Mostrar mensagens com a etiqueta modelos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta modelos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Interação Politica entre Pares e Cambio Social

Peer Polity Interaction and Socio-political Change 

Renfrew, C. & Cherry, J.F. (eds.) (1986): Peer Polity Interaction and Socio-political Change. New Directions in Archaeology. Cambridge University Press. Cambridge. 

Sinopse   
Treze arqueólogos de relevo contribuíram para este estudo inovador dos processos sociopolíticos -nomeadamente a imitação, a competição, a guerra e a troca de bens materiais e de informação- que podem ser observados nas primeiras sociedades complexas, particularmente naquelas que acabam de emergir na condição de Estado. 


O objetivo comum de esta obra já clássica foi explicar as notáveis ​​semelhanças formais que existem entre instituições, ideologias e vestígios materiais numa variedade de culturas caracterizadas por centros políticos independentes que ainda não foram colocados sob o controlo de uma jurisdição única e unificada. 


Uma importante declaração da abordagem conceptual é seguida por dez estudos de caso de uma grande variedade de épocas e lugares, incluindo a Creta Minoica, a Grécia e o Japão históricos iniciais, os Maias Clássicos, o Centro-Oeste americano no período Hopewelliano, a Europa no início da Idade do Bronze e início da Idade do Ferro, e as Ilhas Britânicas no final do Neolítico.

INDEX


Descarregar o livro em: Peer Polity Interaction

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Paisagens do Medo na Pré-história



Um artigo recente no Journal of Royal Society bem a debruçar-se sob o esquivo problema da paleo-demografia e os padrões que a determinariam, focando-se num aspeto que raramente tem sido considerado ao respeito como condicionante para as sociedades da pré-historia: A guerra. 

Os autores observam que esta elisão da guerra como fator que influi nas variações da demografia tem se baseado numa aproximação simplista a questão considerando unicamente os efeitos diretos do conflito. Esta aproximação parte de que a tanto a pesquisa etnográfica, arqueológica, como a analogia com períodos históricos, com um registo mais amplo de processos demográficos como a Idade Moderna, amostram uma incidência muito limitada da mortalidade bélica direta sob o conjunto da população. 


Apenas uma pequena parte de combatente e mais limitada de vítimas colaterais são resultado, e estas perdas populacionais têm escassa pervivència, pois ao igual que sucede após outros fenómenos catastróficos de maior incidência (epidemias, crises de subsistência) a população recupera rapidamente os seus níveis prévios de crescimento.

O ênfase nas vítimas diretas da contenda teria opacado outros efeitos indiretos sobre as populações, como os derivados do deslocamento da gente que foge de lugares afetados pelos combates. A fugida das zonas exposta leva aparelhado o seu despovoamento, mas também ao invés contribui a saturação demográfica sob as zonas de refúgio recetoras dos refugiados. Em sociedades pouco complexas e de baixo nível tecnológico, esse súbito aumento demográfico pode afetar a capacidade de sustentação agrícola das zonas refugio.

Os autores observam uma correlação, em casos históricos e etnográficos, entre deslocamentos por guerras e o aumento da mortalidade e degradação das condições de vida das populações deslocadas. Isto não afeta apenas a primeira geração que se deslocou senão que ´pode ser perdurável no tempo afetando a seus descendentes. 


Igualmente se a guerra é persistente numa área determinada isto da lugar a paisagens concreta, caraterizados pelos assentamentos em zonas pouco acessíveis e singelos de defender (como os povoados fortificados no topo de colinas por exemplo) no entanto aquelas zonas mais acessíveis e expostas aos ataques ficam permanentemente despovoadas, constituindo um "non-mans-land"





Este padrão dual é o que se tem denominado como "Paisagens do Medo", e pode ser correlacionado com padrões de assentamento localizáveis no registo arqueológico, tanto em época pré- como proto-histórica; sendo que os autores têm localizado este fenómeno em assentamentos do Holoceno-Meio, correspondendo com a chamada crise do Neolítico, durante a qual parece dar-se um aumento da violência em zonas da Centro-Europa, tal vez relacionado com algum evento climático ou com um colapso do sistema produtivo.  Os autores observam que este tipo de fenómeno de configuração de paisagens duais pode chegar a afetar a áreas muito amplas, de entorno a uns 500 km. 


