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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Mobilidade, Escravatura e Sacrifício no Neolítico


Recentemente foi publicado um artigo na revista Plos One no que se fazia revisão de um velho achado do neolítico escandinavo, o Homem de Vittrup. Os restos deste homem pré-histórico foram topadas em 1915 como resultado dos lavores de extração de turfa num pântano do Noroeste da Dinamarca. Junto aos fragmentos do crânio e alguns ossos do corpo apareceram também resto de bovídeos, um vaso cerâmico e uma clava de madeira. 



O analise do restos revela que o indivíduo era um varão de entre 30 e 40 que morreu pelo efeito de 8 golpes dados com um objeto contundente, muito possivelmente a clava topada próxima a ele, o qual junto com os restos animais permitem suster a hipótese de que sua morte teria sido resultado de um ritual de sacrifício, comparável ao dos conhecidos homens do pântano da pre- e proto-historia escandinava; em vez de causado por um ato de violência ocasional. Assim mesmo a datação radio carbónica, calibrada tendo em conta o efeito reservorio marinho próprio de populações com dieta íctica, situa ao homem de Vittrup entre o 3.900 e o 2.800  A.C, período adscrito a cultura neolítica do Vaso de Funil. 


O aspeto de mais interesse de este estudo recente está no re-estudo dos restos de este homem pré-histórico mediante as técnicas de análise isotópicas e paleogenómicas. Estas permitiram situar o lugar de origem do indivíduo muito longe de onde apareceu, numa região que poderia situar-se ou bem no norte da Noruega, ou sul da Suécia, zonas habitadas na altura por populações de caçadores-coletores alheias as populações de colonizadores agrícolas com origens genéticos na Anatólia, como a cultura do Vaso de Funil. O perfil genético concorda com isto mostrando a ausência de conexões genéticas com as populações do Vaso de Funil e sim com as populações mesolíticas escandinavas. 

Embora as análises isotópicas amostram um câmbio de localização que teria decorrido depois na infância ou pré-adolescência, entre os 9 ou 12 anos, do individuo de Vittrup, e uma mudança posterior a uma região menos fria, possivelmente a própria Dinamarca.  Assim mesmo se percebem divergências na dieta com respeito a esta etapa caçadora-recoletora, amostrando que a idade na que se produziu a morte a dieta do Homem de Vittrup era a mesma que a das populações neolíticas do Vaso de Funil. 



Para explicar os câmbios de habitat e forma de vida do indivíduo de Vittrup se prateiam dois cenários. No primeiro o Homem de Vittrup teria chegado a Dinamarca, tal vez, por uma assimilação cultural de populações caçadoras ao novo tipo de economia agrícola, e zonas mais nortenhas de Escandinávia. O qual concordaria com o cenário cultural do sul da Suecia nessa epoca.

"Na época do Homem de Vittrup, pessoas com ascendência da Anatólia habitavam toda a Dinamarca, bem como (pelo menos) as partes sul e sudoeste da Suécia ( Fig. 2 , pontos cinzentos). Nos séculos anteriores – durante o Neolítico Inferior local – esta população também esteve permanentemente presente mais a norte, na ilha de Gotland e nas zonas baixas da Península Escandinava, muito além de Estocolmo e do Fiorde de Oslo. Isso é evidenciado por achados de cultura material, como monumentos funerários megalíticos, assentamentos e depósitos de áreas húmidas com cerâmica em forma de funil ...

Assim, na época de Vittrup Man, o sul da Escandinávia era habitado por pelo menos três populações com diferentes economias e ancestrais genéticos: ao sul, grupos FBC com ascendência de agricultores europeus; ao norte, caçadores-coletores com ascendência mesolítica puramente local; e no meio, grupos de PWC caracterizados por ascendência mista de caçadores-coletores escandinavos e agricultores europeus. A composição genética desta última população revela que estiveram envolvidos contactos físicos estreitos entre grupos de caçadores-coletores e agricultores."

O próprio deslocamento desde a sua região natal por parte do Homem de Vittrup implicaria uma distância considerável, 75 kilómetros no caso da localização sueca, uns 100 se a local estivera na Noruega, e por tanto implicaria uma viagem marítima a grande escala, e contactos marítimos entre o neolítico danes e o resto das regiões nórdicas. Nestas relações poderiam tomar parte fatores de mobilidade como pudera ser o intercâmbio de matérias-primas líticas e outros produtos


Mas outro cenário possível e também compatível com o anterior seria atribuir deslocamento do homem de Vittrup durante a sua infância a circunstancias menos pacificas e amáveis. Em esta interpretação em troca de ser membro de uma comunidade mercantil de intermediários na troca de sílex assentada no Norte da Dinamarca, o home de Vittrup teria chegado a território danes ele mesmo como mercadoria, mão de obra escrava, já fora capturado, por populações do vaso de funil, entre grupos caçadores ou resultado de razias guerreiras entre as próprias populações caçadoras que detrairiam parte dos cativos para o intercâmbio com os seus sócios comerciais neolíticos. 


