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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Arqueologia da Mitologia Céltica - Livro

L’Archéologie et la
 Mythologie Celtique

Waddell, J. (2022):  L’Archéologie et la Mythologie Celtique. Sidestone Press. Leiden  ISBN: 978-94-6426-059-5

Sinopse  
Este livro é uma tradução de Archaeology and Celtic Myth, publicado em Dublin em 2014. A literatura irlandesa medieval constitui, de longe, o maior conjunto de textos vernáculos disponível na Europa Ocidental. 


Embora composta entre os séculos VII e XII d.C., essa literatura transmite elementos da mitologia celta pré-cristã. Assim, oferece um vislumbre de algumas tradições e crenças muito antigas que existiam na Europa pré-histórica.


As referências mitológicas nesses textos, justapostas às evidências materiais encontradas em vários sítios arqueológicos importantes, como Navan (Condado de Armagh), Tara (Condado de Meath) e Newgrange, no Vale do Boyne, destacam certos temas e figuras recorrentes. Entre os mais significativos estão a natureza sagrada da realeza, a noção de soberania concedida por uma deusa, o tema da cosmologia solar e as tentativas de descrever o Além.


A importância desses conceitos é sublinhada pela sua preservação textual. A sua análise oferece a oportunidade de compreender melhor a organização e o pensamento de um mundo pré-literário. Por exemplo, a instituição da realeza sagrada deve ser considerada em qualquer debate sobre a natureza das diversas estruturas socio-políticas da Europa daquela época, enquanto o simbolismo solar, os rituais equestres, os ritos de bebida e vários outros indicadores revelam a preocupação dos nossos antepassados ​​com o Além, o seu desejo de compreender a morte e a sua concepção de uma vida após a morte.

INDEX


Descarregar o livro em: Arch. et Mythologie Celtique

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Nouvelle Mythologie Comparée Nº 8

Nouvelle Mythologie Comparée 

 New Comparative Mythology

  
 Nº 8 - 2024-2025

Mythologie celtique et
 mythologie comparée
   

INDEX

Ariadne / Yseut ou la Reine adultère 
Pierre Sauzeau

Le Mabinogi de Math et le conte égyptien 
des deux frères. Aux sources du conte-type 
ATU 318: l’épouse infidèle
Patrice Lajoye

Le Mars celtique et son ascendance 
indo-européenne
Bernard Robreau

L’iconographie du monnayage à la croix. 
Une illustration de la notion d’idéal 
«spatio-temporel»?
Romain Ravignot 

Varia

The Novilara Stele (PID 343) 
and Italic Warrior Ritual
Roger D. Woodard

Nestor, roi de Pylos. Un Aun 
grec et un Yayāti indien? 
Marcel Meulder
 

Ir ao número da revista: Nouvelle Mythologie Comparée Nº 8

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Morreu Claude Lecouteux

Acabo de saber do falecimento, o passado dia 13 de novembro, de Claude Lecouteux, professor emérito de estudos germânicos na Universidade da Sorbona e reconhecido especialista em folclore e mitologia medieval. Formado como filólogo especializado em línguas germânicas Lecouteux dedicou a sua obra a analisar diversos temas do folclore e a literatura europeia a partir dos textos medievais, desde as sagas islandesas a literatura alemã e francesa amostrando uma profunda erudição e conhecimento dificilmente superáveis. 


O seus estudos recolheram uma ampla variedade de temas que abarcaram boa parte do Imaginario europeu durante o periodo medieval, como as crenças sobre os mortos, seres míticos como as fadas (entre elas Melusina), os génios territoriais, os espíritos domésticos, a caça selvagem, etc, etc... era em resume um de esses autores de referência para os que nos temos dedicado a estas temáticas folkoricas e etno-históricas, e sobre tudo desde uma perspetiva diacrónica e de longa duração

Pessoalmente descobri a obra de Lecouteux por puro acaso, quando  sendo ainda estudante topei um dos seus livros "Anões e Elfos na Idade Media" em um livraria (Índice) agora já fechada. No entanto folheava o livro topar surpressivamente a referência à obra de Dumézil (outro autor fundamental naqueles anos formativos), no meio do estudo de estes seres míticos, e que definisse a própria obra como uma contribuição a mitologia menor da 3 Função, já me indicou que este autor não era um especialista mais em literatura medieval, senão que a sua visão ia muito além do convencional. Aquele foi um livro que devorei e a primeira de muitas leituras que me abriram um muito extenso campo de estudo e novas possibilidades. 

