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terça-feira, 16 de setembro de 2025

Oral Tradition Nº 36 - 2023

ORAL TRADITION 

Nº 36 - 2023
  

INDEX

Editor’s Column p.1 

“It Has Not Yet Become Pacified”: Kings, Hunting, 
and the Murder of the Father in Sanskrit Epic p. 3 
Emily Blanchard West

Type-Token Ratio and Entropy as Measures to 
Characterize a Forgery of  Oral-Formulaic Epics p.37 
David L. Cooper, Demetry Ogoltsev, 
Michal Ondrejcek

Driva Qele/Stealing Earth: Oral Accounts of 
the Volcanic Eruption of Nabukelevu (Mt. Washington), 
Kadavu Island (Fiji), ~2,500 Years Ago p.63 
Loredana Lancini, Patrick Nunn, 
Meli Nanuku, Kaliopate Tavola, 
Taniela Bolea, Paul Geraghty,  
Rita Compatangelo-Soussignan Driva Qele 

Temporal Patterning and “Degrees of Orality” 
in Occitan and French Oral Narrative p.91
Janice Carruthers, Marianne Vergez-Couret 

Ethnopoetic Transcription and Multimodal Archives: 
Toward a More Comprehensive Approach to 
Slam Poetry Scholarship p. 123
Cara Losier Chanoine 


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quinta-feira, 31 de julho de 2025

O Ciclo de Finn - Livro

The Early Finn Cycle

Murray, K. (2017): The Early Finn Cycle. Four Court Press. Dublin. ISBN: 978-1-84682-630-6

Sinopse  
O Ciclo Finn (ou Feniano), o  fíanaigecht, é classificado pelos estudos modernos como um dos quatro ciclos literários irlandeses medievais, juntamente com o Ciclo do Ulster, o Ciclo dos Contos Históricos (ou Ciclos dos Reis) e o Ciclo Mitológico. É composto principalmente de material que trata do lendário personagem Finn mac Cumaill, seu bando de guerreiros (fian), seu filho Oisín e seu neto Oscar. 


De uma forma que lembra a expansão da lenda arturiana por toda a Europa, as tradições centradas em Finn cresceram de origens localizadas para se espalhar por todo o mundo de língua gaélica. Este estudo tem como foco o início do Ciclo Finn, até e incluindo a composição do conto fíanaigecht mais significativo, Acallam na senorach ('O colóquio dos antigos'), no início do período irlandês moderno inicial. 


O volume também trata em detalhes de tópicos como a natureza do fian ; a extensão das fontes fragmentárias iniciais do Ciclo Finn; o contexto de Tóraigheacht Dhiarmada agus Ghráinne ('A busca de Diarmaid e Gráinne'); os feitos de infância e a morte de Finn; e o desenvolvimento da tradição leiga feniana. 


O volume detalha e investiga as fontes primárias e secundárias para o estudo deste material e traça o desenvolvimento literário do corpus do temperam fíanaigecht. Ao fazê-lo, busca explicar o surgimento do Ciclo Finn, a partir de origens fragmentarias documentadas, até se tornar o género dominante da literatura gaélica após o 1200.

INDEX





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terça-feira, 1 de julho de 2025

Masculinidade, Violência e Corpo no Rigveda

Strong arms and drinking strength

Whitaker, J.L. (2011): Strong arms and drinking strength: masculinity, violence, and the body in ancient India. Oxford University Press. Oxford. ISBN: 978-0-19-975570-7

Sinopse  
Whitaker examina a construção poética ritualizada da identidade masculina no Rgveda, o texto sânscrito mais antigo da Índia, argumentando que um aspeto importante da vida védica primitiva era a promoção e a personificação sustentadas do que significa ser um verdadeiro homem. 


