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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Piastas e "Reis Extranhos" de Hoje e Ontem


Não é nada extranho, nem desconhecido, que as linhagens reais sõem ser frequêntemente as menos "autotoctonas" naqueles paises nas que reinam. Em este sentido vai um artigo recente publicado na revista Nature Communicationque vem a aportar , através do analise paleo-genètico, alguma luz sob a origem da dinastia piasta, que protagoniza a época fundacional do reino da Polonia.

Boleslvo Piast, Bolesłavo I de Polònia

O estudo feito sob os restos esqueleticos disponiveis dos membros das distintas ramas de esta linhagem aporta dados que questionam a origem local, e mesmo a eslavicidade da familia piasta:

"Seis indivíduos identificados como Piasts apresentavam haplogrupos R1b. As análises dos dados gerados para os Piasts R1b individuais sugeriram que seu ancestral comum pertencia à linhagem R1b-P312. Atualmente, essa linhagem é observada com maior frequência na Grã-Bretanha... As evidências apresentadas acima indicam que todos os indivíduos classificados como Piastas R1b pertenciam a uma mesma família e compartilhavam a mesma linhagem do haplogrupo Y R1b-BY3549, atualmente rara na Europa. Entre as amostras datadas do período anterior à formação do Estado Piasta, a mesma linhagem foi encontrada em três amostras antigas: CGG_023713 (datada de 770–540 a.C.) da atual França<sup> 42</sup> , CGG_107766 (datada de 20–200 d.C.) dos atuais Países Baixos<sup> 42</sup> e VK177 (datada de 880–1000 d.C.) da atual Inglaterra <sup>43</sup> . Assim, nossos dados revelam que os Piastas pertenciam à linhagem R1b-BY3549, sugerindo que eram migrantes de origem não eslava...
Os resultados obtidos indicam que os Piastas não eram de origem eslava e, portanto, sugerem que forças externas desempenharam um papel fundamental no processo de formação da Polônia."
Igualmente o estudo mostra a forte interconexão via alinças matrimonias entre a dinastia polonesa a as outras casas reias da Europa medieval contemporanea:

"Muitas das filhas de Piast e as mulheres que se casaram com membros da família Piast também representavam dinastias europeias famosas; portanto, os dados genéticos que coletamos para os membros da dinastia Piast nos permitem prever haplogrupos mitocondriais (mt-hgs) para mais de 200 figuras históricas conhecidas. Dentro desse grupo, há 108 Piasts, 32 Rurikids, 12 Giediminids, 23 Árpáds, 15 Přemyslids, 13 Hohenzollerns, 10 Habsburgos, 8 Wettins, 5 Angevinos e 4 Wittelsbachs ..."

Isto ultimo não é nada extranho, nem inesperado, a pouco que se observe a história das linhagens reais europeias caraterizada por um forte endogamica dentro do grupo e a pressença frequente por estes emparentamentos de dinastias de origen foraneo regindo as distntias monarquias europeias. 

o evidènte parecido familiar dos primos Nicolas II da Russia e Jorge V de Inglaterra.

Os reis de Grécia, esoclhidos após a independencia, eram de origem alemão e casaram-se quase na sua maior parte com linhagen de essa mesma origem e algumas escandinavas em menor medida. Os ingleses levam sendo governandos por soberanos não anglo-saxões mesmo desde a morte de Harold Godwineson: franceses da Normandia, e da Aquitânia, galeses (Tudor), escoceses (Estuardo), neerlandeses (Orange), e alemães (desde os Hannover aos actuais Mounbaten-Winsord, em realidade Watterberg-Saxonia Coburgo Gotta (1).

Jean-Baptiste Bernardotte, Carlos Joâo XIV de Suécia

Na Suecia actual os reinam os descendes omonimos de um general transfugade de Napoleão (os Bernadotte), e assim um trás o outro, e isso sem ter em conta a citada endogamia de grupo que faz que quase todos os membros das casas reais europeias actuais sejam primos entre sim em um ou outro grão e as vezes por partida dobre ou tripla.


Tampouco o facto de descender a dinastia fundadora da Polonia de um extrangeiro não resultaria demasiado disonante na época. Sem ir mais longe no ambito polones pode-se pensar no comerciante saxão Kizo que a tribo eslava dos luticios escolhera como chefe durante a revolta do ano 983 contra o dominio do Sacro-Imperio Romano Germânico. 