Igualmente, os autores consideram no seu estudo outros efeitos além dos demográficos, sob o sistema de valores e a ideologia, da guerra continuada. Os povos expostos à ameaça de ataques desenrolam atitudes violentas, e uma inclinação a guerra, que pode favorecer uma deriva a valores fortemente patriarcais (mais não sempre, veja-se por contra os casos matrilocalidade e matrilinearidade entre povos "guerreiros" estudados por Divale) vinculados a figura do guerreiro varão. 


Isto se tem argumentado já para alguns povos ameríndios como os jibaros ou as yanomos, descritos como inatamente belicosos por autores como Chagnon, mas dos que a sua predisposição a guerra se tem explicado ultimamente não como um elemento autogéneo senão uma reação cultural a pressão constante que supuseram os ataques dos colonos brasileiros. 


Esse ethos guerreiro pode igualmente favorecer a escalada bélica, ou mesmo influir na hierarquização política e o expansionismo militar, convertendo-se assim o grupo agredido em agressor e o invadido em invasor. Neste sentido os autores recordam as teorias que enfatizam o papel da guerra na transição cara o Estado na linha da célebre "Teoria da Circunscrição" de Robert Carneiro. 


Outro possível efeito cultural que os autores destacam é a influência da instabilidade bélica na mudança da  cultura material. O deslocamento de grupos de população pode levar estilos e tipologias materiais a área distintas da sua origem, mas igualmente os períodos de crise e mobilidade extrema podem favorecer dentro do próprio grupo um câmbio de costumes, padrões e estilos, no entanto, os períodos de estabilidade favoreceriam um maior continuidade cultural em geral.
    

Artigo

Kondor, D., Bennett, J.S., Gronenborn, D. & Turchin, P. (2024): "Landscape of fear: indirect effects of conflict can account for large-scale population declines in non-state societies" Journal of Royal Society Nº   21/ 217  pp.   DOI: 10.1098/rsif.2024.0210

Bibliografia complementar

Divale, W. (1974): "Migration, External Warfare, and Matrilocal Residence" Cross-Cultural Research Nº 9/2 pp. 75-133  DOI: 10.1177/106939717400900201

Kondor, D., Bennett, J.S., Gronenborn, D. et al. (2023): "Explaining population booms and busts in Mid-Holocene Europe". Science Reports Nº 13, 9310   DOI: 10.1038/s41598-023-35920-z

Turchin P, Korotayev AV (20060: "Population dynamics and internal warfare: a reconsideration" Social Evolution History Nº 5 pp. 112–147 PDF


Postagem relacionada: Castros, Poleis e aldeias na Tessália

sábado, 2 de setembro de 2023

Hierarquia, Innovação e Tradição no Bronze

Soziale Hierarchien zwischen Tradition & Innovation in der Bronzezeit Europas 

Massy, K., Bunnefeld, J.H., & Horn, C. (eds.) (2023): Soziale Hierarchien zwischen Tradition und Innovation in der Bronzezeit Europas. Beiträge der Sitzungen der AG Bronzezeit im Rahmen der 83. Tagung des NWVA vom 12.–15. September 2018. Würzburg. Beiträge zur Ur- und Frühgeschichte Mitteleuropas Vol. 106. Verlag Beier & Beran.  ISBN: 9783957411952


Sinopse   
Em arqueologia e na pesquisa da Idade do Bronze em concreto, as questões sobra a hierarquia e continuidade, descontinuidade ou inovação, estão em vigor há algum tempo, refletindo não apenas discurso académico em outras áreas senão também as preocupações e foco das nossas sociedades contemporâneas nestas problemáticas.


Fazia-se necessária uma reflexão de conjunto sobre qual é o estado atual da pesquisa e os modelos de interpretação da Idade do Bronze sob as tão caras a pesquisa hierarquias? As relações de poder, dependência, as formas de hierarquia ou suas alternativas ou se os diversos modelos explicativos se contradizem realmente ou bem ficam em pe?. 


