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quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Uma História da Cerveja na Mesopotâmia - Livro

In the Land of Ninkasi

Paulette, T. (2024): In the Land of Ninkasi: A History of Beer in Ancient Mesopotamia. Oxford University Press. Oxford.  ISBN: 9780197682449  DOI: 10.1093/oso/9780197682449.001.0001

Sinopse 
Na Terra de Ninkasi: Uma História da Cerveja na Antiga Mesopotâmia conta a história da primeira grande cultura cervejeira do mundo. Ele fornece uma visão de perto das cervejas da antiga Mesopotâmia e das pessoas que as fabricavam e bebiam. 


O livro leva os leitores numa jornada pela famosa "terra entre os rios" para visitar as cervejarias, casas, tavernas, templos e tumbas onde a cerveja era produzida e consumida. Ele explica como a cerveja era fabricada e o equipamento de fabricação empregado.~


Ele também explora as histórias que as pessoas contavam sobre a cerveja, os seus estilos preferidos de beber, os deuses e deusas bebedores de cerveja que governavam as suas vidas e os cervejeiros modernos que trouxeram a suas bebidas de volta à vida. Este relato reúne perceções extraídas de vestígios arqueológicos, obras de arte antigas e textos cuneiformes para atrair o leitor, passo a passo, para o processo de análise e interpretação.
   

INDEX

1. Beer in world history
 
2. The land between the rivers

3. Beers and brewing ingredients

4. Brewing technologies and techniques

5. Brewers and brewing spaces

6. Drinkers and drinking practices

7. The beer-drinking experience

Epilogue: Reviving an ancient art
  

+INFO sobre o livro em: In the Land of Ninkasi

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Culturas do Vino, Gandhāra e Além - Livro

Wine Cultures
 Gandhāra & Beyond

Antonetti, C., Bryan De Notariis, B., & Enrico, M. (eds.) (2024): Wine Cultures. Gandhāra and Beyond. Antichistica- Storia ed epigrafia Vol. 40/10. Edizioni Ca’ Foscari. Venecia. ISBN: 978-88-6969-877-4 DOI: 10.30687/978-88-6969-816-3 

Sinopse 
O volume representa o resultado principal do projeto MALIWI (SPIN Ca' Foscari 2021) dirigido por Claudia Antonetti. Adotando uma abordagem interdisciplinar, este trabalho busca explorar as técnicas de produção, funções sociais e significado cultural de bebidas inebriantes com referência particular ao vinho -uma bebida extraordinária que está entrelaçada com a história humana há milénios.



Este volume reúne contribuições de académicos interessados ​​em estudar a cultura do vinho e da bebida em Gandhāra e regiões vizinhas, incluindo a Assíria Antiga, Aracósia e a Índia atual. 





O tópico é explorado de três perspetivas fundamentais, empregando uma gama diversificada de fontes, incluindo textos literários e históricos, bem como evidências linguísticas, iconográficas, arqueológicas e antropológicas.
   

INDEX

Introduction
Claudia Antonetti, Bryan De Notariis, 
Marco Enrico

Intoxicating Nectars of Plenty
Reflections on Wine and Other 
Drinks in Ancient South Asia
James McHugh

Indological Sources: 
Literature and Anthropology 

The Gandhāric Roots of the Indian Symposion 
and Sympotic-like Elements in Buddhist Literature
Bryan De Notariis

In Search of Regional/Local (deśī) Words for 
‘Intoxicant’ in First-Millennium India
Andrea Drocco

Wine in India and Other Substances
An Anthropology of ‘Entheogens’
Stefano Beggiora

Archaeology of Wine: 
Comparison and Diachrones

The Archaeology of Wine in the Southern 
CaucasusNew Methods for an Old Tradition
Elena Rova

An Assyrian Winery in Khinis, Ancient 
Khanusa (Kurdistan Region of Iraq)
Francesca Simi, Costanza Coppini, 
Daniele Morandi Bonacossi

Wine in Achaemenid Arachosia
An Imperial Network of Regional Wines
Prabhjeet K. Johal

Wine in Gandhāra
Notes on a Mythical and Economical Geography
Omar Coloru, Elisa Iori, Luca M. Olivieri

Gandhara and Classical Sources: 
Imagery Iconography, 
Epigraphy and Texts

Beyond the Form
Some Observations on Wine-Symbolism and 
Related Figurative Themes in Gandharan Art
Cristiano Moscatelli, Anna Filigenzi

