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segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Irmãs e Mulheres, Antropologia da Igualdade

Sisters and Wives

Sacks, K. (1982): Sisters and Wives. The Past and Future of Sexual Equality. Contributions in Women's Studies Vol. 10. University of Illinois. Urbana & Chicago. ISBN: 0-252-01004-3

Sinopse  
Este livro contribui para o esforço de oferecer um contraponto entre o que a Euroamérica capitalista disse sobre o mundo pré-capitalista, e como procurou expropriar e remodelar à sua própria imagem, e como era realmente parte desse mundo. A resolução deste contraponto é a forma como a história da humanidade se apresenta com a metade feminina no centro do palco.


A primeira parte analisa a contribuição da antropologia para a geração de estereótipos sociais darwinistas, particularmente aqueles sobre a mulher essencial, e mostra como a realidade pré-capitalista contradiz os seus estereótipos académicos oficiais. Na segunda parte colocam-se diferentes questões, marxistas, sobre como as relações das mulheres e homens com os meios de produção criam diferentes relações sociais entre eles e criam seres sociais complexos e multifacetados que não têm essências universais baseadas no género. 


Estas questões são exploradas no contexto da análise de caso das mulheres nas sociedades pré-capitalistas de África, sendo esta imagem pertinente à luta das mulheres pela igualdade em todos os lugares
   

INDEX

Introduction: Sources and 
Uses of Theory p. 3

Chapter 1. Anthropology against Women p. 24

Chapter 2. The Case against 
Universal Subordination p. 65

Chapter 3. Sisters, Wives, and 
Mode of Production I p. 96
.
Chapter 4. Mbuti p. 125

Chapter 5. Lovedu p. 139

Chapter 6. Mpondo p. 163

Chapter 7. Mode of Production II: 
Sex and Class p. 193

Chapter 8. Buganda p. 198~

Chapter 9. Sisters and Rulers 
in West Africa p. 216

Conclusions p. 242

Bibliography p. 253


Descarregar o livro em: Sisters and Wives

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Hierarquia na Floresta - Livro


Hierarchy in the Forest

Boehm, C. (2001): Hierarchy in the Forest: The Evolution of Egalitarian Behavior. Harvard University Press. Cambridge, Massachusetts  ISBN: 0-674-39031-8
   
Sinopse 
Os humanos são por natureza hierárquicos ou igualitários? Em Hierarquia na Floresta aborda-se esta questão examinando as origens evolutivas do comportamento social e político humano. 


Christopher Boehm, antropólogo cujo trabalho de campo se concentrou nos arranjos políticos de grupos de primatas humanos e não humanos, postula que o igualitarismo é, na verdade, uma hierarquia em que os febles combinam forças para dominar os fortes.


A flexibilidade política da nossa espécie é formidável: podemos ser bastante igualitários, podemos ser bastante despóticos. O livro traça as raízes dessas características contraditórias nos chimpanzés, bonobos, gorilas e nas primeiras sociedades humanas. Boehm analisa as estruturas de grupo dos caçadores-coletores, depois a segmentação tribal e, finalmente, os governos atuais para ver como essas tendências conflituantes se refletem.


A Hierarquia na Floresta reivindica um novo território para a antropologia biológica e a biologia evolutiva, estendendo o domínio destas ciências a um aspeto crucial do comportamento político e social humano. Este livro é um aparte importante no estudo da base evolutiva do altruísmo.

INDEX

1. The Question of Egalitarian Society p. 14

2. Hierarchy and Equality p. 29

3. Putting Down Aggressors. p. 56

4. Equality and Its Causes p. 77

5. A Wider View of Egalitarianism. p. 103

6. The Hominoid Political Spectrum p.138

7. Ancestral Politics  p.162

8. The Evolution of Egalitarian Society p. 184

9. Paleolithic Politics and Natural Selection 
p. 210

10. Ambivalence and Compromise in Human Nature 
p. 238

References p. 272


Disponivel em: Hierarchy in the Forest

Relações de Genero entre os Bayaka

Women’s Biggest husband is 
the Moon

Deixamos aqui o video da palestra que dentro do ciclo de primaveira do Radical Anthropology Group proferiu o antropologo Jerome Lewis (University College London) sob o título de "O maior marido das mulheres é a Lua: relações de gênero entre caçadores-coletores BaYaka".

