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terça-feira, 21 de maio de 2024

O Cavalo em Asia - Livro

Pferde in Asien

Fragner B.G., Kauz R., Ptak R. &  Schottenhammer A. (2009): Pferde in Asien: Geschichte, Handel und Kultur / Horses in Asia: History, Trade and Culture. Veröffentlichungen zur Iranistik Nº 46 Denkschriften der philosophisch-historischen Klasse, 378. ÖAW. Viena. ISBN: 978-3-7001-6103-5   

Sinopse  
Na história das civilizações pré e modernas da Ásia, os cavalos - a sua criação e manutenção, bem como o comércio com eles - desempenharam um papel proeminente; eles foram distribuídos de forma desigual pelo continente asiático e expectativas igualmente diferentes foram associadas à sua aquisição.
 


A constatação de que os cavalos poderiam ser usados ​​militarmente, como meio de transporte e na agricultura não só promoveu o seu comércio, mas também fez dos cavalos em geral um importante elo cultural entre lugares e países que estavam muitas vezes distantes uns dos outros por terra e por mar. 


As vinte e uma contribuições aqui apresentadas são o resultado de uma conferência com o mesmo nome realizada em outubro de 2006 a convite do Instituto de Estudos Iranianos da Academia Austríaca de Ciências. Estão organizados por região: (1) Irão e Ásia Ocidental, (2) Ásia Central, (3) Oceano Índico (4) e China. Eles são complementados por um prefácio e dois artigos introdutórios. 



As contribuições individuais abordam o tema com base em diferentes abordagens e cada uma oferece pontos de conexão com disciplinas vizinhas. O principal interesse, porém, é a “transferência” de cavalos entre regiões.

INDEX


Descarregar o livro em:  Pferde in Asien

sábado, 9 de dezembro de 2023

Um Kelpie Iraniano ?


O Cavalo que matou a Yazdagerd, o Pecador

O historiador e poeta Abu l-Qasem-e Firdausi no seu Shadnamed ("Livro dos Reis") conta o seguinte relato sobre a forma em como morrera o soberano sasanida Yazdagerd I, filho de Sapor III, prototipo do monarca impio e injusto, pelo qual foi conhecido tradicionalmente no mundo iraniano pelo sobrenome de  Yazdager, O Pecador:  
   
"Quando um rei governa com injustiça, todos os males retornarão para ele." Assim, Yazdagerd "o Pecador" sofria de forte sangramento nasal periódico e foi instruído pelo grã-sacerdote (mābad) a buscar remédio orando a Deus pelo perdão na fonte So. O rei fez isso e lavou o rosto na água daquela fonte e ficou curado. O orgulho tomou conta dele, porém, e ele se vangloriou de que foi sua própria sorte -e não a intervenção divina- que lhe trouxe socorro. Então, um garanhão de extraordinária beleza saiu do mar, ele resistiu vigorosamente ao manejo de qualquer cavalariço que foi enviado a capturá-lo. O próprio Yazdagerd saiu e domomou o cavalo e consegui-no finalmente o selar,-mas quando ele estava prestes a amarrar a cauda, o cavalo deu-lhe um coice tão forte que ele morreu instantaneamente, e então o cavalo "desapareceu naquela água azul. Ninguém no mundo viu tal maravilha"

Outros autores de época recolhem este epissodio igualmente na sua História incluindo o detalhe de que o cavalo seria um anjo enviado por deus baixo esta forma animal, embora na tradição persa atopamos exemplos da natureça não apenas anjelica senão em ocasiões demoniaca do cavalo. 


A morte de Yazdager Ilustração dum manuscrito do Sadhnameh, ca. 1300–1030 D.C, Metropolitan Museum

O próprio Ahrimã, o espírito do mal da teologia zoroastriana, aparece as vezes baixo a forma de um cavalo nos textos avésticos, nos que aparecem outros cavalos vinculados as águas como antagonistas de heróis ou divindades. 

O cavalo como demo aquático no mundo indo-iraniano 

Um mito avéstico amostra assim a  Apaoša, um demo com forma de cavalo preto, que domina o lago -ou mar- mitico Vourukaša, retendo as águas do mundo que de ele procedem. Para acavar coa seca o deus Tištrya enfrontou-se ao cavalo demoníaco adoptando ele mesmo a forma de um garanhão branco.  Ambos lutam assim baixo estas formas equideas nas próprias águas durante 3 dias. O próprio lago Vourukaša se presenta nalgumas verssões do mito baixo a forma de uma égua pela qual os dois cavalos de cores opostas lutam. 

Matsya luta contra o demo Hayagriva. Kangra, Índia, circa 1800

Na Índia temos outro demo, Hayagriva, literalmente "Cabeça de Cavalo", que rouba da boca do deus Brahma os Vedas, impedindo assim a realização dos rituais, e se agocha imediatamente em um concha dentro do mar. Por este motivo segundo o Bhagavata Purana o deus Vishnu se encarnara no seu primeiro avatar, Matsya, um enorme peixe, que combate com Hayagriva no Oceano e resgata os textos sagrados do  estômago do asura. Em outra variante de este mito não é em um peixe no que se reencarna o deus senão em ser hibrido com corpo de homem e cabeça de cavalo, também chamado por isso Hayagriva,  apresentam assim um paralelo quase exato como o mito avéstico da luta entre Apaoša e Tištrya.