Wine, Women and Royalty in Gandhāra
Claudia Antonetti

Wine in the Gandhāran Epigraphic Corpus
Stefan Baums

Strabo on Wine in Ancient India
Marco Enrico


Descarregar o livro em: Wine Cultures

quarta-feira, 24 de abril de 2024

O Banquete entre Arqueologia e Etnologia

Le Banquet cérémoniel entre archéologie et ethnologie 

Michler, M., Le Roux, P. & Jodry, F. (2024): Le Banquet cérémoniel entre archéologie et ethnologie. Archaeopress. Oxford  ISBN: 9781803277554  DOI: 10.32028/9781803277554
   
Sinopse  
Uma abordagem dupla, que combinaantropologia social e arqueologia, revela o banquete ou festa cerimonial como um fenómeno plenamente social. Em circunstâncias extraordinárias, os banquetes -geralmente realizados em sociedades estratificadas com uma religião sacrificial- reúnem muitos convidados, que são alimentados e regados com alimentos raros e caros em grandes quantidades, a fim de homenagear alguém ou alguma coisa, e para afirmar ostensivamente o poder dos organizadores. 




Embora esta prática tenha sido reconhecida em muitas sociedades ao redor do mundo, vivas, antigas ou extintas, ainda não tinha sido objeto de uma síntese em grande escala. Foi, portanto, apropriado lançar um olhar interdisciplinar sobre os meandros do banquete festivo em relação às cosmogonias e práticas sociais dos espaços sociais em questão. 




Os nove ensaios aqui recolhidos, provenientes de comunicações apresentadas em jornadas de estudo realizadas em Estrasburgo, contribuem para o debate sobre questões importantes relativas ao banquete, como a sua temporalidade (ciclos culturais ou mitos cosmogónicos), a sua localização (esfera pública ou privada, espaço aberto). ar ou em ambientes fechados), a comensalidade, a hospitalidade, o tipo de produtos consumidos e os modos à mesa e, por fim, a hipótese de que a organização de um banquete implica a existência de uma sociedade hierárquica, sedentária, com riqueza (ou crematismo), quando não ostentação. 




A diversidade de áreas geoculturais, períodos cronológicos e casos abordados permitem-nos apreender o banquete em todos os seus múltiplos aspectos, oferecendo novos alimentos para o pensamento e caminhos para a investigação.

INDEX


Descarregar o livro em: Le Banquet Cérémoniel

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Álcool / Álcoois - Archéopages

        
Alcohols /Alcoholes

Archéopages. Archéologie et Société 

47 - 2020 


Cerveja, vinho, aguardente, licor... As bebidas alcoólicas sempre foram múltiplas e as formas de as consumir também, enquanto a imagem que a sociedade tem dos consumidores de álcool oscila entre o melhor e o pior. Que arranjos, que recipientes foram inventados para garantir a fermentação, a destilação, a preservação? Como as receitas são criadas, perpetuadas, refinadas? Quais elementos entram na composição dessas bebidas e quais propriedades elas possuem ou não? 

O álcool produzido era para ser consumido rapidamente ou poderia ser armazenado? Que pistas arqueológicas podem ser usadas para avaliar as quantidades e qualidades produzidas? Os vestígios arqueológicos e o mobiliário permitem dar conta da diversidade de usos e da evolução do gosto. 

Distinguimos de que forma a fabricação e o consumo de determinados álcoois são reservados, limitados, a um tipo de evento (ritual, festa, refeição, doença, etc.), a uma classe social, a um gênero, a uma região

 

INDEX

   

Descarregar a revista em:  Archéopages Nº 47

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Copos, Caldeirões, Mortos e Banquetes

Este estudo trata a expansão geográfica de um traço concreto das culturas élitares do I Milénio, o uso em principio secundário de vasos de bronze, originalmente pensados para conter líquidos em cerimonias que implicavam o consumo alcoólico, como urnas cinerárias.  

Carrinho-Caldeirão de Skallerup, Museu Nacional de Dinamarca

A similitude de este ritual funerário é o descrito em fontes épica como a homérica Ilíada ou nas fontes hititas da Idade do Bronze, tem chamado a atenção a atenção do arqueólogos no intento de cartografar e explicar o expansão do costume da incineração sobre a inumação no Mediterrânea, e do uso de este tipo de contendor mais em concretos para tal fim.

Restituição gráfica do Carrinho-Caldeirão de Skallerup (Dinamarca)

Este estudos normalmente tem enfatizado a relação de esta pratica com a expansão de um pacote que amostra uma serie de objetos comuns que vão da mão da adoção de uma serie de praticas como parte de uma cultura de elite, que traspassa diversos âmbitos culturais. Instituições como o banquete, a adoção de determinadas formas de guerra e armamento e os valores, ou mesmo evolução política que estariam associados a estes câmbios, tem sido temas frequentes de estudo nas últimas décadas entorno a mobilidade e os contactos transculturais (e coloniais) na Proto-historia europeu e da área Mediterrânea em particular.