Como no registo material podemos descobrir a hierarquia como fenómeno além dos tradicionais sistemas de governo que podam ser identificados?. Em que medida podemos na Idade do Bronze reconhecer as relações de poder reais que se davam nos contextos das sociedades de esse período?. Existe uma correlação temporal reconhecível entre o assentamento e a evidência de hierarquia ou é apenas um espelhismo parcial?. E qual é o role que a ideologia desempenha nisto, expressando ou bem ocultando a través do ritual as relações de poder. 


Este volume cobre estes temas que foram objeto das conferências “Tradição vs. inovação – pré-requisitos, mecanismos sociais e Consequências” e “Hierárquica Estruturas na Idade do Bronze. estado da pesquisa, método, modelos e reavaliação”. A síntese dos dois blocos temáticos mostrou o quão próximos e entrelaçados estes estão, e que eles, certamente, não são completamente independentes um do outro, enfatizando assim como podem ser visualizados através da pesquisa arqueológica.

  

INDEX

Innovationen, Traditionen und Hierarchien in der Bronzezeit – einleitende Gedanken pp. 7–17
Jan-Heinrich Bunnefeld, Christian Horn und Ken Massy  

Innovationsprozesse in der Bronzezeit: Das Beispiel des Scheibenrades  pp. 19–36
Florian Klimscha 

Die feinen Unterschiede – Tradition und Innovation im Waffendesign der nordischen Frühbronzezeit pp. 37–48
Christian Horn 

Offen für Neues!? Innovationen und Traditionen in der Bewaffnung des nordischen Kreises in der älteren Bronzezeit  pp. 49–75
Jan-Heinrich Bunnefeld 

Traditionen und Veränderungen endneolithischer und frühbronzezeitlicher Gesellschaftsstrukturen in Süddeutschland – eine bioarchäologische Neubewertung aus dem Lechtal  pp. 77–107
Ken Massy 

Rekonstruktion prähistorischer Gesellschaftsstrukturen – Konzeptionelle Betrachtungen zur Frühbronzezeit Mittel- und Südwesteuropas pp. 109–126
Martin Bartelheim 

Astronomische Forschungen und staatliche Strukturen in der Bronzezeit Europas? Anmerkungen zu einem populärwissenschaftlichen Konstrukt  pp. 127–141
Heidi Peter-Röcher 

Wider den Elitenzwang. Sozialarchäologische Perspektiven jenseits von Hierarchie und Stratifizierung pp. 143–153
Matthias Jung 

Versteinerte Hierarchien pp. 155–173
Christian Horn 

Kämpfer und Krieger der späten Bronzezeit Nordwesteuropas pp. 175–197
Tobias Mörtz 

Holzfäller oder Beilkrieger? Zur Funktionsbestimmung der Beile im mittelbronzezeitlichen Depot am Piller, Gem. Fließ, Nordtirol  pp. 199–208
Stefan Gridling, Gerhard Tomedi 

Hort oder Grab? Zur Entwicklung und sozialen Bedeutung der räumlich voneinander getrennten Deponierungsstrategien im Spätneolithikum Norddeutschlands  pp. 209–231
Sebastian Schultrich 

Steinkistengräber und Sozialhierarchien in der süddeutschen Hügelgräberund Urnenfelderkultur  pp. 233–260
Frank Falkenstein 

Das Gräberfeld von Singen am Hohentwiel – Eine chronologische und soziostrukturelle Neubetrachtung  pp. 261–277
Ralph Großmann 

Ein Königreich für eine Burg! Überlegungen zu bronzezeitlichen Siedlungshierarchien auf der Basis ethnographischer Quellen zu indigenen Befestigungen   pp. 279–296
Andy Reymann

Hierarchie der bronzezeitlichen Siedlungen in Südböhmen pp. 297–308
Ondřej Chvojka, Petr Menšík, Tereza Šálková 