Esta hipótese é especialmente interessante tendo em conta que a idade de 9-12 anos em que o Homem de Vittrup se deslocou cara o sul. Os exemplos etnográficos de populações pouco complexas de agricultores a pequena escala ou caçadores que praticam a escravidão mostram um padrão coerente, com uma clara divisão de sexo e idade nos capturados: mulheres em idade fértil e meninos de ambos sexos que possam servir de mão de obra, ou futuras esposas e/ou concubinas. Assim o sujeito de Vittrup teria chegado como resultado de um ato violênto. 



O facto de esta morte vincular-se a um sacrifício pudera ser indicativo da "marginalidade" social dentro do grupo neolítico no que hipoteticamente seria integrado com um status servil, na linha do que Orlando Patterson sina-la ao definir a escravidão como uma forma "morte social" e do escravo como "socialmente morto" e, por tanto, permanentemente alheio a comunidade humana na que se ve inscrito forçadamente. 



A condição do escravo nas sociedades pouco complexas como as americanas estudadas por Santos Granero (aqui) varia profundamente desde sociedades nas que a integração do escravo é progressiva, e mesmo é favorecida através da adoção ou matrimonio, ou tem uma dimensão geracional, terminando os descendentes dos escravos sendo reconhecidos como outro mais da comunidade, a outros casos nos que se marca de jeito indelével a "alteridade" radical entre o escravo e o livre, mesmo com a interdição de qualquer contacto matrimonial ou sexual entre eles.


Nestes casos de "segregação" permanente nos de facto o escravo permanece invariavelmente, por tanto, no seu estado de "morte social", isto o faz especialmente adequado para o sacrifício como sucede no caso do Homem de Vittrup. 


Ambas as duas explicações podem ser argumentadas com os dados disponíveis: ou bem o sujeito sacrificado em Vittrup seria parte de um comunidade mercantil do Norte de Jutlândia e capturado como prisioneiro e morto recentemente, ou bem teria chegado como mão de obra escrava no comércio a longa distância nórdica, e já na idade adulta, cumprido o seu ciclo produtivo pleno, escolhido sem mais como vítima para o sacrifício que teve lugar no pântano de Vittrup.
  

Artigo: 

Fischer A, Sjögren K-G, Jensen TZT, Jørkov ML, Lysdahl P, Vimala T, et al. (2024): "Vittrup Man–The life-history of a genetic foreigner in Neolithic Denmark" PLoS ONE Nº 19/2: e0297032. DOI: 10.1371/journal.pone.0297032

Bibliografia complementar:

Patterson, O. (1982): Slavery and social death: a comparative study. Harvard University Press. Cambridge, Massachusets.

Santos-Granero, F. (2009): Vital Enemies: Slavery, Predation, and the Amerindian Political Economy of Life. University of Texas Press.  Austin.


quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Relações de parentesco no Argar


O período que inclui o calcolítico e o Bronze Antigo na Europeia na Europa envolveu fortes mudanças sociais drásticas que resultaram numa forte centralização política, crescente desigualdade económica e em perturbações demográficas e de povoamento marcadas pelo predomínio de uma carrega genética nas populações genéticas procedente em origem da Estepe do Mar Negro. 




Este conjunto de fundas mudanças sociais e humanas fizeram-se especialmente visíveis em alguma regiões específicas, como Central-Europa, a Bretanha, o sul de Inglaterra ou sudeste da Península Ibérica, onde a distribuição desigual da riqueza, refletida nos bens funerários, se torna evidente especialmente na chamada cultura do Argar do Bronze Antigo. 

O complexo argárico, cobre o período de ca 2.200-1.550 A.C, (cronologia calibrada). O povoamento argárico espalha-se durante este escopo temporal desde as planícies costeiras até as terras do interior chegando a cobrir esta cultura arqueológico no topo uns 35.000 km 2 em seu pico. Seus assentamentos densamente situam-se na parte cimeira de colinas, chegando a alcançar extensões de 5 hectares, e mostram uma clara hierarquização com evidências de grandes edifícios públicos e importantes estruturas funcionais de abastecimentos de aguas OU relacionadas com o processamento a grande escala de cereais, obras de irrigação, e unidades artesanais especializados na produção cerâmica e metalúrgica. 

Edificio de reunião do jazigo de La Almoloya

Todo isto delineia a imagem do mundo argárico como uma sociedade de profunda complexidade social e económica com evidentes signos de hierarquia social que se fazem visíveis na riquezas dos enterramentos elitares das necrópoles argárica. Em este sentido os enterramentos argáricos apresentam um marco perfeito para o estudo de caso das relações de parentesco nas sociedades pré-históricas. 