Espada hallstattica do s. IX a. C. Naturhistorisches Museum Nürnberg, foto: Oliver Dietrich 

Oriente Próximo (fundamentalmente o Levante), Itália, Grécia e os Balcãs ou o levante peninsular tem sido zonas abundantemente estudadas em essa linha de pesquisa, sem desbotar estudos que enlaçam também com o mundo Centro-Europeu e Atlântico como o volume de Sabine Gerloft sobre os caldeiros e sítulas do Bronze Final-Ferro no PBF. Este estudo que aqui recenseámos pretende abrir a um área mais geral sistematizando os dados sobre os enterramentos em vasos metálicos gerados desde o Mar Negro até Centro-Europeia em conjunto como os conhecidos do mundo mediterrânico.

Vaso anfórico de Gevelinghausen, carrinho votivo de  Acholshaussen, vasos e sítulas hallstáticas

Esta perspetiva pan-europeia permite mostrar uma serie de regularidades, como a prevalência de contendores para bebida no uso de Urnas metálicas, um 95% dos 598 totais do corpus coincidem em este padrão. No que em palavras da autora exemplifica claramente:  “A estandardização e continuidade de essas práticas aristocráticas práticas enfatizavam o status social de essa elite, o qual contribuíam a legitimar e perpetuar”

Distribuição das urnas metálicas a finais do s. VIII a.C.

Assim como Grécia parece ser o núcleo inicial de este uso, as primeiras a mostras fora de este contexto semelham proceder da região alpina, a ambas as duas beiras da cordilheira se topam este tipo de vasos em um contexto temporal que vai do s. XIV ao IX a.C. Ao norte dos Alpes este tipo de enterramentos se topam em zonas do Sul de Alemanha e Escandinávia e no SE de Centro-Europa, pré-datando esta prática em vários casos a cronologia dos Campos de Urnas (XIII- VIII a. C) onde se mantêm até a fase Hallstatt C.

Diversas urnas cinerárias de tradição dos Campos de Urnas da Cultura Villanoviana: urna de Bronze, com tapadeira imitando capacete, urna cerâmica brunida (para imitar o aspeto metálico) fechada com capacete metálico, urna cerâmica fechada com tapadeira em forma de copo; Urna cinerária canópica de época etrusca.  

Durante o período que vai entre o S. IX e VIII observasse uma expansão de este tipo de praticas unido frequentemente a expansão da Cultura dos Campos de Urnas assim como a uma serie de item de prestigio como caldeiros, determinado tipo de armamento, tanto na parte Oriental de Europa como na Itália (da Etrúria ao Lácio ou Campânia).

As similitudes entre as urnas bitroncocónicas itálicas e norte-europeias, mesmo em regiões tão longanas como Escandinávia, são significativas, o qual se observa tanto nos exemplares cerâmicos como metálicos, fechados normalmente com um casco que coroa ao defunto em um identificação corpo-urna que preludia as posteriores urnas canópicas etruscas, ou por patadeira com forma de copo aludindo de novo a âmbito convivial. 

Distribuição das urnas metálicas a meados do s. VI a.C.

Incluísse aqui também outras tipologias como as sítulas, caldeiros ou cistas, junto a exemplar tipo ânfora em algum contexto, usados com a mesma finalidade ou relacionados de um ou outra forma com o banquete. Nas área mediterrânea as urnas metálicas apresentam uma menor uniformidade respondendo a tradições locais, casos como o cipriota, ródio, ou na Magna Grécia, tradições em alguns casos desaparece rápido, entanto que em outros contextos do âmbito grego permanecera muito a posterior. Segundo a autora esta permanência estaria relacionada no mundo grego com peso da tradição épica homérica na cultura aristocrática. 

Vaso anfórico de Gevelinghausen, Museum für Archäologie Herne. foto: Dieter Menne

Zonas mais periféricas m contacto com o âmbito grego e itálico como o Adriático parecem amostrar um padrão funerário mais hibrido que combina a incineração com o costume autóctone de inumação. Em contexto centro-europeu e França a prática de incineração é substituída pela inumação durante o Ferro e os poucos casos de enterramentos em urna parecem ter conexões com o mundo itálico, se a incineração contínua predominando dentro da periferia etnicamente germana.


