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sábado, 25 de março de 2023

A Linguagem condiciona o nosso Cérebro

O Idioma nativo molda o nosso Cabeado Cerebral


Cientistas do Max Planck Institute for Human Cognitive and Brain Sciences, em Leipzig, encontraram evidências de que a linguagem que falamos molda a conectividade em nossos cérebros que pode estar por trás da maneira como pensamos. Com a ajuda da tomografia de ressonância magnética, eles examinaram profundamente os cérebros de falantes nativos de alemão e árabe e descobriram diferenças na fiação das regiões de linguagem no cérebro.



Xuehu Wei, que é estudante de doutorado na equipe de pesquisa de Alfred Anwander e Angela Friederici, comparou as conexões cerebrais de 94 falantes nativos de duas línguas muito diferentes e mostrou que a linguagem com a qual crescemos modula a fiação dos neurónios no cérebro. Dois grupos de falantes nativos de alemão e árabe, respetivamente, foram escaneados em uma máquina de ressonância magnética (MRI). As imagens de alta resolução não apenas mostram a anatomia do cérebro, mas também permitem derivar a conectividade entre as áreas do cérebro usando uma técnica chamada imagem ponderada por difusão. Os dados mostraram que as conexões axonais da substância branca da rede de linguagem se adaptam às demandas e dificuldades no processamento da língua materna.

"Os falantes nativos de árabe mostraram uma conectividade mais forte entre os hemisférios esquerdo e direito do que os falantes nativos de alemão”, explicou Alfred Anwander, um dos autores do estudo publicado recentemente na revista NeuroImage. “Esse fortalecimento também foi encontrado entre as regiões semânticas da linguagem e pode estar relacionado ao processamento semântico e fonológico relativamente complexo do árabe”. Como os pesquisadores descobriram, os falantes nativos de alemão mostraram uma conectividade mais forte na rede de idiomas do hemisfério esquerdo. Eles argumentam que suas descobertas podem estar relacionadas ao complexo processamento sintático do alemão, devido à ordem livre das palavras e à maior distância de dependência dos elementos da frase.

“A conectividade cerebral é modulada pela aprendizagem e pelo ambiente durante a infância, o que influencia o processamento e o raciocínio cognitivo no cérebro adulto. Nosso estudo fornece novos argumentos sobre como o cérebro se adapta às demandas cognitivas, ou seja, o conetoma estrutural da linguagem é moldado pela língua materna”, resume Anwander. Este é um dos primeiros estudos a documentar as diferenças entre os cérebros de pessoas que cresceram com diferentes idiomas nativos e pode dar aos pesquisadores uma maneira de entender as diferenças de processamento intercultural no cérebro.

Em um próximo estudo, a equipe de pesquisa analisará mudanças estruturais longitudinais nos cérebros de adultos de língua árabe à medida que aprendem alemão ao longo de seis meses.

Fonte: Max Planck Institute


Artigo: 

Wei X, Adamson H, Schwendemann M, Goucha T, Friederici AD, Anwander (2023): "A. Native language differences in the structural connectome of the human brain" NeuroImage Nº 270/119955. DOI: 10.1016/j.neuroimage.2023.119955


sábado, 24 de setembro de 2022

A Complexidade Cultural fiz-nos parvos acaso?

Tem a complexidade social contribuído a um decrescimento do tamanho do cérebro humano?

Em este recente artigo que aqui resumimos apresenta-se um argumento fortemente contra-intuitivo, o qual não implica que seja incorreto (boa parte dos descobrimentos científicos são ou eram isso: contraintuitivos), que o progresso da cultura material e da complexidade social, com a existência de médios externos de armazenar a informação além do indivíduo no grupo social cada vez mais complexos, teria detido as pressões adaptativas que influiram no aumento do tamanho do cérebro humano, dando lugar de facto a um decrescimento de seu volume

Paradoxalmente a "cultura", nos faz mais "cultos" mas não necessariamente mais "inteligentes", precisamente porque ser mais inteligente a um nível individual deixa de ser tão relevante, ao ser o deficit cognitivo particular equilibrado ou compensado pela "inteligência" coletiva do grupo (instituições, sistemas de informação, etc.).

Em este sentido Platão já se queixava de que a "escritura" estava a acabar coa memória dos seus contemporâneos, e outro tanto poderíamos nós dizer das calculadoras com respeito a capacidade matemática, ou mesmo, mais recentemente, do buscador de google ou da wikipedia ... em certa forma a "cognição estendida" ou "distribuída" faz que seja menos apremiante o role da "cognição" particular.


Mas ao mesmo tempo estas tecnologias cognitivas (escritura, arquivos, computação, etc.) são pré-requisitos necessários para o suporte de níveis de complexidade a uma maior escala (cidades, estados, globalização, etc.) para gerir a informação e a toma de decisões que estes implicam.


Temos aqui uma nova prolongação do que Renfrew denominou como o "Paradoxo do Sapiens" (Sapiens Paradox), o aparente hiato entre a emergência das capacidade cognitiva e nível cerebral e a sua expressão material em esse "fenótipo estendido" que em certa forma é a Cultura. Seria sui generis um segundo Paradoxo do Sapiens



Certamente, isto é uma hipótese, e como qualquer arqueólogo ou paleontólogo arguirá, necessita de muita mais evidência posterior para a sua confirmação ou falsação. Nenhuma hipótese esta plenamente confirmada quando se apresenta por primeira vez, senão não se seria uma hipótese, nem haveria hipóteses, nem ciência.



De momento pranteia uma serie de questões que dão para reflexionar, sobre os preconceitos assumidos sobre a evolução humana e social. Aos "neo-ilustrados" ingénuos coma Pinker não lhes sentara bem, de certo. De certo interessante

Bibliografia: 

De Silva, J.M., Traniello J. F. A., Claxton, A.r G. &  Fannin, L. D. (2021):  “When and Why Did Human Brains Decrease in Size? A New Change-Point Analysis and Insights From Brain Evolution in Ants” Frontiers in Ecology and Evolution DOI: 10.3389/fevo.2021.742639   

Renfrew, C.: "The Sapient Paradox: Social Interaction as a Foundation of Mind" palestra disponível aqui