Também poderiamos citar igualmente a figura de outro extrangeiro: Rurik, aquele varego de origem sueca que fundara a Rus de Kiev, dando origem a dinastia dos rurikidas que dera monarca aos distintos principados poskievanitas, incluido o de Moscova até que Ivan IV, O Terrivel assasianra ao seu proprio filho e herdeiro cortando abruptamente a continuidade familiar.

Rurik e seus irmãos Trúvor chegam a Ládoga. Víktor Vasnetsov (1913)

Neste sentido estes "aventureiros" vindos de fora que atuam como fundadores de identidade etnico-políticas, depois convertidas em estados, não estão muito longe de realidades mais exoticas como a dos "reis extranhos/forasteiros" (Strnage Kings) táo tipicos do Sureste Asiático. O imaginario dos stranger king em esta região soe repressentar o poder político como algo essencialmente alheio a comunidade, uma especie de corpo extranho, vindo de fora in illo tempore mas que com a sua chegada estabelece uma nova ordem que subsiste até o momento atual e vem compretar em certa forma a sociedade pré-arrivada do strange king.

gravado no que se amostra o encontro do explorador holandês Joris van Spilbergen 
com o rei Vimaladharmasuriya I de Kandi, 1609

A ideaia dos stranger kings, além do seu contexto actotono, chegaria em esta região converter-se numa forma de interpretar e justifica,r dentro dos esquemas cosmologicos locais a realidade da dominação de potencias extrangeiras durante o posterior periodo colonial. O antropologo Marshall Sahlins amplou o padrão extendo-o a outros contextos geograficos e culturais (desde a Polinesia e Africa, à Grécia Antiga ou o mundo mesoamericano), considerando que este sistema era uma das formas elementais, senão a forma elementar por antonomaisa, de emergência do poder político nas sociedades humanas (Sahlins, 2008).

fotografa do filme Farewell to the King (1989)  inspirado no topos do Strange King

Segundo o antropologo no sistema de Stranger Kings existia uma repartição em duas esferas de atividade (a reprodução e poder) em termos uma dicotomia esencial entre a "autoctonia" e a "aloctonia". O padrão geral dos relatos sobre a chegada do strange king é conhecido, e reconocivel em muitas tradições ao longo do mundo, desde os mitos e lendas aos contos populares: mostra a chegada de um heroe, um extrangeiro alheio a comunidade, inclui o conflito com alguma entidade local, nomalmente descrita como monstroussa, e remata com o matrimonio entre o heroe foraneo e uma princesa autoctona que cria essa união armonica que reconcilia alotono e o autoctono dentro dum todo. 

Recorrentemente este extrangeiro atua como heroi cultural, que introduçe diversas innovações: novas costumes, objetos, ritos, ... marcando assim uma ruptura com a ordem anterior (cambio nas formas de matrimonio, na estrutura social, novas instituições, etc). Além da ominpressencia nas lendas e contos deste topos do heroi exiliado que mata a monstro e casa com a princesa local, há em estas tradiçoes sobre "reis extranhos" e fundacionais algo mais arcaico e esencial sob o proprio conceito de poder político, que em si proprio aparece cataterizado como algo "extranho", no doble sentido da palavra, algo vindo de fora mas que supõe  também uma "anomalia" com respeito a ordem previa que vem a tranformar.


É inevitavel não recordar alias aquelas comunidade de "Sociedades contra o Estado" (que quizas fora mais preciso denominar como "contra o poder"), descritas na Amaçonia por Pierre Clastres, Essas sociedades que consciênte e ativamente anulam, atraves de distntas estrategias, qualquer possivel comportamento que levasse ao estabelecimento de uma autoridade ou prestigio superior de algum individuo sob outros membros da comuidade, no que pudera fundar-se a constituição de qualquer formas de poder ou proto-poder politico de facto.  


E fazil imaginar como poderia ter sido possivel o passo desde tal estado de "anarquia", coidadosamente mantido com tanta constància, à aparição das primeiras chefias e sistemas de poder, e perceve-lo, em certa forma, como um ato carismático e de fonda transgressão.  Relacionando igualmente este ato de quebra primordial com alguns dados etnográficos, como o carater de grande “transgressor”, que alguns povos africanos atribuem a seus chefes, aos que se permite -ou mesmo exige-se?- um comportamento fortemente “antisocial” que rompe as normas quotidianas da sociedade, e deriva frequentemente num desempenho excesivo de uma violência arbitraria, concevida, e justificada, coma um elemento constitutivo e necessario do proprio poder e sacralidade do “monarca” (Simonse, 2017).

chefe "fazedor de chuva" da vila de Cakereda (1972)

Noutro ordem de coisas Sahlins entendia que os sitemas de stranger king aparecem em contextos de forte contato e intercambio intercultural a longas distancias, no que o antropologo norteamericano denomina como "Cosmopoliticas". Não seria muito extranho considerar que em momentos de forte contacto cultural, expostos á troca e a chegada de novas formas, objetos, pessoas e constumes, o vindo de fora termine alterando a propria realidade constitutiva preexistente de uma comunidade.