Hayagriva devolvendo os vedas a Brahma

Um detalhe curioso é que Tištrya antes de adotar a forma com a que lutara com o demo tem que tomar outras duas formas sucessivas, primeiro a de um moço de 15 anos, depois a de um touro com cornos de ouro, para finalmente adotar a sua forma equina definitiva. Estas 3 encarnações sucessivas não tem um explicação muito clara na propria narração, mas poderiam recordar a alguns contos nos que dois personagens antagónicos se enfrentam num combate adotando várias formas sucessivas, se bem esta serie de transformações esta ausente da figura de Apaoša

"Combate de Touros" do pintor ingles George Stubb, 1786. 
Yale Center for British Art

Um curioso paralelo, se isto fora assim, podemo-lo topar no célebre combate de touros do irlandes Táin Bó Cúailgne no que se nos presenta o combate dos dois touros de cores contrapostas (branco e ruivo) como a fase final de um longo combate entre dois seres do além que adotaram distintas formas sucessivamente até chegar a dos dois touros que sucumbem um a mão do outro na batalha final

uma comparação estrutural hipotética entre os três mitos citados, elaboração própria do autor       

Alguns paralelos célticos e germánicos

Deixando estes mitos sob combates teriomorfos e voltando a estranha morte de Yazdagerd, o fato de ser causada esta por um cavalo aquático  evoca na nossa mente outra comparação mais direta com o mundo céltico, pois a função psicoponpa de este animal esta longamente estendida  dando lugar na mitologia e folkorre do Ocidente Europeu, no que há multiplas tradições que falam dos cavalos como avisso de morte ou de equidos monstrosos que habitam nas águas (do qual já temos falado em este blog aqui) e levam a perdição a seus ginetes.

cavalo spicopompo levando seu ginete por um meio aquatico, diadema-cinto de Mones (Pilonha, Asturias), Idade do Ferro

No Escócia Irlanda e Manx este cavalo aquático recebe o nome de Each Uisge "cavalo da água" ou Kelpie. O Kelpie vive em rios ou lagos, mais raramente no mar, e aparece-se invitando a gente a monta-lo, frequentemente o Kelpie receve a varios pasageiros que se vão acomodando a medida que o animal estira o lombo. 

"O Nix como cavalo" do artista Theodor Kittelsen, 1909

Quando os desgraçados vão-se conta da natureza do animal já não podem baixar, pois ficam colados a ele sem remissão e vem como o cavalo os arrasta consigo as aguas para devorá-los. Disse que o Kelpie não gosta do fígado das suas vitimas pelo que ao dia seguinte este aparece aboiando nas aguas da poça ou rio onde habita o monstro.

Campbell na sua obra Superstições das Higlands recolhe o seguinte relato no que se descreve como nove meninos foram arrastrado ao fundo dum lago na garupa do Kelpie

“Várias crianças foram num domingo divertir-se arredor do 'Lago do Desastre (Loch na Dunach) neste distrito. Eles chegaram e toparam com um cavalo, e como jogo montaram nele. Suas costas foram ficando mais compridas até que todos estivessem montados, exceto um, que levaba uma Bíblia no peto. Ele tocou o cavalo com o dedo e teve que cortá-lo para se salvar. O cavalo correu para o lago e as 9 crianças, nunca mais foram vistas. O fígado dum deles apareceu na beira do lago ao dia seguinte”
O mundo germânico conhece igualmente cavalos aquáticos que provocam a morte dos seus ginetes,  arrastando as vitimas as águas, ou, ao igual que no mundo céltico, anunciam a morte a quem os contempla. É o caso do Fossegrim e o Nykur ou Nix, espírito aquático ao qual também se atribuem outras formas, e que sob sua fasquia equidea arrasta as aguas as suas vítimas. Uma lenda islandesa recolhida por Stefanson amostra um destes casos de abdução aquática que explica ademais um peculiar toponimo:

