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segunda-feira, 20 de maio de 2024

Arqueologia Linguística - Livro

Linguistic Archaeology

Carling, G. (2024): Linguistic Archaeology. An Introduction and Methodological Guide. Routledge. Londres ISBN: 9781032271767  DOI: 10.4324/9781003291664
   
Sinopse  
A obra oferece aos alunos uma introdução acessível ao campo da arqueologia linguística, tanto como quadro teórico quanto como kit de ferramentas metodológicas, para a compreensão dos fundamentos conceituais e considerações práticas envolvidas na reconstrução da pré-história da linguagem.


O livro apresenta a expansão do campo das abordagens tradicionais para se concentrar mais na interação de disciplinas relacionadas e na reconstrução da linguagem humana para além do período escrito. O capítulo de abertura descreve as principais teorias e traça seu desenvolvimento desde o século XIX até hoje, com base em trabalhos de linguística histórica computacional, filogenética e antropologia linguística. 


Os capítulos subsequentes baseiam-se na teoria para adotar uma abordagem prática na mineração de dados empíricos no processo de reconstrução da pré-história da língua, incluindo referências, links e instruções para recursos de acesso aberto, e oferecendo um guia passo a passo para empregar a rica gama dos métodos disponíveis para trabalhar com esses dados. Os capítulos finais situam a teoria e o método no contexto em relação às perspetivas cronológicas e geográficas e olham para as trajetórias futuras para o progresso contínuo nesta área emergente de estudo.


Oferecendo um ponto de entrada holístico na arqueologia linguística, este volume inovador será um recurso útil para estudantes de linguística histórica, antropologia linguística, evolução linguística e geografia cultural.

INDEX


+INFO sobre o livro em: Linguistic Archaeology

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Caçadores-Coletores de Palavras - Palestra


Deixamos aqui a esta interessante palestra organizada por Radical Anthropology Group e proferida pelo linguista evolutivo Cedric Boeckx que levou por titulo "Caçadores-coletores de palavras". Cedric Boeckx é professor pesquisador no Instituto Catalão de Estudos Avançados (ICREA). Sua pesquisa atual concentra-se no desenvolvimento de novas maneiras de esclarecer os fundamentos neurobiológicos da faculdade da linguagem humana. 


Muita atenção foi dada aos aspectos combinatórios da linguagem humana e como elas podem ter evoluído. Comparativamente menos atenção tem sido dedicada às unidades de combinação, as “palavras”. Argumentarei que fazer perguntas evolutivas sobre “palavras” nos permite abordar questões mais amplas sobre nossa constituição cognitiva e, crucialmente, as comunidades nas quais ocorre a aquisição/uso da linguagem. 


Examinar os pré-requisitos que uma cultura simbólica rica impõe nos ajuda a investigar mais profundamente a natureza da pró-socialidade (e seus limites) em nossa espécie.


sábado, 25 de março de 2023

A Linguagem condiciona o nosso Cérebro

O Idioma nativo molda o nosso Cabeado Cerebral


Cientistas do Max Planck Institute for Human Cognitive and Brain Sciences, em Leipzig, encontraram evidências de que a linguagem que falamos molda a conectividade em nossos cérebros que pode estar por trás da maneira como pensamos. Com a ajuda da tomografia de ressonância magnética, eles examinaram profundamente os cérebros de falantes nativos de alemão e árabe e descobriram diferenças na fiação das regiões de linguagem no cérebro.



Xuehu Wei, que é estudante de doutorado na equipe de pesquisa de Alfred Anwander e Angela Friederici, comparou as conexões cerebrais de 94 falantes nativos de duas línguas muito diferentes e mostrou que a linguagem com a qual crescemos modula a fiação dos neurónios no cérebro. Dois grupos de falantes nativos de alemão e árabe, respetivamente, foram escaneados em uma máquina de ressonância magnética (MRI). As imagens de alta resolução não apenas mostram a anatomia do cérebro, mas também permitem derivar a conectividade entre as áreas do cérebro usando uma técnica chamada imagem ponderada por difusão. Os dados mostraram que as conexões axonais da substância branca da rede de linguagem se adaptam às demandas e dificuldades no processamento da língua materna.

