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segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Documenta Praehistorica Nº 52 - 2025

Documenta Praehistorica 

Nº 52 - 2025

INDEX

A child born to immigrant parents 
at Lepenski Vir pp. 6-19
Maxime Brami, Jens Blöcher, 
Yoan Diekmann

Infectious diseases and the First Epidemiological 
Transition in Central and Western Eurasian prehistory
A review in light of the aDNA revolution pp. 20-43
Andrea Martín-Vela, Víctor Jiménez-Jáimez

Simulacra of the ancestors
The Neolithic Packageas a reconfiguration 
of ‘skull cults’ pp. 44-68 
Cansu Karamurat, Çiğdem Atakuman

Counting and comparing
Figurative representation density in
 Neolithic Central Europe and the Balkans pp. 70-81
Rebecca Bristow, Valeska Becker, 
Rune Iversen

Stone head tools from the hunter-gatherer 
Stone Age sites of Dudka and Szczepanki, 
NE-Poland pp. 82-120
Witold Gumiński

Celt production processes and loci 
in Neolithic Greece The evidence from
 the Thracian site of Makri pp. 122-146
Anna Stroulia, Tasos Bekiaris, 
Christos L. Stergiou, Vasilios Melfos

Obsidian treatment technology in 
the Lengyel cultur case study on the settlement 
of Kiarov-Veľké ortovisko site (South Slovakia) 
pp. 148-163
Lucia Popovičová, 
Noémi Beljak Pažinová

The emergence of the Neolithic in Dobrudja 
(Romania) reflected by the osseous 
industry pp. 164-184
Monica Mărgărit, Adrian Irimia, 
Valentina Voinea, Valentin Radu, 
Adrian Bălășescu

Pottery, language and iron
Reassessing Luukonsaari and Sirnihta 
Wares and their cultural context in 
Early Iron Age Finland pp. 186-211
Petro Pesonen, Minerva Piha, 
Marja Ahola, Elisabeth Holmqvist, 
Terhi Honkola

From macro to micro approaches in 
settlement archaeology. A case study 
of an Early Iron Age smithy at the Pungrt 
hillfort (Central Slovenia) pp. 212-245
Luka Gruškovnjak, Agni Prijatelj, 
Petra Vojaković, Jaka Burja, 
Barbara Šetina Batič, Rok Brajkovič, 
Borut Toškan, Tjaša Tolar, 
Helena Grčman, Matija Črešnar

Recent wadi surveys shed additional 
light on the prehistoric occupation of the 
central Azraq Basin, Jordan pp. 246-268
Jeremy A. Beller, Caitlin Craig, 
Holly O'Neil, Sarah J. Richardson, 
Mark Collard

A forest-steppe landscape and the settlement 
Ksizovo-1 in the Don region during 
the Middle Bronze Age pp. 270-296
Elke Kaiser, Evgenii Gak, 
Ekaterina Antipina, Claudia Gerling, 
Barbara Huber, Maxim V. Ivashov, 
Elena Lebedeva, Birgül Öğüt, 
Jana Eger

Zooming in and out the outcomes of geophysical 
research at the Western Tripolye culture 
site Kamenets-Podolskiy (Tatarysky) pp. 298-311
Jakub Niebieszczański, Mateusz Stróżyk, 
Aleksandr Diachenko, Tomasz Herbich, 
Robert Ryndziewicz, Yevhenii Levinzon, 
Iwona Sobkowiak-Tabaka

New data on Ditch 5 from the site of Marroquíes 
(Jaén, Spain)Its use in the last phases
 of a funerary rite pp. 312-335
Claudia Pau, Juan Antonio Cámara Serrano, 
Carlos Rodriguez Rellan, Antonio Ruiz Parrondo

Ditches in focus. Geomagnetic research 
on a Vučedol site of Szilvás in 
southeast Transdanubia (Hungary) 
pp. 336-354
Kata Furholt, Martin Furholt, 
Mira Majdán, Gábor Bertók, 
Fynn Wilkes, Sebastian Schultrich, 
Erik Riese

Carved in stone. Exploring the petrification 
phenomenon of late 3rd millennium BC 
in southern Portugal pp. 356-377
Ana Catarina Basílio

Chalcolithic stamp seals from Tepe Gheshlagh, and 
a look into their application in ownership 
and exchange systems pp. 378-390
Mahnaz Sharifi, Abbas Motarjem

Late Neolithic and Early Chalcolithic lids 
from Damyanitsa, southwestern Bulgaria 
pp. 392-428
Galya Vandeva

Digging at the museum. Unveiling the 
Late Neolithic/Chalcolithic individuals of Lapa 
da Bugalheira (Torres Novas) through 
bioarchaeology pp. 430-444
Helena Maximiano Gomes, Filipa Rodrigues, 
Ana Maria Silva

New insights into the Mesolithic and Neolithic 
layers of the Darkveti rock shelter 
in the Imereti Region, Western Georgia 
pp. 446-459
Guram Chkhatarashvili, Nikoloz Tskvitinidze, 
Nikoloz Tsikaridze, James A. Davenport, 
Michael D. Glascock