“Um animal curioso é o nykur ou cavalo da água. Quando você o vê, ele parece um cavalo cinzento comum, exceto que seus cascos giram para o lado errado e que há sempre um vento soprando atrás de sua pata dianteira esquerda. ... No leste da Islândia existe uma ampla gandara conhecido como  Gandara do Lago da Manteiga pela seguinte circunstância: Uma criada foi enviada de uma fazenda para atravessar a gandara até a pequena vila comercial de Vopnafjbrthur para vender um pouco de manteiga. Ao atravessar a gandara, ela ficou com os pés doloridos e cansada pelo se sentiu feliz ao encontrar perto da estrada um cavalo cinzento manso que ela montou. Tudo correu bem por algum tempo, mas perto da lugar havia um pequeno lago - o atual Lago da Manteiga. Quand o o cavalo viu a água, lançou-se direto para dentro dela e carregou a menina a morte com ele. Foi assim que a gandara e o lago receberam seus nomes.
Os nykur eram conhecidos há muito tempo, por habitarem certas poças profundas do rio. Um dia, as pessoas do bairro acenderam muitas fogueiras e atiraram brasas no rio durante um dia todo. Isso afastou efetivamente o nykur, como pode ser visto pelo fato de que agora não há já nenhum no rio”  
Além do ambito celto-germánico é conhecida sobradamente a relação entre cavalo, agua e morte entre outros povos indoeuropeus desde Grecia antiga até a India, mas além podemos do grupo indo-europeu topar evidências de estes topoi também em outros ambitos culturais. 

De volta a Oriente: Conexões euro-asiáticas   

Ishida Eiichiro tem estudado a extensão praticamente euro-asiática da associação entre cavalo e água. Na Arménia o herói Burzi se enfronta a um cavalo de fogo saído do mar que matara todos os cavalos do rei, igual tradições sob cavalos saidos das mar topam-se no Kurdistâo ou em Geórgia, onde Rashi o cavalo divino que serve de montura a São Jorge é capturado pelo santo embaixo das águas mar. 


Distribuição do conto segundo Berezkin: 1) guardião triunfa na sua labor, 2) guardião fracasa em proteger ao primeiro homem

A associação entre o cavalo e morte também esta pressente nestas tradições euroasiáticas. Berezkin tem estudado longamente um conto no que se atribui à ação dum cavalo a causa da mortalidade dos humanos ou ainda do facto de que cavalo tenha que ser servidor do homem. Este conto-mito apresenta frequentemente a este cavalo primigenio como antagonista do cão encarregado de guardar ao primeiro homem:

"então criou um cavalo alado, depois esculpiu uma figura humana e deixou-a secar; O cavalo veio e pisoteou-a, temendo que o homem o atasse; então S. fez um cachorro e uma nova figura de homem; Quando à noite o cavalo pisoteou novamente o homem, o cachorro o afugentou com ladridos; a figura secou e o espirito a reviveu, mas as juntas não dobraram; pelo que lhe tirou a vida e fez um novo homem com articulações flexíveis"

Este conto-mito extende-se em boa parte da Eurásia, em lugares tão afastados como Europa, a Índia,  Siberia ou Indonesia, e tal vez, forme parte de um mito mais extendido -de origem paleolítica?- que se prolonga até o continente americano no que se explica a origem da morte (se bem Berezkin têm duvidas ao respeito). A participação do cavalo nas verssões euroasiaticas seria uma innovação tipicamente indo-europeia; sendo logo que esta verssão da lenda etiologica extenderia-se ao outras etnias centro-asiaticas que formaram parte da koine cultural das estepes. 

praca calada de bronze atribuida aos xiongnu, circa 200-100 A.C, 
Museu de Stockolmo

Em este sentido, resulta sugerente que esta opossição primordial entre  cavalo-cão seja o que esta detras de certas repressentações artisticas centro-asiáticas, como algumas plaquinhas decoradas dos xiongnu, na que amostra um cavalo e um canido lutando e mordendo-se ferozmente um ao outro. A mesma extenssão parece dar-se igualmente no topos do cavalo da água que vemos em Asia igualmente fora da área indo-europeia, amalgamada com as tradições autotonas sobre os seres ou divinidades das águas. 

manuscrito japones de finais do periodo Tokugawa, meados do século XIX, mostrando algumas das distintas formas do Kappa

Assim na China topamos o cavalo aquático sincretizado com a figura do dragão, senhor das águas, dando lugar a figura do cavalo-dragão na que este ser se aparece adoptando a forma de equido, ou no Japão onde o Kappa o perigoso espirito das águas adopta entre outras muitas formas a dum cavalo, ou amostra um curiossa tendência a levar com ele aos equideos as águas que habita


Alguns autores como White tem tentado interpretar a associação entre cavalo e águas, como resultado da percepção do homem prehistórico que observaria a frequente pressença de manadas de cavalos diante dos cursos ou masas de água para abrevar, se bem esta hipotese tem em contra o facto de que isto mesmo poderia dizer-se igualmente para qualquer outro animal salvagem, pelo que esta solução ab hoc, não acava de resultar de tudo convincente. 

o chamado "cavalo voador" estatueta do periodo Han representando a um dos "cavalos celestiais de Ocidente", dinastia Han, circa 25-200 D.C, Museu de Gansu, China

Mais fativel, ao nosso parecer, resultaria, seguindo analogicamente as conclussões de Berezkin, pensar que do mesmo jeito sucedeu com o topos mitico do cavalo aquático possivelmente de origem indo-euorpeu, mas que se teria difundido fora deste ambito cultural originario a lugares tão afastados como pode ser China ou Japão, como um simple motivo "migratorio". Não seria extranho tampouco pensar que a difussão do motivo se tivera dado em paralelo a propria difussão do cavalo e da propria técnica da equitação. Assim não apenas elementos tecnologicos senão também costumes e crenças associadas asociados a eles teriam chegado ao Oriente ao passo dos que, no Imperio chines eram chamados  "Cavalos Celestiais de Occidente".







