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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Piastas e "Reis Extranhos" de Hoje e Ontem


Não é nada extranho, nem desconhecido, que as linhagens reais sõem ser frequêntemente as menos "autotoctonas" naqueles paises nas que reinam. Em este sentido vai um artigo recente publicado na revista Nature Communicationque vem a aportar , através do analise paleo-genètico, alguma luz sob a origem da dinastia piasta, que protagoniza a época fundacional do reino da Polonia.

Boleslvo Piast, Bolesłavo I de Polònia

O estudo feito sob os restos esqueleticos disponiveis dos membros das distintas ramas de esta linhagem aporta dados que questionam a origem local, e mesmo a eslavicidade da familia piasta:

"Seis indivíduos identificados como Piasts apresentavam haplogrupos R1b. As análises dos dados gerados para os Piasts R1b individuais sugeriram que seu ancestral comum pertencia à linhagem R1b-P312. Atualmente, essa linhagem é observada com maior frequência na Grã-Bretanha... As evidências apresentadas acima indicam que todos os indivíduos classificados como Piastas R1b pertenciam a uma mesma família e compartilhavam a mesma linhagem do haplogrupo Y R1b-BY3549, atualmente rara na Europa. Entre as amostras datadas do período anterior à formação do Estado Piasta, a mesma linhagem foi encontrada em três amostras antigas: CGG_023713 (datada de 770–540 a.C.) da atual França<sup> 42</sup> , CGG_107766 (datada de 20–200 d.C.) dos atuais Países Baixos<sup> 42</sup> e VK177 (datada de 880–1000 d.C.) da atual Inglaterra <sup>43</sup> . Assim, nossos dados revelam que os Piastas pertenciam à linhagem R1b-BY3549, sugerindo que eram migrantes de origem não eslava...
Os resultados obtidos indicam que os Piastas não eram de origem eslava e, portanto, sugerem que forças externas desempenharam um papel fundamental no processo de formação da Polônia."
Igualmente o estudo mostra a forte interconexão via alinças matrimonias entre a dinastia polonesa a as outras casas reias da Europa medieval contemporanea:

"Muitas das filhas de Piast e as mulheres que se casaram com membros da família Piast também representavam dinastias europeias famosas; portanto, os dados genéticos que coletamos para os membros da dinastia Piast nos permitem prever haplogrupos mitocondriais (mt-hgs) para mais de 200 figuras históricas conhecidas. Dentro desse grupo, há 108 Piasts, 32 Rurikids, 12 Giediminids, 23 Árpáds, 15 Přemyslids, 13 Hohenzollerns, 10 Habsburgos, 8 Wettins, 5 Angevinos e 4 Wittelsbachs ..."

Isto ultimo não é nada extranho, nem inesperado, a pouco que se observe a história das linhagens reais europeias caraterizada por um forte endogamica dentro do grupo e a pressença frequente por estes emparentamentos de dinastias de origen foraneo regindo as distntias monarquias europeias. 

o evidènte parecido familiar dos primos Nicolas II da Russia e Jorge V de Inglaterra.

Os reis de Grécia, esoclhidos após a independencia, eram de origem alemão e casaram-se quase na sua maior parte com linhagen de essa mesma origem e algumas escandinavas em menor medida. Os ingleses levam sendo governandos por soberanos não anglo-saxões mesmo desde a morte de Harold Godwineson: franceses da Normandia, e da Aquitânia, galeses (Tudor), escoceses (Estuardo), neerlandeses (Orange), e alemães (desde os Hannover aos actuais Mounbaten-Winsord, em realidade Watterberg-Saxonia Coburgo Gotta (1).

Jean-Baptiste Bernardotte, Carlos Joâo XIV de Suécia

Na Suecia actual os reinam os descendes omonimos de um general transfugade de Napoleão (os Bernadotte), e assim um trás o outro, e isso sem ter em conta a citada endogamia de grupo que faz que quase todos os membros das casas reais europeias actuais sejam primos entre sim em um ou outro grão e as vezes por partida dobre ou tripla.


Tampouco o facto de descender a dinastia fundadora da Polonia de um extrangeiro não resultaria demasiado disonante na época. Sem ir mais longe no ambito polones pode-se pensar no comerciante saxão Kizo que a tribo eslava dos luticios escolhera como chefe durante a revolta do ano 983 contra o dominio do Sacro-Imperio Romano Germânico. 