Neste sentido esse imaginario, que mostra a formação do poder como a chegada de algo anomalo vindo desde fora, e vinculado as qualidades de algum sujeito ou grupo carismáticos, seria especialmente adequado como repressentação mitica dos profundos cambios sociais que se estâo a operar em distintos niveis. Nâo é uma imagem que resulte extranha, precissamente, a um arqueologo. 


De certo, se agora pensamos em epocas da pré- e proto-história europeia nas que se fazem vissiveis grandes cambios culturais: unificações em koines linguisticas ou arqueológicas, a expansão de elementos de cultura material como armas, adornos, etc., a grandes distàncias, junto com tecnologias; e outros saberes denominados, as vezes, como "conhecimento esoterico" investidos ao mesmo tempo do prestigio do inusual e do distante das suas origens (Helms, 1999). não seria extranho imaginar algo similar ao que topamos no caso dos stranger kings


Assim o pensara já defunto Michael Rowlands para o Bronze Final europeu (Ling e Rowlands, 2015), mas poderia-se igualmente projetar-se o mesmo padrão, segundo a nossa opinião, a momentos aina mais afastados da pré-história europeia como o calcolítico, mesmo com a possivilidade de vincular isto a questões tão discutidas e controversas, como o processo de  indo-europeização (2)


Mas  faz-me pensar em outra questão também: se os "reis" da pré- e proto-história foram alguma vez strange kings em que medida não estamiaos a criar uma imagem distorsionada, quando nos debruçamos sob as tumbas, frequentemente de essa elite "regia" precissamente, para analisar a paleo-genetica do conjunto de uma sociedade num momento concreto?. Em que medida repressentaria hoje uma imagem genètica adequada do homem e mulher comuns do seu pais o ADN dum monarca europeu?

Os strange kings, como os seus filhos postumos, desde logo não são um bom exemplo da autoctonia do povo comum, precissamente
   

Artigo: 

Zenczak, M., Handschuh, L., Marcinkowska-Swojak, M. et al. (2026):" Genetic genealogy of the Piast dynasty and related European royal families." Nat Commun Nº 17, 3224  DOI: 10.1038/s41467-026-71457-1

Bibliografia complementar

Classtres, P. (2010): La sociedad contra el estado. Virus editorial. Bilbao
   
Helms, M. (1993): Craft and the Kingly Ideal. Art, trade and power. University of Textas Press. Austin.  aqui
   
Rowlands, M. & Ling, J. (2013): "BoundarIes, flows and Connectivities: mobility and Stasis in the Bronze Age"  Bergerbrant, S. & Sabatini, S. (eds.): Counterpoint: Essays in Archaeology and heritage Studies in Honour of Professor Kristian Kristiansen. BAR International Series 2508. BAR Publishing. Oxford. pp. 497-509
   
Sahlins, M. (2008a): Islas de Historia. La muerte del capitán Cook. Metafora, antropologia e historia. Gedisa. Barcelona.
   
Sahlins, M (2008b): "The Strnager-King or elementary forms of the politics of life" Indonesia & the Malay World Nº 36, pp. 177–199  DOI: 10.1080/13639810802267918
     
Simonse, S. (2017):  Kings of Disaster: Dualism, Centralism and the Scapegoat King in Southeastern Sudan.  Fountain Publishers. Kampala
   
Ling, J. & Rowlands, M. (2015): "The ‘Stranger King’  (bull) and rock art" Skoglund, P., Ling, J. & Bertilsson, U.: Picturing the Bronze Age..Swedish Rock Art Series Vol. 3. Oxbow Books. Oxford. pp. 89-184  PDF