"Os falantes nativos de árabe mostraram uma conectividade mais forte entre os hemisférios esquerdo e direito do que os falantes nativos de alemão”, explicou Alfred Anwander, um dos autores do estudo publicado recentemente na revista NeuroImage. “Esse fortalecimento também foi encontrado entre as regiões semânticas da linguagem e pode estar relacionado ao processamento semântico e fonológico relativamente complexo do árabe”. Como os pesquisadores descobriram, os falantes nativos de alemão mostraram uma conectividade mais forte na rede de idiomas do hemisfério esquerdo. Eles argumentam que suas descobertas podem estar relacionadas ao complexo processamento sintático do alemão, devido à ordem livre das palavras e à maior distância de dependência dos elementos da frase.

“A conectividade cerebral é modulada pela aprendizagem e pelo ambiente durante a infância, o que influencia o processamento e o raciocínio cognitivo no cérebro adulto. Nosso estudo fornece novos argumentos sobre como o cérebro se adapta às demandas cognitivas, ou seja, o conetoma estrutural da linguagem é moldado pela língua materna”, resume Anwander. Este é um dos primeiros estudos a documentar as diferenças entre os cérebros de pessoas que cresceram com diferentes idiomas nativos e pode dar aos pesquisadores uma maneira de entender as diferenças de processamento intercultural no cérebro.

Em um próximo estudo, a equipe de pesquisa analisará mudanças estruturais longitudinais nos cérebros de adultos de língua árabe à medida que aprendem alemão ao longo de seis meses.

Fonte: Max Planck Institute


Artigo: 

Wei X, Adamson H, Schwendemann M, Goucha T, Friederici AD, Anwander (2023): "A. Native language differences in the structural connectome of the human brain" NeuroImage Nº 270/119955. DOI: 10.1016/j.neuroimage.2023.119955


sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

"A Cruel Luta pela Simplicidade"


Topáramos hoje por mero acaso com o vídeo de uma palestra de Umberto Maturana, no que este biólogo e teórico expõe a sua ideia sobre as sociedades e qual era a natureza -permutasse-nos o termo por ajeitado ao contexto- da sociabilidade humana. 



Na palestra se faz se uma interessante e didática exposição na que se traçam conexões entre a evolução natural e social (o qual com certos limites não é uma ideia que nos desgoste, vid. aqui e aqui) mas também se incide crucial cambio que supõe a capacidade linguística para determinar a evolução cultural e não-natural do ser humano desde que é tal. 

Uma magnífica exposição, ainda que temos que dizer, também não se mete no problema que faz que seguindo o seu argumento, "todo o que deveria sair bem" de facto ao final "saia sempre mal" (o recurso a diferenças culturais, talvez é pouco, satisfatório ou convincente). Pelo que estas reflexões incidentais e algo inconexas que vão aqui anexadas não serão tanto uma recensão no dito da palestra (para isso convidamos a escutar o vídeo embaixo) senão de coisas que nos sugeriu a exposição e outras que votamos em falta em ela. Como bem diz o palestrante a experiencia parte não do que comunica senão do que escuta o dito como o "background" que leva já dentro da sua testa, pelo que bem a continuação é subjetivo

Mas não divaguemos mais, qual é isso fator disruptivo que botáramos em falta no fio basicamente proativo da argumentação?. Cuido  que esse não é outro que o palestrante próprio assiná-la: A Linguagem. Certo é que a  capacidade linguística do ser humano e a complexidade proporciona-lhe enormes possibilidades e uma certa flexibilidade inusitada para recontextualizar-se em outros habitats e tempos, mas também o é que essa mesma capacidade linguística permite ambiguidade, a ironia, o dobre sentido, a metáfora, amplia, assim mesmo, as possibilidades de confusão, má interpretação, obscuridade contextual, equivocação involuntária ou engano consciente.