Também poderiamos citar igualmente a figura de outro extrangeiro: Rurik, aquele varego de origem sueca que fundara a Rus de Kiev, dando origem a dinastia dos rurikidas que dera monarca aos distintos principados poskievanitas, incluido o de Moscova até que Ivan IV, O Terrivel assasianra ao seu proprio filho e herdeiro cortando abruptamente a continuidade familiar.

Rurik e seus irmãos Trúvor chegam a Ládoga. Víktor Vasnetsov (1913)

Neste sentido estes "aventureiros" vindos de fora que atuam como fundadores de identidade etnico-políticas, depois convertidas em estados, não estão muito longe de realidades mais exoticas como a dos "reis extranhos/forasteiros" (Strnage Kings) táo tipicos do Sureste Asiático. O imaginario dos stranger king em esta região soe repressentar o poder político como algo essencialmente alheio a comunidade, uma especie de corpo extranho, vindo de fora in illo tempore mas que com a sua chegada estabelece uma nova ordem que subsiste até o momento atual e vem compretar em certa forma a sociedade pré-arrivada do strange king.

gravado no que se amostra o encontro do explorador holandês Joris van Spilbergen 
com o rei Vimaladharmasuriya I de Kandi, 1609

A ideaia dos stranger kings, além do seu contexto actotono, chegaria em esta região converter-se numa forma de interpretar e justifica,r dentro dos esquemas cosmologicos locais a realidade da dominação de potencias extrangeiras durante o posterior periodo colonial. O antropologo Marshall Sahlins amplou o padrão extendo-o a outros contextos geograficos e culturais (desde a Polinesia e Africa, à Grécia Antiga ou o mundo mesoamericano), considerando que este sistema era uma das formas elementais, senão a forma elementar por antonomaisa, de emergência do poder político nas sociedades humanas (Sahlins, 2008).

fotografa do filme Farewell to the King (1989)  inspirado no topos do Strange King

Segundo o antropologo no sistema de Stranger Kings existia uma repartição em duas esferas de atividade (a reprodução e poder) em termos uma dicotomia esencial entre a "autoctonia" e a "aloctonia". O padrão geral dos relatos sobre a chegada do strange king é conhecido, e reconocivel em muitas tradições ao longo do mundo, desde os mitos e lendas aos contos populares: mostra a chegada de um heroe, um extrangeiro alheio a comunidade, inclui o conflito com alguma entidade local, nomalmente descrita como monstroussa, e remata com o matrimonio entre o heroe foraneo e uma princesa autoctona que cria essa união armonica que reconcilia alotono e o autoctono dentro dum todo. 

Recorrentemente este extrangeiro atua como heroi cultural, que introduçe diversas innovações: novas costumes, objetos, ritos, ... marcando assim uma ruptura com a ordem anterior (cambio nas formas de matrimonio, na estrutura social, novas instituições, etc). Além da ominpressencia nas lendas e contos deste topos do heroi exiliado que mata a monstro e casa com a princesa local, há em estas tradiçoes sobre "reis extranhos" e fundacionais algo mais arcaico e esencial sob o proprio conceito de poder político, que em si proprio aparece cataterizado como algo "extranho", no doble sentido da palavra, algo vindo de fora mas que supõe  também uma "anomalia" com respeito a ordem previa que vem a tranformar.


É inevitavel não recordar alias aquelas comunidade de "Sociedades contra o Estado" (que quizas fora mais preciso denominar como "contra o poder"), descritas na Amaçonia por Pierre Clastres, Essas sociedades que consciênte e ativamente anulam, atraves de distntas estrategias, qualquer possivel comportamento que levasse ao estabelecimento de uma autoridade ou prestigio superior de algum individuo sob outros membros da comuidade, no que pudera fundar-se a constituição de qualquer formas de poder ou proto-poder politico de facto.  


E fazil imaginar como poderia ter sido possivel o passo desde tal estado de "anarquia", coidadosamente mantido com tanta constància, à aparição das primeiras chefias e sistemas de poder, e perceve-lo, em certa forma, como um ato carismático e de fonda transgressão.  Relacionando igualmente este ato de quebra primordial com alguns dados etnográficos, como o carater de grande “transgressor”, que alguns povos africanos atribuem a seus chefes, aos que se permite -ou mesmo exige-se?- um comportamento fortemente “antisocial” que rompe as normas quotidianas da sociedade, e deriva frequentemente num desempenho excesivo de uma violência arbitraria, concevida, e justificada, coma um elemento constitutivo e necessario do proprio poder e sacralidade do “monarca” (Simonse, 2017).

chefe "fazedor de chuva" da vila de Cakereda (1972)

Noutro ordem de coisas Sahlins entendia que os sitemas de stranger king aparecem em contextos de forte contato e intercambio intercultural a longas distancias, no que o antropologo norteamericano denomina como "Cosmopoliticas". Não seria muito extranho considerar que em momentos de forte contacto cultural, expostos á troca e a chegada de novas formas, objetos, pessoas e constumes, o vindo de fora termine alterando a propria realidade constitutiva preexistente de uma comunidade.

