona.


quarta-feira, 3 de maio de 2023

David Fontijn (1971-2023)


O arqueologo David Fontijn faleceu esta segunda-feira, 1º de maio de 2023. Fontijn foi um dos grandes pensadores da pré-história européia, e suas opiniões e contributos sobre os depoimentos da Idade do Bronze tornaram-se canônicas. Ele discutiu  em todo o mundo em diversos congressos suas ideias e liderou vários projetos de pesquisa inovadores que, desde então, definiram o tom e a agenda neste domínio.   Apenas algumas semanas atrás ele dava os retoques finais em seu livro “How the Bronze Age Shaped Europe”.

Deixamos aqui este video de uma palestra onde espõe o desenvolto em um dos seus ultimos livros "Economies of Destruction"  


sábado, 14 de novembro de 2015

Ethnographisch-Archaeologische Zeitschrift Nº 56

Ethnographisch-Archaeologische Zeitschrift 

Nº 56 - 2015
       

INDEX

Editorial pp. 11-12  

Research papers

Caribou Hunting in Alpine West Greenland. 
An Archaeological Investigation pp. 65-91
Volker Neubeck, Clemens Pasda

Prehistoric Dairy Farming in the Alps pp. 92-134
Thomas Reitmaier, Daniel Moeckli

Mobile Pastoralists in Archaic Southern Italy? 
The Use of Social and Material Evidence for 
the Detection of an Ancient Economy pp. 135-164
Christian Heitz

A Reconsideration of Building Techniques of Iron Age 
Tumuli in Western Europe pp. 165-184
Matthias Meinecke

Military and Social Organization Interdependence, 
Co-evolution, Archaeological Verification pp. 185-204
Matthias Jung

The Production of Liminal Places – An Interdisciplinary 
Account pp. 205-242
Jan Johannes Ahlrichs, Kai Riehle, 
Nurzat Sultanalieva

Projectiles for Kids – New Evidence of Child and Youth Versions 
of Magdalenian Osseous Points from the Teufelsbrücke Cave Site (Thuringia, Germany)  pp. 243-254
Sebastian J. Pfeifer


Provocation & Response

EAZ Debate – The Future of Theory in Archaeology
 – Position Statements 2017 pp. 13-15
Ulrich Veit

Archaeology as the future of past subjects 
pp. 16-21
Reinhard Bernbeck

The future of theory in archaeology after the 
radiocarbon revolution pp.  22-26
Svend Hansen

"A young (wo)man's game?" - Sceptical observations 
from theoretical retirement pp. 27-30
Heinrich Haerke

Theory has to be pp. 31-35
Daniela Hofmann

An archaeology of ideas pp. 36-38
Cornelius Holtorf

Happy theory - gaya teoria. Four aphorisms 
pp. 39-44
Thomas Meier

Bridging the Gaps – Theoretical Archaeology and 
Historical Archaeology pp. 45-49
Ulrich Mueller

Where is the basic research? pp. 50-53
Raimund Karl

Theory? A dialogue pp.54-59
Stefanie Samida, Manfred K. H. Eggert

The theorist as a spoilsport? Or: News from 
the sixth continent pp. 60-64
Ulrich Veit


Personalia

Obituary of Guenter Guhr (1924-2016) pp. 295-301
Bernhard Gramsch, Lydia Icke-Schwalbe

Obituary of Hans-Joachim Doelle (1936-2016) pp. 302-305
Achim Leube

Obituary of Gabriele Mante (1971-2016) pp. 306-311
Holger Groenwald


Expedition and excavation reports

First Results of Archaeological Investigations Conducted 
at Laloi East, Greater Accra Region, Ghana pp. 255-274
Fritz Biveridge

Assessing the Bui Dam Salvage Archaeology Project and 
Cultural Heritage of Impact Communities  pp. 275-294
David Akwasi Mensah Abrampah, Wazi Apoh, Kodzo Gavua, 
Mark Henry Freeman, Samuel Amartey, 
David Tei-Mensah Adjartey, George Anokye


Book reviews and Annotations

Sonja Schäfer, Der Prähistoriker Gustav Schwantes (1881-1960). 
Leben und Werk im Kontext zeitgeschichtlichen und fachlichen 
Wandels. Universitätsforschungen zur Prähist. Arch. 
263. Bonn 2015: Habelt,  pp. 312-317
Ulrich Veit

Friedrich Laux, Die Lanzenspitzen in Niedersachsen. 
Mit einem Beitrag zu den Lanzenspitzen in 
Westfalen von Jan-Heinrich Bunnefeld. Prähist. 
Bronzefunde V, 4. Stuttgart 2012: Franz Steiner 
pp. 318-320
Svend Hansen

