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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Matriarcado, Género e Poder - Livro

Matriarchy, Gender and Power

Raffenne, C. & Coquet-Mokoko, C. (eds.) (2026): Matriarchy, Gender and Power. Interdisciplinary Perspectives. Routledge. Londres.  ISBN: 9781003633518  DOI: 10.4324/9781003633518
 
Sinopse  
Este livro explora as conceitualizações do poder feminino através da noção de matriarcado em uma variedade de contextos históricos, culturais e epistemológicos.


O matriarcado tem sido marginalizado e até mesmo ridicularizado como objeto de estudo, embora seja consistentemente referido como um símbolo do poder feminino. A falta de um engajamento sério com o matriarcado tem sufocado a investigação crítica sobre formas alternativas de organização do poder de gênero, e é essa lacuna que este livro busca preencher. 


Reexaminando o matriarcado a partir de uma perspetiva científica e interdisciplinar, este livro visa ir além das dicotomias simplistas de poder masculino versus feminino por meio de diversas investigações sobre o conceito de matriarcado que concebe o poder não como dominação, mas como interconexão, cuidado e liderança orientada para a comunidade. 


Por meio dessa abordagem, as contribuições examinam as possibilidades emancipatórias do matriarcado, ao mesmo tempo que reconhecem as limitações e os desafios que o acompanham.

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+INFO sobre o livro em:  Matriarchy, Gender & Power

segunda-feira, 17 de março de 2025

Dinâmicas Sociais e Genética no Anatolia Neolítica

Deixamos aqui o vídeo a palestra que foi proferida hoje a manha dentro do seminário de genómica antiga do HEAS, pelo paleo-genetista Mehmet Somel e que teve por titulo "A dinâmica social na Anatólia Neolítica: perspetivas paleogenómicas" 

A palestra centrou-se no estudo caso do povoado neolítico de Çatal Höyük e demonstra através do estudo da afinidade genética a presença de um padrão predominantemente matrilocal-matrilinear da sociedade de este jazigo. Igualmente considera a evidência de um cambio de este padrão entre as fases iniciais e finais de Çatal Höyük. 

Assinala igualmente o contraste entre este sistema matrilinear e o posterior sistema patrilinear que as paleo-genetica tem evidenciado entre as populações neolíticas europeias derivadas da colonização anatólica, sem que fique ainda claro neste momento da investigação quando e de que jeito se dá o cambio entre um é outro padrão de descendência


segunda-feira, 3 de março de 2025

Sociedades matrilineais

Matrilineare Gesellschaften

Andrej, I. (1998): Matrilineare Gesellschaften. Eine Untersuchung aus ethnologischer und historischer Sicht. Tese de Master apressentada na Universidade de Viena. Viena.

Sinopse 
Durante a evolução biológica dos hominídeos, a família torna-se cada vez mais importante. Começando com o Homo sapiens sapiens, há cerca de 120.000 anos, como uma sociedade segmentada do tipo igualitário, a sobrevivência dos humanos em pequenos grupos é garantida pela caça de animais selvagens e pela coleta de todos os tipos de alimentos, dependendo das condições ambientais regionais. 


A pressão populacional, a segmentação, a migração e os conflitos militares regulares levaram a diferenciações na organização social. Ainda que nunca houve um matriarcado, mas apenas a preferência residencial matrilocal após o casamento e uma regra de descendência matrilinear: o status mais elevado das mulheres é reconhecível pela matrilocalidade/uxorilocalidade combinada com matrilinearidade, em comparação à patrilocalidade/virilocidade combinada com patrilinearidade. 


A teoria de Divale (1975) de que a mudança social pode ocorrer por meio de um ciclo de longo prazo ao longo devido aos movimentos migratórios: a patrilocalidade/patrilinearidade combinada com a guerra interna leva a um desequilíbrio por meio de movimentos migratórios de grupos populacionais maiores e da conquista de novas áreas de assentamento, o que torna as mudanças necessárias. 