New 14C data from the tumuli necropolis of Dubac
in Jančići near Čačak and their role in establishing
 the chronological sequence of the Late Bronze 
Age for western Serbia pp. 460-472
Katarina Dmitrović, Barry Molloy


Descarregar a revista: Documenta Praehistorica Nº 52

sábado, 29 de julho de 2023

Deformação craniana entre os Yamnaya e Além




Faz dois dias justo lia um artigo recentemente publicado na revista Archaeological & Anthropological Sciences no que se re-estudava o crânio de um indivíduo enterrado num túmulo do Bronze Inicial na localidade de Smeeni no sul da atual Roménia. O interesse de este crânio esta no facto de ser a evidência mais antiga disponível nos Balcãs de a pratica da deformação intencional do crânio para conseguir uma forma artificialmente alongada da cabeça na idade adulta. 


Pessoalmente conhecia a prática da deformação craniano além dos casos do continente americano através sobre tudo do célebre caso dos hunos do período das Invasões Barbaras. São muito conhecida a deformação cranial que este grupo étnico praticava. 

a direita moeda de Khingila I fundador do reino dos Hunos Alchon em Batriana, 450 D.C; esquerda cranio topado em Samarcanda (Uzbekistão), circa 600–800 D.C

É frequente entre os especialistas de este período utilizar este rasgo morfológico como identificativo de necrópoles ou indivíduos adscritos esta etnia centro-asiática ou a mesmo de indivíduos segunda geração assimilados dentro da koine huna, ou ainda das elites povos submetidos, ou vassalos do reino huno, como se observa em alguns cemitérios alanos e burgûndios, mas desconhecia totalmente a presença em épocas tão antigas na Estepe Euroasiática deste costume. pelo que o tema suscitou inmediatamente meu interesse. 

síntese dos enterramentos yamnaya de Smeeni, Roménia

O crânio pertence a um varão adulto de entre 30 e 40 anos, e segundo os autores do artigo seria resultado de uma ação deliberada mediante pressão para alterar a forma craniana do sujeito desde criança já com uma possível prolongação do uso de estas técnicas durante a adolescência. É interessante a este respeito a descrição que se do método ussado para isto, inferida através das evidências osteológicas:

"A remodelação ocorreu durante a infância, na primeiros anos de vida, por compressão circular simétrica, mais provavelmente com o auxílio de bandas ou fitas estreitas e flexíveis feitas de fibras, tecidos vegetais ou peles de animais. Consideramos que as bandages foram aplicadas na cabeça deste indivíduo logo após o nascimento e envolvendo o seu crânio com força. Um curativo começou a partir do topo da cabeça (a região pós-coronária) para a parte de trás da cabeça (a região na proximidade do ponto cranial inion), enquanto a segunda bandage, de a testa (acima das órbitas) em direção ao lado superior do parte posterior da cabeça (parte posterior dos parietais). Supõe-se que, geralmente, as ligaduras foram removidas em torno a idade de 1,5–2 (máximo 5), quando a criança foi desleitada"

A Alguns autores como Erik Trinkaus tem argumentado em base a restos da Cova de Shanidar (Irak) que a pratica da deformação intencional do crânio pudera ser praticada já pelos neandertais. Para o homo sapiens a evidência mais antiga de esta procede dos jazigos paleolíticos da Cova de Zhoukoudian e Houtaomuga na atual China. 

distintas perspetivas do crânio da Cova  Zhoukoudian

Dentro do mesmo período se enquadra também os caso de deformação craniana de Nacurrie região do Rio Murray na Austrália. Este ultimo caso é de interesse, no entanto como estudou nos anos 30 Beatrice Blackwood a prática da deformação craniana seguia existindo entre alguns povos de Oceania como os Arawe.  Já no neolítico constata-se de novo na fase de este período de Shanidar, em Jerico (Israel), no Tell-es-Sultan, Diga a Ramad e Bougras (Síria), nos jazigos iranianos de Tepe Gani Dareh, Ali Kosh, Choga Sefid, Tepe Abdul Housein, Tepe Ghenil, e finalmente em Ashikli Höyük, Salat Jami, Hakemi Use na Anatõlia. Esta prática tem continuidade durante o Calcolítico e Bronze Inicial no Oriente Próximo e desde lá parece estende-se a outras áreas chegando até o Cáucaso e Crimeia e Asia Central.

dois casos de deformação craniana na Oceânia: a esquerda crânio  de Nacurri 1, direita: bebe arawa com a cabeça vendada e mãe, Nova Bretanha, 1934

Tudo isto sugere que partindo do núcleo Próximo Oriental o costume da deformação craniana foi-se gradualmente expandindo a Anatólia, e leste do Mediterrâneo, e já no Calcolítico-Bronze Inicial também entre as populações da área compreendida entre o Norte do Cáucaso, Don e Volga, ainda que observando-se nestas zonas uma incidência menor de esta prática da que se topa no Oriente Próximo. 

distintos metodos de deformaçâo craniana segundo Meiklejohn et alii

Evidências de este costume aparecem nos jazigos de   Polutepe e Ismayilbeytepe no Azerbaijão, Chiaturi na Georgia, Ginchi e Velikent III no Dagestão, e Aknalich na Arménia. Também aparece nos Balcães em Durankulak (Bulgária) e na Grécia em no jazigo de Tharrounia. 

reconstrução digital da cabeça do Homem de Kennewick

No Ocidente da Europa tem-se sugerido casos de deformação craniana, se bem controversos, durante o Neolítico em Jammes, Belleville  and Bonifacio e Guiry todos na França. Diferente via séria, obviamente, a que conduziria esta prática ao continente americano, casos como o do Home de Kennewick poderiam vincular a sua chegada a colonização paleolítica deste Asia Oriental.