"Minha mulher e a minha sogra" bebuxo de William Ely Hill (1915)

Pode que as formigas o têm muito fácil porque o seu mundo muito complexo e em realidade simples, e esta totalmente predeterminado em cada ato, não há eleição, mas tampouco incerteza, nem albedrio, mentes que a nossa forma de complexidade consiste justo na impossibilidade inerente que temos de chegar essa simplicidade pela presença constante de esses feitos (opções, incerteza, ação que precisamente estão ausentes da complexa vida cotia das abelhas, formigas ou térmites. 

Esta eiva que temos é na nossa impossibilidade para o reducionismo (que nos leve a eutaxia pura a nível da avelhas ou térmite) e que se mostra na cambiante história humana e social, tem por outro lado um papel muito importante na nossa variabilidade tanto histórica como geográfica, cada cultura é do seu lugar e responde ao seu contexto de devir e circunstâncias. Unasse a isto que a própria metáfora com os insetos sociais não foi alheia, em certa forma, tampouco a este blogue (vejase aqui)

A este motor que propulsa o nosso cambio descontínuo se lhe poderia chamar "progresso" mas creio que entender que a linha vai sempre direta a um objetivo predeterminado na sua mecanicidade (maior complexidade, maior paz, bem-estar, civilização, “qualidade” de vida) ou, ao menos, numa mesma direção constante ainda que por diversos caminhos (multilineares). Por esta via há o perigo e a tentação de medir cada trajetória cultural como um “sucesso” ou “fracasso” com respeito a proximidade ou alongamento do objetivo pressuposto.  

Tudo isto é profundamente erróneo, em primeiro lugar, porque o único objetivo que se poderia aduzir não é aumentar senão mais bem “reduzir”, não se busca ser mais complexo senão, ao contrario, queremos ser mais simples e simplificar a nossa realidade. E isto tampouco se pode descrever como "progredir" porque, como se entende, isto não é desde logo uma história de sucesso senão de fracassos constantes; possivelmente a única constante histórica incontrovertível que qualquer escola pudera assumir, sem maiores problemas, o “fracasso”.

Alicerces do Teatro de Marcelo, G. B. Piranesi (1761)

Os únicos sucessos são apenas períodos temporários em que se consegue retardar -as vezes mediante escapismos sociais, económicos ou culturais a queda no fracasso durante um breve ou mais amplo período de tempo. Em essa carreira em realidade, cada avance cara adiante em aparência a prol do objetivo, se torna um passo em falso, que nos leva em realidade vários passos ate atras; alonga-nos do anelado no entanto conduzindo-nos pela direção contrária (a vezes o signo de prosperidade apenas é índice profundo da crise próxima): ampliando -ainda mais- o amplo rádio no que agir com as complexidades com que temos que lidar: os conflitos, contradições, tensões, falhos estruturais, ou debilidades criticas que emergem a medida que medra o tamanho da própria rede.

Será por isso que dos dinossauros agora apenas fica petróleo e nos mesmos, no entanto, procedemos mos de uns bichinhos pequenos que se escondiam daquela no subsolo no entanto seus parentes reinavam fora, no exterior? E é por isso mesmo que as sociedades humanas são instáveis, evoluem ou se adaptam ao câmbio, ao menos de momento  ... Deixai ainda que cheguemos a idade de dinossauros. Na nossa diversa complexidade tanto as versões mais "simples"  do que cabe de nós como as mais "complexas" tem as suas próprias falhas e pontos fracos cada uma. 