Neste sentido esse imaginario, que mostra a formação do poder como a chegada de algo anomalo vindo desde fora, e vinculado as qualidades de algum sujeito ou grupo carismáticos, seria especialmente adequado como repressentação mitica dos profundos cambios sociais que se estâo a operar em distintos niveis. Nâo é uma imagem que resulte extranha, precissamente, a um arqueologo. 


De certo, se agora pensamos em epocas da pré- e proto-história europeia nas que se fazem vissiveis grandes cambios culturais: unificações em koines linguisticas ou arqueológicas, a expansão de elementos de cultura material como armas, adornos, etc., a grandes distàncias, junto com tecnologias; e outros saberes denominados, as vezes, como "conhecimento esoterico" investidos ao mesmo tempo do prestigio do inusual e do distante das suas origens (Helms, 1999). não seria extranho imaginar algo similar ao que topamos no caso dos stranger kings


Assim o pensara já defunto Michael Rowlands para o Bronze Final europeu (Ling e Rowlands, 2015), mas poderia-se igualmente projetar-se o mesmo padrão, segundo a nossa opinião, a momentos aina mais afastados da pré-história europeia como o calcolítico, mesmo com a possivilidade de vincular isto a questões tão discutidas e controversas, como o processo de  indo-europeização (2)


Mas  faz-me pensar em outra questão também: se os "reis" da pré- e proto-história foram alguma vez strange kings em que medida não estamiaos a criar uma imagem distorsionada, quando nos debruçamos sob as tumbas, frequentemente de essa elite "regia" precissamente, para analisar a paleo-genetica do conjunto de uma sociedade num momento concreto?. Em que medida repressentaria hoje uma imagem genètica adequada do homem e mulher comuns do seu pais o ADN dum monarca europeu?

Os strange kings, como os seus filhos postumos, desde logo não são um bom exemplo da autoctonia do povo comum, precissamente
   

Artigo: 

Zenczak, M., Handschuh, L., Marcinkowska-Swojak, M. et al. (2026):" Genetic genealogy of the Piast dynasty and related European royal families." Nat Commun Nº 17, 3224  DOI: 10.1038/s41467-026-71457-1

Bibliografia complementar

Classtres, P. (2010): La sociedad contra el estado. Virus editorial. Bilbao
   
Helms, M. (1993): Craft and the Kingly Ideal. Art, trade and power. University of Textas Press. Austin.  aqui
   
Rowlands, M. & Ling, J. (2013): "BoundarIes, flows and Connectivities: mobility and Stasis in the Bronze Age"  Bergerbrant, S. & Sabatini, S. (eds.): Counterpoint: Essays in Archaeology and heritage Studies in Honour of Professor Kristian Kristiansen. BAR International Series 2508. BAR Publishing. Oxford. pp. 497-509
   
Sahlins, M. (2008a): Islas de Historia. La muerte del capitán Cook. Metafora, antropologia e historia. Gedisa. Barcelona.
   
Sahlins, M (2008b): "The Strnager-King or elementary forms of the politics of life" Indonesia & the Malay World Nº 36, pp. 177–199  DOI: 10.1080/13639810802267918
     
Simonse, S. (2017):  Kings of Disaster: Dualism, Centralism and the Scapegoat King in Southeastern Sudan.  Fountain Publishers. Kampala
   
Ling, J. & Rowlands, M. (2015): "The ‘Stranger King’  (bull) and rock art" Skoglund, P., Ling, J. & Bertilsson, U.: Picturing the Bronze Age..Swedish Rock Art Series Vol. 3. Oxbow Books. Oxford. pp. 89-184  PDF

Notas:
1) A substituição do apelido Saxonia-Coburgo-Gotta por Winsord foi resultado da molesta sonoridade alemã de este durante o a I Guerra Mundial. Igual questão motivou a anglização como Mountbatten do apelido Wattenberg.
2) Consideramos que boa parte da mitologia Indo-europeia, como o tema do "combate dos deuses", pode ser frutiferamente reinterpretada em termos da oposição "autotono" "alotono" pressente na estruturas dos sestemas de Strange King, o qual coincidira curiossamente já com a inicial intuição comparatista de Sahlins quando reconheceu a obra de Dumézil como uma das inspirações principais do seu modelo (Sahlins, 2008a)
    

Postatem relacionada: Uma olhada a migração na Pré-história

terça-feira, 16 de setembro de 2025

Tipos de Contos Populares Internacionais

The Types of International Folktales

Uther, A-J. (2004): The Types of International Folktales, A Classification and Bibliography. Folklore Fellow Communications Vol. 284-286. Academia Scientiarum Fennica. Helsínquia. 3 Vols.