Casos de deformação craniana em Eurásia, Oceânia e América segundo o estudo de Ni et alii

Na estepe eurasiática a prática da deformação do crânio das crianças não amostra muita frequência e parece ter-se espalhado mais lentamente, e os corpos que amostram isto mais antigo aparecem vinculados a cultura Yamnaya e a Cultura das Catacumbas. Recentemente se tem assinalado similitudes entre as técnicas de deformação do crânio dos Yamnaya e da Cultura das Catacumbas com as da cultura Okunet do Sul da Sibéria, indicando possíveis contactos a longa distancia entre áreas tão afastadas geograficamente como as de estas culturas pré-históricas. 

distintos pormenores do crânio do homem de Smeeni e reconstrução  hipotético da colocação das ligaduras tendo em conta as deformações produzidas na fisionomia da cabeça

Com tudo a escassa incidência no mundo yamnaya de este costume sugere que nunca cumpriu a função de identificador étnico que adquiriu por contra entre algumas populações da estepe em tempos já históricos como os hunos e os avaros. Uma possibilidade ao respeito é interpretar o cranio deformado como um marcador de status de certos linhagens ou condições sociais, ou bem mesmo funcionar secundariamente como marcador étnico em contextos nos que uma nova elite intrusiva poderia tentar manter um certo diferencialismo através de esta prática, como sugerem hipoteticamente os autores do artigo para o esqueleto do túmulo de Smeeni vinculado a cultura yamnaya


Artigo: 

Frînculeasa, A,; Simalcsik, A.;Petruneac, M.; Focşăneanu, M.;Robert Sîrbu, R. & Frînculeasa, M.N. (2023): "From the Eurasian steppe to the Lower Danube: the tradition of intentional cranial deformation during the Bronze Age" Archaeological & Anthropological Sciences  Nº 15/8 pp. 1-17 DOI: 10.1007/s12520-023-01826-0


Outras referências: 

Brown, P. (2010): "Nacurrie 1: Mark of ancient Java, or a caring mother’s hands, in terminal Pleistocene Australia?"Journal of Human Evolution Nº 59  pp. 168-187 DOI: 10.1016/j.jhevol.2010.05.007

Chech M.; Grove C.P.; Thorne A & Trinkaus E. (1999): "A New Reconstruction of the Shanidar 5 Cranium" Paléorient  Nº 25/2  pp. 143-146  DOI: 10.3406/paleo.1999.4692

Kazarnitsky, A.A.; Gromov, A.V.; Evgeniia N. Uchaneva, E. N. & Pugacheva, E.V. (2023): "Cranial deformation in the northwestern Caspian Sea region in the Bronze Age: Siberian parallels" International Journal of Osteoarchaeology Nº 33 pp. 26–38  DOI: 10.1002/oa.3171

Mayall, P.; Pilbrow, V. & Bitadze, L. (2017): "Migrating Huns and modified heads: Eigenshape analysis comparing intentionally modified crania from Hungary and Georgia in the Migration Period of Europe" PLoS One Nº 12/2: e0171064  DOI10.1371/journal.pone.0171064

Meiklejohn C.; Agelarakis A.; Akkermans P. A.; Smith P.E.L. & Solecki R. (1992): "Artificial cranial deformation in the Proto-neolithic and Neolithic Near East and its possible origin : Evidence from four sites" Paléorient  Nº 18/2  pp. 83-97  DOI: 10.3406/paleo.1992.4574

Ni, X.; Qiang Li, Q.; Stidham, T.A.;Yang, Y.; Ji, Q.; Jin, Ch. & Samiullah, Z. (2020): "Earliest-known intentionally deformed human cranium from Asia" Archaeological & Anthropological Sciences  Nº 12:93  DOI: 10.1007/s12520-023-01826-0


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Chifres, Crânios e o Neandertal Ritual


Normalmente os restos da presença dos Neandertais em sítios arqueológicos geralmente estão associados a atividades de subsistência, como a caça, o processamento e consumo de animais, a preparação de ferramentas ou o uso do fogo. Menos frequentemente ainda que existente, e a evidencia de atividades extrativas como por exemplo o trabalho em pedreiras de sílex, ou e atividades relacionadas ao seu mundo simbólico normalmente enterramentos.  No entanto  o escasso da evidencia de praticas simbólicas entre os Neandertais gerou uma controvérsia entre os pesquisadores sobre se o Neandertal seria utente de capacidade simbólica ou não.