The Bone War, do pintor Adam Miller (2015)


Por exemplo uma sociedade tradicional / pré-industrial pode ser mais resistente a determinadas questões do que uma civilização industrial ou post-industrial, precisamente pelo facto de ter menos interconexão e que o circuito mais curto das suas de conexões se baseie na proximidade; sendo o acesso as matérias e recursos uteis fundamentalmente local ou regional. Embora Igualmente estas entidades tradicionais são mais frágeis a outras problemáticas que podem provocar seu colapso acelerado, por exemplo quando algum grande câmbio: social, económico, político (que maior parte das vezes vem juntos ou próximos entre sim) mina as suas formas de organização primária e estruturas fundamentais, como a unidade domestica, o parentesco ou os laços comunitários, nos nas que fundamentam os outros elementos (produtivos, ideológicos, relações sociais) de essas sociedades,. 

No entanto, o outro tipo de sociedades de tipo de sociedades; as (post-)industriais, podem subsistir -ao menos aparentemente quase como cultivos hidropónicos sem enraizamentos claros e estáveis dos indivíduos que as formam, ou quanto menos reduzindo ao mínimo o contacto com estes elementos fundamentais da sociabilidade (o celebre “anonimato urbano” que alguns entendem como “libertador” e para outros é simplesmente “soidade”) ou qual não significa que isto seja especialmente bom, nem sano

A frequência de problemas mentais e psicológicos nas sociedades contemporâneas assim parece constatá-lo, e experiencias recentes como a do “confinamento” pela pandemia, deveriam indicar-nos visivelmente os efeitos que uma redução da proximidade social e uma interrupção interação humana drásticas podem ter para a vida humana.

pormenor de uma obra do artista ucraniano Denis Sarazhin

A realidade atual constata de facto uma sociedade (post-)industrial e global fortemente interconetada pode amostrar-se especialmente débil, naqueles elementos que eram precisamente as suas fortaleças,  fronte a perturbações que não fariam pestanejar sequer a qualquer sociedade tradicional antiga ou moderna: pouco importa uma folga de condutores de camiões pelos preços mundiais do combustível, e o desabastecimento de produtos básicos que pudera gerar, se o "supermercado" esta contido, em boa parte, na horta que há a poucos metros ao pé da própria casa.

Por tanto a elementos mais que fundados para duvidar da noção própria de “progresso” e do seu corolário na ideia de complexidade crescente e imutável que pressupõe progredir, já que o único objetivo percetível no devir humano e em qualquer estádio e a busca de uma solução que simplifique os problemas aos que nos enfrentamos. A esse objetivo hipotético que alimenta e faz de combustível a nossa curiosa e paradoxal forma de buscar a simplicidade, algum filosofo a denominou, como já disse, com um termo algo pretensioso: eutaxia; postulando de passo, como Hegel, que a ela apenas nos conduziria o providencial Estado (?)

Que esta seja a maquinaria ou a ferramenta adequada, é coisa abonde discutível já a estas alturas da história. Aparte do já pelo já exposto acima, um indício acaido pode ser entre outros, o próprio facto de que  a antinomia que no seu dia assinalou Rousseau  sobre a função do Estado: Entre o que o Estado"foi/é" (instrumento de Desigualdade) versus o que "deveria de ser" (o “Contrato” Social), fique ainda a dia de hoje -quase dois séculos depois irresoluta, sem uma resposta clara ou aparente que ofertar ao respeito.  

pormenor de uma obra do pintor Dan Witz

É essa simplicidade sempre buscada é desejada, mas nunca alcançada na sua quietude, a que se expressa ao longo da história: desde a utopias sociais até essa redução a fragmento legíveis da totalidade do real que chamamos ciências, passando, claro esta, pela ideologias. A comunidade política como expressou o defunto D. Graeber (emulo, em certa forma, em isto sem sabe-lo, de Platão ou Aristóteles) sempre se funda essencialmente num intento de materializar algum conceito “utópico” abstrato que lhe serve de justificação e faz, a fim, sentido da sua caótica vida social.


sábado, 24 de setembro de 2022

A Complexidade Cultural fiz-nos parvos acaso?

Tem a complexidade social contribuído a um decrescimento do tamanho do cérebro humano?