Mária Novotná, Die Vollgriffschwerter in der Slowakei. 
Prähistorische Bronzefunde IV, 18. Stuttgart 2014: 
Franz Steiner. pp. 321-324
Svend Hansen

Dragana Antonović, Kupferzeitliche Äxte und Beile 
in Serbien. Prähistorische Bronzefunde IX, 27.
 Stuttgart 2014: Franz Steiner. pp. 325-328
Svend Hansen

Julian Winiker, Die bronzezeitlichen Vollgriffschwerter 
in Böhmen. Mit einem Beitrag von Harry Wüstemann und 
Bernhard Sicherl. Prähistorische Bronzefunde IV, 19. 
Stuttgart 2015: Franz Steiner. pp. 329-331
Svend Hansen

Mischa Meier & Steffen Patzold (Hrsg.), Chlodwigs Welt. 
Organisation von Herrschaft um 500. Roma æterna 3.
 Stuttgart 2014: Franz Steiner. pp. 332-339
Matthias Hardt

Manfred K. H. Eggert & Dirk Seidensticker, Campo: Archaeological Research at the Mouth of the Ntem River (South Cameroon). Africa Praehistorica 31. Köln 2016: Heinrich-Barth-Institut pp. 340-342
Alexandre Livingstone Smith

Philipp W. Stockhammer & Hans Peter Hahn (Hrsg.), Lost in Things. Fragen an die Welt des Materiellen. Tübinger Archäologische Taschenbücher 12. Münster/New York 2015: Waxmann, pp. 343-346
Miguel John Versluys
   
  

Ir ao número da revista: EAZ Nº 56, 1/2 - 2015

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Morreu Jacques Le Goff



Ontem 1 de Abril morreu aos 90 anos de idade Jacques Le Goff, um dos mais importantes medievalistas do século XX. O historiador francês pertencia à terceira geração de historiadores da escola de Annales. A sua conceção da historia medieval concebida como uma antropologia histórica centrada no interesse pela história da cultura e das mentalidades, marcou a varias gerações de medievalistas e historiadores em geral.


Livros como O Nascimento do Purgatório, A Civilização do Ocidente Medieval, ou A Bolsa ou a Vida, têm-se convertido e clássicos nos que os leitores de Le Goff topámos uma visão da historia profundamente interdisciplinar e sem complexos disciplináreis, que o levaram mesmo a repensar os limites e periodizações convencionais da Idade Media, assim como a integrar os dados e aportações da antropologia, sociologia etc, no estudo dos textos históricos criando uma autentica antropologias histórica


Grande divulgador, em 1968 no empeçou a colaborar no programa radiofónico Les Lundis de l’Histoire, que ainda hoje é emitido pela France Culture, e no qual Le Goff pariticipou até ao final da sua vida. Com a morte de Jacques Le Goff perde-se um dos grandes historiadores do passado século.

Deixamo-vos aqui o audio do programa especial do programa de France Culture La Grande Table emitido hoje em Homenagem ao medievalista e que contou coa intervenção dos historiadores Patrick Boucheron e Jean-Claude Schmitt (colaborador e sucessor do proprio Le Goff)



segunda-feira, 15 de julho de 2013

Falece George W. Stocking Jr.

George W. Stocking Jr. (1928-2013)

O passado dia 13 de julho morria o reconhecido historiador da antropologia, George W. Stocking. Formado como historiador social, Stocking dedicou a sua carreira ao estudo das distintas correntes da antropologia europeia e norte-americana, consagrando estudos a antropologia vitoriana, a escola boasiana, o funcionalismo, a relação entre o conceito de raça e as teorias antropológicas, publicando numerosos artigos e livros

Entre eles destacou a sua serie History of Anthropology publicada pela Universidade de Wisconsin. Stocking passou por diversas universidades norte-americanas ate alcançar a cátedra de antropologia na Universidade de Chicago na que exerceu como emérito até a sua morte, faz dois dias. 

George W. Stocking deixa atrás de si uma obra essencial para o conhecimento historiográfico das origens da antropologia contemporânea.


domingo, 14 de julho de 2013

Falece Ruth Megaw


A Dra. Ruth Megaw, esposa e longo tempo colaboradora do arqueólogo Vincent Megaw, Professor Emérito da Univ. Flinders de Austrália e um dos maiores espertos na arte céltica, faleceu o passado sábado dia 13 de julho


Ruth Megaw estudou a história na Universidade de Glasgow, onde se especializou em Historia de América. Em 1961 mudou-se para Sydney com o seu marido e um professor e arqueólogo Vincent Megaw, sendo professora nas Universidade de New South Wales e Sydney. Ruth desempenhou um grande papel na criação do Departamento de Arqueologia da Universidade de Flinders, através do apoio que forneceu ao seu marido. 