A este respeito a recente datação a alguns anos de algumas das primeiras mostras de arte rupestre em cronologias Neandertais resultou controversa pelas suas implicações. Em este sentido o descobrimento de uma peculiar acumulação óssea no jazigo de Cueva Descubierta vota uma nova luz sobre as capacidades simbólicas do pensamento dos nossos antepassados Neandertais, e bem a confirmar a hipótese do partidários dum Neandertal plenamente simbólico e com umas capacidades cognitivas comparáveis a dos sapiens sapiens





o jazigo de Cueva Descubierta foi topado Vale do Rio Lozoya, no norte da Comunidade de Madrid (Espanha) no 2009 durante trabalhos de prospeção realizados no âmbito da investigação arqueológica desenvolvida na área desde 2002. A caverna, que corre em ziguezague por cerca de 80 m e tem 2 a 4 m de largura, perdeu seu teto desprendido devido a erosão da rocha.   


Durante as excavações dos distintos niveis do complexo em um total de 7, no nivel 3 topou-se uma inussual conentração de restos osseos de grandes herviboros.  Após o analise do contexto estratigrafico, geológico desbotara que este acumuluo de materiais fora resultado do acaso, probocado pela escorrentia da agrua, derruves ou outros processos post-deposicionais que puderam ter juntado em um mesmo local restos sem conexão inicial, pelo que se confirmava como um acumulação resultado de um processo consciente. 


A tipologia da industria litica recuperdad e as dataçoes de Carbono 14 permitiram situar estes resto durante o periodo musterniense e por tanto atribui-los aos neandertais dos quais se toparam alguns restos dentarios no conjunto da cova.



Crânios e chifres

No nível 3 de esta antiga cova foram topado um total de 2.265 restos faunísticos com mais de 2 cm de comprimento foram recuperados, dos quais 1.616 puderam ser identificados taxonomicamente. Entre os restos a maioria correspondiam a ungulados, que dominam na mostra sobre os de carnívoros. Os mais bem representados destes ungulados são os bovideos como o bisonte ou o uro (Bison priscus e Bos primigenius), seguidos a alguma distância pelos cervídeos (Cervus elaphus e Capreolus capreolus), o rinoceronte das estepes (Stephanorhinus hemitoechus) e os cavalos salvagens (Equus ferus). 

Boa parte dos restos osseos ( um 30,5% do total) amostravam o efeito da exposiçao ao lume, tendo sobrido a maior parte de eles carbonizaçao. Chama a atençao inmediatamente em esta acumulaçao de restos faunisticos dois factos: 1) o de que os restos correspondam em um proporçao inusual a cranios, e o que é mais peculiar nao a cranios compretos senao apenas a parte superior e posterior do cranio (faltando o maxilar a parte baixa do cranio), e 2) o facto da seleçao clara dos animais a que correspondem estes animais: todos eles sao grandes herviboros



No total, foram recuperados os restos de 35 crânios, dos quais 28 pertencem a bovinos (B. priscus, 14; B. primigenius, 3; Bos/Bison, 11), 5 a cervídeos (C. elaphus, 5; todos machos com seus chifres não derramados) e 2 para rinocerontes (S. hemitoechus). A pratica totalidade, sao animais que portam na sua cabeça chifres ou apendices corneos equivalentes, a unica excepçao seria a pressença de restos de equido mas em este caso estes reduce-se a um pressença marginal representando unicamente por um fragmento de dente.




Despeço experimental

Para interpretar corretamente os processos de processamento do restos obtidos no nível 3 foi realizada uma experiencia de arqueologia experimental consistente no despeço de vários cadáveres de bovinos utilizando ferramentas líticas similares as do período estudado. Isto permitiu não são compreender a estrutura e marcas deixadas nos restos ósseos senão também permitiu um compreensão mais geral do processo de despeço

Assim a observação do sucedido no processo de removido da mandíbula e processado do crânio para chegar obter a carne, permitiu sacar conclusões sobre a localização de cada fase do abate em um ou outro lugar da cova. Por exemplo o facto de que durante o remoção da mandíbula varias dentes foram desprendidos e a escassez no registo de peças dentarias, maxilares e ossos associados no nível 3 permitiu inferir que este processo não teria sido realizado no interior da cova senão em uma localização exterior.

Este primeiro processado fora da caverna puído estar relacionado com o consumo da carne da cabeça, a línguas e os olhos. Por contra a parte superior do crânio após isto seria deslocado ao interior da cavidade para uma segunda fase de processado, esta estaria relacionada com o acesso ao cérebro dos animais e/ou o trabalhado intencional dos crânios até lhes dar o aspeto no que foram topados. O analise experimental mostrou que o método mais singelo de aceso o cérebro das vitimas era através da rutura dos ossos occipitais do crânio, o qual produção resultados coerentes com a forma e marcas observadas na acumulação de crânios do local. 