Em este recente artigo que aqui resumimos apresenta-se um argumento fortemente contra-intuitivo, o qual não implica que seja incorreto (boa parte dos descobrimentos científicos são ou eram isso: contraintuitivos), que o progresso da cultura material e da complexidade social, com a existência de médios externos de armazenar a informação além do indivíduo no grupo social cada vez mais complexos, teria detido as pressões adaptativas que influiram no aumento do tamanho do cérebro humano, dando lugar de facto a um decrescimento de seu volume

Paradoxalmente a "cultura", nos faz mais "cultos" mas não necessariamente mais "inteligentes", precisamente porque ser mais inteligente a um nível individual deixa de ser tão relevante, ao ser o deficit cognitivo particular equilibrado ou compensado pela "inteligência" coletiva do grupo (instituições, sistemas de informação, etc.).

Em este sentido Platão já se queixava de que a "escritura" estava a acabar coa memória dos seus contemporâneos, e outro tanto poderíamos nós dizer das calculadoras com respeito a capacidade matemática, ou mesmo, mais recentemente, do buscador de google ou da wikipedia ... em certa forma a "cognição estendida" ou "distribuída" faz que seja menos apremiante o role da "cognição" particular.


Mas ao mesmo tempo estas tecnologias cognitivas (escritura, arquivos, computação, etc.) são pré-requisitos necessários para o suporte de níveis de complexidade a uma maior escala (cidades, estados, globalização, etc.) para gerir a informação e a toma de decisões que estes implicam.


Temos aqui uma nova prolongação do que Renfrew denominou como o "Paradoxo do Sapiens" (Sapiens Paradox), o aparente hiato entre a emergência das capacidade cognitiva e nível cerebral e a sua expressão material em esse "fenótipo estendido" que em certa forma é a Cultura. Seria sui generis um segundo Paradoxo do Sapiens



Certamente, isto é uma hipótese, e como qualquer arqueólogo ou paleontólogo arguirá, necessita de muita mais evidência posterior para a sua confirmação ou falsação. Nenhuma hipótese esta plenamente confirmada quando se apresenta por primeira vez, senão não se seria uma hipótese, nem haveria hipóteses, nem ciência.



De momento pranteia uma serie de questões que dão para reflexionar, sobre os preconceitos assumidos sobre a evolução humana e social. Aos "neo-ilustrados" ingénuos coma Pinker não lhes sentara bem, de certo. De certo interessante

Bibliografia: 

De Silva, J.M., Traniello J. F. A., Claxton, A.r G. &  Fannin, L. D. (2021):  “When and Why Did Human Brains Decrease in Size? A New Change-Point Analysis and Insights From Brain Evolution in Ants” Frontiers in Ecology and Evolution DOI: 10.3389/fevo.2021.742639   

Renfrew, C.: "The Sapient Paradox: Social Interaction as a Foundation of Mind" palestra disponível aqui


terça-feira, 21 de maio de 2013

Ways to Protolanguage 3

WAYS TO PROTOLANGUAGE 3

Quando: 25-26 Maio
Onde: Wroclaw (Polonia)


Os próximos dias 25-26 de maio celebrarase na cidade polonesa de Wroclaw a 3º ediçao do Congresso Ways to Protolanguage que este ano tera como plenary speaker a Robin Dunbar, Joesp Call, e Peter Gärdenfors

Robin Dunbar

Ways to Protolanguage é uma conferência bienal organizada pelo Departamento de Inglês da Nicolaus Copernicus University de Toruń, o Comité de Filologia da Academia Polonesa de Ciências, a Wroclaw Branch a Escola filológica do Ensino Superior de Wroclaw.



Um dos principais objetivos desta conferência é reunir pesquisadores que representativos de diversas de áreas, a fim de obter uma perspetiva multidisciplinar sobre a ampla gama de evidências relevantes atualmente disponíveis sobre o problema a evolução da linguagem.



O foco do congresso são os estágios iniciais do surgimento do pensamento simbólico, e comunicação linguística , nos hominídeos. A conferência irá refletir a natureza intrinsecamente interdisciplinar deste tipo de investigação sobre as origens e evolução da linguagem.