Notas:
1) A substituição do apelido Saxonia-Coburgo-Gotta por Winsord foi resultado da molesta sonoridade alemã de este durante o a I Guerra Mundial. Igual questão motivou a anglização como Mountbatten do apelido Wattenberg.
2) Consideramos que boa parte da mitologia Indo-europeia, como o tema do "combate dos deuses", pode ser frutiferamente reinterpretada em termos da oposição "autotono" "alotono" pressente na estruturas dos sestemas de Strange King, o qual coincidira curiossamente já com a inicial intuição comparatista de Sahlins quando reconheceu a obra de Dumézil como uma das inspirações principais do seu modelo (Sahlins, 2008a)
    

Postatem relacionada: Uma olhada a migração na Pré-história

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Deuses e Línguas na Anatolia Antiga - Livro

Gods and Languages 
in Ancient Anatolia

Vernet, M., Adiego,I.X., García Trabazo, J.V. De Hoz, M.P. & Obrador-Cursach, B. (eds.) (2024): Gods and Languages in Ancient Anatolia. Barcino Monographica Orientalia. Serie Anatolica et Indogermanica Vol. 5.  Universitat de Barcelona. Barcelona.   ISBN: 978-84-1050-140-9

Sinopse  
Os estudos sobre a Anatólia estão florescendo atualmente em todas as suas dimensões linguísticas, epigráficas e arqueológicas, com a incorporação de novos jovens pesquisadores, novas descobertas e diferentes perspectivas de análise que enriquecem e aprofundam este amplo campo de estudo interdisciplinar. 


É por isso que temos o prazer de apresentar o presente volume, que não se dedica apenas às divindades da Anatólia, mas também explora algumas novidades linguísticas e epigráficas muito interessantes nas línguas anatólias. Escritos por pesquisadores relevantes que atuam na área, os artigos deste volume abrangem um amplo espectro cronológico, do segundo ao primeiro milênio A.C.

INDEX


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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Nouvelle Mythologie Comparée Nº 8

Nouvelle Mythologie Comparée 

 New Comparative Mythology

  
 Nº 8 - 2024-2025

Mythologie celtique et
 mythologie comparée
   

INDEX

Ariadne / Yseut ou la Reine adultère 
Pierre Sauzeau

Le Mabinogi de Math et le conte égyptien 
des deux frères. Aux sources du conte-type 
ATU 318: l’épouse infidèle
Patrice Lajoye

Le Mars celtique et son ascendance 
indo-européenne
Bernard Robreau

L’iconographie du monnayage à la croix. 
Une illustration de la notion d’idéal 
«spatio-temporel»?
Romain Ravignot 

Varia

The Novilara Stele (PID 343) 
and Italic Warrior Ritual
Roger D. Woodard

Nestor, roi de Pylos. Un Aun 
grec et un Yayāti indien? 
Marcel Meulder
 

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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Morreu Claude Lecouteux

Acabo de saber do falecimento, o passado dia 13 de novembro, de Claude Lecouteux, professor emérito de estudos germânicos na Universidade da Sorbona e reconhecido especialista em folclore e mitologia medieval. Formado como filólogo especializado em línguas germânicas Lecouteux dedicou a sua obra a analisar diversos temas do folclore e a literatura europeia a partir dos textos medievais, desde as sagas islandesas a literatura alemã e francesa amostrando uma profunda erudição e conhecimento dificilmente superáveis. 


O seus estudos recolheram uma ampla variedade de temas que abarcaram boa parte do Imaginario europeu durante o periodo medieval, como as crenças sobre os mortos, seres míticos como as fadas (entre elas Melusina), os génios territoriais, os espíritos domésticos, a caça selvagem, etc, etc... era em resume um de esses autores de referência para os que nos temos dedicado a estas temáticas folkoricas e etno-históricas, e sobre tudo desde uma perspetiva diacrónica e de longa duração

Pessoalmente descobri a obra de Lecouteux por puro acaso, quando  sendo ainda estudante topei um dos seus livros "Anões e Elfos na Idade Media" em um livraria (Índice) agora já fechada. No entanto folheava o livro topar surpressivamente a referência à obra de Dumézil (outro autor fundamental naqueles anos formativos), no meio do estudo de estes seres míticos, e que definisse a própria obra como uma contribuição a mitologia menor da 3 Função, já me indicou que este autor não era um especialista mais em literatura medieval, senão que a sua visão ia muito além do convencional. Aquele foi um livro que devorei e a primeira de muitas leituras que me abriram um muito extenso campo de estudo e novas possibilidades. 

