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sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Trabajos de Prehistoria Nº 81/1 - 2024

Trabajos de Prehistoria 

Vol. 81/1 - 2024

INDEX

In memoriam María Eugenia Aubet (1943-2024)
Ana Margarida Arruda

Artículos
   
El conjunto megalítico de Las Sileras (Córdoba) Una aproximación multiescala y digital a un rompecabezas grabado en piedra
Rafael M. Martínez Sánchez, Alexis Maldonado Ruiz, J. Carlos Vera-Rodríguez, M. Dolores Bretones García, Rodrigo Balbín Behrmann, Primitiva Bueno Ramírez

Las evidencias más antiguas de la presencia fenicia en Lisboa:
 las intervenciones en los Armazéns Sommer (Rua Cais
de Santarém, Lisboa).
Elisa Sousa, Ricardo Ribeiro,
 Paulo Rebelo, Nuno Neto

Un horno y diversas estrategias: nuevos datos sobre las alfarerías 
del Hierro Antiguo a partir de la caracterización analítica 
de los materiales del horno de La Alberca (Lorca, Murcia)
Benjamín Cutillas Victoria

Astrágalos en La Bastida de les Alcusses (Moixent, València): 
ritualidad, riqueza ganadera y azar en época ibérica
Marta Blasco Martín, Maria Pilar Iborra Eres, 
Jaime Vives-Ferrándiz Sánchez

Arquitectura monumental de tradición púnica en Iberia: 
los monumentos turriformes de Cástulo (Linares, Jaén)
Jesús Robles Moreno, Francisco Arias de Haro, 
Marcelo Castro López

Almacenamiento doméstico en Numancia (Garray, Soria) durante 
la II Edad del Hierro: una aproximación tipológica y social
Raquel Liceras-Garrido, Sergio Alfonso Quintero Cabello, 
Juan Jesús Padilla Fernández, Alfredo Jimeno Martínez

Noticiario

Descubrimiento de arte rupestre levantino y esquemático en Castelló: el Abrigo del Mas de la Rambla (Portell de Morella, Els Ports, Castelló)
Inés Domingo Sanz, Dídac Román, Francesc Duarte, Ismael Gil

El torques de Villar del Rey (Badajoz) en el marco de la 
producción de oro del Bronce Final Atlántico peninsular
Alicia Perea Caveda, Guillermo S. Kurtz Schaefer

Robert Chapman. Archaeological Theory: The basics. 
Routledge. Abingdon-Nueva York, 2023, 
Gonzalo Ruiz Zapatero

Kristian Kristiansen, Guus Kroonen and Eske Willerslev. The Indo-European Puzzle Revisited. Integrating Archaeology, Genetics, 
and Linguistics. Cambridge University Press, Cambridge, 2023.
Jean-Paul Demoule

Marga Sánchez Romero. Prehistoria de mujeres. Colección 
Imago Mundi, 337. Ediciones Destino. Barcelona, 2022
Lourdes López Martínez

Ignacio Montero Ruiz & Antonio Pizzo (eds.). Conociendo nuestro pasado: proyectos e investigaciones arqueológicas en el CSIC. 
Consejo Superior de Investigaciones Científicas. Madrid, 2023.
Antonio Gilman

Marie Louise Stig Sorensen y Katharina Rebay-Salisbury. 
Death and the body in Bronze Age Europe. From inhumation 
to cremation. Cambridge University Press. Cambridge, 2022. 
Antonio Higuero Pliego

Harald Meller, Johannes Krause, Wolfgang Haak y Roberto Risch 
(Eds.). Kinship, Sex and Biological Relatedness. The contribution of Archaeogenetics to the understanding of social and biological relations. 15 Mitteldeutscher Archäologentag vom 6. bis 8. Oktober 2022 in Halle (Saale). Tagungen des Landesmuseums für Vorgesichte Halle, 28. Landesmuseum für Vorgeschichte, Halle (Saale), 2023.
Juan Manuel Vicent García