Programa



terça-feira, 5 de março de 2013

Como a Linguagem transformou a Humanidade



Deixamos aqui esta palestra que dentro dos TED Talks, proferiu o biólogo Mark Pagel, pesquisador do Laboratório de Evolução da Universidade de Reading. Este investigador da sua linha de investigação baseada um paralelismo entre a evolução das linguagens e a evolução biológica.



Nesta conferência partilha uma teoria sobre a razão por que nós, humanos, desenvolvemos um sistema linguístico complexo, que não for desenvolvido por outros animais. Ele sugere que a linguagem atuou -e atua como uma peça de "tecnologia social" que permitiu às tribos humanas primitivas terem acesso a uma poderosa nova ferramenta: a cooperação. 


Postagem relacionada: A complexidade do Dizer e do não-Dizer

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Hispania Epigrafica - Novo número


Hispania Epigrafica nº 17, 2011


Acaba de sair o último número da revista Hispania Epigrafica. Neste novo volume, consagrado à memória de Géza Alföldy, reúnem-se as referências às inscrições publicadas no ano 2008, embora também se contemplam algumas outras até o ano 2011. Em conjunto recolhem-se 255 entradas, correspondentes a epígrafes paleo-hispânicos, latinos, gregos, cristãos e visigodos, que se relacionam segundo a sua procedência (211 de Espanha, uma de origem desconhecido, e 44 de Portugal); 118 consideram-se inéditos e 94 apresentam comentário.

Entre as inscrições recolhidas destaca o fragmento de uma lájea inscrita com alfabeto latino (na capa), mas em língua lusitana, que descreve o número e a condição das vítimas oferecidas a Bandua, Broeneia, Munidis e Reve.


 INDEX 




Ir ao site da revista:  Hispania Epigrafica

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A complexidade do Dizer e do não-Dizer


Depois da muito interessante palestra de Martínez Mendizaval abriu-se um não menos -ainda que curto- interessante debate, ao final do qual saiu o tema da necessidade da linguagem, de como fixo necessário dividir o chio ou o bruar do símio em sons mais, curtos, discretos e articuláveis (graças as consoantes) e como foi necessário mesmo um ouvido -o tema principal da palestra- especial -na longitude de onda ajeitada- para escuta-los, e como isto permitiu-nos transmitir informação mais complexa. Curioso e que no debate Mendizaval citara como precedente comunicativo-social o "despiolhamento" dos chimpanzés de um antropólogo evolutivo que já tem aparecido de passada neste bloge, Robin Dunbar, e a sua ideia de que o passo à linguagem foi consequência de articular grupos mais amplos e relações socialmente mais complexas que anteriormente dentro daqueles grupos de primates

A "complexidade social" precisou, noutras palavras da "complexidade comunicativa". Curiosamente essa mesma complexidade da comunicação humana é a mesma que faz a nossa forma de falar seja a um tempo uma forma de transmitir conhecimento muito eficazmente ou de levar ao erro, ou ao engano e a confusão. Pois certamente, uma das qualidades da linguagem humana com respeito a dos animais, pensava logo mentes marchava para a casa, é a essencial "ambiguidade" do falado, as mensagens animais, por exemplo, os sinais de perigo, afeto são simples e unívocos e não precisam maior explicação: uma chamada de perigo e sempre algo ante o que fugir independentemente do que seja e da natureza que seja o que nos faz correr diante. A necessidade de precisar as coisas de distinguir categorizar, fazer divisões, de jerarquiçar a realidade analogicamente leva aparelhada também uma enorme possividade de confusão e "ambiguidade"

A dura realidade dos "cancinhos aos que so lhes falta falar"

