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segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Redes e Mobilidade entre Britania e a Gália

Iron Age Chariot Burials in Britain and the Near Continent

Anthoons, G. (2021): Iron Age Chariot Burials in Britain and the Near Continent: Networks of mobility, exchange and belief in the third and second centuries BC. BAR British Archaeological Reports British Series Vol. 666. BAR Publishing. Oxford. ISBN: 9781407316840

Sinopse 
Os enterramentos de carruagens britânicas, concentrados sobretudo em East Yorkshire, revelam uma forte ligação com a Europa continental, o que levou alguns estudiosos a acreditar que este rito funerário foi introduzido pelos imigrantes do norte da Gália. 


Outros estudiosos não aceitam a migração como a principal explicação para as mudanças culturais e defendem que novos ritos e costumes também podem ser adotados através de redes sociais que muitas vezes se estendem por grandes distâncias. Para determinar qual o modelo que melhor explica a introdução de novos ritos funerários em East Yorkshire no século III a.C., este livro descreve as semelhanças e diferenças entre os enterramentos de carruagens britânicos e os dos enterramentos de carruagens contemporâneos no norte da Gália. 


A comparação mostra que as redes de elite, e possivelmente as redes religiosas, estão na base do surgimento de novos ritos funerários em East Yorkshire. Este livro também discute vários tipos de contactos de longa distância que podem criar e manter redes sociais.

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+INFO sobre o livro em: Iron Age Chariot Burials

sábado, 2 de março de 2024

Repensar ao Outro na Antiguidade - Livro

Rethinking the Other in Antiquity

Gruen, E. S. (2011): Rethinking the Other in Antiquity.  Martin Classical Lectures Vol. 27. Princeton University Press. Princeton.  ISBN: 978-0-691-15635-4

Sinopse  
Prevalece hoje entre os classicistas a noção de que gregos, romanos e judeus melhoraram a sua própria autopercepção contrastando-se com os chamados Outros – egípcios, fenícios, etíopes, gauleses e outros estrangeiros – frequentemente através de estereótipos hostis, distorções. e a caricatura. Neste livro provocativo, Erich Gruen demonstra como os antigos encontraram ligações em vez de contrastes, como expressaram admiração pelas conquistas e princípios de outras sociedades e como discerniram - e até inventaram - relações de parentesco e partilharam raízes com diversos povos.

Gruen mostra como os antigos incorporaram as tradições de nações estrangeiras e imaginaram laços de sangue e associações com culturas distantes através de mitos, lendas e histórias fictícias. Ele analisa uma série de contos criativos, incluindo aqueles que descrevem a fundação de Tebas pelo fenício Cadmo, a adoção por Roma das origens troianas e árcadias, de Abraão como ancestral dos espartanos. Gruen oferece leituras aprofundadas dos principais textos de Ésquilo, Heródoto, Xenofonte, Plutarco, Júlio César, Tácito e outros, além de partes da Bíblia Hebraica, revelando como eles oferecem retratos ricamente matizados do extrangeiro que vão muito além dos estereótipos e a caricatura.


Fornecendo uma visão extraordinária do mundo antigo, este livro controverso explora como as antigas atitudes em relação ao Outro muitas vezes expressavam reciprocidade e conexão, e não simplesmente contraste e alienação.
  

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Disponível em: Rethinkig Other in Antiquity

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Redes nas Comunidades Antiguas - Livro

Network as Resources for Ancient Communities


Da Vela, R.; Franceschini, M.; Mazzilli, F. (2023): Networks as Resources for Ancient Communities. Tübingen University Press. Tubinga.   ISBN: 978-3-947251-74-2


Sinopse
Abrangendo vários períodos e áreas geoculturais desde o Irão até ao Mediterrâneo ocidental, com um forte enfoque na antiguidade clássica, os artigos aqui reunidos abordam o tema das redes como recursos em três domínios temáticos diferentes mas inter-relacionados: a interação entre as sociedades e o ambiente natural (redes sócio-naturais), transmissão de saberes e habitus (redes de saber e poder) e interações religiosas (paisagens sagradas). 