Die frühe Bronzezeit zwischen Isar und Inn im Erdinger Land (Oberbayern). Untersuchungen zum Spangenbarrenhort von Oberding und der Siedlungslandschaft im direkten Umfeld  pp. 309–332
Sabrina Kutscher 

Der Buchberg bei Wiesing in der Bronzezeit – Siedlungsentwicklung und Kupferversorgung in Nordtirol  pp. 333–349
Jessica Keil 

Individuelle und kollektive Strategien der Vorratshaltung in der späten Bronzezeit Mitteleuropas pp. 351–362
Benedikt Biederer 

Die Kuckenburg bei Esperstedt und ihre Toten – Bioarchäologische Untersuchungen an Sonderbestattungen aus einer spätbronzezeitlichen Höhensiedlung pp. 363–376
Peter Ettel, Enrico Paust, Wolfgang Haak, Marie Himmel, Patrick Roberts & Jana Ilgner 

Der Stadtberg von Neuburg an der Donau – Neue Forschungen zu einer. Höhensiedlung der Urnenfelder- bis Frühlatènezeit im oberbayerischen Donauraum  pp. 377–411
Nils Ostermeier 

Peitschen als bronzezeitliche Innovationen? – Hauspferde und Wagenfahrtzubehör als Bausteine von Narrativen zur frühen und mittleren Bronzezeit in Zentraleuropa  pp. 413–425
Sarah-Julie Wittmann 

Bronzezeitlicher Seifenbergbau auf Zinn im Erzgebirge  pp. 427–441
Matthias Schubert, Johann Friedrich Tolksdorf & Christiane Hemker 

Ceramic technical traditions in the Upper Rhine Valley between the 10th and the 8th centuries B.C. Test of an automated partitioning tool for chaînes opératoires (PACO) pp. 443–450
Marie Philippe 



+INFO sobre o livro em: Soziale Hierarchien zwischen Tradition

domingo, 27 de agosto de 2023

Parentesco, Linguas e Pré-história - Livro


Kinship, Language, & Prehistory


Jones, D, & Milicic, B. (2010): Kinship, Language, and Prehistory : Per Hage and the Renaissance in Kinship Studies. University Of Utah Press. Salt Lake City.  ISBN: 978-1-60781-005-6


Sinopse 
Crônica do renascimento nos estudos de parentesco, estes dezessete artigos prestam homenagem a Per Hage, um dos fundadores do movimento e membro de longa data do corpo docente do Departamento de Antropologia da Universidade de Utah. 

terminologia de parentesco nilotico-sahariana

Com o matemático Frank Harary, Hage foi pioneiro no uso de modelos teóricos de grafos em antropologia, uma análise sistemática de diversos componentes cognitivos, sociais e culturais que fornece um vocabulário técnico comum para todo o campo. 

a expanção da cultura lapita e as linguas austronésicas

Os estudos antropológicos beneficiaram da avaliação quantitativa, particularmente do parentesco, que é recentemente apreciado pela sua aplicação a todas as ciências sociais. Os capítulos deste livro, alguns trabalhos originais dos colaboradores e algum material inédito de Hage atestam a importância do estudo contínuo do parentesco.

INDEX

introduction

1. Per Hage and the Renaissance in Kinship Studies p. 3
Doug Jones & Bojka Milicic

2. Anthropology, Mathematics, and Per Hage’s Contribution 
to Kinship Theory  p. 11
David Jenkins


Part i. Kinship and Prehistory

3. Back to Proto-Sapiens (Part 1): The Inherited Kinship 
Terms Papa, Mama, and Kaka  p. 29
Alain Matthey de l’Etang, Pierre Bancel, 
& Merritt Ruhlen

4. Back to Proto-Sapiens (Part 2): The Global Kinship 
Terms Papa, Mama, and Kaka  p. 38
Pierre Bancel, Alain Matthey de L’Etang, 
& John D. Bengtson

5. Reconstructing Ancient Kinship: Practice and Theory 
in an African Case Study  p. 46
Christopher Ehret

6.Proto-Bantu Descent Groups  p. 75
Per Hage & Jeff Marck

7. Kin Terms in the East Bantu Protolanguages: 
Initial Findings  p. 79
Jeff Marck, Per Hage, Koen Bostoen, & 
Jean-Georges Kamba Muzenga