Raimon Graells y Fabregat, Pablo Camacho Rodríguez y Alberto J. Lorrio Alvarado (coords.). Problemas de cultura material. Ornamentos y elementos del vestuario en el arco litoral mediterráneo-atlántico de la península ibérica durante la Edad de Hierro (ss. X-V a.C.). Publicacions Universitat d’Alacant. Alacant, 2022
Karin Mansel

Gary Lock e Ian B. M. Ralston. Atlas of the hillforts of Britain 
and Ireland. Edinburgh University Press. Edimburgo, 2022
César Parcero-Oubiña

Crónica de la reunión científica: Los paisajes urbanos de la Protohistoria peninsular: nuevas perspectivas para una anatomía comparada. Mérida/Botija 26 y 27 de mayo de 2023. Organizada 
por el IAM-CSIC, Universidad de Alicante y Universidad de Jaén
Andrea Solana-Muñoz, Jagoba Hidalgo-Masa, 
Rodrigo González-Camino
  
  

Ir ao número de: TP Nº 81/1 - 2024

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Uma olhada a Ganadaria do Neolítico Estépico



Num artigo publicado no último número de Antiquity revela-se a complexidade das praticas bandeiras da cultura de Cucuteni-Tripolye. O estudo analisa os restos faunístico do conhecido mega-site ucraniano de Maidanetske, e em base aos restos de isótopos estáveis, identificava uma varias práticas de pastoreio e a sua possível relação com a estrutura social e espacial dos assentamentos de esta cultura.


Maidanetske como outro assentamento da Cultura de Tripilia reflecte padrões de utilização dos animais que indicam uma explotação intensiva do gado como produtor de carne e leite, assim como instrumento de tração como indicam as patologias documentadas relacionadas com este tipo de atividade. Igualmente o gado também cumpria um papel relevante no mundo simbólico e social do tripilianos, sendo representado em figurinhas ceramicas, ou servido de oferenda funerária, como evidencia a presença de crânio colocados em sepulturas de Cucuteni-Tripolye, ou também como parte de banquetes cerimoniais como indicaria algum deposito intencional de restos de bovídeos.

figurinha ceràmica de touro, Cucuteni-Tripolye Medio, Museu de Moldova
O recente estudo proporciona novos dados sobre esta importância do gado em esta cultura neolítica Por um lado a proporção baixa de isótopos de carbono nos ossos tanto de caprinos como bovídeos indicam que estes se alimentavam em zonas abertas e não em florestas densas (o qual suporia uma maior acumulação de carbono no organismo), pelo que junto como o registo botânico amostra um processo de desflorestação para criar pastagem e vinculado a isto uma explotaçáo de tipo extensivo

Em esta desflorestação de zonas boscosa influíam assim além da ganadaria também a ampla explotaçáo agrícola do solo, e usos secundários das árvores para a construção de cabanas do assentamento e como combustível. O qual encaixa também com a localização dos assentamentos de Tripilya em zonas vinculadas as chairas aluviais dos rios da região. Embora um segundo cumulo de evidencias tanto no procedentes dos registos de isótopos de nitrogénio amostram que junto a este padrão ganadeiro existia outra forma de explotaçáo intensiva em pastagem que recebiam aportes de este elemento através do estrumo. Trabalhos anteriores demonstraram que rebanhos de ovinos que pastam intensamente como parte de grandes rebanhos multiespécies em pastagens espacialmente restritas.

chaira aluvial a beira do rio Dnieper, Ucrania

Os dados aportados por o artigo por tanto mostram a complexidade das técnicas de manejo e explotaçáo do meio da cultura tripiliana durante a sua fase de maior esplendor, com um sistema mixto de ganadaria que combina a pastagem extensiva em zonas abertas junto com pastagem intensiva em áreas limitadas, lotes de térreo acoutados, e submetidas intencionalmente a processos de fertilização.

O artigo se debruça também sobre as consequências que isto pode ter para entender as dinâmicas sociais e intercomunitárias, pranteando como a necessidade de espaços amplos para a gandaria extensiva e o limitado espaço entre os assentamentos tripilianos, sugere com muita probabilidade o estabelecimento de relações entre estas comunidades para gestionar o passo dos animais e os direitos de pastagem nos territórios de um e outra coumunidade. 