A própria divisão geográfica do processado do animal e o tratamento no crânio para a extração do cérebro fora e no interior da cova, remarca a importância de esta ultima fase de tratamento dos resto animais.  De facto o estudo dos grupos de caçadores-coletores atuais amostram que o crânio do animal soe ser frequentemente descartado e não levado de volta para o acampamento.A cabeça e pesada de transportar e proporção relativamente pouco alimento por contraste com outras parte da carcaça do animal com mais contido de carne. 

O qual faz seu transporte pouco útil e da a este ato um importância que se tem que situar além da mera questão de subsistência, e apontar a um função simbólica de esta parte do corpo do animal, o qual se vê reforçado pela própria acumulação intencional e tratamento diferenciado 

Poder-se-ia especular se o próprio acesso e consumo do cérebro pelos caçadores não estaria vinculado a um sistema de crenças e o simbolismo dos animais selecionados, como sucedia no ritual embaixo assinalado do sacrifico do urso ainu.


Paralelos Etnográficos:
Os autores comparam a acumulação intencional de crânios de animais com os modernos troféus de caça vinculados a atividade da caça desportiva que no fundo seria o avatar contemporâneo de uns costumes repetidos entre povos caçadores. Praticas semelhantes de acumulação de troféus são relativamente frequentes entre algumas sociedades de caçadores-coletores. Em estas culturas o crânio do animal adquire uma forte importância vinculada a associações simbólicas. 

Assim os achuar de América do Sul ou os Wola de Nova Guiné guardavam os espólios da caça para formar troféus exibidos publicamente. Em algumas culturas os crânios ou outros ossos que tiverem uma especial significação simbólica eram agrupados para formar de depósitos associados a rituais de caça, considerados por alguns autores como autênticos santuários de caça. 

Estas acumulações e troféus também têm sido associados em alguns exemplos etnográficos com a construção da identidade masculina; este era o caso por exemplo dos Grupos das Terras Baixas de Nova Guiné, ou sido resultado de cerimonias especificas como sucedia com o celebre caso dos Ainu do Japão. Na mesma área do mar do Japão entre o povo Ulita da Ilha de Shakalin os crânios de animais eram depositados em relação com os rituais funerários. Algo que se faz pressente também no Sudeste asiático na representação de bucrânios ou acúmulos de chifres superpostos de búfalo nas tumbas.



Artigo: 

Baquedano, E., Arsuaga, J.L., Pérez-González, A. et al. (2023): "A symbolic Neanderthal accumulation of large herbivore crania" Nat Hum Behav  DOI: 10.1038/s41562-022-01503-7 

Bibliografia complementar: 

Robin, G. (2017): "What Are Bucrania Doing in Tombs? Art and Agency in Neolithic Sardinia and Traditional South-East Asia" EJA Nº 20/4  pp. 603–635  DOI: 10.1017/eaa.2017.12



Postagem relacionada:  O Mundo Simbólico Neandertal

domingo, 5 de abril de 2015

Os Caçadores de Cabeças de Cailar



 Aproveitamos agora no Archaeoethnologica para por agora esta emiçao do programa radiofonico cultural Le Salon Noir de Radiofrance no que se emitiu recentemente uma interessante entrevista ao arqueologo Réjane Roure do Laboratorie Archéologie des Sociétés


Méditerranéennes da Universidade Paul Valéry de Montpellier, junto com um pequeno, mas interessante, documentário intitulado Quando os gauleses perdem a cabeça: Investigação arqueológica sob as cabeças cortadas.


Em ambos dois se passa revista a problemática das cabeças cortadas no mundo gaulês, e céltico em geral, assim como em áreas vizinhas como o âmbito ibérico donde podemos topar os crânio perfurados por pontas no Oppidum de Ullastrett (Girona)

Podeis escoitar o programa e descarregar o postcat indo a pagina web de FranceCulture.



Pode que também te interesse: Crânios, Troféus ou Ancestrais

sábado, 29 de março de 2014

Vivindo com os Mortos - Palestra


Living with the Dead

Quando: 2 Abril
Onde:  Gambelas


O Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia da Universidade do Algarve vem anunciar mais uma conferência do ciclo de palestras Arqueologia ao Sul, desta vez por Karina Croucher, com o tema Living with the dead: Mortuary practices from the Neolithic Near East, que se realizará no dia 2 de Abril de 2014 pelas 17:30 horas


Resumo
Esta presentação discute a evidência mortuária do Neolítico no Oriente Próximo (sudoeste da Ásia), um período crucial para o desenvolvimento da civilização, se consideramos a introdução da agricultura e das primeiras cidades sedentárias. Houve neste período várias formas de tratar os mortos, incluindo a fragmentação do corpo humano e a reutilização de partes do corpo, especialmente o crânio.


Entre estas práticas se incluiu o reboco dos crânios dos mortos, no que os rostos dos mortos foram recriados sobre seus crânios usando cal, barro e gesso. Esta palestra discute as interpretações recentes deste enigmático fenómeno, que incluem as conexões entre vivos e os mortos, e o papel tangível dos defuntos na vida dos vivos.


sábado, 22 de dezembro de 2012

Os Homens sem rosto

Os homens do Neolítico mutilavam a face dos cadáveres como sinal de vingança

Uma equipe internacional de cientistas, com participação espanhola, há indagado sobre o tratamento ritual de crânios esqueleto facial mutilados no Neolítico Pré-Cerâmico do sul da Síria, a partires de vários crânios encontrados no jazigo de Tell Qarassa Norte.