8. Proto-Oceanic Society (Austronesian) and Proto–East Bantu 
Society (Niger-Congo) Residence, Descent, and Kin Terms, 
ca. 1000 BC  p. 83
Jeff Marck & Koen Bostoen

9. Oceanic Cousin Terms and Marriage Alliance  p. 95
Per Hage

10. The Transition from Kariera to an Asymmetrical System: 
Cape York Peninsula to North-East Arnhemland  p. 99
Patrick McConvell & Ian Keen

11. Proto–Central Amerind *Pa: “Father’s Sister”
=“Mother-in-Law” p. 133
Per Hage


Part ii. Kinship, Language, and Mind

12. What is Malay Kinship Primarily About? Or, the New 
Kinship Studies and the Fabrication of Ethnographic Fantasy 
 p. 141
Warren Shapiro

13. The Logic and Structure of Kinship Terminologies: 
Implications for Theory and Historical Reconstructions  
p. 152
Dwight Read

14. Salience of Verticality and Horizontality in American 
and Tongan Kinship Terminologies  p. 173
Giovanni Bennardo & Dwight Read

15. Marking and Language Change  p. 192
David Kronenfeld

16. Grammars of Kinship and Color: Cognitive Universals 
and Optimal Communication  p. 196
Doug Jones

17. Is There a Kinship Module?: Evidence from Children’s 
Acquisition of Kinship Terms in Pitumarca, Peru  p212
Bojka Milicic

References  p. 223

List of Contributors  p. 239

Index  p. 241


Descarregar o livro em: Kinship, Language & Prehistory

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

A Celtização - Migração ou Aculturação?


La formation de l'entité Celtique: migration ou acculturation ?


Em esta breve palestra do ano 2015 dentro do coloquio Archéologie des Migrations, da qual deixamos embaixo o vídeo, o arqueólogo Patrice Brun, um dos principais especialistas europeus no estudo dos celtas da Idade do Ferro, faz uma síntese do estado da questão sobre a 3       etnogénese de este grupo linguístico e cultural. 


O contributo se centra na necessidade de uma explicação coerente e acorde com o contexto com os dados disponíveis, pranteando quais foram as dinâmicas e período cronológico nos que devemos situar a formação de um certa koine cultural reconhecível que fundaria as culturas celtas conhecidas em época histórica posterior.


Sinopse: 
     
As migrações celtas dos séculos IV e III aC para o norte da Itália, Europa Central e Ásia Menor são bem conhecidas e nunca foram debatidas. Para a expansão inicial de uma vasta entidade cultural celta, seu caráter migratório ou não continua, por outro lado, a suscitar oposições frontais de natureza fundamentalmente ideológica.



A história das ideias sobre esta questão permite uma melhor compreensão das posições teóricas atuais. O autor tinha proposto situar a formação do vasto conjunto cultural celta já no terceiro milénio aC e explicá-la pela ativação de redes comerciais a longa distancia, animadas pelas elites sociais, ao mesmo tempo que ocorriam migrações de indivíduos e pequenos grupos.


Porém, essa ideia de favorecer principalmente as dinâmicas culturais pareceu -aparentemente- ter sido seriamente questionada pelos resultados das análises paleo-genéticas. Em esta palestra apresentasse de novo as questões anterior em correlação com resultados arqueológicos e genéticos permite propor algumas respostas compatíveis com o estado do conhecimento arqueológico conhecido.

     
Algo de Bibliografia

Brun, P. (2006): "L’origine des Celtes. Communautés linguistiques et réseaux sociaux" in: Vitali, D.(edit.):  Celtes et Gaulois, l’Archéologie face à l’Histoire, 2 : la Préhistoire des Celtes. Actes de la table ronde de Bologne-Monterenzio,28-29 mai 2005. Glux-en-Glenne. Bibracte, Centre archéologique européen. pp. 29-44   PDF

Brun, P. (2007):"Les Celtes à la lumière de l’archéologie" Archéopages Nº 18: Dossier Migrations, pp. 16-21  PDF


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Lingua dos nossos Pães?

membros de uma tribo melanésia atual

A língua mãe vem de teu pai "pré-histórico" 

Univ. of Cambridge
Reseach News


A mudança linguística entre os nossos devanceiros pré-históricos surgiu através da chegada de homens imigrantes -em vez de mulheres a novos assentamentos, segundo uma nova investigação.