".. exigiu negociações intracomunitárias para garantir o acesso a pastagens de alta qualidade para animais valiosos, como as vacas leiteiras, sugerindo que as pastagens também podem ter desempenhado funções socialmente integradoras."

Algo que os afeiçoados a etnografia que tenham lido e estudado sobre os mecanismo de transumância e transterminância soara lhes resultara muito familiar. Igualmente as altas densidades humanas dos macro-assentamentos da cultura de Tripillya da que Maidanetske e um dos exemplos mais visíveis e evidentes junto com alguns elementos da  e organização planimétrica (como o agrupamento em bairros das casas) ou da arquitetura como a a presença de grande edifícios interpretados por Hofmann como casas comunais para atividade rituais e de agregação (assembleaias, cerimonias, banquetes)

reconstrução de uma "macro-estrutura" ou "casa comunal" da cultura de Cucuteni-Tripolye

Tudo isto sugerem igualmente o celebre ethos comunitário estaria conectado com a explotaçáo de tipo comunal do gado. Novamente aqui o exemplo etnográfico sugere analogias muito pertinente como sucede com o caso dos sistemas bem conhecidos de manejo comunal do gado de todo assentamento.


Sistemas como a vezeira conhecidos por estudos como o de Jorge Dias pelo qual que obrigava por turno a cada um dos vizinhos a fazer de pastor do rebanho comunal formado pela acumulação das reses de todos os membros da comunidade, ou os sistema de pastoreio estacionai como as conhecidas "alçadas" asturianas ou de branda -inverneira do contexto português e galego, em que uma parte da população tem um ritmo de vida itinerante entres lugares de pastoreio estacional no entanto outra parte da população queda fixada a um assentamentos permanente. 

Um terceiro grupo de animais estudado no artigo é o caso dos porcos. Em este sentido a proporção alta de nitrogénio no gado porcino mostra que ao contrário do que sucede em assentamentos neolíticos do VI Milénio os porcos de Maidaneske não se alimentavam em semiliberdade controlada em zona de floresta senão que eram submetidos a uma cria intensiva ao igual que parte dos bovídeos e ovicaprideos. De facto as elevadas submetidos de este elemento sugerem que ocasionalmente os porcos poderiam pastariam nos campos após a recolhida da colheita e sobre tudo se alimentariam dos excedentes e refugalhos da alimentação humana.


Temos assim em conjunto um sistema económico complexo que combina uma economia muito produtiva capaz de manter um< população muito densa as que encaixa o abjetivo de proto-urbano, ou segundo Chapman mesmo com a denominação de "urbanismo de baixa densidade"; com 3 estratégias de ganadaria evolucionadas diferenciadas que incluem duas formas complementarias (intensiva-extensiva) para bovídeos e ovicaprídeos e uma forma menos móvel para a cria do porcino. 

reconstrução do macro-sitio proto-urbano de Tripolye de Maidanetske

Um sistema sistema tremendamente complexo capaz de gestionar o médio e as relações em um território amplo, ao mesmo tempo que paralelamente no Oriente Próximo se da a evolução ao urbanismo, mas que ao contrario que em este caso mantêm um forte peso do formas de vida e uma ideologia profundamente comunitária, que evita ou ao menos ladearia os efeitos da desigualdade social.  
  

Artigo

Makarewicz, C., Hofmann, R., Videiko, M., & Müller, J. (2022). "Community negotiation and pasture partitioning at the Trypillia settlement of Maidanetske" Antiquity Nº 96/388 pp. 831-847. DOI:10.15184/aqy.2022.32  

Bibliografia complementaria:

Dias, J. (1981): Rio de Onor: Comunitarismo agro-pastoril. Presença. Lisboa. 

Dias, J. (1983): Vilarinho da Furna, Uma Aldeia comunitária. Imprensa Nacional Casa da Moeda. Lisboa. 