Os valores sociais que as comunidades atribuem às redes em que se inserem abrem-se a novas camadas, dinâmicas e escalas interpretativas. Observar as redes como recursos muda nossa perspectiva em ambos os termos da equação. Por um lado, redes antigas são reenquadradas em seus contextos relacionais e sociais e vinculadas às intenções e percepções de seus atores. 


Por outro lado, as propriedades de redes específicas, como a fluidez, a redundância e a força e fragilidade das relações, lançam uma nova luz sobre os recursos e as dinâmicas socioculturais relacionadas aos recursos.

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Preface  p. 7

Rethinking Networks as Resources for Ancient Communities p. 9
Raffaella Da Vela, Mariachiara Franceschini and Francesca Mazzilli


Socio-Natural Networks

Itanos (Eastern Crete). A Greek City-State with a 
‘Mediterranean Territory’  p.  21
Nadia Coutsinas

Flowing Resources. Socio-Natural Riverine Networks in Etruria 
p. 37
Mariachiara Franceschini

From Interlocking Regional Networks to Globalised Polity. Secondary Settlements as Middle Ground in Resource Networks of Ethnic, Social, Economic, and Political Change in Pre-Roman and Roman Italy p. 55
Francesca Fulminante


Networks of Power and Knowledge

Networks and Social Power in Archaic Kamiros (Rhodes, Greece) 
p. 79
Isabella Bossolino

Valuation and Value Creation of Mineral Resources in Kermān, Southeastern Iran p. 93
Wulf Frauen and Sabine Klocke-Daffa

Resources, Knowledge, and Power in Late Republican Roman Architecture. A Network Approach p.107
Dominik Maschek

The Cemetery Areas and the Changing Networks in Central Italy 
ca. 800–100 BC. The Role of Funerary Architecture in Defining 
Identity and Mental Distances p. 129
Ulla Rajala


Networks in Sacred Landscapes

A Decade of Network Studies on Religion in the Pre-Roman 
and Roman Periods  p. 165
Francesca Mazzilli

Networks of Cult Practices as Resources of Cohesion in Transhumant Societies of the Apennines (6th to 1st Centuries BC) p. 185
Raffaella Da Vela

Interregional and Cross-Cultural Networks as Economic Resources 
in Sanctuaries of Central Italy (7th to 5th Centuries BCE) p. 207
Robinson Peter Krämer



Descarregar o livro em: Network as Resources

segunda-feira, 6 de março de 2023

O Terceiro Milénio na Estepe Europeia - Livro

DAS DRITTE JAHRTAUSEND IM OSTEUROPÄISCHEN STEPPERAUM 

     

Kaiser, E. (2019): Das dritte Jahrtausend im osteuropäischen Steppenraum. Kulturhistorische Studien zu prähistorischer Subsistenzwirtschaft und Interaktion mit benachbarten Räumen. Berlin Studies of the Ancient World. Vol. 37  Edit. Topoi. ISBN: 978-3-9819685-1-4


Sinopse: 
Os túmulos são característicos da cultura yamnaya e da cultura funerária das catacumbas do terceiro milênio A.C. na estepe da Europa Oriental e na zona de estepe florestal. Com o início da cultura yamnaya, os enterros são regularmente realizados em túmulos, os montes são frequentemente usados ​​várias vezes e se transformam em monumentos ao longo do tempo. 


A economia também mudou nessa época, porque os estepes se especializaram em sua subsistência na criação de gado. Eles aparentemente são tão bem-sucedidos com isso que em todo o terceiro milênio a.C. e nos séculos que se seguiram, o gado dominou os rebanhos. A caça desempenha apenas um papel muito menor. 