A afirmação foi feita por dois académicos da Universidade de Cambridge, Peter Forster e Colin Renfrew, num informe que foi publicado em Science o 9 de Setembro.

Eles estudaram os casos de marcadores genéticos (o cromosoma Y masculino e feminino DNA mitocondrial) de vários milhares de pessoas em comunidades de todo mundo que pareciam mostrar a nível mundial o xurdimento de uma transmissão especifica de sexo da língua.

Desde escandinavos Viquingues que transportaram, sequestrando-as, mulheres britânicas à Islândia - ate tribos africano, da Índia e da Polinésia, disto xurdiu um estandar que parece mostrar que a chegada dos homens a determinadas localizações geográficas -, quer através de dispersão agrícolas ou como resultado da chegada de forças militares - pode ter um impacto significativo sobre o idioma que é falado ali.

O Professor Renfrew disse: "Pode ser que durante os episódios de colonização por agricultores que emigraram, os homens superaram às mulheres em geral nos primeiros grupos chegados e precisaram tomar mulheres de comunidades locais.?"

"Quando os pães tendem diferentes origens linguísticas, pose-se adotar a língua do pai, que é dominante no grupo familiar."

O Dr Forster, do Murray Edwards College, também apontou ao feito de que os homens têm uma maior variedade de filhos que as mulheres - são mais prováveis de ter filhos com mães diferentes do que vice-versa. Isto foi registado tanto em tribos pré-históricas, como dos séculos 19 e 20, nos esquimós de Groenlândia e em figuras históricas como Genghis Khan, que se acha que foi pai de centos de crianças: De facto, o seu cromossoma Y esta presente a 0,5 por cento da população mundial masculina atual

Cecais o exemplo mais destacada da tendência sexual ao cambio de idioma com todo venha dum estudo genético sobre o encontro pré-histórico entre os polinésios que se estavam a expandir com os melanésios residente en Nova Guinea e nas vizinhas Ilhas do Almirantado. A costa de Nova Guineia contém recunchos de língua polinésias separadas por áreas melanésias. O nível de mtDNA polinésio (40-50%) é semelhante nestas áreas, com independência da linguagem falada, mentres que o cromossoma Y se correlaciona fortemente coa presença de línguas polinésias
Estudos anteriores mostraram resultados similares no subcontinente índio entre os falantes do tibetano-Burmano e entre os imigrantes falantes de línguas indo-europeias, em oposição ás línguas indígenas dravídicas

Em América, a substituição linguística no curso de dispersão da agricultura foi também postulada topando-se unha correlação coa a família de línguas uto-azteca.

A isto Forster engade: "Seja-mos europeus, índios, chineses e outros idiomas, a expressão "língua materna" e o seu conceito está bem inserida na imaginação popular - quiçais esta seja a ração pola que durante tantos anos o papel dos pais, ou, mais provavelmente, grupos específicos de homens de êxito, na determinação cambia linguagem pré-histórica não foi reconhecido polos geneticistas."

"As mulheres pré-históricas possivelmente adotaram mais prontamente a língua dos homens imigrantes, sobretudo se esses recém chegados trouxeram consigo proezas militares ou um elevado status associados com a agricultura ou metalurgia."

"Estamos muito agradecidos a todos aqueles milhares de pessoas em todo mundo que participaram nas provas de ADN ancestral e, assim, contribuíram a nossa investigação."


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A Genética paleolítica dos Europeus


Um Estudo de ADN trastoca as teorias das Origens europeias
 
O novo estudo é um golpe à ideia de que a maioria dos homens europeus som descendentes de agricultores que migraram do Oriente Próximo 5.000-10.000 anos.