Sinopse  
O catálogo de tipos internacionais de contos (ATU), baseado no sistema Aarne/Thompson, constitui uma edição fundamentalmente nova, com amplas adições e inovações. As descrições dos tipos de contos foram completamente reescritas e tornadas mais precisas. 


A pesquisa essencial citada para cada tipo inclui extensa documentação da sua distribuição internacional, bem como trabalhos monográficos ou artigos sobre o tipo. Mais de duzentos e cinquenta novos tipos foram adicionados. 


Tipos com distribuição muito limitada foram omitidos. Um índice detalhado de assuntos inclui os temas, ações e outros motivos mais importantes, incluindo atores e cenários.

Descarregas:

Vol. 1: Animal Tales, Tales of Magic, 
Religious Tales and Realistic Tales PDF

Vol. 2: Tales of the Stupid Ogre, Anecdotes 
and Jokes and Formula Tales PDF

Vol. 3: Appendices PDF


quarta-feira, 20 de agosto de 2025

O Dragão, Genealogia de um Mito - Livro

DRAGON 

D'Huy, J. (2025): Dragon. Généalogie mondiale d'un mythe. Arman Colin. Paris. ISBN: 9782200638139

Sinopse  
Pronunciar seu nome é invocá-lo; é abrir em espírito o grande teatro do mundo e ver a serpente do arco-íris pairando no ar, portadora da chuva e das tempestades; lutar contra a criatura que continha as águas ou encerrava o Universo com as suas poderosas espirais; é observar no céu o poder que ameaça as estrelas, que traça os sulcos dos rios no solo; é confrontar a morte e renascer.


Da primeira partida da África até os dias atuais, Julien d'Huy traça as convoluções de um mito multifacetado e a genealogia de uma quimera que rastejou nas pegadas do homem, da África à Austrália, passando pelo Novo Mundo e pelo norte da Eurásia.


Uma epopeia erudita que, centrada na figura do dragão, revela toda uma parte da história da humanidade.
  

INDEX

Introduction: que se cache-t-il
derrière les dragons?

1.Le dragon, un motif universel

2. Remonter dans le temps

3. Avant - 100 000: la mythologie ophidienne
 avant notre sortie d’Afrique

4. - 65 000 ans: la colonisation de l’Australie

5. - 15 000 ans: la première conquête
 des Amériques

6. L’Eurasie après le Paléolithique

7. Aux origines du dragon

8. Le mythe qui ne voulait
 pas mourir


+INFO sobre o livro em: Dragon Généalogie d'un mythe

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Cosmopolíticas Serpentinas - Vídeo

Dexiamos aqui a palestra proferida pelo antropólogo Ivan Tacey (Universidade de Plymouth) dentro do ciclo de palestras organiçado por Radical Anthropology o dia 25 de março, e que teve por titulo Cosmopolítica serpentina: análise transcultural da Serpente Arco-Íris



Da Amazónia à Austrália, cobras-arco-íris enroscam-se no coração das cosmologias dos povos indígenas, personificando forças de criação, destruição e renovação. Conhecidas como nagas, dragões ou serpentes-arco-íris, essas entidades ctónicas estão intimamente ligadas à água, ao sangue, às mulheres e ao poder indomável. 



Entre os caçadores-coletores Batek da Malásia, bem como em outras comunidades indígenas do Sudeste Asiático, acredita-se que a violação de tabus -especialmente aqueles ligados ao sangue- incite a ira desses seres, que supostamente desencadeiam inundações catastróficas capazes de aniquilar assentamentos inteiros. 



Com base em trabalho de campo etnográfico de longo prazo na Malásia, Ivan Tacey examina o papel das serpentes-arco-íris nos mitos de criação, rituais e paisagens cosmológicas Batek, comparando essas tradições com narrativas e práticas semelhantes da Amazónia e da Austrália, oferecendo uma análise cosmopolítica. 