Até agora esta questão fora unicamente abordada desde a metodologia arqueologicamente convencional, através o estudo de enterramentos duplos típicos de esta cultura que envolvem uma parelha adulta, ou uma criança e um indivíduo adulto; mas o desenrolo da paleo-genetica tem aberto a possibilidade de estudar as relações de parentesco entre a elite argárica com uma maior precisão previamente impossivel



O modelo tradicional interpretava estas sepulturas duplas como evidência de casais heterossexuais e monogâmicos (' casamentos') base de famílias nucleares. No obstante um recente estudo desde o ponto de vista da genética do jazigo argárico de La Almoloya aporta uma perspetiva muito distintas apontando a existência  de uma maior complexidade nas práticas que organizam as relações de parentesco na sociedade argárica.  



Em base a uma ampla amostra reconstrui-se a estrutura genealógica da necrópole da La Almoloya conseguindo isolar 7 grupos familiares diferenciados sincrónica e diacrónicamente as relações de parentesco de 1º e 2 grau e além (até o 6º e 7º grau) entre os adscritos a cada conjunto genealógico chegando a uma amplitude de cinco gerações.
As evidências, segundo os autores do estudo, apontam a um predomínio entre a aristocracia argárica da exogamia feminina e a patrilinearidade, envolvendo com muita probabilidade praticas de intercâmbio de mulheres entre linhagens de distintos assentamentos como os são conhecidos pela casuística antropológica

“A visão combinada dos resultados inclina-se para a prática da exogamia feminina e da patrilocalidade, em que as jovens mudam-se para uma residência diferente para construir novos relacionamentos. As fêmeas adultas enterradas em sepulturas duplas dão suporte a essas práticas, pois não têm pais enterrados no local e, além dos descendentes, também não têm outros parentes adultos, o que sugere que vieram de fora da comunidade e foram integradas através da união com machos locais, podendo assim ser considerados companheiros de machos de linhagem. É importante ressaltar que o fato de não encontrarmos relações de 1º ou 2º grau entre mulheres adultas em La Almoloya sugere que esta prática era recíproca e que as jovens de La Almoloya também se mudaram para outros locais. A patrilocalidade não implica necessariamente a ausência de mobilidade dos homens adultos. Na verdade, os nossos resultados também apoiam uma mobilidade substancial para ambos os sexos, como demonstrado pela presença de menos parentes de 2º grau do que de 1º grau no local. No entanto, a capacidade de rastrear linhagens masculinas através de gerações pela presença de descendentes masculinos adultos, mas não de descendentes adultos femininos apoia a patrilocalidade apesar da mobilidade masculina e feminina.”
Com tudo junto a este padrão predominante, o estudo observa uma curiosa desproporção entre o número de mulheres e de homens dentro dos grupos definidos, o que lhes permite inferir que junto como este padrão patrilocal e patrilinear vinculado a exogamia feminina e intercâmbio (tal vez reciproco) de mulheres funcionaria em paralelo um sistema de exogamia masculina, pelo que parte dos homens das linhagens que ficariam fora da herança casavam fora do seu assentamento original integrando-se matrilocalmente na comunidade da sua esposa. 

“Alternativamente, a proporção desequilibrada entre os sexos entre os adultos nos cemitérios argáricos pode ser responsável por um “excesso” de mulheres e não por uma falta de homens. Este cenário envolve não apenas um número substancial de mulheres que chegam, mas também práticas matrimoniais consistentes com ele, ou seja, sob a forma de poliginia ou de monogamia em série. No entanto, a exogamia feminina por si só não explica todas as formas de mobilidade que poderiam ser inferidas a partir dos dados de La Almoloya. Enre os homens, a falta de evidências de irmãos e meio-irmãos adultos sugere que a patrilocalidade pode ter sido restrita a certos homens, enquanto outros deixaram o local. Os homens podem ter saído do seu local de nascimento como parte de práticas de exogamia masculina, atribuição a outros assentamentos, ou processos de migração/colonização ligados à expansão territorial argárica. Estudos futuros sobre o ADNA de pessoas enterradas em locais diferentes de La Almoloya contribuirão ainda mais para testar estas possibilidades.”

Estes resultados amostram uma maior complexidade dos enterramentos duplos argáricos, nos se combinam predominantemente tanto mulheres forâneas junto a homens locais como o caso contrario, o qual encaixa com um tipo de comportamento frequente entre grupos aristocráticos com padrões matrimoniais complexos nos que uma certa ambilinearidade das relações de parentesco dentro de uma linha dominante já seja matrilinear ou patrilinear como resulta ser o caso argárico, serve de instrumento flexível para estabelecer alianças políticas e familiares entre linhagens aristocráticos dentro de um território amplio. 



Outra aportação novidosa do estudo é a possibilidade não contemplada agora, mas que se mostra como fatível na diversidade de relacionamentos entre os descendentes de um único varão, mas com distintas madres, é a possível presença de casos de poliginia ou do matrimónio sucessivo na cultura do Argar. 