Pesquisadores da Universidade de As Palmas de Grã-Canária, o Conselho Superior de Investigações Cientificas e da Universidade Sophie Antipolis de Niza estudaram os restos de crânios encontrados no jazigo de Tell Qarassa Norte datados a meados do IX milénio aC e situados ao sul da Síria, que oferece novos dados sobre o significado dos comportamentos rituais com respeito aos crânios



Os 11 crânios encontrados neste site estão divididos em dois grupos dispostos em um círculo no chão de uma sala e corresponde, com exceção de uma criança, a indivíduos jovens-adultos e masculinos. Em 10 dos 11 casos, o rosto foi removido a adrede. "A amputação deliberada dos ossos faciais de indivíduos juvenis e seu agrupamento em um depósito após a sua remoção das sepulturas, quando os cadáveres estão já esqueletizados sugere um ritual de punição ou vingança", asseguram os pesquisadores.



No contexto do neolítico pré-cerâmico, em que a simbologia do face humana joga um papel fundamental nas conceções rituais, como pode observar-se no uso de máscaras, esculturas e crânios modelados, esta eliminação poderia ser interpretado como um ato de hostilidade.


Guerreiros sem rosto
   
O estudo sugere que aqueles jovens poderiam ser guerreiros cuja força era temida pelo grupo, apenas a criança conserva seu rosto. Estas comunidades atribuíam muitos valores ao crânio e neste caso pares implicavam algo daninho para o grupo. O chamado "culto do crânio", é dizer, a extração, uso e desafeto, é uma das principais características do complexo ritual funerário que se documentada na transição ao Neolítico no Oriente Próximo.



O ritual funerário tem sido interpretado tradicionalmente como uma forma de culto aos antepassados ​​ou heróis. No entanto, nos últimos anos, tem-se revelado algumas inconsistências no registro arqueológico que lançam dúvidas sobre a universalidade dessas interpretações, sugerindo que eles representam uma pluralidade de significados.

  Fonte:  SINC - Antropologia


Referência

Santana J, Velasco J, Ibáñez JJ, Braemer F. “Crania with mutilated facial skeletons: a new ritual treatment in an early pre-pottery Neolithic B cranial cache at Tell Qarassa North - South Syria” American Journal of Physical Anthropology 149/ 2, 2012, pp. 205-216  DOI: 10.1002/ajpa.22111.


"Que vem o Osso"




segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Crânios, Troféus ou Ancestrais - Livro


Crânes Trophées, Crânes d´Ancêtres

Boulestin,B. & Henry-Gambier,D. (Eds.), Crânes  trophées,  crânes   
d´ancêtres et autres pratiques autour de la tête: problèmes d’interprétation en archéologie. BAR International Series 2415, Archaeopress, Oxford, 2012


Sinopse
A aparição de restos humanos em diversos contextos arqueológicos claramente ritualizados como silos, lugares de habitação, gáveas, estruturas arquitetónicas varias, e com uma amplitude cronológica igualmente considerável do paleolítico a tempos proto-históricos, nos últimos anos tem sido estudada pola arqueologia pranteando diversas ideias interpretativas, que vão desde a memorialização, o sacrifício, o troféu, ou mesmo canibalismo.



Isto contrasta assim mesmo com a presença na etnografia de povos não europeus o unas fontes antigas de referências sobre o sentido e uso do crânio e outras partes do corpo. Por elo esta temática apresenta-se como um térreo privilegiado para o encontro e a síntese interdisciplinar entre arqueologia, historia e antropologia, assim como para prantear toda uma serie de questões epistemológicas e metodológicas.  

Ornamentos de crânios do Dahomey 1851

O livro recolhe os trabalhos sobre esta temática apresentados por arqueólogos, historiadores e antropólogos na mesa redonda do mesmo titulo celebrada no Museu Nacional da Pré-história de Eyzies-de-Tayac (Dordonha, França) em outubro de 2010


INDEX

1 - Décapitation/décollation: une distinction justifiée?
Bruno Boulestin et Dominique Henry-Gambier

2 - Têtes coupées, têtes-trophées. L’exemple de l’île de Pâques
Nicolas Cauwe

3 - Pourquoi couper des têtes?
Alain Testart

4 - Quelques réflexions à propos des coupes crâniennes préhistoriques
Bruno Boulestin

5 - Têtes coupées: données archéo-anthropologiques et lignée néandertalienne
Célimène Mussini et Bruno Maureille

6 - Les pratiques autour de la tête en Europe au Paléolithique supérieur
Dominique Henry-Gambier et Aurélie Faucheux

7 - Ofnet et les dépôts de têtes dans le Mésolithique du sud-ouest de l’Allemagne
Christian Jeunesse

8 - Le crâne mésolithique de l’abri du Mannlefelsen I à Oberlarg (Haut-Rhin): étude des modifications osseuses
Bruno Boulestin et Dominique Henry-Gambier