O Rgveda contém mais de mil hinos, dirigidos principalmente a três deuses: o fogo ritual deificado, Agni; o deus da guerra, Indra; e Soma, que nada mais é do que a personificação da bebida sagrada soma. Os hinos eram cantados em rituais de fogo que duravam o dia todo, nos quais poetas-sacerdotes preparavam a bebida sagrada para fortalecer Indra. A imagem dominante de Indra é a de um homem ariano altamente glamourizado, violento e poderoso; os três deuses representam os ideais de masculinidade.



Whitaker constata que os poetas-sacerdotes rgvédicos empregavam uma gama fascinante de estratégias poéticas e performáticas — algumas explícitas, outras muito subtis — para construir a sua ideologia masculina, justificando-a como a forma mais válida de vida para os homens. Os poetas-sacerdotes naturalizaram essa ideologia, codificando-a na percepção que o homem tem do seu corpo e do seu eu físico. 



A retórica e as práticas rituais rgvédicas, portanto, codificam papéis masculinos específicos, especialmente o papel do homem como guerreiro, ao mesmo tempo em que os inserem numa complexa rede de relações sociais, económicas e políticas. Este é o primeiro livro em inglês a examinar a relação entre os deuses rgvédicos, as práticas rituais e as identidades e expectativas impostas aos homens na Índia antiga.
   

INDEX

Introduction p.  3

1. Manhood and Masculinity p. 35

2. Brave Men and Manliness  p. 59

3. Mighty Champions and Slaying 
the Dragon p. 109

4. Strong Arms and Drinking 
Strength p. 133

Conclusion p. 161

Notes p. 167

Bibliography p. 203


Disponível em: Strong arms & drinking strength

sexta-feira, 28 de março de 2025

Memoria Cultural nas Sagas dos Islandeses

Remembering England

Firth, M. (2025): Remembering England: Cultural Memory in the Sagas of Icelanders. Routledge. Londres.   ISBN: 9781003396994 DOI: 10.4324/9781003396994

Sinopse  
Este livro fornece um estudo aprofundado das representações da Inglaterra na Saga dos Islandeses (Íslendingasögur), examinando a sua utilidade como fontes para a história do contacto cultural anglo-escandinavo da Era Viking.


Os Íslendingasögur apresentam-se como histórias, mas são fontes históricas difíceis. O cenário é a Era das Sagas, um período que começa com a colonização da Islândia no final do século IX e termina com a Era Viking no final do século XI. No entanto, os textos das sagas estão desligados deste cenário, tendo sido escritos pela primeira vez nos séculos XIII e XIV. 



Este livro traça a transmissão e o desenvolvimento da memória cultural islandesa da Inglaterra da Era das Sagas ao longo de séculos. Oferece análises de estudos de caso sobre como o tempo, o lugar, as culturas e os acontecimentos históricos são adaptados e conceptualizados no Íslendingasögur e sugere abordagens metodológicas para o seu estudo como literatura histórica.


Remembering England é um livro interdisciplinar que atrairá estudiosos e estudantes da história da Inglaterra pré-normanda, das sagas islandesas, da literatura medieval e da memória cultural.

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+INFO sobre o livro em: Remembering England

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

NARTAMONGÆ Nº 18 - 2023

NARTAMONGÆ Nº 18 - 2023

Journal of Alano-Ossetic Studies:
Epic, Mythology, Language, History
   

INDEX

Strokes to a portrait p. 7
Dzhanaeva, L. N.

Gauvain ou le Chevalier Soleil p. 18
Joel-Henri Grisward

On personal names in Shahnameh: 
Rustam's family p. 29
Garnik Asatryan

Remnants of Alanic Religion p. 37
Agusti Alemanay

Reflection of the "Maiden Language"
 in the Ossetian Nartiada p. 56
Boris Mysykkaty

Once again about the capital of Alania p. 84
Yu. A. Dzitcsoyty

Zoomorphic symbol of the Yasses p. 126
A. A. Tuallgov

Review

Dzizzoity Yuri. Iron æzagmæ tælmats kænyny 
ægædæuttæ (lexicæy farstytæ) p. 171
T. K. Salbiev


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sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Wieland, Ferreiro e Xamã? - Livro

Wieland der Schmied - und Schamane?