Em resume, o artigo é um bom exemplo das possibilidades que as técnicas de análise paleo-genética abrem a uma questão tâo crucial para entender a organização social das culturas do passado como é a organização do parentesco; possivelmente a aportação maior e mais crucial que, na atualidade e num futuro próximo, a genetica pode oferecer a Arqueologia. 
   

Artigo:

Villalba-Mouco, V., Oliart, C., Rihuete-Herrada, C. et al. (2022):  "Kinship practices in the early state El Argar society from Bronze Age Iberia" Nature Sci Rep 12, 22415  DOI: 10.1038/s41598-022-25975-9

Bibliografia complementaria:
  
Ensor, B.E. (2013): The Archaeology of Kinship: Advancing Interpretation and Contributions to Theory. University of Arizona Press pdf

Fox, R. (1980): Sistemas de parentesco y matrimonio. Alianza. Madrid. pdf

Levi-Strauss, Cl (1982): As estruturas elementares do parentesco. Editora Vozes. Petrópolis pdf


Postagem relacionada: A Princessa Argárica da Almoloya

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Chifres, Crânios e o Neandertal Ritual


Normalmente os restos da presença dos Neandertais em sítios arqueológicos geralmente estão associados a atividades de subsistência, como a caça, o processamento e consumo de animais, a preparação de ferramentas ou o uso do fogo. Menos frequentemente ainda que existente, e a evidencia de atividades extrativas como por exemplo o trabalho em pedreiras de sílex, ou e atividades relacionadas ao seu mundo simbólico normalmente enterramentos.  No entanto  o escasso da evidencia de praticas simbólicas entre os Neandertais gerou uma controvérsia entre os pesquisadores sobre se o Neandertal seria utente de capacidade simbólica ou não.


A este respeito a recente datação a alguns anos de algumas das primeiras mostras de arte rupestre em cronologias Neandertais resultou controversa pelas suas implicações. Em este sentido o descobrimento de uma peculiar acumulação óssea no jazigo de Cueva Descubierta vota uma nova luz sobre as capacidades simbólicas do pensamento dos nossos antepassados Neandertais, e bem a confirmar a hipótese do partidários dum Neandertal plenamente simbólico e com umas capacidades cognitivas comparáveis a dos sapiens sapiens





o jazigo de Cueva Descubierta foi topado Vale do Rio Lozoya, no norte da Comunidade de Madrid (Espanha) no 2009 durante trabalhos de prospeção realizados no âmbito da investigação arqueológica desenvolvida na área desde 2002. A caverna, que corre em ziguezague por cerca de 80 m e tem 2 a 4 m de largura, perdeu seu teto desprendido devido a erosão da rocha.   


Durante as excavações dos distintos niveis do complexo em um total de 7, no nivel 3 topou-se uma inussual conentração de restos osseos de grandes herviboros.  Após o analise do contexto estratigrafico, geológico desbotara que este acumuluo de materiais fora resultado do acaso, probocado pela escorrentia da agrua, derruves ou outros processos post-deposicionais que puderam ter juntado em um mesmo local restos sem conexão inicial, pelo que se confirmava como um acumulação resultado de um processo consciente. 


A tipologia da industria litica recuperdad e as dataçoes de Carbono 14 permitiram situar estes resto durante o periodo musterniense e por tanto atribui-los aos neandertais dos quais se toparam alguns restos dentarios no conjunto da cova.



Crânios e chifres

No nível 3 de esta antiga cova foram topado um total de 2.265 restos faunísticos com mais de 2 cm de comprimento foram recuperados, dos quais 1.616 puderam ser identificados taxonomicamente. Entre os restos a maioria correspondiam a ungulados, que dominam na mostra sobre os de carnívoros. Os mais bem representados destes ungulados são os bovideos como o bisonte ou o uro (Bison priscus e Bos primigenius), seguidos a alguma distância pelos cervídeos (Cervus elaphus e Capreolus capreolus), o rinoceronte das estepes (Stephanorhinus hemitoechus) e os cavalos salvagens (Equus ferus). 

Boa parte dos restos osseos ( um 30,5% do total) amostravam o efeito da exposiçao ao lume, tendo sobrido a maior parte de eles carbonizaçao. Chama a atençao inmediatamente em esta acumulaçao de restos faunisticos dois factos: 1) o de que os restos correspondam em um proporçao inusual a cranios, e o que é mais peculiar nao a cranios compretos senao apenas a parte superior e posterior do cranio (faltando o maxilar a parte baixa do cranio), e 2) o facto da seleçao clara dos animais a que correspondem estes animais: todos eles sao grandes herviboros



No total, foram recuperados os restos de 35 crânios, dos quais 28 pertencem a bovinos (B. priscus, 14; B. primigenius, 3; Bos/Bison, 11), 5 a cervídeos (C. elaphus, 5; todos machos com seus chifres não derramados) e 2 para rinocerontes (S. hemitoechus). A pratica totalidade, sao animais que portam na sua cabeça chifres ou apendices corneos equivalentes, a unica excepçao seria a pressença de restos de equido mas em este caso estes reduce-se a um pressença marginal representando unicamente por um fragmento de dente.