Bibliografia 

Berezkin, Y. (2014): "The Dog, the horse and the creation of man" Folklore. Electronic Journal of Folklore Nº 56, pp. 25-46  DOI: 10.7592/FEJF2014.56.berezkin

Berezkin, Y & E.N. Duvakin, E.N.: Тематическая классификация и распределение фольклорно-мифологических мотивов по ареалам / World mythology and folklore: thematic classification and areal distribution of motifs.  https://ruthenia.ru/folklore/berezkin/

Berton, J. (2001): "Le kelpie, ou les monstres lacustres" Études Ècossaises Nº 7 pp. 151-173

Campbell, J.G. (1909): Superstitions of the Highlands and Islands of Scotland. James Mac Lehose & Sons. Glasgow

Darmesteter, G. (1892): Le Zend-Avesta. Annales du Museé Guimet. Paris. Vol. 2.

Debroy, B.(2019): The Bhagavata Purana. Penguin. Londres. 3 Vols.

Dempster, M. (1888): "The Folk-Lore of Sutherland-Shire"  Folk-Lore Journal Nº 6/4, pp. 215-252

Eiichirô, I. (1950): "The "Kappa" Legend. A Comparative Ethnological Study on the Japanese Water-Spirit "Kappa"and Its Habit of Trying to Lure Horses into the Water" Folklore Studies Nº 9  pp. 1-152

Kellens, J. (2001): "Les saisons des rivières" in:  Stausberg, M.: Kontinuitäten und Brüche in der Religionsgeschichte. Festschrift für Anders Hultgård zu seinem 65. Geburtstag. Walter de Gruyter. Berlin. pp. 471-480

McKay, J.G. (1925): "Gaelic Folktale" Folklore Nº 36/2 pp. 151-173

Panaino, A. (2005): "Tištrya" Enclyclopaedia Iranica https://www.iranicaonline.org/articles/tistrya-2

Piras, A. (2011): "Serse e flagellazione dell´Ellesponto. Ideologia avestica e conquista territoriale achemenide" in: Panaino, A & Piras, A. (eds.): Sindo-Iranica et Orientalia. Collana diretta da Antonio Panaino e Velizar Sadovski. Studi Iranici Ravennati Vol. I. Milão. pp. 111-138

Shahbazi, A.S. (2003): "The Horse that Killed Yazdagerd "the Sinner" in:  Adhami, S.: Paitimana: Essays in Iranian, Indo-European, and Indian Studies in Honor of Hanns-Peter Schmidt. Mazda Publishers. Costa Mesa. pp. 355-362

Stefánsson, V. (1906): “Icelandic Beast and Bird Lore” Journal of American Folklore Nº 19/75 pp. 300-308

Tenreiro-Bermúdez, M. & Moya-Maleno, P.R (2018): "Sacrifício, circunvalação e ordálio na Hispânia céltica: uma aproximação em longue durée à ritualidade do espaço e o tempo" in: Baron-Tacla, A. & Johnston, E. (eds.): Dossie: Novas perspectivas em estudos célticos. Tempo, Revista de História Nº 24/3. pp. 652-686  DOI: 10.1590/tem-1980-542x2018v240313

White, D. G. (2021): Daemons Are Forever: Contacts and Exchanges in the Eurasian Pandemonium. University of Chicago Press. Chicago


Pode que também te interesse: O Cavalo, a Pedra, o Rio e o Solsticio

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Equídeos e Carros no Mundo Antigo - Livro

Equids and Wheeled Vehicles 
in the Ancient World 

Raulwing, P.; Linduff, K.M. & Crouwel, J.H. (2019): Equids and Wheeled Vehicles in the Ancient World: Essays in Memory of Mary A. Littauer. BAR British Archaeological Reports International Series 2923. BAR Publishing. Oxford.  ISBN: 


Sinopse
Os ensaios deste volume foram originalmente apresentados em um simpósio em homenagem a Mary Aiken Littauer, la grande dame de l'hippologie ancienne. 

carrinho de Tell-Agrab, Periodo Dinástico Inicial, 2600-2370 A.C. Museu de Irak

Os artigos consideram assuntos e materiais de seu interesse, incluindo a carruagem, arreios e equipamentos, raças de cavalos e o advento da equitação na Europa antiga, África e Ásia. A coleção desses ensaios permite comparações que antes não eram possíveis em um único livro. 

petróglifo co, cena de caça de um oryx a cavalo do deserto da Arábia

O volume também apresenta ao leitor uma ampla gama de abordagens, fundamentadas em disciplinas que vão desde filologia, arqueologia, arqueozoologia e história da arte até pesquisa de DNA e arqueologia experimental. Resumindo pesquisas anteriores e apresentando muitas informações novas, os ensaios serão interessantes tanto para especialistas quanto para leigos. 