Ela era coautor e coeditora de muitas das suas publicações arqueológicas. Os Megaws são internacionalmente reconhecidos como especialistas no estudo da arte da Idade do Ferro europeia.


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Ward Goodenough - necrológica



O passado dia 9 de Junho morria o reconhecido antropólogo Ward Goodenough catedrático emérito de antropologia da Universidade de Pennsilvania. Goodenough e conhecido sobre todo pelas suas aportações a antropologia do parentesco, onde aplicou uma perspetiva transcultural (cros-cultural) que recorda ao do seu mestre George P. Murdock, mas fiz contribuições também na antropologia linguística e cognitiva, e foi um defensor da antropologia aplicada sendo presidente da Associação Norte-americana de Antropologia Aplicada.



Formado na escola boasiana, Goodenough situa-se no trânsito entre esta e a antropologia simbólica norte-americana que daria nomes como os de Cliffor Geertz. Dentro das suas contribuições a metodologia e teoria antropologica podem-se citar livros como Description and Comparison in Cultural Anthropology (acessível aqui) no que se recolhem as suas palestras impartidas durante as Lewis Morgan Lectures.

Podeis consultar uma boa síntese da trajetória deste pesquisador nesta postagem do blog Savage Minds


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

In Memoriam Jürgen Untermann

Acaba de dar-se a conhecer a morte no dia de ontem, à idade de 84 anos, do professor Jürgen Untermann (24/10/1928 - 2013/02/07) um dos principais espertos na paleo-linguística europeia e especialmente da Península Ibérica.

Discípulo de insignes linguistas como Hans Krahe e Ulrich Schmoll, estudou nas universidades de Frankfurt e de Tübingen, sendo catedrático de Linguística Comparada na Universidade de Colónia. Membro de várias instituições internacionais , era desde  o ano 1994 membro da Real Academia de História da Espanha. A sua pesquisa se concentrou no estudo das línguas itálicas e paleo-hispânicas, sendo considerado a maior autoridade a nível mundial no estudo da línguas paleo-hispânicas.



Foi o editor do corpus destinado a recolher todas as inscrições nas línguas antigas da Península Ibérica, os celebres Monumenta Linguarum Hispanicarum, cujos volumes foram publicados entre os anos 1975 e 1997. Realizou assim mesmo um intenso trabalho de sistematização da onomástica peninsular que o levou a publicar sua monografia clássica sobre o tema. Elementos de un Atlas Antroponímico de la Hispania Antigua (Madrid, 1965) . Untermann foi igualmente um dos principais valedores da interpretação da língua lusitana como uma forma de céltico arcaico, em contra de boa parte dos seus colegas profissionais, no que ele definiu como a sua "herética convicção"

nomeamento de honoris causa de Untermann pela USC, 2003

O professor Untermann foi assim mesmo desde o seu início um dos principais promotores dos Colóquios de Línguas e Culturas Paleo-hispânicas, cuja organização presidiria por vários anos. Com a morte do Prof Untermann o estudo das línguas pré-romanas da península ibérica fica órfo de um dos autores de referência nas últimas décadas.  Sit tibi terra levis


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Falece M. A. García Guinea


Esta segunda feitra a meia tarde, finou aos 90 anos o arqueologo e historiador cântabro Miguel Ángel García Guinea, que fora diretor durante 25 anos do Museu Regional de Prehistoria e Arqueologia de Cantábria e uma pessoa muito reconhecida no âmbito cultural pola sua intensa atividade em pró do Património

García Guinea no Museu Arqueologico de Cantábria

García Guinea desenvolveu uma intensa atividade arqueológica desde os seus anos universitários. Participou e dirigiu trabalhos em locais tão diversos como Ampurias, Gabii (Itália), Julióbriga, Sudão, Soria, Albaçete, Monte Cildá, Santo Toribio, Mave, Tito Bustillo, Castro Urdiales, Camesa Rebolledo, Piasca, Cualventi, Argüeso, Zelada de Marlantes, entre outros muitos enclaves arqueológicos.

García Guinea no Museu Arqueologico de Cantábria

Fruto destes trabalhos são infinidade de monografias e artigos em publicações especializadas, bem como conferências e conversas pronunciadas em grande número de centros escoares, universidades e instituições culturais.

junto com o outro editor da enciclopédia do românico

Também destacou como especialista no romanico de Cantábria e da província de Palencia, co-dirigindo nestes últimos anos a edição da Enciclopédia do Românico, do que já vão publicados 40 volumens