Parte da extensa obra de Lecouteux, foto P. Lajoye

Alguns aportes seus como o seu artigo sob a estrutura das lendas melusínicas e sobre tudo o seu "Demos y Génios comarcais na Idade Media" (livro que tenho muito desgastado pelo uso e consulta repetidos) tem sido influências importante, mesmo diria que fundamentais, na minha própria pesquisa, como por exemplo nos meus estudos sob os ritos jurídicos de toma de pose do território. Foi tenho que dizer o autor que. junto a minha estância de estudos na Alemanha, me abriu de facto os olhos ao mundo do Folklore Jurídico e a Rechtsrchäologie. Mesmo chegara faz alguns a anos a enviar-lhe um dos meus artigos sobre este tema, que ele recebera com grande amabilidade e interesse.

Em resume, vai-se um grande pesquisador que deixa após si um importante legado, formado por mais de 100 artigos e 31 livros (seu curriculum aqui), que oferecem contribuitos fundamentais e são uma autêntica mina de informação. 

Uma grande perda para o mundo académico e especialmente para esta pequena sub-tribo que somos os mitólogos, sic tibi terrae levis


Homenagem a Claude Lecouteux - Livro

Formes et difformités médiévales

Florence Bayard, F. & Astrid Guillaume, A. (eds.) (2010): Formes et difformités médiévales. Hommage à Claude Lecouteux. Traditions et croyances. Universite de la Sorbonne. Paris. ISBN: 978-2-84050-701-7

Sinopse  
Formas regulares e simétricas, equilíbrio e proporção eram conotados positivamente na Idade Média e geralmente valorizados como intervenção divina ou o resultado lógico de boas ações realizadas pela linhagem de alguém. 


Era perigoso e prejudicial destacar-se ou desviar-se da norma. Além disso, acreditava-se que qualquer perda de integridade física ou marca incomum era compensada por um poder especial, e aqueles que portavam tais (in)sinais pertenciam a uma ordem diferente e perigosa. A assimetria, e portanto a deformidade, era assim percebida como punição divina, marca do diabo, um dom suspeito, uma maldição transmitida através das gerações, prova de traição familiar passada, de atos ou pensamentos não reconhecidos e indizíveis, uma marca distintiva ou uma anormalidade. 


Crenças populares e religiosas, lendas, mitos, literatura, expressões artísticas, bem como alguns estudiosos formados pela Bíblia, supriram as deficiências médicas e científicas da época e ofereceram explicações pseudocientíficas, ilustrações e representações geralmente assustadoras ou lendas que deram origem a outras crenças e outras criaturas, ainda mais deformadas e aterrorizantes.


A ambição desta obra é também resgatar certas verdades sobre as crenças medievais e apresentar, da forma mais simples possível, o que se entende por formas e deformidades na Idade Média, mas também na Antiguidade e em outros períodos.
  

INDEX

Avant-propos
Astrid Guillaume & Florence Bayard

Préfaces

Hommage
Régis Boyer

Le merveilleux géographique
Jacques Le Goff

Claude Lecouteux. Itinéraire d'un chercheur.
Anne-Elène Delavigne

Claude Lecouteux: Érudition et 
Humanisme (Publications)

Formes et difformités médiévales, Introduction
Astrid Guillaume & Florence Bayard

Partie I

Claude Lecouteux, 
le passeur de mémoire

Schattenseiten, ou le côté nocturne du clerc
Karin Ueltschi

Petite mythologie: qu'est-ce à dire?
Régis Boyer

Lire la «méthode Lecouteux» 
à l'épreuve de Mélusine
Catherine Velay-Vallantin

Partie II

Monstres, Merveilles et 
autres «Phénomènes»

Le blanc genou de la fée. 
Une allégorie de la Justice?
Florence Bayard

La cloche muette: de Thomas d'Aquin 
à Albert Dürer
Claude Thomasset

Enquête sur un mystérieux oiseau-vampire
Sandra Hanse

Une anguille nommée Gargantua: 
contribution au légendaire de la Bretagne
Jacques Merceron

Le dragon sous-marin et la boule magique
Chiwaki Shinoda

Les rapaces nocturnes: un malentendu
Olivier Duplâtre

La passion et la mort du prophète 
Merlin dans la Suite-Huth du Roman de Merlin
Anne Martineau

L'église, le cimetière et la tombe: 
passages de l'ici-bas à l'au-delà 
dans quelques contes de Grimm 
et d'Afanassiev
Natacha Rimasson