Neste livro, as fases individuais da cultura Yamnaya e da cultura funerária das catacumbas são avaliadas de forma abrangente em termos cronológicos relativos e absolutos e suas características regionais específicas, bem como o potencial sócio-arqueológico de seus legados arqueológicos são examinados. As formas de mobilidade e um possível uso sazonal dos assentamentos desempenham um papel aqui, assim como a questão da migração da região das estepes para o sudeste e centro da Europa.

cena da vida cotidiana dos yamnaya, ilustração do artista Chistian Sloan Hall



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Descarregar o livro em: Das 3 Jahrtausent im Steppenraum

domingo, 29 de janeiro de 2023

O Báltico na Idade de Bronze - Livro

The Baltic in the Bronze Age

Hofmann, D., Nikulka, F. & Schumann, R. (2022): Bronze Age in the Bronze Age. Regional patterns, interactions and boundaries.  Sidestone Press. Hamburg ISBN: 9789464270198


Sinopse:
A Idade do Bronze é uma época de crescente interação na que as conexões a larga escala cobrem vastas partes da Europa. Em algumas regiões da Idade do Bronze muito bem exploradas certas narrativas sobre o período mostraram signos muito evidentes de hierarquização e diferenciação social, especialização do trabalho e relações de dependências matérias-primas exteriores, etc.

Em outras regiões, no entanto, apenas alguns desses aspetos aparecem, embora as mesmas  redes de contacto existiram. Este é o caso da área do Báltico, onde as regiões ocidentais e orientais apresentam diferenças dramáticas na subsistência, nas quantidades de metal produzidas e depositadas (e, portanto, presumivelmente no papel social do metal), nos padrões de assentamento ou na escala de complexidade e diferenciação dos grupos sociais. 


Uma questão particularmente interessante é a intensidade do contacto cultural que as regiões bálticas orientais mantiveram através do mar com a Escandinávia e também com regiões continentais diretamente vizinhas. Este volume reúne estudiosos de todas as regiões do Mar Báltico para discutir diferentes aspetos das interações durante a Idade do Bronze. 

Ele oferece uma perspetiva sobre conectividade e intercâmbio regional e inter-regional além dos modelos usuais de grande escala discutidos na arqueologia da Idade do Bronze e inclui estudos de caso de regiões individuais ou algumas categorias de achados e documentação gerais mais amplos com foco na diversidade e nas interconexões  ou, as vezes, sua ausência de elas.

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Descarregar o livro no site:  Sidestone Press

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Copos, Caldeirões, Mortos e Banquetes

Este estudo trata a expansão geográfica de um traço concreto das culturas élitares do I Milénio, o uso em principio secundário de vasos de bronze, originalmente pensados para conter líquidos em cerimonias que implicavam o consumo alcoólico, como urnas cinerárias.  

Carrinho-Caldeirão de Skallerup, Museu Nacional de Dinamarca

A similitude de este ritual funerário é o descrito em fontes épica como a homérica Ilíada ou nas fontes hititas da Idade do Bronze, tem chamado a atenção a atenção do arqueólogos no intento de cartografar e explicar o expansão do costume da incineração sobre a inumação no Mediterrânea, e do uso de este tipo de contendor mais em concretos para tal fim.

Restituição gráfica do Carrinho-Caldeirão de Skallerup (Dinamarca)

Este estudos normalmente tem enfatizado a relação de esta pratica com a expansão de um pacote que amostra uma serie de objetos comuns que vão da mão da adoção de uma serie de praticas como parte de uma cultura de elite, que traspassa diversos âmbitos culturais. Instituições como o banquete, a adoção de determinadas formas de guerra e armamento e os valores, ou mesmo evolução política que estariam associados a estes câmbios, tem sido temas frequentes de estudo nas últimas décadas entorno a mobilidade e os contactos transculturais (e coloniais) na Proto-historia europeu e da área Mediterrânea em particular.

Espada hallstattica do s. IX a. C. Naturhistorisches Museum Nürnberg, foto: Oliver Dietrich 

Oriente Próximo (fundamentalmente o Levante), Itália, Grécia e os Balcãs ou o levante peninsular tem sido zonas abundantemente estudadas em essa linha de pesquisa, sem desbotar estudos que enlaçam também com o mundo Centro-Europeu e Atlântico como o volume de Sabine Gerloft sobre os caldeiros e sítulas do Bronze Final-Ferro no PBF. Este estudo que aqui recenseámos pretende abrir a um área mais geral sistematizando os dados sobre os enterramentos em vasos metálicos gerados desde o Mar Negro até Centro-Europeia em conjunto como os conhecidos do mundo mediterrânico.