Chapman, J., Michail Yu. M., Bisserka, V., Gaydarska, N. & Burdo, D. (2014): "Architectural differentiation on a Trypillia mega-site: preliminary report on the excavation of a mega-structure at Nebelivka, Ukraine" Journal of Neolithic Archaeology Nº 16  pp. 135-156  DOI: 10.12766/jna.2014.4

Gaydarska, b., Nebbia, M. & Chapman, J. (2020) Trypillia Megasites in Context: Independent Urban. Development in Chalcolithic Eastern Europe" Cambridge Archaeological Journal, 30/1 pp.  97-121. DOI: 10.1017/S0959774319000301

Hofmann, R.; ,Müller, J., Shatilo, L.,et alii (2019): "Governing Tripolye: Integrative architecture in Tripolye settlements" PLoS ONE Nº 14/9: e0222243  DOI: 10.1371/journal.pone.0222243   


Gado e Pessoas - Livro

Cattle and People

Wright, E. & Catarina Ginja, C. (eds.) (2022): Cattle and People: Interdisciplinary Approaches to an Ancient Relationship. Archaeobiology Vol. 4. Lockwood Press. Columbus  ISBN: 978-1-948488-73-0

Sinopse 
Este volume tem origem numa sessão de conferência que teve lugar na conferência do Conselho Internacional de Arqueozoologia de 2018 em Ancara, Turquia, intitulada "Humanos e Gado: Perspectivas Interdisciplinares para uma Relação Antiga". 


O objetivo da sessão foi reunir zooarqueólogos e seus colegas de diversas outras áreas de pesquisa que trabalham nas interações entre o homem e o gado ao longo do tempo. As contribuições neste volume reflectem bem a amplitude do trabalho realizado sobre a antiga relação entre humanos e gado nos continentes da Europa, África e Ásia, e desde o final do Pleistoceno até ao período pós-medieval. 


Quase todos envolvem o estudo de vestígios arqueológicos de gado e utilizam diferentes métodos zooarqueológicos, mas também se destaca a combinação dessas abordagens com a etnografia, isótopos e genética.


INDEX

Section 1:  Prehistoric Human-Ca!le Interactions: 
Aurochs Hunting and Early Husbandry
 
1. The Aurochs in the European Pleistocene and Early 
Holocene: Origins, Evidence and Body Size 
Elizabeth Wright

2. The Cattle of Ludwinowo 7: Death, Dinner, and Deposition 
in the Linearbandkeramik Culture 
Emily V. Johnson, Rosalind E. Gillis, Joanna Pyzel, 
Arkadiusz Marciniak, Alan K. Outram

3. Origin and Diffusion of Cattle Herding in Northeastern Africa
 Joséphine Lesur

4. A Potential Early Cattle-Based Faunal Economy from 
the Indus Valley Civilization: Evidence from the 
Harappan Settlement of Bhirrana in Northern India 
Arati Deshpande-Mukherjee, Pankaj Goyal
 

Section 2: Historical Improvement and Intensification
 
5. On the Improvement of Cattle (Bos taurus) in the Cities 
of Roman Lusitania: Some Preliminary Results 
Cleia Detry, Silvia Valenzuela-Lamas, Simon J. M. Davis, 
Ana Elisabete Pires, Catarina Ginja

6. Change and Regionalism in British Cattle Husbandry 
in the Iron Age and Roman Period: An Osteometric 
Approach Colin Duval, Umberto Albarella

7. Cattle Husbandry in Late- and Postmedieval England: 
A Zooarchaeological Investigation of the 
Relationship between Town and Country 
Tamsyn Fraser, Idoia Grau-Sologestoa

8. An Archaeogenetics Study of Cattle Bones from Seventeenth 
Century Carnide, Lisbon, Portugal
 Irene Ureña, Silvia Guimarães, Simon J. M. Davis, Cleia Detry, 
Gülşah Merve Kılınç, Rute da Fonseca, 
Nicolas Dussex, Luciana Simões, Ludmilla Blaschikoff, 
António Muñoz-Merida, Umberto Albarella, 
José Matos, Anders Götherström, 
Ana Elisabete Pires, Catarina Ginja
 