A amplitude e diversidade de tópicos e áreas representadas honra o papel formativo que Mary Littauer desempenhou na pesquisa dos colaboradores.


INDEX

Part I. Introduction

1. Mary Aiken Littauer and Our Study of Ancient Horse-Drawn 
Vehicles

2. Hommage to Mary Aiken Littauer (1912-2005)


Part II. Equines and Wheeled Vehicles in the Near East

3. Wheeled Vehicles and their Draught Animals in the Ancient 
Near East—an Update

4. Some Notes on Pictograms Interpreted as Sledges and Wheeled Vehicles in the Archaic Texts from Uruk

5. Equids in Mesopotamia—A Short Ride through Selected 
Textual Sources

6. Harnessing the Chariot Horse

7. That Strange Equid from Susa


Part III. The Horse’s Arrival in North Africa and Arabia

9. Northern Africa: Equestrian Penetration of the Sahara and the Sahel 
and its Impact on Adjacent Regions

10. Napatan Horses and the Horse Cemetery at El–Kurru, Sudan

11. Horses, Asses, Hybrids, and their Use as Revealed in 
the Ancient Rock Art of the Syro-Arabian Desert


Part IV. The Horse in Ancient Asia

12. The Heavenly Horses Visualized in Han China 
(220 BCE–220 CE)

13. Emperor Tang Taizong’s Six Stone Horse Reliefs 
and Sasanian Art



+INFO sobre o livro em:  Equids & Wheeled Vehicles

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Centauros e Gandharvas - Livro


KENTAUREN UND GANDHARVEN   
   

Janda, M. (2022): Kentauren und Gandharven. Münsteraner Sprachwissenschaftliche BeiträgeReihen-Nº 4. Verlag Thomas Kubo, Münster ISBN: 978-3-96230-007-4


Sinopse: 
Como a ideia de pessoas de cavalo surgiu no mundo tem ocupado poetas e pensadores desde a antiguidade. Com a associação de centauros e gandharvas de Adalbert Kuhn há 170 anos, essas enigmáticas figuras míticas tornaram-se objeto de estudo transcultural pela primeira vez. Em seu último estudo, Michael Janda se dedica a provar a relação histórico-genética e a analisar os dois nomes.

luta entre centauro e lapita nos relevos do Partenão de Atenas, s. V A.C

Esta pesquisa combina filologia e linguística com História das Religiôes e arqueoastronomia e, conduz desde as primeiras evidências do grego e do indo-iraniano até o firmamento. 

pintura representando ao gandharva Tumburudu, 1816, British Museum

Desta forma, Janda pode abordar inúmeros problemas que inicialmente permaneceram contraditórios ao ser vistos isoladamente dentro do marco das filologias especificamente grega, avéstica ou védica, mas que se tornam imediatamente compreensíveis dentro de uma conceção mais geral de mundo mítico dos indo-europeus.


INDEX

1. Einleitung p. i

2. Die Kentauren  p. 5

3. Die Gandharven p. 30

4. Der Gandaraßa und weitere iranische Gestalten 
p. 50

5. Die Gemeinsamkeiten von Kentauren, 
Gandharven und Gandaraßa  p. 60

6. Erste Annäherung an die Namen  p. 65

  1. Der erste Augenschein  p. 65

  2. Reduzierung der Unterschiede durch die 
sprachwissenschaftliche Perspektive  p. 66

7. Forschungsgeschichte  p. 72

8. Analyse der Namen  p. 82

9. Das blutige Kleid der Braut p. 97

10. Kentauren und Gandharven am Himmel p. 122
.
  1. Die Position am Himmel: Kentauren und Lapithen p. 124

   2. Die goldene Ferse des Gandaraßa p. 127

   3. Die Position am Himmel: Naksatras und die 
vedische Hochzeit  p. 127

11. Zusammenfassung  p.129

12. Abkürzungsverzeichnis und Angaben zur Zitierweise 
p. 131

13. Wortindex  p. 132

14. Stellenindex  p. 133

15.Literaturverzeichnis  p.135



+INFO sobre o livro em: Kentauren und Gandharven

sexta-feira, 7 de abril de 2023

Asnos, Equitação e domesticação no Oriente



Um artigo publicado no 2018 na revista Plos One apresentou a evidencia mais antiga de equitação no Oriente Antigo. O animal foi topado nas escavações do jazigo de Tell eṣ-Ṣâfi/Gath (Israel), numa das estruturas domesticas dum bairro datado nas fases do Bronze Inicial III B (circa 2800-2600 A.C). O equídeo é um asno que apresente um desgaste do segundo pré-molar inferior. Este desgaste como os autores do artigo sinalão sugere claramente o efeito da abrasão provocada por um bocado de material duro (metal, osso, madeira) para ajudar a governar o animal, pelo que seria a evidência mais antiga até o momento do uso de freio em um equídeo doméstico no Oriente Próximo.