Mytho-géographie: franchissement 
de rivière et au-delà symbolique
Raymond Delavigne

Un aller-retour pour l'autre monde, S-V-P. 
Le passage dans l'Autre Monde, dans 
l'oeuvre de Jérôme Bosch et 
Peter Bruegel l'Ancien
Dominique Pauvert

Dieu, le diable et… les loups/garous. 
Sémiotique des représentations médiévales
Astrid Guillaume

Galant le forgeron dans la 
Suite du Roman de Merlin
Philippe Walter

Trébuchet, Wieland et Reginn. 
Notes sur le mythe du forgeron 
dans la tradition indo-européenne
Koji Watanabe

Laurin, roi des nains. Croyances 
et arrière-plan mythique dans le 
poème épique Laurin ou le 
Petit Jardin des Roses
Béatrice Le Méec

Partie III

Dits, écrits et pratiques

La main apotropaïque et la 
nébuleuse des signes
Jean-Loïc Le Quellec

Les incantations roumaines contre 
la matrice. Formules répétitives 
et associations symboliques
Emanuela Timotin

Maître Melchita, magicien de 
Tolède. Un exemplum inédit du 
dominicain Étienne de Bourbon
Jacques Berlioz

Un spectacle diabolique: conjuration 
et nécromancie dans l'Historia du Docteur Faust
Emilie Lantuéjoul-Lasson

«La maison des sorcières» de Bergheim 
ou les répercussions de la croyance 
au diable sur la population locale
Martine Clauss

Temporalité et mythe dans les 
charmes du Moyen Âge
Nicolas Nelson

Les tombes de chevaux des peuples 
germaniques: pratique sociale 
ou rite religieux?
Marc-André Wagner

« Réchauffer et baigner les ancêtres... » :
 une coutume du village russe
Francis Conte

Celle qui aimait un mort. L'amour 
et la mort dans une romance espagnole
Ion Talos

Loki et les Hurons
Bernard Sergent

The fallen north divinities. 
Christian legends at a time of transition
Ronald Grambo

La Normandie et la mythologie germanique
Patrice Lajoye

Dieux, rois géants, héros: 
invincibles, exemplaires et abjects?
Olivier Gouchet

Cousine sous le chêne - Sigune sur le tilleul. 
Réflexions sur la réécriture médiévale
Michaël Stolz

Les échos de Tacite dans la poésie 
vieil-anglaise du xe siècle: tradition 
héroïque et style panégyrique
Leo Carruthers

Les Yidishe Folksmayses: 
relation entre juifs et non-juifs
Frédéric Garnier

Le roman de Mélusine dans 
les anciens Pays-Bas
Baukje Finet

Une singulière Danse Macabre
Marie-Dominique Leclerc

Darab, darumb und darüber als Träger 
kausaler Relationen bei O. Nachtgall
Maxi Krause

Bibliographie


+INFO sobre o livro em: Hommage à Cl. Lecouteux

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

O Paippalādasaṃhitā do Atharvaveda

The Paippalādasaṃhitā of 
the Atharvaveda

Selva, U. (2019): The Paippalādasaṃhitā of the Atharvaveda: a new critical edition of the three 'new' Anuvākas of Kāṇḍa 17 with English translation and commentary. Tese apresentada na Universidade Leiden.

Sinopse  
No final da década de 1950, vários manuscritos foram descobertos em Odisha. Eles continham uma das mais antigas coleções de textos védicos, o Atharvaveda, datado do final do segundo milênio a.C., em uma recensão, o Paippalāda, que se acreditava ter sobrevivido apenas em um manuscrito da Caxemira bastante corrompido. 


Dada a importância e a antiguidade do texto, essa descoberta despertou o entusiasmo de indólogos, historiadores, antropólogos e linguistas ansiosos para mergulhar no novo material. Isso, no entanto, dependia da produção de uma edição filologicamente confiável do texto. A dissertação de Selva representa um passo adiante nessa direção: ela se concentra no 17º livro da coleção, que contém uma variedade de material em poesia e prosa: feitiços mágicos para exorcizar demônios que ameaçam mulheres e crianças, maldições contra inimigos e remédios contra pesadelos. 


Uma secção ilustra uma observância ritual que consiste na imitação do comportamento de um touro, prática que remonta a modelos culturais indo-europeus pré-históricos e que foi reelaborada pelos Pāśupatas, a mais antiga seita ascética conhecida dedicada ao deus Śiva. A edição inclui um aparato crítico, uma tradução e um comentário que discutem problemas filológicos e tentativas de interpretação.