Section 3: Symbolic and Ritual Importance
 
9. Bison and Aurochs, Emblematic Figures of the Upper 
Paleolithic in Southwestern Europe 
Carole Fritz, Jean-Philip Brugal, Philippe Fosse, 
Gilles Tosello

10. Emerging Inequalities at Animal Farm: Tracing the 
Symbolic Use of Cattle from the Late Neolithic to the 
Middle Bronze Age in Southern Portugal 
António Carlos Valera

11. Cattle for the Ancestors at Neolithic Çatalhöyük, Turkey 
Nerissa Russell

12. The Bovine Deposits from the Chalcolithic 
Ditched Enclosure of Camino de las Yeseras (Madrid, Spain) 
Corina Liesau, Patricia Ríos, Jorge Vega, Concepción Blasco, 
Roberto Menduiña, María de los Ángeles de Chorro, 
Cristina Cabrera, Eva-Marie Geigl, Carlos Arteaga
 

Section 4: Socio-Political Importance
 
13. Ethnoarchaeology of Cattle and Humans among Selected Communities in Manicaland, Eastern Zimbabwe 
Plan Shenjere-Nyabezi

14. Cattle and People in China: From the Neolithic to the Present 
Katherine Brunson, Brian Lander, Mindi Schneider

15. Cattle, Yaks, Traction, and the Bronze Age Spread 
of  Pastoralism into the Mongolian Steppe
Tuvshinjargal Tumubaatar, Cheryl A. Makarewicz
 
Index


+INFO sobre o livro em:  Cattle and Person

terça-feira, 18 de outubro de 2022

O consumo de Leite na Pré-história


Um estudo recente (Casanova, 2022) publicado dentro do último número do jornal Proceedings of National Academy of Science vem a somar-se a uma longa serie de estudos nos últimos anos que vem a situar a exploração de produtos secundários, especialmente dos derivados lácteos (queijo, manteiga, leite calhado, iogurte.) estão já os associados a chegada da primeira neolitização no contexto centro-europeu 

O estudo oferece datas diretas de Carbono 14 a partir dos restos de gorduras animais tanto procedentes de produtos primários (carne) como secundários (lácteos) depositados em vasos cerâmicos. Essa possibilidade de datação absoluta através de este tipo de resíduos orgânicos, que até o momento não fora possível, tem se volto possível graças a aplicação de novas técnicas que facilitam a análise de componentes moleculares purificados dos resíduos alimentares pressentes em estes contendores.

As datações cruzadas obtidas de vasos cerâmicos de distintos países da área centro-europeia (Alemanha, Polónia, Hungria, Norte França, Países Baixos, etc.) oferecem uma imagem muito complexa e diversa da adoção da novo regime alimentício, na qual se percebem assimetrias na maior ou menor proporção de lácteos na dieta entre regiões diversas. 

Ao mesmo tempo observa um crescimento geral da importância de produtos primários animais (cárnicos) assim derivados lácteos e um baixa presença de produtos pesqueiros na alimentação das culturas neolíticas associadas a chamada Cultura da Cerâmica de Bandas, coa qual chega a agricultura a Centro-Europa assim como as regiões bálticas.


Isto segundo os autores podia estar refletindo diversas oleadas de neolitização caracterizadas por uma maior ou mais moderadas intimidação do consumo de lácteos que a economia neolítica introduz na chaira centro-europeia. Assim mesmo dentro de estas assimetrias na beira Ocidental do domínio da Cerâmica de Bandas, com sucede nos Países Baixos ou na Baixa Alsácia, se observa uma anómala intensificação no uso de lácteos com respeito as regiões vizinhas do mesmo grupo cultural. O qual poderia justificar-se por hibridação cultural com outros grupos neolíticos, sinaladamente o mediterrânico, de facto os vasos da Cerâmica de Bandas local amostram curiosas similitudes com padrões decorativos da Cerâmica Cardial. 