Despeço experimental

Para interpretar corretamente os processos de processamento do restos obtidos no nível 3 foi realizada uma experiencia de arqueologia experimental consistente no despeço de vários cadáveres de bovinos utilizando ferramentas líticas similares as do período estudado. Isto permitiu não são compreender a estrutura e marcas deixadas nos restos ósseos senão também permitiu um compreensão mais geral do processo de despeço

Assim a observação do sucedido no processo de removido da mandíbula e processado do crânio para chegar obter a carne, permitiu sacar conclusões sobre a localização de cada fase do abate em um ou outro lugar da cova. Por exemplo o facto de que durante o remoção da mandíbula varias dentes foram desprendidos e a escassez no registo de peças dentarias, maxilares e ossos associados no nível 3 permitiu inferir que este processo não teria sido realizado no interior da cova senão em uma localização exterior.

Este primeiro processado fora da caverna puído estar relacionado com o consumo da carne da cabeça, a línguas e os olhos. Por contra a parte superior do crânio após isto seria deslocado ao interior da cavidade para uma segunda fase de processado, esta estaria relacionada com o acesso ao cérebro dos animais e/ou o trabalhado intencional dos crânios até lhes dar o aspeto no que foram topados. O analise experimental mostrou que o método mais singelo de aceso o cérebro das vitimas era através da rutura dos ossos occipitais do crânio, o qual produção resultados coerentes com a forma e marcas observadas na acumulação de crânios do local. 

A própria divisão geográfica do processado do animal e o tratamento no crânio para a extração do cérebro fora e no interior da cova, remarca a importância de esta ultima fase de tratamento dos resto animais.  De facto o estudo dos grupos de caçadores-coletores atuais amostram que o crânio do animal soe ser frequentemente descartado e não levado de volta para o acampamento.A cabeça e pesada de transportar e proporção relativamente pouco alimento por contraste com outras parte da carcaça do animal com mais contido de carne. 

O qual faz seu transporte pouco útil e da a este ato um importância que se tem que situar além da mera questão de subsistência, e apontar a um função simbólica de esta parte do corpo do animal, o qual se vê reforçado pela própria acumulação intencional e tratamento diferenciado 

Poder-se-ia especular se o próprio acesso e consumo do cérebro pelos caçadores não estaria vinculado a um sistema de crenças e o simbolismo dos animais selecionados, como sucedia no ritual embaixo assinalado do sacrifico do urso ainu.


Paralelos Etnográficos:
Os autores comparam a acumulação intencional de crânios de animais com os modernos troféus de caça vinculados a atividade da caça desportiva que no fundo seria o avatar contemporâneo de uns costumes repetidos entre povos caçadores. Praticas semelhantes de acumulação de troféus são relativamente frequentes entre algumas sociedades de caçadores-coletores. Em estas culturas o crânio do animal adquire uma forte importância vinculada a associações simbólicas. 

Assim os achuar de América do Sul ou os Wola de Nova Guiné guardavam os espólios da caça para formar troféus exibidos publicamente. Em algumas culturas os crânios ou outros ossos que tiverem uma especial significação simbólica eram agrupados para formar de depósitos associados a rituais de caça, considerados por alguns autores como autênticos santuários de caça. 

Estas acumulações e troféus também têm sido associados em alguns exemplos etnográficos com a construção da identidade masculina; este era o caso por exemplo dos Grupos das Terras Baixas de Nova Guiné, ou sido resultado de cerimonias especificas como sucedia com o celebre caso dos Ainu do Japão. Na mesma área do mar do Japão entre o povo Ulita da Ilha de Shakalin os crânios de animais eram depositados em relação com os rituais funerários. Algo que se faz pressente também no Sudeste asiático na representação de bucrânios ou acúmulos de chifres superpostos de búfalo nas tumbas.



Artigo: 

Baquedano, E., Arsuaga, J.L., Pérez-González, A. et al. (2023): "A symbolic Neanderthal accumulation of large herbivore crania" Nat Hum Behav  DOI: 10.1038/s41562-022-01503-7 

Bibliografia complementar: 

Robin, G. (2017): "What Are Bucrania Doing in Tombs? Art and Agency in Neolithic Sardinia and Traditional South-East Asia" EJA Nº 20/4  pp. 603–635  DOI: 10.1017/eaa.2017.12



Postagem relacionada:  O Mundo Simbólico Neandertal

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

A Pia Galaica de Folgoso - Livro



Hoje deu-se a conhecer a publicação na revista Minius do Faculdade de História da universidade de Vigo, de uma singular peça da plástica galaica de Idade do Ferro, a Pia de Folgoso (Esgos, Ourense).


A peça foi topada reutilizada dentro Capela de Sâo Pedro de Folgoso, na freguesia de St Maria de Vilar de Ordelhes, no concelho de Esgos Ourense. Desconhece-se a origem de esta peça escultórica, conhecida popularmente como "A Pia" se bem não consta aos vizinhos que fora usada como pia baptismal nem para conter agua vendita em algum momento, se vem isto pudera ter sido provável em algum momento. 