Bibliografia: 

Desplanques, E. (2022): "Protohistoric metal-urn cremation burials (1400–100 BC): a Pan-European phenomenon" Antiquity Nº  96/389 pp. 1162–1178  DOI: 10.15184/aqy.2022.109


sábado, 26 de março de 2022

Um grolo entre dois mundos


Em 1982, um detetorista de metais descobriu um deposito de vasos de beber de Idade do Ferro e época romana que haviam sido deliberadamente escondidos perto de um assentamento romano-britano em Crownthorpe no centro de Norfolk.

Este importante grupo de objetos estava composto por sete copos de bronze, representando uma baixela simposiaca ao jeito romano. Alguns dos vasos tiveram sua origem na Itália, mas dois copos apresentavam um estilo único. Era-o Romano na forma, mas suas alças são decoradas com uns parrulos nadando de estilo céltico, sem paralelos fora deste tesouro. Estes copos, por tanto, exibiam uma fusão de dois tradições artísticas diversas.

O tesouro foi escondido no terreno em meados do século 1, quando a dos tribo Iceni sob o mando Boudica se rebelaram contra os romanos. Ele pode ter sido propriedade de uma pessoa abastada local, que tinha a esperança de melhorar o seu status através da adoção de modos estrangeiros de comportamento. Como resultado, ele teria caído em falta do exército Boudica e forçado a fugir, deixando seus bens para após dele.

*Este texto foi estraido e traducido desde A History of the World BBC

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Banquete e Ritual na Islandia - Livro

FOOD, BLOOD & LITTLE WHITE STONES

Jónsson, J.O., Food, blood and little white stones: A study of ritual in the Icelandic Viking Age hall. University of Iceland, 2014


Sinopse
O estudo das crenças e rituais antigos é uma problematica muito complexa que tem incomodado os estudiosos ao longo dos séculos. As pessoas ao longo do tempo têm-se surprendido das religiões, crenças e tradições de outros povos. Os estudiosos, já no tempo de Tácito e o Império Romano, descreveram as práticas religiosas e rituais de culturas estrangeiras.


No entanto, tais relatos tendem ser deformados pelo própria abscripção religiosa do escritor, o clima político da época e forma em que os textos sobreviver e se trasmitem. Problemas semelhantes dam-se com os relatos orais. A vantagem de arqueologia, neste caso, é, para usar as palavras de Ann-Britt Falk "que analisa o que as pessoas realmente fazem, não o que eles se supoe que fazem"


O objetivo desta tese é de olhar para a arqueologia da casa de banquetes islandesa de epoca vikinga e definir os signos de ritual teorizado a partir da combinação dos materiais folclórico, etnográfico, arqueológico e histórico. O objetivo do autor é que através do uso destas fontes, seja possível a identificaçao de rituais pagãos no registro arqueológico da Islândia.


 INDEX



Descarregar a tese aqui: Food, blood and little white stones

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Vinho e Banquete na Antiguidade - Convocatória

VINO Y BANQUETE EN LA ANTIGÜEDAD
II Jornadas de Estudios del Mediterraneo Antiguo

Quando: 18-26 Fevereiro 2014
Onde: Ciudad Real


O Grupo de Estudos do Mediterrâneo Antigo Pinakes, organiza a segunda edição das suas Jornadas, com o titulo de Vinho e Banquete na Antiguidade.



Vinho e banquete na Antiguidade: II Jornadas de Estudos do Mediterrâneo Antigo, tem como objetivo tratar a temática do vinho e o banquete como elementos que contribuíam prazer e felicidade às sociedades do Mediterrâneo Antigo dentro das que conferências como "Vinho e banquete em Hispânia" (Dr. Enrique Gonzalves Craviotto, UCLM), "O simpósio grego e a sua exportação às culturas mediterrâneas" (Dr. Fco. Javier Gómez Espelosín, UAH) ou "O vinho no Mediterrâneo Antigo: Egito, Grécia e Roma" (Dr. Antonio Pérez Largacha, UCLM).


Ditas conferências irão acompanhadas com uma exposição que mostrará o percurso e o significado do vinho e o banquete no Mediterrâneo antigo, se podendo observar como pervivem elementos daquela época nas nossas vidas e como contam com uma simbologia e importância bem mais transcendentais do que possa parecer a simples vista


As jornadas também incluirão comunicações de todos aqueles que estejam interessados. A data limite de envio de propostas é o 13 de janeiro de 2014


 Convocatória



+INFO no site de: Pinakes

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Entre Tara e o Asperg - Re-pensando Hochdorf




Acabamos de ler um curto mas fascinante artigo do arqueólogo Stéphane Verger, no este pesquisador faz um ensaio de síntese e reconstrução da sociedade da primeira idade do Ferro através dos objectos contidos num jazigo tão conhecido e tantas vezes citado, como é o da tumba principesca de Hochdorf.