A introdução do burro doméstico no zona remonta-se 4º e início do 3º milênio A.C, sendo usado como animal de carga em esse momento. A introdução do asno doméstico mudou supôs um câmbio revolucionário no transporte de pessoas e mercadorias nas primeiras sociedades complexas que por aquele então estavam a emergir no Levante e Mesopotâmia. Este animal proporcionou uma forma mais rápida e abaratou os custos do transporte de mercadorias a longas e curtas distâncias, o que incentivou uma intensificação nas redes de troca inter-regional e no movimento de pessoas que teve um papel crucial na evolução da complexidade social e do próprio urbanismo. 


Estas “bestas de carga” permitiram a forte conectividade que sustentou as redes intercâmbio de longa distância que conectavam o antigo Oriente Próximo à Ásia Central e Meridional ao Egito, junto com Anatólia e os portos costeiros do Mediterrâneo. Essa conectividade ligou estas zonas dando lugar a um difusão de mercadorias, ideias e rasgos culturais. 


Na Mesopotâmia, há testemunhos textuais e iconográficos de burros e/ou onagros e cruzes como a mula, usados como animais de tração tanto para o transporte como para o cultivo dos campos, são casos como o do célebre “Estandarte de Ur” ou “Estela do Abutre” onde aparecem asininos aparecem tirando de carros de quatro rodas em cenas de batalha. Os burros são identificáveis também em representações iconográficas no já Egito desde o Império Antigo. 


Haveria igualmente que citar o caso de uma serie de estatuetas de equídeos conhecidas na segunda metade do 4 milénio no Levante e Mesopotâmia, que mostram burros carregados com jarros e outros recipientes ou com selas e arreios. 


Estas cenas de asnos assados como animais de carga tornam-se pouco frequente após o inicio do Idade do Bronze, coincidindo parcialmente com a data do equídeo de Tell eṣ-Ṣâfi/Gath pelo que os autores sugerem que esta mudança na representação do burro pode estar a refletir um novo papel e significado do animal, no que os uso quotidianos, de transporte e comerciais não interessam já ser representados na arte embora com seguridade seguir a existir. 


As evidências isotópicas do jazigo de Tell es-Safi permitem rastrear um intenso tráfego de estes animais entre os territórios Egito e o Levante durante o início da Idade do Bronze. Paradoxalmente isto pode não ser um indício de uma perda de importância do animal senão com muita probabilidade uma promoção a uma nova esfera simbólica como se transluzi em épocas posteriores pela importância do asno tanto doméstico como selvagem em época posterior como metáfora e símbolo do poder real. Em contraste com a informação abundante sobre o burro como animal de tração e transporte sobre o uso do animal para monta apenas se sabia quase nada, para fases tão antigas no Oriente Próximo. 

cenas de equitação na Idade do Bronze: acima selo acadiano da cidade Kish (2400–2200 A.C), abaixo selo de Abbakalla, III Dinastia de Ur, circa 2030 A.C.

Cavalgar é uma atividade que implica um desenrolo técnico complexo, já que se bem e possível montar ao simples passo ao animal suster-se e controla-lo para à carreia é praticamente impossível sem o uso de algum tipo de freio, pelo que este se torna essencial para o desenrolo da equitação. 


Apesar das sugestões de alguns autores sobre a presença no Paleolítico Superior de freios perecedoiros de couro baseadas em interpretações ambíguas sobre algumas imagens da arte rupestre, as evidências aceitadas hoje sinalão ao Cazaquistão entorno ao 3500 A.C. A estas ocos na informação arqueológica sobre os inícios da equitação se unem frequentemente ambiguidades e confusões nos termos

"A literatura está repleta de terminologia ambígua que não consegue distinguir entre cabeçadas e freios. Um cabresto é usado para conduzir ou amarrar, enquanto um freio permite um controle muito mais preciso do animal, principalmente para montar ou dirigir. Ambos fazem parte do arnês usado para controlar um animal (geralmente um equídeo), com o qual as rédeas podem ser presas. Um cabresto pode ser uma corda ou tira com um laço colocado na parte de trás da cabeça, nas bochechas e ao redor do nariz do animal. Enquanto o cabresto e o freio usam tiras nas bochechas que circundam a boca, o freio também inclui um freio que se estende pela boca e se inclina contra os segundos pré-molares inferiores. A importância da broca é que ela impacta a forma como os animais domésticos de transporte podem ser usados. Um pouco ajuda no treinamento, condicionamento, redirecionamento e controle dos animais, principalmente quando não é usado em uma situação de grupo. Isso é especialmente relevante em situações em que o animal está sendo montado e o controle absoluto do animal é essencial

... não é necessário se o animal estiver simplesmente sendo conduzido. Por exemplo, em vez de serem embridados, os animais das caravanas costumam ser amarrados um atrás do outro ... Eles seguirão um ao outro sem serem amarrados, pois são animais socialmente comportamentais. Esse cenário faz sentido quando se tem em mente a iconografia dos primeiros equídeos do Oriente Próximo. As imagens retratadas são de burros controlados por argolas ou bandas nasais enquanto puxam carroças ou transportam pessoas e mercadorias. Mas, como foi observado com equídeos modernos, anéis e bandas nasais são um meio muito pobre para controlar equídeos, em particular burros. ... 