E conhecido que a expansão do tipo cerâmico cardial coincide como a expansão do neolítico à zona central e Ocidental do Mediterrâneo, e que a partir de costa Oriental de França e a Península Ibérica o neolítico de influxo mediterrânico penetra pelo Atlântico e o Continente ate o Norte. Isto da uma imagem da zona Ocidental da Cultura Cerámica de Bandas como um espaço de contacto entre as duas trajetórias de expansão secundaria neolítica desde os Balcãs, a terrestre seguindo os Cárpatos e a planície Danubiana como via, e a marítima própria das culturas cardiais.

Na Península Ibérica a presença de derivados lácteos testemunha-se já desde as primeiras fases de neolitização e tem continuidade durante o Calcolítico e Bronze, apreciando-se tanto a presença de resíduos de lípidos como de utensílios usados para a elaboração de queixo (Guerra & Delibes, 2013). As queixeiras amostram assim um forte evidencia da importância dos lácteos

Paradoxalmente esta importância dos lácteos se da entre populações que são ainda intolerantes a lactose. O qual é possível já que as bactérias dão lugar a fermentação consumem no processo os açúcares (a lactose é um açúcar) reduzindo a sua concentração, e mesmo pudendo chegar a uma proporção de 0 lactose. 

Igual se observa no neolítico Centro-Europeu e balcânico, onde não obstante a progressiva intensificação do consumo de lácteos teriam exercido uma forte pressão adaptativa que favoreceu a seleção da mutação genética que permite o consumo de leite na idade adulta, a qual não chegaria ao Ocidente, incluída a Penínsulas, até o Calcolítico e Bronze. Não pudemos agora deter-nos aqui em aquela condições seletivas e ambientais, que também influíram, e seguem influir até dia de hoje, na dissimilar distribuição da tolerância /intolerância a lactose entre o Norte e o Sul da Europa.

Em este processo de stress evolutivo em populações com um consumo intenso de derivados lácteos puído contribuir também o uso de suplementação da alimentação de crianças com leite cru de vaca, uma vez destetado ou por impossibilidade da madre de aleitar o menino. Um estudo há uns anos (Dunne, 2019) demonstrou que uns curiosos recipientes do Neolítico e Bronze na zona Balcânica e Centro-europeia que amostram uma estranha forma, alguns deles mesmo com aspeito zoomorfo (geralmente de bovídeos) eram de facto biberões para a lactação das crianças com leite cru de vaca.

O extensão do consumo de lácteos até idades mais tardias da infância que isto permitiu, e a melhora que supus na alimentação e saúdes, possivelmente contribui também a que aqueles indivíduos que mantinham na idade adulta a capacidade para digerir o leite cru e não apenas seus derivados (queixo, manteiga, leite calhado, iogurte), desfrutaram de uma vantagem adaptativa sobre sujeitos ainda intolerantes a lactose.

O artigo publicado nos PNAS faz uns dias situasse no marcado do projeto de pesquisa The Milking Revolution in Temperate Neolithic Europe da Universidade de Bristol, até agora finanziado pelo programa CORDIS da UE


Artigo principal:

Casanova, E.;  Knowles, T D. J, Bayliss, & Richard P. Evershed, R.P. (2022) "Dating the emergence of dairying by the first farmers of Central Europe using 14C analysis of fatty acids preserved in pottery vessels" PNAS Vol. 119/ 43 pp. 1-9  DOI: 10.1073/pnas.2109325118

Bibliografia complementaria:

Bánffy, E. (2019): First Farmers of the Carpathian Basin. Changing patterns in subsistence, ritual and monumental figurines. Prehistoric Society Research Papers Nº 8. Oxbow Books, Oxford.  PDF

Dunne, J., Rebay-Salisbury, K., Salisbury, R.B. et alii (2019): Milk of ruminants in ceramic baby bottles from prehistoric child graves. Nature N º 574, pp. 246–248  DOI: 10.1038/s41586-019-1572-x

Guerra, E., Delibes, G., Rodríguez-Marcos, J.A.,Crespo, M., Gómez, A., Herran, J.I., Tresserafs, J., Matamala, J.C (2013): "Residuos de productos lácteos y de grasa de carne en dos recipientes cerámicos de la Edad del Bronce del Valle Medio del Duero" BSAA Arqueología, Vol. LXXVII-LXXVIII pp. 105-135 PDF