Parte da extensa obra de Lecouteux, foto P. Lajoye

Alguns aportes seus como o seu artigo sob a estrutura das lendas melusínicas e sobre tudo o seu "Demos y Génios comarcais na Idade Media" (livro que tenho muito desgastado pelo uso e consulta repetidos) tem sido influências importante, mesmo diria que fundamentais, na minha própria pesquisa, como por exemplo nos meus estudos sob os ritos jurídicos de toma de pose do território. Foi tenho que dizer o autor que. junto a minha estância de estudos na Alemanha, me abriu de facto os olhos ao mundo do Folklore Jurídico e a Rechtsrchäologie. Mesmo chegara faz alguns a anos a enviar-lhe um dos meus artigos sobre este tema, que ele recebera com grande amabilidade e interesse.

Em resume, vai-se um grande pesquisador que deixa após si um importante legado, formado por mais de 100 artigos e 31 livros (seu curriculum aqui), que oferecem contribuitos fundamentais e são uma autêntica mina de informação. 

Uma grande perda para o mundo académico e especialmente para esta pequena sub-tribo que somos os mitólogos, sic tibi terrae levis


quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Aléns Indo-europeus - Livro

Indo-European Afterlives

Larsson, J.H., Olander, Th. & Jørgensen, A.R. (eds.) (2025): Indo-European Afterlives. Interdisciplinary Perspectives on Life beyond Death. Stockholm Studies in Indo-European Language and Culture Vol. 3. Stockholm University Press. Estocolmo. ISBN: 978-91-7635-284-7 DOI: 10.16993/bcw.

Sinopse   
Este volume reúne estudiosos de arqueologia, linguística histórica e mitologia comparada para explorar como as primeiras comunidades indo-europeias imaginavam a morte e o que existe além dela. 


Das visões poéticas da vida após a morte à lógica ritual da cremação e à etimologia do termo para luto, "Vidas Após a Morte Indo-Europeias" examina como a transição da vida para a morte foi concebida e ritualizada em todo o mundo indo-europeu. 


Os tópicos incluem o poder escatológico da poesia, o papel simbólico do fogo nos ritos funerários, reconstruções linguísticas de divindades e rituais do submundo e o significado de figuras míticas como as Valquírias, os R̥bhus e Orfeu na transição entre a vida e a vida após a morte. 


Ao entrelaçar análises filológicas, evidências arqueológicas e narrativas mitológicas, o volume oferece novas perspetivas sobre como as noções de morte e além estavam inseridas nos primeiros sistemas de crenças indo-europeus. De escopo interdisciplinar, "Vidas Após a Morte Indo-Europeias" atrairá tanto estudiosos quanto leitores curiosos.

INDEX
   
1. Exploring the afterlife in 
Indo-European traditions  p. 1
Jenny H. Larsson

2. Dwellings undwindling: Towards 
an Indo-European poetics of
perlocutionary sites  p. 7
Peter Jackson Rova

3. Initials for initiates: Phonic mystagogy,
 “audiovisuality” and the
eschatology of the Gathas p. 21
Martin Schwartz

4. Orpheus and the R°bhus: 
Fashioning drinks for the afterlife 
p. 35
Laura Massetti

5. Indo-European motifs in 
the Greek underworlds p. 61
Jan N. Bremmer

6. The god of the night sky as 
a guide to the afterlife p. 79
Michael Janda

7. The love life of the dead: Norse 
Valkyries from an Indo-European
perspective p. 95
Riccardo Ginevra

8. Tied to the underworld p. 121
Birgit Anette Olsen

9. Indo-European cremations and 
cosmic fires: A comparative
analysis of the funeral and 
fire rites of Bronze Age Håga,
Sweden  p. 149
Anders Kaliff & Terje Oestigaard

10. Mourning among the speakers
 of Proto-Indo-European: *keh2d- 
‘to fall’ and ‘to mourn’ p. 177
Anders Richardt Jørgensen

Biographies  p. 195


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Sombras de Violência na Índia Antiga

Shades of Violence

Cielas Leão, H. & Tiziana Pontillo, T. (eds.) (2024): Shades of Violence: Aggression and Domination in Indian Culture. Part I. Vedic. Studies. Cracow Indological Studies Nº 26/1. Jagiellonian University Institute of Oriental Studies. Cracovia. ISSN: 1732-0917

Pierdominici Leão, D. & Dębicka-Borek, E.(2024): Shades of Violence: Aggression and Domination in Indian Culture. Part II. From Inscriptions to Indian Art. Cracow Indological Studies Nº 26/2. Jagiellonian University Institute of Oriental Studies. Cracovia. ISSN: 1732-0917

Sinopse  
Por muitas razões, definir violência não é uma tarefa fácil- Existem diferentes tipos de violência e diferentes graus de violência dirigidos contra diferentes membros da sociedade, bem como contra a natureza que nos rodeia. A violência é também uma questão cultural. Além disso, aquilo a que alguns chamam violência, outros descrevem como uma autodefesa necessária.