Os descobrimentos desafiam investigações anteriores anteriores que mostravam que os marcadores genéticos dos agricultores deslocaram a os caçadores indígenas da Europa.

As investigações mais recentes inclina-se para ideia de traçar uma linha de descendia para a maioria dos homens da Europa que chegue até os caçadores da idade da pedra. Mas os autores afirmam que mais trabalho ainda e necessário para poder responder a esta questão. O estudo, realizado por uma equipa internacional, é publicado na revista Proceedings of the Royal Society B. mostra que os humanos modernos se estabeleceram na Europa faz perto de 40.000 anos - durante um tempo conhecido como o Paleolítico.


Estas pessoas sobreviveram a Idade de Gelo durante 20.000 anos atrás, ao retirar-se para refúgios relativamente quentes no sul do continente, antes de expandir-se de novo para o norte da Europa quando o gelo se derreteu. Só alguns milhares de anos depois de que Europa fora repovoada por estes caçadores, o continente passou por um importante cambio cultural. Os Agricultores desgraçarem-se para o oeste da zona que hoje é Turquia, trazendo com eles uma nova economia e modo de vida. Em que medida os europeus modernos som descendentes de que esses primeiros agricultores ou dos os indígenas caçadores que se estabeleceram no continente milhares de anos antes é uma questão que genera um acalorado debate. Os resultados variam segundo os marcadores genéticos estudados e estão sujeitos a diferentes interpretações.

Árvore genealógica
O mais recente estudo centrou no cromossoma Y - um pacote de ADN que é herdado de forma mas ou menos inalterada de pais a filhos. Os cromossomas Y das pessoas de atuais podem ser classificados em diferentes tipos, ou linhagens, que - em verdadeira medida - refletem as suas origens geográficas.



Mais de 100 milhões de homens europeus carregar um tipo chamado R-M269, portanto identificar quando esse grupo genético se espalhado é vital para a compreensão do povoamento da Europa. O R-M269 é o mais comum na Europa Ocidental, atingindo frequências de 90% ou mais em Espanha, Irlanda e Gales. O Neolítico foi um momento de mudança cultural importante na Europa, mas este tipo de distribuição alcança o seu mais alto na beira atlântica.

Patricia Balaresque e os seus colegas da Universidade de Leicester publicou um artigo um artigo em 2010 mostrando que a diversidade genética de R-M269 aumenta à medida que nos move ao lês-te - alcançando um bico em Anatólia (a Turquia moderna).

A diversidade genética é usada como uma medida de idade; linhagens que estiveram presentes ao comprido tempo acumulam mais diversidade. Assim, este princípio pode ser usado para estimar a idade de uma população. Quando a equipa de Leicester estimaram desde quantos anos o R-M269 estiver presentes a diferentes populações em toda a Europa, encontraram que essas idades eram mais ajeitadas para uma expansão no período neolítico (entre 5.000 e 10.000 anos atrás).

Comparação entre a frequência de aplogrupos do cromossoma E entre sardos e anatolios (Morelli et alii, 2010)



As conclusões da equipa receberam apoio em dois artigos, um publicado em agosto de 2010 e o outro em junho deste ano. Mas um estudo que apareceu o ano passado apoiou a ideia de uma origem mais antiga, no Paleolítico, para o R-M269.

Estimações de idade
Agora, uma equipa no que se incluen Cristian Capelli e George Busby na Universidade de Oxford tevem explorado a questão. Os seus resultados, com base numa amostra de mais de 4.500 homens da Europa e da Ásia ocidental, não mostraram tendências geográficas na diversidade de R-M269. Tais tendências seriam  esperáveis se a linhagem se tinha expandido da Anatólia com os agricultores neolíticos.

Ademais, sugerem que alguns dos marcadores do cromossoma Y são menos fiáveis que outros para estimar as idades de linhagens genéticas. Por estas razões, eles argumentam que as atuais ferramentas analíticas são inadequadas para descrever a expansão do R-M269.