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Arqueologia da Agricultura na Alta Idade Media



Archaeology of Farming and Animal Husbandry in Early Medieval Europe

Quando: 15-16 novembro
Onde: Vitoria-Gasteiz


O Grupo de Investigación en Patrimonio y Paisajes Culturales (GIPyPAC) organiza o Congresso Archaeology of Farming and Husbandry in Earley Medieval Europe. Os objectivos desta conferência são, por um lado, a elaboração de sínteses regionais sobre a articulação das primeiras paisagens medievais da Espanha em um contexto europeu, e por outro lado, para analisar práticas agrícolas e de criação de animais no início da Idade Média, usando a bioarchaeologia como ferramenta.



Alguns dos mais renomados especialistas europeus junto com jovens investigadores particiapão na conferência, tendo a diversidade disciplinar como uma prioridade.


 Programa e abstracts



Haverá um serviço de tradução simultânea inglês-castelhano durante a celebração do colóquio
    

+INFO no site de:  Archaeology of Farming & Humbandry

terça-feira, 26 de junho de 2012

Arqueologia da Agricultura na Alta Idade Media

Archaeology of Farming and Animal Husbandry in Early Medieval Europe

Quando: 15-16 novembro
Onde: Vitoria-Gasteiz


O Grupo de Investigación en Patrimonio y Paisajes Culturales (GIPyPAC) organiza o Congresso Arcaheology of Farming and Husbandry in Earley Medieval Europe. Os objectivos desta conferência são, por um lado, a elaboração de sínteses regionais sobre a articulação das primeiras paisagens medievais da Espanha em um contexto europeu, e por outro lado, para analisar práticas agrícolas e de criação de animais no início da Idade Média, usando a bioarchaeologia como ferramenta.


Assim, pretende-se repensar a história social do início da Idade Média a partir de uma perspectiva que valoriza a diversidade eo dinamismo das comunidades camponesas, ao contrário das abordagens primitivos que ainda são predominantes para a caracterização desses grupos.


Para isso, alguns dos mais renomados especialistas europeus foram convidados a participar na conferência, tendo a diversidade disciplinar como uma prioridade. Os jovens investigadores vão também participar no congresso. Além disso, pretendemos organizar uma sessão de pôsteres a fim de acolher estudos específicos sobre estas questões.


  Programa provisorio:




Ir ao site de:  Archaeology of Farming & Humbandry

quarta-feira, 28 de março de 2012

O primeiro rebanho

As traças no ADN do gado levam a um pequeno rebanho em torno a 10.500 anos atrás

Tudo o gado bovino atual é descendente de uns 80 animais que foram domesticados a partir de bois selvagens do Oriente Próximo 10.500 anos atrás, segundo um novo estudo genético.
  
Uma equipa internacional de cientistas do CNRS, o Museu Nacional de História Natural de França, a Universidade de Mainz, na Alemanha, e o UCL no Reino Unido foram capazes de realizar o estudo do ADN extraindo dos primeiros ossos conhecidos de gado doméstico, topados em escavações em sítios arqueológicos iranianos. Esses sítios foram ocupados não muito depois da invenção da agricultura e estão na região onde o gado bovino fora domesticado por primeira vez.

A equipa examinou as pequenas diferenças nas sequências de ADN de antigos animais, assim como de gado moderno, para estabelecer como poderiam ter surgido dadas as histórias das diferentes populações. Usando simulações de computador, eles descobriram que as diferenças de ADN só poderia ter surgido se um pequeno número de animais, cerca de 80, que foram domesticados a partir de boi selvagem (auroque). O estudo foi publicado na edição atual da revista Molecular Biology and Evolution.