Da mesma forma, não se pode montar um burro ou fazer que um burro puxe uma carroça puxando dum arete no nariz, pois qualquer movimento de um lado para o outro ou para frente e para trás puxará o anel para fora do tecido mole do nariz. As argolas nasais só funcionam efetivamente como controle quando usadas na frente do animal. Como é evidente para qualquer que tenha tentado controlar um animal grande com um arete no nariz, eles podem ser usados apenas para que um animal siga um atrás do outro ou para amarrar um animal a um local fixo para que ele não possa vagar. Eles não podem ser usados efetivamente como um freio substituto para um cavaleiro"

Outros autores (Milevski) sugeriram em base a analise iconográfica das estatuetas que houve uma evolução na forma de usso dos asnos durante o Bronze Antigo no Levante Sírio-Palestino. No entanto as estatuetas mais antiga como vimos apenas representariam burros carregados de mercadorias, posteriormente já no Bronze introduzem a imagem do burro sendo montado, o qual seria coerente de novo como o achádego de Tell eṣ-Ṣâfi, pelo que este viria a confirmar esta hipótese da qual já se sugeriram anteriormente algumas evidências menos concludentes:  

"A aparência ou identificação de freios e freios no registro arqueológico tem sido muitas vezes ligada a discussões sobre se os primeiros equídeos (cavalos, burros, onagros, etc.) foram domesticados. Arqueólogos e zoólogos que trabalham com material da Europa e do Oriente Próximo estudaram extensivamente os vestígios iconográficos, textuais e artefactuais díspares para determinar quando os equídeos foram montados pela primeira vez, por exemplo. Pedaços de osso e chifre trabalhados têm sido sugeridos como potenciais freios e bochechas na Europa e nas estepes da Eurásia desde o final do terceiro, mas mais comumente no início do segundo milênio AC. No entanto, não há concordância na literatura de que esses objetos sejam realmente peças faciais, uma vez que nunca foram encontrados in situ em um crânio de equídeo e raramente encontrados em associação com enterros de cavalos .

Em sepulturas datadas do período acadiano e no final do EB (final do terceiro milénio . A.C) em Tell Brak, no norte da Mesopotâmia (atual Síria), foi sugerido que o desgaste diferencial visível na face anterior do LPM2 de dentes de burro era uma função do desgaste da broca. Além disso, há uma placa de cerâmica recuperada de depósitos acadianos em Kish que retratam um burro ou onagro sendo montado.

As primeiras evidências inequívocas de freios e freios em equídeos no Oriente Próximo aparecem apenas na Idade do Bronze Médio, e os cavalos se tornaram comuns apenas em textos cuneiformes e no registro arqueológico após a virada do segundo milênio aC . Por exemplo, no sítio da Idade do Bronze Médio de Tel Haror, uma broca de metal foi encontrada associada a um enterro de burro."

Por contra durante o Bronze Meio há uma grande abundância tanto de fontes tanto textuais como iconográficas que mostram a monta do asno como um uso consolidado tanto no Oriente Próximo como no Egito. E mais durante este período o burro aparece vinculado as elites da essas sociedades, os reis de estados como Mari se representam cavalgando asnos, e a própria Bíblia mostra a imagem do asno como cavalgadura dos patriarcas bíblicos, juízes de Israel ou do próprio rei Saul, uso prestigioso e vinculado o poder do que podemos ver um último avatar, reinterpretado como ato de humildade, na cena Pascoal da entrada de Jesus "Rei de Reis" na cidade de Jerusalém sob o lombo de um asno.

"Entrada triunfante de Jesus em Jerusalem" de Giotto,1304/1306

A descoberta do exemplar de Tell eṣ-Ṣâfi apresentado no artigo de 2018 por tanto apresenta a primeira evidencia clara do uso de um freio vinculado a atividade da equitação durante o 3 Milénio A.C. no Oriente Próximo, muito antes da introdução do próprio cavalo em esta zona geográfica, já seja isto resultado de uma evolução independente ou da transmissão da tecnologia vinculada a equitação desde a estepe contemporânea, questão que fica aberta a pesquisa e ainda por definir num futuro.
   

Artigo:

Haskel J. Greenfield, H., Shai, I., Greenfield, T. L.  Arnold, E.R., Brown, A., Eliyahu, A. Maeir. A.M. (2018):  "Earliest evidence for equid bit wear in the ancient Near East: The "ass" from Early Bronze Age Tell eṣ-Ṣâfi/Gath, Israel" Plos One Nº 13/8   DOI: 10.1371/journal.pone.0196335
       

Bibliografia complementar

Darby, E.D & Hulster, I.J (2022): Iron Age Terracotta Figurines from the Southern Levant. Brill, Leiden.
  