A sua localização inical pudera estar em algum castro vizinho que teria servido como canteira para obter pedra na vezinhança, sem que até agora se poda concretar possiveis candidatos. Também comentarm os autores do artigo o fato de que no lugar onde a capela há varias surgente minero-medicianis e fontes com lendas tradicionais sobre mouros, e que também poderia por-se na importancia das aguas no mundo do imaginario e a religiao dos povos prerromanos da Gallaecia.


A peça é um bloque cúbico de granito rebaixado sob a parte que guarda a decoração e que na sua parte amostra uma pia levemente rectangular que lhe da nome. A decoração estendesse pelas suas 4 caras apresentando motivos bem conhecidos na plástica galaica da Idade do Ferro e época galaico-romana: crisqueles, motivos em espiral encadeados, palmelas formadas por espirais. 

pormenor da policromia da Pia de Folgoso, foto: Paco Boluda

A peça apresenta resto de policromia, sobre o qual os autores comentam o paralelo de um trisquele com resto de policromia vermelha topado durante as escavações do oppidum de São Cibrão de Lãs, ainda que comentando que possivelmente que o relevo poderia ter sido repintado em épocas posteriores a da sua fabricação durante o período romano ou já medieval, sem descartar que puderam existir baixo esses repintes mais tardios algum resto de policromia da Idade do Ferro, possibilidade que fica pendente ainda da análise físico-química dos pigmentos.

a Pedra da Povoa (Ribeira de Pena, Portugal)

A propósito do carácter isento da peça e de ter todas as suas caras decoradas se comentam alguns paralelos de pilares quadriformes topados em vários castros do Norte de Portugal, assim como a mais recente Pedra da Povoa topada em Trás-os-Montes e publicada faz uns anos, se bem os autores e mostram cautos com o possível conexão com as pedras onfálicas do mundo céltico em geral como se tem pranteado para a Pedra da Povoa.

As pedras onfálicas de Kermaria (Bretanha, França) e Turoe (Irlanda)

Deixando o possível sentido da peça seu contexto original no artigo se comenta que a possibilidade de que como sucede com algumas aras de época romana fora reutilizada como base para a mesa de um altar cristão, já que a buraco podia ser utilizada facilmente para guardar a relíquia necessária para consagrar como tal o altar

 
Artigo:
González Formoso, E (2022): "La Pía galaica de Folgoso (Esgos, Ourense)" Minius Nº  27, 2022, pp.. 35-55 PDF

artigos relacionados: 

Fonte, J., Santos Estévez, M., Bacelar Alves, L. y López Noia, R. (2009): “La Pedra da Póvoa (Trás-os-Montes, Portugal). Una pieza escultórica de la Edad del Hierro” Trabajos De Prehistoria, Nº 66/2 pp. 161-170  DOI: 10.3989/tp.2009.09022

Waddell, J. (1982): "From Kermaria to Turoe?" in B. G. Scott (ed.): Studies on Early Ireland. Essays in honour of M. V. Duignan, Belfast. pp. 21-28  PDF
 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Um Violento Neolítico Europeu


Durante boa parte da segunda metade do século passado a perceção que se teve das sociedades do Neolítico, tendia a considerar esta em geral como sociedades simples pouco ou nada estratificadas, com um índice limitado de riqueza material e pouco especializadas em quanto a divisão do trabalho. 

De este jeito o Neolítico apresentava-se como um período caracterizado por comunidades a pequena escala e com um escasso grau de competência entre elas pelos recursos do meio. Isto iria aparelhado a ideia de que o Neolítico fora uma época relativamente pacifica e sem motivações que sustiveram a necessidade da guerra como sim sucederia em períodos posteriores. Esta era por exemplo a imagem que Gimbutas amostrava por exemplo na sua visão do que ela chamou a "Velha Europa" um periodo de paz quase edénica caraterizado pelo igualitarismo social e o matriarcalismo.

Imagem de uma "pré-história pacificada" que tem sido criticada como uma mera fantasia durante as últimas décadas. Uma critica da que o clássico estudo de Guilaine, e Zammit "O Caminho da Guerra" aporta evidencias sobradas do pouco pacíficos que foram esses tempos, e segue a dia de hoje a ser uma boa síntese ainda muito recomendável introdução ao problema da guerra na pré-história, se bem nos últimos anos as evidências em este sentido não tem deixado de medrar e multiplicar-se em toda a área neolítica europeia, desde a massacre do Bolmem de Longar em Navarra a alguns santuarios e fossas comuns descobertas recentemente na chaira centro-europeia.