Nela o palestrante explora as relações de género, ritual e economia dos BaYaka Mbendjele através do conceito de 'ekila', uma potência que pertence a mulheres, homens e animais


quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

A Igualdade fez-nos Humanos - Video



Deixamos aqui o vídeo da palestra proferida a passada terça-feira pela antropóloga Camilla Power (University College London) dentro do ciclo de conferências de primavera do Radical Anthropology Group baixo o título de: "O igualitarismo tornou-nos humanos: por que Graeber e Wengrow erram".

A palestrante dá um repasso aos condicionantes que fizeram evoluir na pré-história o comportamento altruísta e igualitário ao mesmo tempo que se dava um crescimento da capacidade cerebral, marcando um contraste entre os humanos com as sociedades fortemente hierárquicas dos primatas não humanos


sábado, 6 de janeiro de 2024

O Espetro Forageador

The Lifeways of Hunter-Gatherers 

Kelly,  R.L. (2013): The Lifeways of Hunter-Gatherers: The Foraging Spectrum. Cambridge University Press. Cambridge. 
  
  
Sinopse  
Neste livro, Robert L. Kelly desafia o preconceito de que os caçadores-coletores eram relíquias do Paleolítico que viviam num estado puro de natureza, em vez disso, elabora uma posição que enfatiza a sua diversidade e minimiza as tentativas de modelar um teórico modo de vida do forrageamento originário ou de usar os forrageiros para retratar uma natureza humana nua na sua essência. 



Kelly revê a literatura antropológica em busca de variações entre forrageadores vivos em termos de dieta, mobilidade, compartilhamento, posse de terra, tecnologia, troca, relações homem-mulher, divisão de trabalho, casamento, descendência e organização política. 



Usando o paradigma da ecologia comportamental humana, ele analisa a diversidade nessas áreas e procura explicar, em vez de explicar a variabilidade, e defende uma abordagem da pré-história que use dados arqueológicos para testar a teoria, em vez de uma abordagem que use a analogia etnográfica para reconstruir o passado.

INDEX

Preface  p. xv

Acknowledgments  p. xix

Hunter-Gatherers and Anthropology  p. 1

Environment, Evolution, and Anthropological Theory  
p. 24

Foraging and Subsistence  p. 40

Mobility  p. 77

Technology  p. 114

Sharing, Exchange, and Land Tenure  p. 137

Group Size and Demography  p. 166

Men, Women, and Foraging  p. 214

Nonegalitarian Hunter-Gatherers  p. 241

Hunter-Gatherers and Prehistory  p. 269

Notes  p. 277

References  p. 301


Disponivel em: Lifeways of Hunter-Gatherers

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

A Igualdade fez-nos Humanos - Palestra

Egalitarianism made us humans: why Graeber and Wengrow get it wrong

Quando: 9 de Janeiro
Onde: Londres e On-line


Dentro do ciclo de primaveira do Radical Anthropology Group a próxima terça-feira, dia 9 de janeiro, as 18:30 horas decorrera uma palestra titulada: "O igualitarismo nos tornou humanos: por que Graeber e Wengrow erram" a cargo Camilla Power professora de antropologia no University College London. 


“O mundo dos caçadores-coletores... foi um dos experimentos sociais ousados" dizem Graeber e Wengrow, "...um desfile de carnaval de formas políticas". Mas será que as experiências sociais mais ousadas dos nossos antepassados ​​–linguagem e cultura simbólica– restringiram estas possibilidades?.




Aspetos da nossa anatomia, psicologia e cognição que eram pré-adaptações necessárias à linguagem, perspetiva cooperativa, intersubjetividade, cérebros grandes, criaram um efeito de cascata de acumulação cultural que precisou de contextos sociopolíticos estáveis ​​baseados num significativo igualitarismo social para poder evoluir entre os nossos antepassados ​​do Pleistoceno Médio. 


Isto implica estratégias políticas para minimizar e anular periodicamente as relações de dominação, através de dinâmicas de contradomínio do individualismo quotidiano e com demonstrações ocasionais de dominação inversa coletiva. 


O aspeto mais revelador de isto seria, que devido aos custos muito elevados para as mães de fornecer nutrição de alta qualidade e cuidados de saúde fiáveis ​​para uns bebés com cérebros muito grandes, se impus uma resistência a dominação sexual, estabelecendo de facto um igualitarismo de género entre os primeiros humanos. 