A guerra interna é substituída pela guerra externa contra inimigos distantes –a ausência temporal/distante de homens/guerreiros– leva à preferência pela matrilocalidade/-linearidade como a “estratégia de sobrevivência” mais segura dos grupos de parentesco. Isso cria um novo equilíbrio na sociedade. 


Como a organização social nunca fica parada, as mudanças sempre ocorrem:começando com a residência conjugal preferida de volta à patrilocalidade/virilocidade e então continuando até que o sistema de parentesco existente matrilinearidade/ambilinearidade desapareça e a mudança para o ponto inicial seja alcançada, combinada com guerra interna e patrilocalidade/patrilinearidade. 


Os movimentos migratórios desempenham um papel importante na história humana até hoje e formam a base para mudanças nos sistemas sociais. Andrej exemplifica esta hipótese através de um estudo caso de varios exemplos etnográficos, estudando junto a papel da guerra o do comércio a longa distância na aparição de sistema matrilineares.

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Descarregar em: Matrilineare Gesellschaften

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Viver em um Matriarcado - Livro

Women at the Center

Sanday, P. Reeves (2003): Women at the Center. Life in a Modern Matriarchy. Cornell University Press. Ithaca.  ISBN: 9780801489068

Sinopse  
Ao contrário das declarações de alguns antropólogos, existem matriarcados. Peggy Reeves Sanday foi pela primeira vez à Sumatra Ocidental em 1981, intrigada com relatos de que os Minangkabau matrilineares –um dos maiores grupos étnicos da Indonésia– rotulam a sua sociedade como matriarcado. 



Numerando cerca de quatro milhões na Sumatra Ocidental, os Minangkabau são conhecidos na Indonésia pelo seu talento literário, perspicácia empresarial e relações igualitárias e democráticas entre homens e mulheres. Sanday usa as suas repetidas visitas à Sumatra Ocidental nas últimas décadas do século XX como base para uma nova definição de matriarcado.


Do ponto de vista da vida quotidiana nas aldeias, especialmente naquela onde ela desenvolveu laços pessoais estreitos, a narrativa de Sanday centra-se na forma como os Minangkabau concebem o seu mundo e pensam que os humanos devem comportar-se, juntamente com as práticas e rituais que afirmam defender o seu matriarcado. 



Mulheres no Centro deixa ao leitor um sólido senso de respeito pelas mulheres que permeia a cultura Minangkabau e dá nova vida ao conceito de matriarcado.

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+INFO sobre o livro em: Women at the Center

domingo, 15 de outubro de 2023

A Genética dos Pictos



Um artigo recente publicado na revista Plos Genetic vem por primeira vez a apresentar um estudo da genética picta e das suas relações com populações do resto da Grã-Bretanha. O estudo enmarca a genética de esta população que formou um reino no norte da Ilha de Bretanha durante a Alta Idade Media, dentro do pool genético da Idade do Ferro, embora assinalando alguns contrastes regionais como o existente entre a Escócia continental e a Ilhas Orkney


Para isto analisou-se um conjunto de mostras genómicas datadas entre os séculos V-VII. Estas mostras genómicas apresentam afinidades com populações atuais do oeste da Escócia, País de Gales, Irlanda do Norte e Nortúmbria, e em menor medida com o Leste de Escócia, Inglaterra e o arquipélago orcadiano. Os pictos orcadianos da Era pré-Viking evidenciam um alto grau de afinidade com a moderna Escócia, País de Gales, Irlanda do Norte e nas ilhas Orkney, demonstrando uma continuidade genética substancial em Orkney nos últimos aproximadamente 2.000 anos, as diferencia que se perceve nas populações orcadianas na Idade do Ferro possivelmente deva ser atribuído a forte deriva genética favorecida pela reduzida população das Orcadas.