Vierck, H. (2021): Wieland der Schmied - und Schamane?: Ein Schmiedeheld und Halbgott im Spiegel skandinavischer und angelsächsischer Bilddenkmäler. Ergänzungsbände zum Reallexikon der Germanischen Altertumskunde Vol. 127. Walter De Gruyter. Berlin. 

Sinopse 
Com a morte precoce de Hayo Vierck (1939–1989), a pesquisa medieval alemã perdeu um dos seus representantes mais inovadores. Na sua tese de habilitação apresentada em Münster, inédita até a presente edição, ele adotou uma abordagem consistentemente interdisciplinar. 


Combinando perspetivas de arqueologia, história da arte, filologia, estudos religiosos e zoologia, Vierck desenvolve novas e inovadoras perspetivas sobre uma figura enigmática da saga heroica germânica: Wieland /Wayland, o Ferreiro. 


Wieland é uma figura que remonta ao século VII, quando a sua presença aparece em relíquias textuais e artísticas maioritariamente fragmentarias, sendo celebrado por anglo-saxónicos e escandinavos como o herói trágico de uma fábula violenta de vingança e fuga.

INDEX


Disponivel em:  Wieland der Schmied - und Schamane?

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

GLOTTA Nº 100/2 - 2024

GLOTTA 

Nº 100/2 - 2024 
  

INDEX

Bouba/Kiki in Homer? Looking for iconicity in 
the language of the epics pp 158–194
Arjan A. Nijk

On Ancient Greek φράσσω : Proto-Germanic *burg-ja-
(PIE *bʰr̥gʰ-i ̯ó/é- ‘enclose’), AGk φόρξ*: PGmc *burg- 
(PIE *bʰr̥gʰ-s ‘enclosing’), and the Greek 
sea-god Φόρκῡς/Φόρκος pp 195–219
Riccardo Ginevra

Latin follis and vellō as evidence for a sound 
change *-lǵh- > *lɣ > ll with an excursus on 
Greek λάχνη, ἀμφιλαχαίνω and cognates 
pp 220–245
Lucien van Beek

Zum Ursprung des sog. ā-Konjunktivs des 
Latino-Faliskischen, Sabellischen 
und Venetischen pp 246–287
Svenja Bonmann

Translation as a mechanism for the creation of 
collocations (I): the alternation ἐργάζομαι/ποιέω
 in the Bible pp 288–326
José Miguel Baños, 
Mª Dolores Jiménez López

The etymology of Latin rīdeō and 
a new PIE root pp 327–331
Ranko Matasović


+INFO sobre a revista em: Glotta Nº 100/2 - 2024

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

O Herói e o Rei - Livro

The Hero and the King

Jackson. W. T. H. (1982): The Hero and the King. An Epic Theme. Columbia University Press. Nova York.  ISBN: 0-231-05354-1

Sinopse  
Todos os principais ciclos épicos ocidentais, desde  Homero até os do final do período medieval, falam sobre alguma forma de confronto entre um governante estabelecido e um herói mais jovem. 




O governante frequentemente demonstra fraqueza, seja no caráter ou na forma como lida com uma situação específica; ele está, portanto, em perigo de ser suplantado pelo herói egocêntrico cuja preocupação exclusiva é com a sua própria glória.
   

INDEX

Preface and Acknowledgments  p. VII

The Conflict Between Hero and King p. 1

The Conflict and the Nature of Epic  p. 111

Bibliographical Note p. 139
   
  
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terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Guerreiras, Deusas e Mulheres Perigossas


Faz uns dias o nosso colega o professor Pedro R. Moya-Maleno fazia uns interessantes comentários, dentro da campanha de crowfunding para seu projeto etnográfico de lutas tradicionais na Península Ibérica (embaixo), assinalando que algumas figuras míticas do folklore hispânico (A Serrana, A Galharda) podiam ter sua base no papel mais activo que as mulheres puderam jogar na Antiguidade entre os povos pré-romanos da Europa proto-histórica. 