A osteologia apresenta uma metodologia para avaliar a presença da violência nos restos ósseos durante a pré-história, e distinguir aqueles traumatismo que são causados por acidentes daqueles resultado de uma violência intencional, permitindo estabelecer padrões de fratura para armas especificas. Lesões como as pontas de seta encaixadas são facilmente reconhecíveis mas outros tipos de traumatismos produto de armas contundentes como maças ou machadas precisam ser analisados com muito mais cuidado.

O estudo amostra evidências de violência de cerca de 10% ao menos da população neolítica estudada na Europa ocidental, marcando um aumento significativo das lesões violentas observadas no registo com respeito às populações mesolíticas, o qual faz considerar aos autores do artigo ao neolítico como um período central para entender a origem do conceito de "guerra" como tal: 

“Isso prantea a questão de saber se é possível começar a usar o termo guerra para algumas das interações violentas do período-e de fato a reconheça (bio-) arqueologicamente ao caracterizar a evidência esquelética da violência que sobrevive. O aumento da territorialidade relacionada à agricultura e pastoralismo e produção variada e sazonal de excedentes e aumentos inevitáveis e variação no tamanho do grupo, organização e desigualdade econômica provavelmente são fatores contribuintes (5). Ao mesmo tempo, é importante lembrar que a violência, como uma forma de comunicação, não é uma nova característica do período. Embora os níveis endêmicos de violência certamente estejam presentes dentro do período e da região, isso não equivale à uniformidade experimental ou numérica, nem permite a caracterização de todo o período como particularmente beligerante no contexto da Europa pré -histórica, ou mesmo da história humana como um todo. O que vemos é um aumento em eventos violentos significativos, resultando em mortes em massa, que se agrupam no primeiro neolítico da Europa Central em particular. Essa evidência de violência intergrupal sustentada e em larga escala pode de fato sinalizar a inauguração mais permanente da guerra nas relações sociais diante de mudanças sociais, econômicas e demográficas sem precedentes e complexas”

No corpus osteológico estudado pelos autores se observa igualmente um 70% de lesões causadas por seta, e um 50% causadas por traumatismos gerais. Em isto há que matizar também o fato de que o efeitos da armas contundentes como machadas ou maças apenas deixa um percentagem muito leve de lesões que afetem aos elementos ósseos do corpo, lesões contundentes de importância e que mesmo podem afeitar a órgãos do corpo ou causar a morte não sempre tem expressão apreciável em roturas ou lesões ósseas

Põe-se por exemplo o caso da fossa comum de Talheim resultado de uma massacres mas na que não em todos os indivíduos enterrados se puderam topar signos físicos de violência, se bem o contexto violento e resultado de uma massacre é pouco duvidáveis em este caso. Na chamada da Cultura da Cerâmica de Bandas há um certa abundância de fossas comunais contendo dezenas de cadáveres com traumatismo letais, mostrando que a violência era algo frequente em este cultura sobre tudo durante o período prévio ao 5000 a.C. Estas massacres indiscriminadas parecem ter incluído a tortura ou mutilação dos contrários. 

Também existe a possibilidade de que uma parte de estas fossas tenham sido resultado de outros fenómenos catastróficos como epidemias ou períodos de fome. Os analises comparativos sobre o fenómeno da violência grupal amostram que as massacres soem ocorrer dentro de um determinado contexto, em sociedades onde os desequilíbrios de poder crescentes, tanto entre grupos como dentro do grupo, favorecem dinâmicas de competição e agressão

Em estes contextos de forte crescimento das tensões levam nos aos casos de massacre massiva que têm aparelhada a desumanização por parte dos agressores dos membros da outra comunidade, que faz legitima e justifical -também toleravel- o exercio de uma violência indiscriminada e cega tanto em vida como apôs da própria morte, mutilando o cadáver ou negando-lhe um enterro segundo os ritos usuais. As  dinâmicas das comunidades neolíticas oferecem um cenário privilegiado para a aparição de este tipo de conflitos inter-comunitarios.

Motivos para a violência:

O artigo também se pranteia o problema das motivações e incentivos que um determinado tipo de sociedade ou outro apresenta para a aparição da guerra como fenómeno. Assim sociedades caracterizadas por uma de população escassa e dispersa que não ultrapassam os níveis de sustentação do meio que os rodeia têm poucos incentivos para entrar em conflito entre sim. Antes bem em uma sociedade demograficamente débil qualquer conflito armado pode supor perdas demasiado graves que podem questionar a supervivência das próprias comunidades enfrentadas. 


Uma demografia baixa favorece assim formas de violência que intentam limitar os danos letais, e tendem a seguir padrões mais ou menos ritualizados, com costumes, normas e restrições destinadas a evitar males maiores durante o enfrentamento. Uma razia ocasional em este tipo de guerra pode apenas ter como efeito a morte de um ou dois indivíduos do outro grupo. Outro padrão recorrentemente observado em sociedades com formas de guerra fortemente ritualizadas é que a motivação da guerra a maior parte das vezes sói situar-se mais dentro do próprio grupo que fora dele.