O artigo de Verger leva-nos além da descrição para planejar um inovador marco interpretativo no que se une uma impecável análise da cultura material, junto com o uso sem prejuízos das fontes textuais, neste caso procedentes da epica irlandesa alto-medieval, que lhe permite exumar sucessivamente as evidências do ritual nas coisas e logo a través delas as categorias sociais subjacentes da organização política de inícios do Ferro na Centro-Europa.

distribuição do porco no Midchúarta de Tara, segundo Sayer

Partindo dum artigo de William Sayer, no que se estudava a organização dos banquetes celebrados nas célebres Midchúarta (Salão da bebida) irlandeses e a participação distintiva que neles se lhe dava a cada uma das classes sociais da sociedade gaélica, Verger estabelece uma interessante comparação na que o caso irlandês serve como modelo heurístico, sem cair na simplificação de presupor uma identidade total entre ambos casos.



O autor parte da ideia de que o reparto das distintas partes do animal segundo o posição social e o status puído ser uma ideia também presente no contexto da tumba de Hochdoff, e rastreia os elementos que podam indicar essas participações diacríticas (diferenciais) entre os membros dum banquete, através dos serviços de mesa presentes na tumba. Elo lhe permite observar em um elemento como a decoração as diferentes classes de sujeitos presente, ou mais bem, elididos através dos objectos.




Se podem distinguir assim na vaijela  metalica da tumba nove personagens, possivelmente as de mais alto status, cujos pratos ficam na tumba junto ao seu "principe", e que a sua vez são divididos em 3 categorias distintas, formadas respectivamente por 3 personagens com pratos muito decorados, com motivos geométricos, e outros 5 com uma mais simples decoração de pontos, mais um nono sem decoração que considera pertencente a um indivíduo intermédio na escala social do banquete entre estes dois grupos da elite.


Elo segundo o autor mostra: "que o serviço de carne Hochdorf assim como a descrição do salão real de Tara, revelam um sistema muito sofisticado de classificação dos participantes de acordo com seu status, a sua posição e suas prerrogativas rituais". Pela contra em quanto a bebida, observa o autor uma duplicidade de patrões de consumo entre os serviços de mesa e objectos debicados ao reparto da carne e por outro os utensílios participes no consumo e distribuição da bebida alcoólica.



Mentres que o primeiro mostraria as diferenças dentro da sociedade, e, mais concretamente, as distintas categorias dentro da elite, a bebida ocuparia um papel de agregação simbólica a um nível tribal. Assim no aspecto dos nove chifres observamos em 8 deles uma igualdade, que só é rota pelo grande corno que faz o número 9 e que mostra uma decoração e uma capacidade que o distingue claramente dos outros.



Precisamente a quantidade de bebida que permitia conter este chifre permite a Verger identificar este corno como de sentido colectivo e implicado possivelmente em rituais, como o juramento, no que participariam vários comensais, mais também com a figura especialmente destacada do monarca como representante da comunidade e organizador do banquete.



A partir desta ideia Verger faz uma digressão sobre a identidade nas línguas célticas entre o vocabulário da bebida e o do poder politico, estudado por Lambert, que lhe serve de novo recorrendo às fontes textuais para propor a identificação de algumas pequenas figurinhas femininas realizadas em bronze presentes em Hochdorf, como representações de deusas identificáveis com uma concepção da soberania -assim como da bebida- como a que se pode topar nos mitos irlandeses



Em este sentido a tumba de Hochdorf se nos amostra na re-leitura de Stéphane Verger como uma radiografia política da Idade do Ferro centro-europeia, na que a se nos apressenta um individuo que sem dúvida deveu ocupar um papel essencial na comunidade -e difícil não pensar em alguma forma de monarquia- e cuja especial relevância se nos mostra  como congelada em uma foto fixa através de um momento social tão importante e significativo como é o do banquete.



Neste sentido este artigo constitui uma interessante contribuição a uma autentica arqueologia política e institucional da proto-história céltica europeia.


Verger, S.,"Partager la viande, distribuer l’hydromel.Consommation collective et pratique du pouvoir dans la tombe de Hochdorf" Krausz,S. et alii(eds.) L'Âge du fer en Europe. Mélanges offerts à Olivier Buchsenschutz. Ausonius, Bordeaux, 2013  pp. 495-504   [disponivel aqui]