Estudo de ADN a partir de restos antigos poderia atirar mais luz sobre as origens europeias. De facto, o Dr. Capelli e a sua equipa dizem que o problema se estende a outros estudos de linhagens do cromossoma Y: já que datas com base na análise de marcadores de ADN convencional pode ser "sistematicamente subestimado", segundo dizem em Proceedings B.

O Dr Capelli destacou que o seu estudo não pode ainda responder à pergunta de quando o omnipresente R-M269 se expandiu por Europa, malia o seu laboratório está realizando mais trabalho sobre o assunto. "Por enquanto não é possível afirmar nada sobre a idade desta linhagem", disse à BBC News, "Eu diria que estamos pondo o bola no meio do campo". Outro dos com coautores o Dr. Jim Wilson, da Universidade de Edimburgo, explicou: "Estimar a data em que uma linhagem ancestral se originou é uma interessante aplicação da genética, mas, desgraçadamente, está cheia de dificuldades."

 A frequência cada vez maior de R-M269 na Europa Ocidental, junto com outros dados, fora vista por alguns investigadores como uma indicação de que genes do Paleolítico Europeu sobreviveram nesta região -. A origem mais recente para R-M269 no Neolítico ainda é possível. Mas os investigadores apontam que, trá-lo advento da agricultura, as populações da Europa explodiram demograficamente, o que significa que, de entrada, seria mais difícil para os novos imigrantes deslocar a antiga população local.

( BBC News 23/08/2011, Paul Rincon )


Referências

- Balaresque P, Bowden GR, Adams SM, Leung H-Y, King TE, et al. : "A Predominantly Neolithic Origin for European Paternal Lineages" PLoS Biol 8/1  DOI: 10.1371/journal.pbio.1000285

- Busby, G.B.J, Capelli, Ch. et alii, "The peopling of Europe and the cautionary tale of Y chromosome lineage R-M269" Proc. R. Soc. B24, 2011  DOI: 10.1098/rspb.2011.1044

- Morelli L, Contu D, Santoni F, Whalen MB, Francalacci P, et al., "A Comparison of Y-Chromosome Variation in Sardinia and Anatolia Is More Consistent with Cultural Rather than Demic Diffusion of Agriculture" PLoS ONE 5/4 2010   DOI: 10.1371/journal.pone.0010419

- Myres1 N. M, Rootsi S, Lin A. A, Järve M. et alii: "A major Y-chromosome haplogroup R1b Holocene era founder effect in Central and Western Europe" EJHG 19, 2011  pp. 95–101  DOI: 10.1038/ejhg.2010.146 
 
- Sjödin P, François O, "Wave-of-Advance Models of the Diffusion of the Y Chromosome Haplogroup R1b1b2 in Europe" PLoS ONE 6/6 2011   DOI: 10.1371/journal.pone.0021592
 

Pode que também te interesse:  Lingua dos nossos Pães?

sábado, 3 de outubro de 2009

Modelos e Etno-géneses


Áreas Linguísticas e Culturais Atlânticas, modelo de evolução

Fase 1)  Bronze Final Atlântico 900-600 a.C, área Atlântica e área dos Campos de Furnas centro-europeus, contraste entre ambas

Fase 2) Europa Atlântica 600-300 a.C, sobrevivência de celta arcaico (celta Q) em áreas marginais, novo circo atlântico (Gales-Cornualhes-Armorica)e zonas de influenza hallstattica e Lateniense em celta P

Fase 3) Europa Atlântica 300-100 a.C, área de influência de La Tene Meio (Cultura de Arras) e sobrevivência tradições atlânticas indígenas em áreas periféricas (W Irlanda, N Escócia, NW Hispania)

Modelo proposto por Jon Henderson (2007) para explicar a celticidade linguística das áreas marginais ao complexo lateniense (modelo tradicional de celtização). pranteia um modelo de evolução diacrónica correlativa das área linguística e arqueológica atlânticas que permite ver as inter-relações cambiantes a nível global sobre a base de uma continuidade local básica.

Um modelo mais coerente de celtização acredito eu que pensar em macro-ondas demograficas invasivas e historicamente improváveis