Postagem relacionada: O Dragão e o Arco da Velha

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Sacrifícios Humanos, Discurso e Comparações

Sacrifices Humains

Nagy, A.A. & Prescendi, F. (2013): Sacrifices humains. Dossiers, discours, comparaisons. Actes du colloque tenu à l'Université de Genève, 19-20 mai 2011. Bibliotéque de l´École des Hautes Êtudes Sciences Religieuses Vol. 160. Brepols. Turnhout  ISBN: 978-2-503-54809-8

Sinopse   
Os autores deste volume, historiadores das religiões, antropólogos e arqueólogos, estudam rituais tradicionalmente denominados "sacrifícios humanos", escolhidos nos seus respetivos campos de pesquisa: dos túmulos reais de Ur aos ritos antropoctônicos egípcios, gregos, romanos e indianos, e dos assassinatos rituais dos gauleses e dos antigos mochicas aos crimes de honra dos relatórios da ONU.


O seu questionamento gira em torno de problemas metodológicos fundamentais para a história das religiões: quando e por que esses ritos foram descritos como "sacrifícios humanos"?. É possível, desejável ou mesmo necessário interpretar tais assassinatos de forma diferente? 


Por meio das diversas contribuições, perceberemos o quanto esses "sacrifícios bárbaros" assombram o nosso imaginário científico, hoje como no passado. Trata-se, na verdade, de um conceito operacional, herdado da Antiguidade clássica e consolidado pela cultura judaico-cristã, que serve indiferentemente como grade de leitura para explicar os mais variados ritos.

INDEX


Disponível em: Sacrifices humains

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Discursos Míticos Urálicos - Livro

Mythic Discourses

Frog, Siikala, A-L, & Stepanova, E. (eds.) (2018): Mythic Discourses: Studies in Uralic Traditions. Studia Fennica Folkloristica Vol. 20. Finnish Literature Society City. Helsinki  ISBN: 9789522223760  DOI: 10.21435/sff.20

Sinopse   
Os discursos míticos da atualidade demonstram como a herança vernacular continua a funcionar e a ser valiosa por meio de interpretações e reavaliações emergentes. Ao mesmo tempo, a continuidade em imagens, motivos, mitos e géneros míticos revela a longue durée das mitologias e as suas transformações. 


Os dezoito artigos de Mythic Discourses abordam as múltiplas facetas do mito nas culturas urálicas, desde a criação do mundo finlandesa e careliana até os xamãs nenets, oferecendo perspetivas multidisciplinares de vinte estudiosos orientais e ocidentais. As mitologias dos povos urálicos diferem tanto que a mitologia é abordada aqui num sentido amplo, incluindo mitos propriamente ditos, crenças religiosas e rituais associados. 


As tradições são abordadas individualmente, tipologicamente e em perspetiva histórica. A abrangência e o alcance dos artigos, que apresentam diversas mitologias vivas, as suas histórias e relações com tradições de outras culturas, como a germânica e a eslava, se unem para oferecer uma perspetiva muito mais rica e desenvolvida sobre as tradições urálicas do que qualquer artigo poderia oferecer isoladamente

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Descarregar o livro em:  Mythic Discourses

terça-feira, 24 de junho de 2025

Antropologia da Magia e a Bruxaria - Livro

Rethinking the Anthropology 
of Magic & Witchcraft

Stevens, Ph. Jr. (2023): Rethinking the Anthropology of Magic and Witchcraft. Inherently Human. Routledge. Londres & Nova York.  ISBN: 9781003358022 DOI: 10.4324/9781003358022

Sinopse   
Este livro apresenta aos alunos a antropologia da magia e da feitiçaria, termos muito utilizados, mas sem definições amplamente aceites. 


Adota uma nova abordagem a esta área dentro da antropologia da religião, demonstrando que as bases para estas crenças e supostas práticas são inerentes à cognição e psicologia humanas, até mesmo instintivas, e provavelmente enraizadas na nossa biologia evolutiva. 


Ela mostra como a magia e o pensamento mágico são elementos regulares na vida diária das pessoas e que a compreensão dos componentes do complexo de feitiçaria oferece aportações surpreendentemente importantes sobre os padrões de pensamento e o comportamento social. O livro analisa os muitos significados de “magia” e “bruxaria” e apresenta os melhores significados antropológicos dos termos. 

Os componentes destas crenças são intemporais e universais; este facto, e os recentes avanços nas ciências do cérebro, sugerem que os princípios da magia são derivados de processos básicos do pensamento humano, e os atributos da bruxa derivam de medos e fantasias de base neurobiológica. 


A propensão para tais crenças teve provavelmente significado adaptativo no desenvolvimento evolutivo da espécie humana; são inerentemente humanos.

INDEX


+INFO sobre o livro em:  Anthropology of Magic & Witchraft