9 - Aperçu des pratiques autour de la tête du Néolithique au premier âge du fer
Bruno Boulestin

10 - À propos des crânes découverts dans les fossés d’enceinte de la culture de Michelsberg
Christian Jeunesse

11 - Du prix et des usages de la tête. Les données historiques sur la prise du crâne en Gaule
Jean-Louis Brunaux

12 - Pratique des têtes coupées chez les Gaulois: les données archéologiques
Élisabeth Rousseau

13 - Acquisition, préparation et autres traitements de la tête chez les Gaulois: aspects anthropobiologiques
Bruno Boulestin et Henri Duday



terça-feira, 1 de novembro de 2011

Entre a Arqueologia e o Folklore - os "Não-mortos"


Estando nas datas na que estamos quase que é conjuntural escrever algo deste tipo para acompanhar a contextual temática da morte. A morte por em é um tema que leva longe a mente humana em geral como feito omnipresente desde a alba dos tempos, e do mesmo jeito não podia deixar de estar presente dentro do campo de estudo da etnografia, a antropologia, a história ou a arqueologia, uma longa bibliografia sobre "arqueologia da morte" assim o acredita. A morte e as distintas formas de entende-la ao longo do tempo e das culturas certamente dão para muito, e permitem de cote achegamentos cruzados entre disciplinas diversas

um dos esqueletes de Kilteasheen
Vai uns meses no bloge Powered by Osteons da arqueologa Kristina Killgrove precisamente empeçara a avançar em uma dessas fascinantes temáticas nas que a arqueologia se da a mão co folklore, a arqueologia dos "não-mortos". A postagem recolhia a nova da aparição nas escavações de uma necrópole de entre os séculos 7-14 d.C em Kilteasheen, Condado de Roscomon (Irlanda) de dois cadáveres masculinos datados no século oitavo, que foram submetidos a um curioso procedimento ritual consistente em colocar-lhes uma pedra fechando-lhes a boca, e no casso de um de eles outra de maior tamanho sobre o peito.

A chamada Vampira de Venecia
Este curioso costume está testemunhado arqueologicamente noutros cadáveres de época medieval e moderna, como no campo-santo de Celekovice (Moravia) perto de Praga (século 10-11 d.C) onde 12 indivíduos foram submetidos a esta prática postmortem (King, 2011a), e na Itália onde vai uns anos se dera a conhecer o caso de uma mulher de idade abançada falecida durante a praga no século 16 e enterrada em uma fossa comum no lugar Lazzareto Vechio, que aparecera igualmente cum grosso pelouro ainda incrustado entre seus dentes (Nuzzolese & Borrini, 2010), ou mais recente o caso dos restos de uma moça exumados em Piondino (Toscana).

Escavações em Pionbino (Toscana)
A explicação destas crenças parece estar na natureza atribuída a estes defuntos de "maus mortos". Durante Idade Media estivo muito estendida a crença em que aqueles mortos que que tiveram uma "mala morte", entendendo por elo geralmente uma morte violenta, como a dos criminais justiçados ou as pessoas que foram assassinadas ou vitimas de um episódio bélico (como os dois irlandeses), ou bem aqueles que não foram enterrados "bem", como Deus manda, isto é fora de sagrado, por estarem excomungados ou simplesmente ter-se perdido o seu cadáver e quedar exposto (como soia suceder com os afogados no mar).

Também entravam nesta categoria aquelas pessoas que durante a sua vida tiveram uma existência considerada marginal -ou marginalizada- pela comunidade, como sucedia frequentemente com as meigas. O qual que se tem sugerido para a Vampira de Venecia e a moça de Piondino ainda que neste casso tenha-se também plantegado que for parte doutra categoria anómala, a de "adultera" ou "prostituta" (King, 2011b). Todos estes "maus mortos" eram suscetíveis de converter-se trás do seu passamento em "aparecidos", e voltar ao mundo provocando a morte aos vivos

O caráter contagioso que tinha na mentalidade popular a condição dos visitantes do alem fazia que mesmo o simples contacto com eles leva-se a morte aos vivos. E frequente recordar o casso do nosso lendário popular em que a anima dum pecador aparece-se a um homem pedindo-lhe que lhe corte o santo-abito com que o amortalharem pois lhe impede a entrada no inferno, do mesmo jeito que os seus pecados lhe a negam no céu, atando-a a este mundo, coisa que o vivo assim faz, embora a caridade não tenha prémio pois dias depois o que se apiedará da anima empeça a murchar para falecer ao pouco. De igual jeito era o destino do vivo que acompanha a Estadeia o de ir e perdendo a saúde e enfraquecendo até formar ele mesmo parte da eterna processão dos mortos (Risco, 1962).