Mulheres fortes e guerreiras celebres da Idade do Ferro como Cartimandua e Boudica, capazes de liderar aos seus povos e ir à batalha guiando em pessõa a seus soldados, e que chamavam a atenção dos autores clássicos, acostumados ao rol passivo da mulher no mundo greco-romano.  E ao respeito  considera a possibilidade de que em épocas proto-história as mulheres participassem, ao igual que os homens (e mesmo contra eles), em actividade atléticas e especialmente de luta. 

Parte para isto de uma imagem que decora uma bainha de espada lateniense do século I. A.C, procedente da zona do Alto Dniesper (atual Ucrânia), peça que já estudara na sua tese doutoral, interpretando-a como uma cena de luta corpo o corpo entre um homem e uma mulher (denotada pelo cabelo longo, recolhido numa trança) (Moya Maleno, 2020). 

duas cenas de luta na Idade do Ferro: lutadores do conjunto de Cerrillo Blanco (Porcuna, Jaen), bainha de Gryniv (Ucrània), imagens P.R Moya-Maleno

A peça foi topada na tumba Nº 3 da necrópole de Gryniv adscrita a cultura celta de Przeworsk, que se estendeu por Polonia e parte da zona Ucrânia, como a zona de Galliš (Kazakevich, 2010). A peça apresenta uma rica iconografia repartida ao longo de 5 secções:

"um animal predador a capturar uma ave de pescoço comprido um grifo com cabeça de águia um casal abraçado: animal quadrúpede indefinido rodeado por duas plantas ou folhas  um cavaleiro com uma lança e um escudo redondo adjacente a uma folha semelhante ou a uma planta representada de cabeça para baixo. As estatuetas masculinas e femininas estão colocadas no centro da composição e ocupam um pouco mais de espaço que as restantes." (Kazakevich, 2010)

Kazakevich interpreta a cena central da peça como um episodio de matrimónio ou galanteio, seguindo em isto a Kozak que ve na parelha central um "casamento sagrado", que simbolizaria "algum tipo de estructura cosmologica", mas chama igualmente atenção sobre o inusual da vestimenta da mulher na cena: 
 

"É interessante notar que tanto as figuras masculinas como as femininas da bainha de Gryniv estão vestidas com calças curtas e a única característica de género da figura feminina é uma longa trança colocada no seu ombro. É extremamente raro que a arte antiga represente uma mulher em calças, embora por vezes guerreiras como as Amazonas fossem pintadas desta forma. Pelo contrário, no caldeirão Gundestrup as personagens femininas usam maioritariamente vestidos compridos; no entanto, na placa redonda inferior  uma guerreira que luta contra um touro tem uma trança e calças curtas semelhantes às de Gryniv" (Kazakevich, 2010)

Esta descrição de uma mulher em calças curtas aferrada a um homem vestido de igual jeito e coerênte novamente com a hipotese de uma cena de luta tradicional, corpo a corto, como as que estão testemunhadas iconograficamente para idade do ferro ou ainda se podem contemplar (mais ou menos recuperados e reclicrados em deporte rural) nons combates tradicionais de muitas zonas da Europa. 

Mas tampouco hã que descartar totalmente, ao nosso ver, a hipótese matrimonial, antes bem consideramos que existe uma mais que demorada evidencia, tanto mitológica como lendaria, que vincula a luta física entre sexos com o emparelhamento e o mesmo matrimonio. 
   