Vaso anfórico de Gevelinghausen, carrinho votivo de  Acholshaussen, vasos e sítulas hallstáticas

Esta perspetiva pan-europeia permite mostrar uma serie de regularidades, como a prevalência de contendores para bebida no uso de Urnas metálicas, um 95% dos 598 totais do corpus coincidem em este padrão. No que em palavras da autora exemplifica claramente:  “A estandardização e continuidade de essas práticas aristocráticas práticas enfatizavam o status social de essa elite, o qual contribuíam a legitimar e perpetuar”

Distribuição das urnas metálicas a finais do s. VIII a.C.

Assim como Grécia parece ser o núcleo inicial de este uso, as primeiras a mostras fora de este contexto semelham proceder da região alpina, a ambas as duas beiras da cordilheira se topam este tipo de vasos em um contexto temporal que vai do s. XIV ao IX a.C. Ao norte dos Alpes este tipo de enterramentos se topam em zonas do Sul de Alemanha e Escandinávia e no SE de Centro-Europa, pré-datando esta prática em vários casos a cronologia dos Campos de Urnas (XIII- VIII a. C) onde se mantêm até a fase Hallstatt C.

Diversas urnas cinerárias de tradição dos Campos de Urnas da Cultura Villanoviana: urna de Bronze, com tapadeira imitando capacete, urna cerâmica brunida (para imitar o aspeto metálico) fechada com capacete metálico, urna cerâmica fechada com tapadeira em forma de copo; Urna cinerária canópica de época etrusca.  

Durante o período que vai entre o S. IX e VIII observasse uma expansão de este tipo de praticas unido frequentemente a expansão da Cultura dos Campos de Urnas assim como a uma serie de item de prestigio como caldeiros, determinado tipo de armamento, tanto na parte Oriental de Europa como na Itália (da Etrúria ao Lácio ou Campânia).

As similitudes entre as urnas bitroncocónicas itálicas e norte-europeias, mesmo em regiões tão longanas como Escandinávia, são significativas, o qual se observa tanto nos exemplares cerâmicos como metálicos, fechados normalmente com um casco que coroa ao defunto em um identificação corpo-urna que preludia as posteriores urnas canópicas etruscas, ou por patadeira com forma de copo aludindo de novo a âmbito convivial. 

Distribuição das urnas metálicas a meados do s. VI a.C.

Incluísse aqui também outras tipologias como as sítulas, caldeiros ou cistas, junto a exemplar tipo ânfora em algum contexto, usados com a mesma finalidade ou relacionados de um ou outra forma com o banquete. Nas área mediterrânea as urnas metálicas apresentam uma menor uniformidade respondendo a tradições locais, casos como o cipriota, ródio, ou na Magna Grécia, tradições em alguns casos desaparece rápido, entanto que em outros contextos do âmbito grego permanecera muito a posterior. Segundo a autora esta permanência estaria relacionada no mundo grego com peso da tradição épica homérica na cultura aristocrática. 

Vaso anfórico de Gevelinghausen, Museum für Archäologie Herne. foto: Dieter Menne

Zonas mais periféricas m contacto com o âmbito grego e itálico como o Adriático parecem amostrar um padrão funerário mais hibrido que combina a incineração com o costume autóctone de inumação. Em contexto centro-europeu e França a prática de incineração é substituída pela inumação durante o Ferro e os poucos casos de enterramentos em urna parecem ter conexões com o mundo itálico, se a incineração contínua predominando dentro da periferia etnicamente germana.


Bibliografia: 

Desplanques, E. (2022): "Protohistoric metal-urn cremation burials (1400–100 BC): a Pan-European phenomenon" Antiquity Nº  96/389 pp. 1162–1178  DOI: 10.15184/aqy.2022.109