Drews, R (2004): Early Riders: The Beginnings of Mounted Warfare in Asia and Europe. Routledge, Londres.
   
Milevski I. (2009): "Local exchange in the southern Levant during the Early Bronze Age: a political economyviewpoint" Antiguo Oriente Nº 7 pp. 125–159 PDF
  
Milevski, I. (2011): Early Bronze Age Goods Exchange in the Southern Levant: A Marxist Perspective. Routledge. Londres.
   
Outram A, Stear NA, Bendrey R, Olsen SL, Kasparov A, Zaibert V, et al.(2009): "The earliest horse harnessing and milking" Science. Nº 323(5919) pp. 1332-5. DOI: 10.1126/science.1168594


terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Journal of Archaoelogical Science Nº 149 - 2023

Journal of Archaeological Science 

Nº 149 - 2023 

INDEX

Editorial Board

Virtual technical analysis of archaeological textiles 
by synchrotron microtomography
Clémence Iacconi, Awen Autret, 
Elsa Desplanques, Agathe Chave,
 Loïc Bertrand

Your horse is a donkey! Identifying domesticated equids from 
Western Iberia using collagen fingerprinting
Roshan Paladugu, Kristine Korzow Richter, 
Maria João Valente,
 Sónia Gabriel, 
Cristina Barrocas Dias

A large-scale Sr and Nd isotope baseline for archaeological 
provenance in Silk Road regions and its application to plant-ash glass
Qin-Qin Lü, Yi-Xiang Chen, Julian Henderson, Germain Bayon

Portable laser ablation sheds light on Early Bronze Age gold 
treasures in the old world: New insights from Troy, Poliochni, and related finds
Moritz Numrich, Christoph Schwall, Nicole Lockhoff, 
Kostas Nikolentzos, Ernst Pernicka

Ancient DNA sequence quality is independent of fish bone weight
Lane M. Atmore, Giada Ferrari, Lourdes Martínez-García, 
Inge van der Jagt, Bastiaan Star

The first discovery of Shang period smelting slags 
with highly radiogenic lead in Yingcheng and implications 
for the Shang political economy
Qingzhu Wang, Siran Liu, Jianli Chen, 
Yanxiang Li,Hui Fang

The earliest silver currency hoards in the Southern Levant: 
Metal trade in the transition from the Middle to the Late Bronze Age
Tzilla Eshel, Ayelet Gilboa, 
Ofir Tirosh, Yigal Erel, 
Naama Yahalom-Mack

Method for generating foodplant fitness landscapes: 
With a foodplant checklist for southern Africa and its 
application to Klasies River Main Site
Marlize Lombard, Andri van Aardt

Geographic and seasonal variation in δ13C values of C3 
plant arabidopsis: Archaeological implications
Catherine G. Cooper, Martha D. Cooper, 
Michael P. Richards, Johanna Schmitt


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quarta-feira, 23 de novembro de 2022

De Cavalos e Homens no Oriente Próximo


The Spirited Horse 


Recht, L. (2022): The Spirited Horse. Equid–Human Relations in the Bronze Age Near East. Bloomsbury. Londres. ISBN: 978-1-3501-5891-7


Sinopse: 

Este obra apresenta uma nova perspetiva sobre as relações humano-animal no antigo Oriente Próximo, este volume considera como devemos entender os equídeos (cavalos, burros, onagros e vários híbridos) como animais que são atores sociais. 

Asno ou Onagro de electro na cimerira de um passador de rédeas da tumba da rainha Puabi, Necrópole real de Ur, século XXVI a. C 

A autora reúne uma grande quantidade de novos dados do Oriente Próximo, incluindo a cultura material da Idade do Bronze junto com toda variedade de contextos arqueológicos nos que aparecem restos de equídeos, assim como as fontes iconográficas e textuais. Se analisa em particular os achados de restos dos próprios equídeos em enterros, espaços sagrados e assentamentos junto aos artefactos que lhe estão associados, como carruagens ou arreios.

Um dos deposito de equídeos de uma das tumbas da necrópole de Tell Umm el-Marra, Aleppo, Siria, Idade do Bronze

A obra valoriza a agência de animais nas culturas do passado, oferecendo uma interessante leitura essencial para pré-historiadores, arqueólogos e todos aqueles que estudam os processos de domesticação dos primeiros animais. O livro mostrando como é que os humanos encontram e interagem com outros animais e como esses animais, por sua vez, interagem com os humanos. 

Carro tirado por asnos ou onagros em uma cena do chamado Estandarte de Ur, Necrópole Real de Ur

A autora descreve as implicações mais amplas que isto tem para o envolvimento humano com seu ambiente, tanto hoje quanto no passado, e aponta para um estudo mais focado em questões concretas através de vários apêndices

INDEX

 

+INFO sobre o livro: The Spirited Horse