As populações do Pleistoceno Médio com tendências mais hierárquicas tinham, segundo isto, menos probabilidade de se tornarem ancestrais do Homo sapiens atual, falantes de línguas complexas e com cérebros maiores.

A palestra pode seguir-se em direto ou bem on-line via Zoom. Número da reunião 384 186 2174 senha da reunião: Wawilak


sábado, 23 de dezembro de 2023

O Amanhecer de Tudo - Livro

The Dawn of Everything

Graeber, D. & Wengrow, D. (2021): The Dawn of Everything: A New History of Humanity. Penguin.  ISBN: 9780771049828


Sinopse  
Durante gerações, os nossos antepassados remotos foram considerados primitivos e infantis – ou inocentes livres e iguais, ou bandidos e guerreiros. A civilização, dizem-nos, só poderia ser alcançada sacrificando essas liberdades originais ou, alternativamente, domesticando os nossos instintos mais básicos.





David Graeber e David Wengrow mostram como tais teorias surgiram pela primeira vez no século XVIII como uma reação conservadora às críticas poderosas da sociedade europeia feitas por observadores e intelectuais indígenas e como este encontro teve implicações surpreendentes na forma como damos sentido à história humana hoje, incluindo as origens da agricultura, da propriedade, das cidades, da democracia, da escravatura e da própria civilização. 





Baseando-se nas pesquisas actuais da arqueologia e antropologia, os autores mostram como a história se torna um lugar muito mais interessante quando aprendemos a nos livrar de nossas armadilhas conceituais e a perceber o que realmente está lá no passado.




Se os humanos não gastaram 95% do seu passado evolutivo em pequenos grupos de caçadores-coletores, o que estariam fazendo durante todo esse tempo?. Se a agricultura e as cidades não significaram um mergulho na hierarquia e na dominação, então a que tipos de organização social e económica conduziram? As respostas são muitas vezes inesperadas e sugerem que o curso da história humana pode ser menos imutável e mais cheio de possibilidades diversas e esperançosas do que tendemos a supor.





O Amanhecer de Tudo transforma fundamentalmente a nossa compreensão do passado humano e oferece um caminho para imaginar novas formas de liberdade, e novas formas de organizar a sociedade. E um livro monumental de formidável alcance intelectual, animado pela curiosidade, visão moral e fé no poder da ação direta.

INDEX


+INFO sobre o livro em: Dawn of Everything

Cidades contra o Estado - Palestra


Em esta palestra intitulada "A Hipotese Nebelinska, ou Cidades contra o Estado" que foi proferida dentro do ciclo The Ambivalence of Design AA-Yonse o arqueologo David Wengrow questionará a definição de "cidade" e "urbanização" para o evento final da série de palestras 


Com base em seu trabalho com David Graeber (The Dawn of Everything) Wengrow apresentará brevemente uma nova colaboração com Forensic Architecture (Eyal Weizman). Eles sugerem um alinhamento entre estes dois projetos, que procuram questionar a autoridade das narrativas estatais através da extração de contra-arquivos de informação: respetivamente do registo arqueológico e das cenas de crime. 







Para explorar este alinhamento, Wengrow irá discutir o caso de assentamentos com 6.000 anos de idade identificados por arqueólogos no interflúvio Bug-Dnieper, na Ucrânia moderna, que têm sido usados para questionar a definição de “urbanização” e a posição do Estado moderno. como um telos do desenvolvimento social humano.


quinta-feira, 2 de novembro de 2023

A Fim do Igualitarismo


Les fins de l'égalitarisme
   
L´Homme Nº 236

INDEX

Les fins de l’égalitarisme
Natalia Buitron & Hans Steinmüller

La culture de l’autonomie héritée des
 «gens des forêts » du Baïkal
Roberte Hamayon

Un cosmos connecté « pair à pair ». Les sociétés de 
chasseurs-cueilleurs au-delà de l’opposition 
«égalitaires/hiérarchiques»
Nurit Bird-David

Rendre l’égalité (in)commensurable.
 Le cas du Haut-Atlas marocain
Matthew Carey

Valeurs politiques et assemblages ontologiques 
chez les Buid et les Makassar (Asie du Sud-Est insulaire) 
Thomas Gibson