INDEX


Descarregar a tese em: The Paippalādasaṃhitā

sábado, 20 de setembro de 2025

Seres Sobrenaturais no Folklore Esloveno - Livro

Supernatural beings from Slovenian myth and folktales

Kropej, M. (2012): Supernatural beings from Slovenian myth and folktales. Studia mythologica Slavica Supplementum Vol. 6. Narodna in univerzitetna knjižnica, Ljubljana. ISBN: 978-961-254-428-7 DOI: 10.3986/9789610503385

Sinopse 
Com foco na mitologia eslovena, o livro contém uma revisão do material mitológico, histórico e narrativo esloveno. Mais de 150 seres sobrenaturais são apresentados, tanto lexicalmente quanto de acordo com o papel que desempenham no folclore esloveno. 


Eles são classificados por tipo, característica, aspetos e pela mensagem transmitida nos seus motivos e conteúdos. O material foi analisado no contexto de conceitos mitológicos europeus e alguns não europeus, e o autor lida com teoria e interpretações, bem como com as conclusões de pesquisadores nacionais e estrangeiros. 


O livro forma novos pontos de partida e uma classificação de seres sobrenaturais dentro de um quadro de uma série de fontes, algumas das quais foram publicadas pela primeira vez neste livro.

INDEX


Descarregar o livro em: Supernatural Beings

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

O Dragão, Genealogia de um Mito - Livro

DRAGON 

D'Huy, J. (2025): Dragon. Généalogie mondiale d'un mythe. Arman Colin. Paris. ISBN: 9782200638139

Sinopse  
Pronunciar seu nome é invocá-lo; é abrir em espírito o grande teatro do mundo e ver a serpente do arco-íris pairando no ar, portadora da chuva e das tempestades; lutar contra a criatura que continha as águas ou encerrava o Universo com as suas poderosas espirais; é observar no céu o poder que ameaça as estrelas, que traça os sulcos dos rios no solo; é confrontar a morte e renascer.


Da primeira partida da África até os dias atuais, Julien d'Huy traça as convoluções de um mito multifacetado e a genealogia de uma quimera que rastejou nas pegadas do homem, da África à Austrália, passando pelo Novo Mundo e pelo norte da Eurásia.


Uma epopeia erudita que, centrada na figura do dragão, revela toda uma parte da história da humanidade.
  

INDEX

Introduction: que se cache-t-il
derrière les dragons?

1.Le dragon, un motif universel

2. Remonter dans le temps

3. Avant - 100 000: la mythologie ophidienne
 avant notre sortie d’Afrique

4. - 65 000 ans: la colonisation de l’Australie

5. - 15 000 ans: la première conquête
 des Amériques

6. L’Eurasie après le Paléolithique

7. Aux origines du dragon

8. Le mythe qui ne voulait
 pas mourir


+INFO sobre o livro em: Dragon Généalogie d'un mythe

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Cosmopolíticas Serpentinas - Vídeo

Dexiamos aqui a palestra proferida pelo antropólogo Ivan Tacey (Universidade de Plymouth) dentro do ciclo de palestras organiçado por Radical Anthropology o dia 25 de março, e que teve por titulo Cosmopolítica serpentina: análise transcultural da Serpente Arco-Íris



Da Amazónia à Austrália, cobras-arco-íris enroscam-se no coração das cosmologias dos povos indígenas, personificando forças de criação, destruição e renovação. Conhecidas como nagas, dragões ou serpentes-arco-íris, essas entidades ctónicas estão intimamente ligadas à água, ao sangue, às mulheres e ao poder indomável. 



Entre os caçadores-coletores Batek da Malásia, bem como em outras comunidades indígenas do Sudeste Asiático, acredita-se que a violação de tabus -especialmente aqueles ligados ao sangue- incite a ira desses seres, que supostamente desencadeiam inundações catastróficas capazes de aniquilar assentamentos inteiros. 



Com base em trabalho de campo etnográfico de longo prazo na Malásia, Ivan Tacey examina o papel das serpentes-arco-íris nos mitos de criação, rituais e paisagens cosmológicas Batek, comparando essas tradições com narrativas e práticas semelhantes da Amazónia e da Austrália, oferecendo uma análise cosmopolítica. 


Postagem relacionada: O Dragão e o Arco da Velha