Quando se fala da civilização indiana, muitas vezes o notável princípio ético -a ideia de não-violência ou ahimsa- é tomado como a marca desta cultura. No entanto, isto não significa que nos devamos abster de discutir os padrões de violência também presentes nesta cultura e bem documentados na sua literatura e arte. Violência e o princípio da não-violência são, na verdade, duas faces da mesma moeda.



Todos os artigos reunidos nestes volumes de Cracow Indological Studies abordam a complexa questão da violência na cultura indiana a partir de uma variedade de perspetivas adotadas pelos respetivos autores. A agressividade, ou a violência em geral, é uma característica inevitavelmente ligada ao exercício do poder real e à instituição da realeza no seu sentido mais amplo.




Há também aqui referir a prática da caça e o seu envolvimento na esfera dos rituais, incluindo os religiosos. No que diz respeito aos rituais religiosos, os seus aspetos violentos foram  obscurecidos com o tempo, o que acabou por levar à realização de sacrifícios sem recurso à violência, através da procura de substitutos para as vítimas sacrificiais.



Não há dúvida de que a arte indiana também registou cenas de violência presentes na esfera ritual e na vida comunitária. A violência sempre foi eficaz na preservação de determinadas ordem, como as divisões sociais existentes e o status quo desejado por quem está no poder.

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Shades of Violence Vol. 1 PDF

Shades of Violence Vol. 2 PDF

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quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Estudos sob o Atharvaveda - Livro

Studies in the Atharvaveda

Leach, R., Hellwig, O. & Zehnder, T. (2025): Studies in the Atharvaveda. Proceedings of the 3rd Zurich International Conference on Indian Literature and Philosophy. Walter De Gruyter. Berlin. ISBN: 978-3-11-124441-9  DOI: 10.1515/9783111244433

Sinopse  
Este volume, o primeiro do género em quase duas décadas, reúne 16 artigos sobre o Atharvaveda, o segundo texto mais antigo da Índia, escritos pelos principais especialistas mundiais na área, da Índia, Japão, Europa e América do Norte. 


Os aspetos linguísticos, rituais, mitológicos, históricos e hermenêuticos do Atharvaveda são estudados juntamente com a sua transmissão, influência e receção, a partir de uma ampla variedade de perspetivas teóricas e disciplinares.

INDEX


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O Paippalādasaṃhitā do Atharvaveda

The Paippalādasaṃhitā of 
the Atharvaveda

Selva, U. (2019): The Paippalādasaṃhitā of the Atharvaveda: a new critical edition of the three 'new' Anuvākas of Kāṇḍa 17 with English translation and commentary. Tese apresentada na Universidade Leiden.

Sinopse  
No final da década de 1950, vários manuscritos foram descobertos em Odisha. Eles continham uma das mais antigas coleções de textos védicos, o Atharvaveda, datado do final do segundo milênio a.C., em uma recensão, o Paippalāda, que se acreditava ter sobrevivido apenas em um manuscrito da Caxemira bastante corrompido. 


Dada a importância e a antiguidade do texto, essa descoberta despertou o entusiasmo de indólogos, historiadores, antropólogos e linguistas ansiosos para mergulhar no novo material. Isso, no entanto, dependia da produção de uma edição filologicamente confiável do texto. A dissertação de Selva representa um passo adiante nessa direção: ela se concentra no 17º livro da coleção, que contém uma variedade de material em poesia e prosa: feitiços mágicos para exorcizar demônios que ameaçam mulheres e crianças, maldições contra inimigos e remédios contra pesadelos. 


Uma secção ilustra uma observância ritual que consiste na imitação do comportamento de um touro, prática que remonta a modelos culturais indo-europeus pré-históricos e que foi reelaborada pelos Pāśupatas, a mais antiga seita ascética conhecida dedicada ao deus Śiva. A edição inclui um aparato crítico, uma tradução e um comentário que discutem problemas filológicos e tentativas de interpretação.

INDEX


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