As carreiras de Atalanta e de Macha

A favor de essa interpretação cripto-erótica da luta, existe todo um ciclo de lendas, no que uma mulher poderosa definida como guerreira, caçadora (e frequentemente virgem) impõe como condição ao pretendente que queira casar com ela, vencen-la muma proba: ou bem de luta, ou mesmo atlética. Este é, por exemplo, o caso da Atalanta grega, a boncela heroica por antonomasia 


"jovem espartana correndo", 520BC-500 A.C, British Museum. A posição girada mirando cara atrás não faria descartável igualmente uma identificação com uma Atalanta distraída pela maça atirada por Hipomédes

Atalanta e descrita como uma doncela que supera a todos os homens nas atividades que se lhe atribuem como próprias, a guerra, a luta, a caça e o desporto. Acerta no corpo do javali de Calidão com a sua lança antes que nenhum dos heróis gregos pressentes, provocando o descontento de estes. Ao mesmo tempo, mostra uma hostilidade ao matrimónio; consagrada como virgem a deusa caçadora Artemisa, que patrocina as jovens adolescentes em trânsito ao matrimónio, ela rejeita atar-se a qualquer home, tentando ficar permanentemente em esse estadio liminar que a deusa patrocina. E por isto que põe uma condição -impossível segundo crê-: ela apenas casara com aquele que a derrote numa carreira.


Um e outro, os pretendentes são derrotados e mortos por Atalanta, pois esta impusera igualmente como cláusula. que mataria ao perdedor. Finalmente será Hipomedes quem. com a ajuda da deusa do amor (Afrodita). consiga derrotar a veloz e fera Atalanta através uma estratagema. Afrodita da-lhe 3 maças de ouro, procedentes do Jardim das Espérides, que o rapaz vai atirando cada vez que Atalanta se-lhe aproxima correndo, com o qual consegue retardan a sua marcha (1) mestres ela apanhava os frutos do chão

"Hipómenes y Atalanta" (circa 1618-1619) deGuido Reni, 
Museu do Prado de Madrid

Esta derrota marca, por tanto, a fim da vida selvagem e independente de Atalanta e a entrada no gineceu. Mas não o seu início no sexo, pois algumas versões do mito refletem o seu namoro previo com o herói Meleagro, que  daquela estava igualmenteem num período de transição cara a idade adulta e prendizagem das artes da guerra (/caça), e talvez sexuais, na floresta. 

De este tema da carreira de uma mulher extraordinária, se nos deslocamos do mundo grego podiamo-lo topar mesmo em uma variante estruturalmente invertida, na propria carreira  que por imposição do seu marido teve que realizar Macha. E na que ela correndo a pé vencera aos cavalos (e, por tanto, aos seus ginetes) da Irlanda. Mas aqui a Victoria da mulher ao invés de no caso de derrota de Atalanta, não leva ao matrimónio, senão que, pelo contrário, marca a rutura do. até aquela feliz e próspero. matrimónio de Macha com o seu marido mortal (vid. not. 6). 


A lógica guerreira iniciática que apreciamos no mito de Atalanta e Meleagro também se vê invertida, pois a "victoria" -e morte- de Macha tem como consequência, uma maldição que leva a perda temporal e cíclica da condição guerreirae  masculinidade, para os homens do Ulster, que devem femininos ao sofrer horríveis dores de parto uma vez ao mês, ficando assim totalmente inabilitados para a briga. 

A Mulher combatente e o marido subtituto

Seguindo no norte vamos demorar-nos ainda num caso de competição de tipo atlético e guerreiro como forma de aceso ao matrimónio. No mundo germânico o temos no ciclo dos Nibelungos com a figura da terrível Brunilda donzela guerreira walkiria, que reina na Islândia. Ilha a onde se achegam o rei burgundio Gùnther acompanhado do seu cunhado Sigfrido, o herói do poema. 



cenas de Das Nibelungen de Fritz Lang (1924)

Ao chegar são recebidos por Brunilda que lhes faz saber as provas que deve superar o guerreiro que quera casar com ela: lançar uma pedra mais longe e saltar além de ela, e logo. vencê-la num duelo singular,  lançando por turnos cada um a lança contra o outro:   

"Sendo tu o senhor, e tu o vassalo, sabei que se ele se atreve a disputar as probas a que eu lhe reto e sai  de elas vencedor, serei a sua mulher, mas se eu alcanço a vitória ira-vos a vida em isso. ...