A profunda mudança cultural desde a conquista romana ao início do período medieval, teve no plano genética um influxo genético mínimo, Vários episódios de migração A longa distância através da Eurásia ocidental detetam-se durante a Antiguidade Tardia (ca. 300-800 DC), antes e depois do colapso do Império Romano Ocidental. Na Grã-Bretanha, anglos, saxões e outros povos de língua germânica, provavelmente originários da Escandinávia, dos Países Baixos e de partes da Alemanha.


Estas novas grupos estabeleceram-se predominantemente no sudeste e centro da Grã-Bretanha onde há evidências  de extensa mistura genética com populações locais com ascendência genética da Idade do Ferro. O mesmo pode dizer-se das zonas como o Danelaw que sofreram a colonização viking, ou dos gaélicos durante a monarquia de Dal Riada na Escócia, mas a diversidade genética resultado de estas última vagas populacionais e ainda pouco conhecida.


Além das origens do pictos um dos objetivos principais do estudo é testar a tradicional atribuição de um sistema de parentesco e sucessão matrilinear aos pictos, que se baseia no dito por algumas fontes medievais irlandesas e Beda o Venerável. Fontes que pranteiam problemas, especialmente Beda que parece circunscrever este forma de descendência para casos de conflito pela sucessão. 


A questão da suposta matrilinearidade ou não dos pictos tem uma questão recorrente nos estudos sobre a época picta ainda que não se possa negar que nisto durante muito tempo tem primado uma conceção evolucionista da evolução das formas de descendência hoje ultrapassada dentro da antropologia.


Embora isto seja certo, a possibilidade de a existência de um sistema matrilinear entre esta população seguia sendo uma possibilidade, pelo qual a paleo-genética apresenta um grande potencial em quanto que permite reconstruir o parentesco dentro de grupo proto-histórico e histórico. O estudo centrou-se no estudo de dois cemitério de época picta situados respetiva no sul e norte: Lundin Links (Fife) e Balintore. (Ross), para tentar definir diferenças na mobilidade feminina atribuíveis a formas de residência pós-marital vinculadas a matrilocalidade (endogamia feminina) em cemitérios de alto status. e assim poder compreender os sistemas de descendência da elite picta.

Os indivíduos estudados amostram uma alta diversidade no seu genoma mitocondrial o qual contradiz a imputada matrilocalidade dos pictos. Em um sistema matrilocal e matrilinear a baixa mobilidade post-marital tente a diminuir progressivamente a diversidade do ADN mitocondrial.

“Setenta por cento das sociedades matrilocais estão associadas a um sistema matrilinear. Na medida em que o tratamento funerário nos pode informar sobre a organização social da vida, é improvável que a comunidade de Lundin Links seguisse um sistema de herança matrilinear. Esta interpretação desafia argumentos mais antigos para a sucessão matrilinear entre os governantes pictos. No entanto, embora alguns indivíduos enterrados em Lundin Links possam ter tido um estatuto social elevado, a relação entre as pessoas enterradas em monumentos como estes e a elite superior dos pictos é incerta. O cemitério evidencia uma grande diversidade de práticas culturais, espelhadas na alta diversidade mitocondrial, sugerindo níveis relativamente altos de mobilidade dentro da estrutura social picta neste nível da sociedade.”

O artigo por tanto parece que nega -pelo momento a suposta matrilocalidade e possivelmente também matrilinealidade dos pictos, e pranteia como mais factível  explicar o texto de Beda como reflexo de um sistema ambilinear ou cognaticio, possivelmente com predomínio da linha paterna.  

Artigo:

Morez A, Britton K, Noble G, Günther T, Götherstrom A, Rodrıguez-Varela R, et alii. (2023): "Imputed genomes and haplotype-based analyses of the Picts of early medieval Scotland reveal fine scale relatedness between Iron Age, early medieval and the modern people of the UK" PLoS Genetics 19/4: e1010360  DOI: 10.1371/journal.pgen.1010360