Mas essa "ambiguidade" longe de ser um defeito de fábrica e profundamente beneficiossa no que respeita a comunicação social. A ironia, o dobre sentido, ou o sentido figurado tão importante e tão pressentes na nossa vida social e na nossa mais quotidiana comunicação são resultado da nossa capacidade linguística, eles são desde a perspetiva de outras espécies e da nossa própria "Refinamentos Contextuais" mas também  a única forma de transmitir conhecimentos especializados e articular umas relações muito complexas entre pessoas e superam a pequena escala das populações animais. Então recordando o argumento de Dunbar, e ao fio do simbólico visse-me a cabeça a recorrente perspetiva da Cultura humana como resultado das novas necessidades de coordenação do grupo, e viram-me a testa, assim mesmo, outros nomes como a da teoria socio-cognitiva da Religião como meio adaptativo de conexão social de Sosis e Alcorta, e como não o seu velho e eterno precedente naquele livro genial -ainda hoje- do grande Émile Durkheim.

Modelo da rede social de um só individuo 

Passaramse-me pela cabeça igualmente nesta mini-entropia de pensamentos ao chou as dificuldades da inteligência artificial para que as maquinas puderam imitar a natureza profundamente "contextual" e "situaçonal" da linguagem que sem mais dificuldade usamos todo-los dias os seres humanos.
E voltando em circos a Dumbar e a outro tema dos que saíram no debate o da "comunicação não-verbal" e a sua relação com a história evolutiva da linguagem viram-me a cabeça mais nomes que nos tocaram nas assinaturas de psicologia social durante a carreira, Flora Davis, Wilson, Knapp e etc., e não podem evitar que na minha mente se fize-se um peculiar paralelo entre a história da escritura que lhes estou a explicar as minhas alunas/os e o seu longo e peculiar passo de representar imagens de coisas a representam fonemas que, a sua vez, representam as coisas. Mas cecais aqui já desvariava entre as ruas chuventas

Haka maori
Uma vez já no conforto do fogar, e algo mais enjoito, pensei que era um bom momento para desempolvar do imenso arquivo de postagens em listagem de espera que tem o Archaeoethnologica esta entrevista ao Dunbar, que acima tendes, que se emitira vai uns meses no programa Redes, e na que se mostra, mesmo além do que dízimos, a complexidade infinda do que ainda não se diz.


Algo de Bibliografia

- Davies, F., A comunicação não-verbal. Summus editorial, 1979
- Dunbar, R., "The social brain hypothesis" Evolutionary Anthropology 6, 1998 pp. 178-190
- Dunbar, R., "The social brain: mind, language and society in evolutionary perspective" Annual Reviews in Anthropology 32, 2003 pp. 163-181
- Durkheim, E., Las Formas elementales de la vida religiosa. Akal, Madrid, 1992
- Sosis, R. & Alcorta, C.S.: "Ritual, Emotion, and Sacred Symbols. The Evolution of Religion as an Adaptive Complex" Human Nature, 16/4 2005, (Special issue: Evolution of Religion) pp. 323–359 
- Hill, R. & Dunbar, R., "Social network size in humans" Human Nature 14, 2003 pp. 53-72
- Joffe, T. A. & Dunbar.R., "Visual and socio-cognitive information processing in primate brain evolution" Proc. R. Soc. Lond.B 264,1997 pp. 1303-1307 
- Knapp, M. L., & Hall, J. A., Nonverbal Communication in Human Interaction, Cengage Learning, 2009


Postagem relacionada:  O Cerebro Social

Escuto logo Falo


Martínez Mendizabal: Os hominídeos de faz 500.000 anos já podiam falar

Diario de Ferrol
26/10/2011

Dez anos de árduo trabalho na Sima dos Ossos, um dos “extraordinários” jazigos da Serra de Atapuerca, permitiu à equipa de investigação de Ignacio Martínez Mendizabal contribuir novas evidências sobre a origem da linguagem. “O que podemos dizer é que faz já 500.000 anos tínhamos capacidades anatómicas para falar como o fazemos nós”, afirma.