À Propos

Faut-il encore lire Clastres?
Olivier Allard

Les animaux contre l’État. Tournant ontologique et 
transformations politiques en sciences sociales
Frédéric Keck



Ir ao número da revista:  L´Homme Nº 236 - 2020

sexta-feira, 30 de junho de 2023

O Mito do Homem Caçador


Faz dois dias saia publicado no jornal Plos One um artigo no um estudo sobre relação entre os distintos sexo e a caça baseado no analise de um total de 63 sociedades tradicionais, que constatava o papel das mulheres em 50 de elas, o que supõe uma estimável proporção de um 79 por cento.

Tradicionalmente considerou-se que as populações humanas com uma forma de subsistência baseado na forreagemento tinham uma divisão sexual de funções estrita na que os machos atuavam com caçadores e as fêmeas coletoras. As pesquisas arqueológicas recentes questionaram esse paradigma com evidências de que as fêmeas caçavam (e iam para a guerra) ao longo da história do Homo Sapiens. Embora muitos autores têm sustido que este role na caça das mulheres pode ter ocorrido em contextos concretos do passado e não

O estudo publicado reúne dados de toda a literatura etnográfica para investigar qual é o índice de prevalência das mulheres caçadoras nas sociedades caçadoras-coletoras em tempos mais recentes. Assim o estudo mostra como as evidências etnográficas dos últimos 100 anos junto com os achados arqueológicos do Holoceno mostram que as mulheres não eram apenas coletoras senão que também caçavam como forma de subsistência.

O artigo analisa também o tipo de caça praticada pelas mulheres e as suas variações de acordo com a sociedade. Das 50 sociedades de forrageamento que possuem documentação sobre mulheres caçando, 45 (90%) sociedades tinham dados sobre o tamanho da caça que as mulheres caçavam. Destas, 21 (46%) caçam caça miúda, 7 (15%) caçam caça média, 15 (33%) caçam caça grossa e 2 (4%) destas sociedades caçam caça de todos os portes. 

Em sociedades onde as mulheres caçavam apenas de forma oportunista, a caça miúda era capturada o 100% do tempo dedicado. Em sociedades onde as mulheres caçavam intencionalmente, todos os tamanhos de caça eram caçados, sendo a caça maior a mais procurada. 

Das 36 sociedades de forrageamento que tinham documentação de mulheres caçando propositadamente 5 (13%), as  mulheres caçando com cães e 18 (50%) de estas incluíram dados sobre mulheres caçando mesmo com crianças. Também se regista o participação de cães e crianças em situações de caça oportunista.  

  

Artigo: 

Anderson, A., Chilczuk, S., Nelson, K., Ruther, R., Wall-Scheffler, C. (2023): "The Myth of Man the Hunter: Women’s contribution to the hunt across ethnographic contexts" PLoS ONE Nº 18(6): e0287101  DOI: 10.1371/journal. pone.0287101  


Postagem relacionada:  Igualitarismo de Género e Evolução

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Igualitarismo de Género e Evolução


Deixamos aqui a esta interessante palestra organizada por Radical Anthropology Group e proferida pela antropóloga Camilla Power em março de 2018 baixo o título “O igualitarismo de gênero nos tornou humanos? ou, se David Graeber e David Wengrow não falam sobre sexo”. A palestra responde a um artigo de Graeber e Wengrow How to change the course of human history (at least, the part that's already happened) (Eurozine, 2018) e seu artigo anterior no JRAI Farewell to the "childhood of man: ritual, seasonality, and the origins of inequality (2015). 

Camilla Power avalia o que considera umas serie de afirmações confusas sobre as 'origens' humanas (ou melhor: alguns exemplos de arqueologia do paleolítica superior na Europa e algumas suposições antigas sobre de onde viemos) e destaca a questão da igualdade como preliminar crucial para um exame da expansão da desigualdade social. 


Power mostra como, para a antropologia evolutiva neste século, o reconhecimento das estratégias e perspetivas femininas tornou-se central para a compreensão de como os humanos se tornaram o que são. Considera a palestrante que o equilíbrio de poder entre os sexos foi fundamental para a origem da cultura simbólica e do gênero quando nossa espécie apareceu na África.



Postagem relacionada: O "Extraordinario" caso da Mulher Caçadora