A Dra. Ruth Bollongino do CNRS, França, e da Universidade de Mainz, na Alemanha, principal autora do estudo, disse: " A obtenção de sequências de ADN fiáveis de resíduos que são encontrados em ambientes de frio é de rotina”. É por isso que os mamutes foram uma das primeiras espécies extintas a partir do qual pudemos ler seu ADN. Mas obter ADN de confiança a partir de ossos encontrados em regiões quentes é muito mais difícil porque a temperatura é muito crítica para a sobrevivência do ADN. Isto significava que temos que ser extremadamente cuidadosos para não terminar lendo ADN contaminado por gado morto em tempos mais recentes.

O número de animais domésticos tem implicações importantes para o estudo arqueológico de domesticação. O Prof. Mark Thomas, geneticista do Departamento de Genética, Evolução e Meio Ambiente da UCLe um dos autores do estudo, disse: "Este é um número surpreendentemente pequeno de gado. Sabemos a partir dos restos arqueológicos que os ancestrais selvagens do gado de hoje, os conhecido como auroques, eram comuns em toda a Ásia e Europa, assim teria havido muitas oportunidades para captura-los e os domesticar".

representação de auroque num gravado anônimo de princípios do XIX

O Prof. Joachim Burger, da Universidade de Mainz, outro dos autores, disse: "os auroques selvagens são animais muito diferentes do moderno gado doméstico."Eles eram muito maiores do que os bovinos modernas, e não teria tido as características internas que vemos hoje, como a docilidade. Assim, em primeiro lugar, a captura desses animais não teria sido fácil, e embora algumas conseguiram captura-los vivos, a sua mantimento continuado e criação a cria ainda teria apresentado dificuldades consideráveis, até que ela tivesse conseguido um tamanho menor e um comportamento mais dócil".

comparação dos tamanhos do auroque e touro atual

Os estudos arqueológicos sobre o número e tamanho dos ossos de animais pré-históricos têm mostrado que não só o bovino, mas também cabras, ovelhas e porcos foram domesticados por primeira vez no Oriente Médio. Mas dizer quantos animais foram domesticados para qualquer dessas espécies é uma questão muito mais difícil de responder. Técnicas clássicas de arqueologia não nos podem dar toda a imagem, mas a genética pode ajudar - especialmente se alguns dos dados genéticos provinham dos primeiros animais domésticos.

cranio do jazigo romano-britano de Binchester, foto: Michael Shanks    

O Dr. Jean-Denis Vigne bio-arqueólogo, CNRS comenta: "Neste estudo a análise genética permitiu responder a questões que - até agora os arqueólogos nem sequer se pranteavam."Um pequeno número de progenitores de gado é consistente com uma área restrita da que os arqueólogos tenham provas para o início da domesticação ca. 10.500 anos atrás. Esta área restrita poderia ser explicada pelo fato de que a criação de gado, ao contrário, por exemplo, o pastoreio de cabras, teria sido muito mais difícil para as sociedades móveis, das que só algumas das sociedades do Oriente Médio eram realmente sedentárias na época".



O Dr Marjan Mashkour, arqueólogo CNRS que trabalha sobre o Oriente Médio acrescentou "Este estudo destaca o quanto importante pode ser considerar oz vestígios arqueológicos de regiões , até o de agora nao bem estudadas, como o Iram. Sem os dados iranianos teria sido muito difícil tirar essas conclusões sobre o gado a uma escala tão global".

(Fonte:  UCL News)


Referência do artigo:

- Bollongino1,R., Joachim Burger, J., Powell, A., Mashkour, Vigne, J-D. & Thomas, M.G, "Modern Taurine Cattle descended from small number of Near-Eastern founders" Mol Biol Evol (2012)
DOI:  10.1093/molbev/mss092


A origem da ganadairia - Palestra



Palestra de um dos coautores do artigo citado acima, Jean-Denis Vigne (CNRS) titulada Les débuts de l'élevage des ongulés dans l'ancien monde: interactions entre sociétés et biodiversité que foi dada durante o Colóquio La révolution néolithique dans le monde organiçado pelo Institut National de Recherches Archéologiques Préventives (Inrap) na que se faz um repasso a atualidade por aquele então (2008) da pesquisa sobre a origem, difusão da domesticação dos bovidos e a sua relação coa neolitização


+INFO no postcast original do:   Inrap