 Esta é a principal conclusão de uma via de investigação aberta faz já uma década baixo o esceticismo de grande parte da comunidade científica. “Agora está mais convencida, mas quando começamos a publicar estes resultados, estávamos em solidão. Éramos praticamente os únicos que pensávamos com esta evidência que a linguagem é uma adaptação antiga, isto é, que os hominídeos de faz 500.000 anos, inclusive mais antigos, já podiam falar, porque o que se pensava até faz relativamente muito pouco é que só os humanos modernos pudemos falar”, explica.

O professor titular de Paleontologia da Universidade de Alcalá e e coordenador da Área de Evolução humana do Centro UCM-ISCIII de Evolução e Comportamento Humanos, centrado na sua maior parte no projeto de Atapuerca e Premeio Príncipe das Astúrias em 1997, visitou ontem a cidade ferrolana para dar uma conferência na Faculdade de Humanidades de Ferrol.
Ali falou sobre uma investigação “muito original” e inovadora, e possível obrigado, em verdadeiro modo, ao extraordinário material fóssil humano achado no jazigo de 500.000 anos de antiguidade. Inovadora e que “é vanguarda no mundo da investigação” pelo seu objetivo de partida: "enfrentar à origem da linguagem mas não tentando, como até agora, estabelecer como era o órgão que produz a linguagem, porque pensávamos que aí não chegaríamos bem longe, senão tentar estabelecer como é o órgão que o recebe", comentou em uma entrevista concedida a este jornal.

“O ouvido humano está especializado na audição dos sons da linguagem, de maneira que como se pode reconstruir com muita precisão os fósseis achados permitem uma boa aproximação, foi o que fizemos”, comentou. E aí entra o papel básico das novas tecnologias. Assim, o grupo, com a intervenção por suposto de engenheiros em Telecomunicações, desenvolveu uma tecnologia “absolutamente inovadora” através da que se pode realizar um audiograma praticamente como o que se lhe faz à gente quando se saca o carne de conduzir, ilustrou o paleontólogo. As modernas técnicas radiográficas bem como a reconstrução tridimensional por computador facilitaram uma investigação “muito inovadora tanto pelo tecnológico como pelos resultados”, reiterou.

“Forma de vida”
Martínez Mendizábal fala com entusiasmo não só do seu projeto, senão também da sua profissão. “Para mim a Paleontologia é a vida. Como dizia um cientista famoso, não é uma atividade, é uma forma de vida”. Por isso quiçá se lhe apaga um pouco a voz quando fala da situação atual na que muitos bolseiros e doutorandos iniciam os seus passos no âmbito científico: “Aos bolseiros estamos a pedir-lhes uns níveis de especialização muito grandes, e com um salário muito baixo”, diz. Quanto ao panorama atual da Paleontologia, assegura que tanto na área de estudo dos mamíferos como no dos dinossauros e no da evolução humana, Espanha está agora mesmo à vanguarda.

Um feito com que conquanto a nível social “sim está reconhecido”, não o está tanto desde o ponto de vista das autoridades. “Tenho a sensação de que às vezes não existe a consciência de que isto é património; quando se faz algo em um jazigo financiado por uma instituição pública é pôr o património em valor e às vezes dá a sensação de que te estão a fazer um favor, e nas escavações não cobramos”, pontualiza. Ignacio Martínez recordou que em torno dos jazigos de Atapuerca se criou uma escola que a cada vez vai a mais e que ?é a vanguarda na Europa em número de publicações científicas.


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Escutar fez-nos humanos - Palestra

Escutar fez-nos humanos. Novas evidências sobre a origem da linguagem

Esta terça-feira dia 25 de outubro haverá na Faculdade de Humanidades da UDC um palestra a cargo de Ignacio Martínez Mendizabal  Professor de Paleontologia da Universidade de Alcalá de Henares e membro do Projeto Atapuerca, e que terá por titulo “Escuchar nos hizo humanos. Nuevas evidencias sobre el origen del lenguaje”.


A conferência tera lugar na Sala de Grãos da Faculdade de Humanidades, no Campus de Ferrol, as 19:30 horas.