Este tétrico mas omnipresente imaginário da morte deveu de favorecer a extensão das crenças, e sobre tudo rituais, relacionados com este tipo de entidades na medida que elo fornecia uma boa explicação -causal- a arbitrariedade da morte, e mesmo uma forma, por ineficaz que for, de escapar a ela, em intres expecialmente sensíveis como foram as bagas de pragas que assolaram a Europa durante boa parte a Idade Media e Moderna, começando pola peste da que pares seica forem vitimas tanto a dama de Venecia como o avultado número de defuntos "malfaisants" de Celekovice (Ziegler, 2011b) ou no caso do cemiterio irlandes ( Ziegler, 2011a). Uma boa época para o imaginário da morte, mas não tanto para os vivos, aos a iconografia moralizante de cote mostra em alegórico -mas de feito também real- combate contra a parca/ ou parcas.

Mas como vencer em tal combate, como matar o que já esta morto,  isso desde logo era um contrasentido em sim mesmo, pelo que a forma de enfrentar a ameaçante presença tinha que passar ou por meios profiláticos, que alongassem o mal da pessoa, como diversos amuletos, por ineficazes que foram ou bem por evitar o desprazimento da anima desde o seu cadaleito, neutralizando finalmente assim o perigo das incomodas visitas

As formas de evitar que a anima mortos abandonassem a sepultura, estava intimamente relacionada com o tratamento do corpo do defunto, entre eles hachava-se o tamponamento da boca, que topamos estendido em todos estes casos citados acima (mostrando quase uma expansão pan-europeia do rito), para evitar que o alma deixara o corpo pela sua saída natural, por onde damos o nosso "ultimo alento".

Outros meios, algum deles também suscetíveis de reconhecimento arqueológico e que tenhem sido estudados a traves das evidencias textuais polo medievalista Claude Lecouteux em vários livros (1986, 1990), como o interessante Fantômes et Revenant au Moyen Age (traducido recentemente ao castelhano),  incluíam a decapitação postmortem do corpo e colocação da cabeça uma vez seccionada diante dos pés do cadáver, junto a ela estavam também às mais diversas variedades de proto-sádicos exercícios de bordagem e piercing, com longos cravos, sobre o pobre defunto, rematado nalgum mais expeditivo caso, ainda coa destruição dos restos pelo "lume purificador", já fora parcial (normalmente coa extração e queima do coração) ou total

Não posso esquecer, de passo que quando lera no Fantômes de Lecouteux o caso da decapitação e posta aos pés da testa não pudem evitar que me viram, a cabeça as consabidas explicações e prolongações pre- e proto-históricas do papel da cabeça como assento do espírito, da vida, ou ainda da pessoalidade (Lambrecht, 1954)  em tudo isto, mas que também me fixe-se recordar de novo uma anedota que anos antes me contara D. Luis Montegudo, naquelas tardes que me passava daquela na sua casa de Belvis como ele dizia fazendo-lhe "de secretario", e na que de novo o arqueologia volve a enlaçar-se coa ténue sombra do folklore.

Tetes coupes do Oppidum de Entremont
Contara-me daquela Dom Luís o que lhe ocorrera uma vez a certo arqueólogo num desses países de fala alemã ao que lhe contaram uns paisanos da zona, junto antes de escomeçar a escavação de um túmulo, que ali nele fora enterrada uma mulher -com nome que não recordo- e "coa sua cabeça aos pés", o caso e que o nosso arqueólogo sem acreditar muito em tudo aquilo, principiou a remover terra sem mais, e finalmente ao chegar a câmara topou-se logo um corpo de femininas formas sem testa mas com um crânio perfeita e expressivamente situado, justo "aos seus pés".


Referências

- Killgrove, K., "Archaeolgoy of the Undead"  2011a  Powered by Osteons
- Killgrove, K., "Witches and Prostitutes in Medieval Tuscany" 2011b Powerd by Osteons
- King, D., "Burials: Zombies vs Vampires"  2011a  Phdiva
- King, D., "A medieval Withch?" 2011b  Phdiva
Lambrechts, P.: L´exaltation de la tête dans la penée et dans l´art des celtes. De Tempel, Brujas, 1954, 3 vols 
- Lecouteux, Cl., Fantômes et revenants au Moyen Age, Imago, Paris 1986 (trad. cast. Olañeta Editor, Palma de Malhorca 1999)
- Lecouteux, Cl. & Marqc, Ph., Les esprits et les morts, croyances medievales. H. Champion, Paris 1990
- Lecouteux, Cl., História dos Vampiros. UNESP
- Nuzzolese, E & Borrini, M., "Forensis approach to an archaeological casework of "vampir" skeletal remains in Venice: odontological and anthropological prospectus" Journal of Forensic Sciences 55/6, 2010, pp. 1634-7  DOI:10.1111/j.1556-4029.2010.01525.x.
- Risco, V., "etnografia galega. Cultura espiritual" in: Otero Pedraio, R (ed.): Historia de Galicia. Nós, Bos Aires, 1962-1973  3 vols.
- Tsaliki, A., "Unusual Burials and Necrophobia: an insight into the Burial Archaeology of Fear" in: Murphy, E., Deviant Burial in the Archaeological Record. Oxbow Books, Oxford, 2008 pp. 1-16
- Ziegler, M.,"The Vampire in the Plague Pit" 2011a Contagions
- Ziegler, M., "Vampire Prevention in Eighth Century Ireland" 2011b Contagions