São mais as tensões internas pelo poder ou prestigio, dentro da comunidade as que se amostram na busca de botim ou de reforçar o status através do exercício de uma conduta "heroica". A intensificação da conflitualidade bélica pressente durante o Neolítico amostra outro contexto no que o aumento da demografia fruto da economia agrícola, supõe uma pressão humana maior para o médio e incentiva a competência pelos recursos entre comunidade vizinhas dando lugar a um ênfase na territorialidade e a identidade grupal. No qual fenómenos como os conflitos massivos e a violência indiscriminada intergrupal fazem sentido plenamente.   

"Enquanto a violência letal e subletal eram claramente uma característica da vida antes da domesticação, há evidências inequívocas de mudanças significativas durante o Neolítico em termos de escala, frequência e táticas envolvidas em interações violentas, quando são comparadas ao Mesolítico e períodos anteriores. Antes da domesticação, episódios de violência em massa, conforme é indicado por múltiplos enterros e ataques a estruturas fortificadas durante o Neolítico, não são evidêntes nem foram possíveis devido à natureza de pequena escala, dispersa e mais móvel das populações forrageiras."

Demografia, rapto da noiva, escravidão?

A mudança demográfica e social que supõe a adoção de sistema produção agro-gandeira e do sedentarismo, leva aparelhado um crescimento paralelo da estratificação interna dentro das comunidades neolíticas:   

"Os modos de vida neolíticos favoreceram famílias maiores e levaram à Transição Demográfica Neolítica, uma explosão populacional efetiva na qual as sociedades se desequilibraram em relação aos indivíduos mais jovens. Enquanto caçadores-rcoletores “com sucesso” só podem compartilhar os benefícios de seus esforços no curto prazo e com alguns indivíduos, agricultores com sucesso podem acumular riqueza material na forma de terra e gado que permitem e promovem famílias cada vez maiores. Essas novas formas de riqueza também eram hereditárias, o que significa que as disparidades emergentes de riqueza poderiam aumentar ao longo de várias gerações."

O artigo assinala a possível existência de formas de matrimonio poligínicas durante o período neolítico na Europa, como evidenciaria alguns estudos de ADN antigo recentes como o da necrópole de Hazleton North, sudoeste da Inglaterra, onde um único progenitor masculino dera lugar com 4 mulheres a uma família de 5 gerações com exogamia feminina:

"O surgimento de indivíduos “ricos”, especialmente em grupos mais pastoris, também terá criado condições que favoreceram a poligamia – alguns indivíduos do sexo masculino agora eram capazes de sustentar mais de uma esposa. Essa mudança aumentaria ainda mais a desigualdade ao produzir patriarcas poderosos à frente de famílias cada vez maiores, ao mesmo tempo em que privaria outros homens jovem que talvez não pudessem casar." 

Dados como este apontam a uma imagem das sociedades neolíticas como fortemente desiguais e conflituais o qual encaixa com o surgimento de conflitos intergrupais com possíveis episódios de adução de mulheres de grupos contrários como os que se evidenciam etnograficamente em alguns povos atuais. Porem os 3 locais de massacre da Cerâmica Linear (Asparn/Schletz e Schöneck-Kilianstädten) mostram uma escassez comparativamente de mulheres jovens, e em um caso de eles -Schöneck-Kilianstädten- também uma ausência de adolescentes entre as vitimas. 

A explicação provável e que estes moços foram capturados seletivamente para logo ser integrados na comunidade atacante sem que possamos precisar o seu status dentro de elas, já fora como membros da comunidade ou como escravos. As vezes, as duas categoria não estão demasiado longe, como sucedia como os nuer que capturavam escravos entre os seus vizinhos, mas estes escravos realizavam as minhas tarefas e tinham o mesmo tipo de vida que seus captores sendo usual que ao cabo de um tempo se integraram no grupo dos raptores e terminaram participando eles próprios em expedições guerreiras com eles contra os povos vizinhos, mesmo contra seu próprio grupo de origem.

dança guerreira Nuer, foto: Evans-Pritchard 1935

Boa parte das linhagens nuer de fato tinham antepassados que se integraram no povo nuer inicialmente como "escravos". Mais isto não é assim sempre e os escravos kwakiutl que eram sacrificados mesmo apenas como uma forma de amostrar a riqueza junto com outras coisas que também eram destruidas durante os potlaches apresentam uma imagem muito distinta da escravidão, e não digamos já da costume dos chamados "mortos de acompanhamento" ... mas isso já é outra história para outra postagem


Artigo: 

Fibiger, L., Ahlström, Meyer, C. & Smith, M. (2023): “Conflict, violence, and warfare among early farmers in Northwestern Europe” PNAS Nº 120/4  DOI: 10.1073/pnas.2209481119 pna

Alguma bibliografia complementaria: 

Evans-Pritchard, E.E (1992): Los Nuer. Anagrama. Barcelona. 
Guilaine, J. & Zammit, J. (2001): El camino de la guerra. La violencia en la prehistoria. Ariel. Madrid


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