A pedra teras que atirar e logo saltar detrás de ela. Depois mediras-te consigo atirando a lança. Não vos precipiteis, podeis bem perder o honor e a vida. Meditai bem. Assim falou a formosa mulher." (Nibel. VII. 423-425)

Graças a ajuda de um invissivel Signfido Günther consegue superar fraudulentemante estas probas, mas Brunilda nào aceita dozilmente a condição matrimonial, e a pesar de consentir as nupcias, durante a Noite de Bodas, luta e rejeita a seu marido, que impotente é inmobiliçado e amordaçado pela poderossa guerreira. Será de novo Sigfrido quem adotando a forma do seu cunhado, abra de novo o caminho a aquel, vençendo na luta nupcial a fera Brunilda, domando assim qualquer ressistencia posterior aos desejos de Günther. 

Brunilda inmoviliça a seu marido Günther com uma potente chave de solo digna do melhor yiuyitsu brasileiro durante a noite de bodas, Das Nibelungen de Fritz Lang

Dai-se assim um acumulo de enganos, nos que o vencedor não é o que acessa ao matrimónio com a mulher desafiadora, senão que cede o seu lugar no leito. Este segredo cumprira um papel fundamental logo na tragedia., ao descobrir, durante uma discussão, a mulher de Sigfrido (Krimilda) à Brunilda a verdadeira identidade do seu vencedor, o qual leva a vingança posterior de Brunilda, que instiga a Günther a matar a traição ao herói durante uma caçada. 

A morte de Sigfrido, fotograma coloreaido de  Das Nibelungen

Outras mulheres guerreiras: Hipólita

Outro caso sui generis, no que este padrão não resulta evidente, o temos no caso de Hipólita, a rainha das amazonas, que aparece vinculada a dois heróis masculinos: Teseu e Herakles. Do primeiro se conta como consegue sequestrar a rainha amazónica e terminam convertendo-se em amantes. União da que nascera o herói Hipólito. 


Em quanto a Herakles o seu afrontamento vem motivado pelos 12 Trabalhos que tem que superar o herói, e entre os que se inclui apoderar-se do cinto magico que porta a rainha Hipólita. Este é um regalo do deus da guerra Ares, e quem o leva posto adquire uma força extraordinária. 


Herakles matando a Hipolita, anfora ática de figuras pretas, 
530–520 A.C Museo del Louvre

Há diversas versões contraditórias de como Herakles consegue o cinto de Hipólita. Desde um combate no que a mata soltando o cinto do corpo morto da amazona (Apol. II. 5.9) a outro no que esta lhe-lo entrega como resgate da sua irmã Melánipa que o herói tirintida sequestrara (DS IV.16.4), mas também existe uma versão citada também por Apolodoro na que Hipotita namorada de Herakles lhe oferece voluntariamente seu cinto em prenda de amor (2). 
    

Cú Chulainn no Castelo da Sombra

Um caso paradigmatico da relaçao entre o heroe, o combate contra uma mulher guerreira e um posterior matrimonio ou relacionamente sexual informal, o temos na Irlanda dentro do celebre Ciclo do Ulster, sinaladamente nos poemas que descrevem a juventude do Cú Chulainn antes de converter-se no grande campião do Ulster, quando viaja à Escocia para ser entrenado por Scáthach, uma mulher mestra nas artes da guerra. 

ruinas do castelo de Dunscaith na Ilha de Sky (Escócia)

Cú Chulainn se drige a morada da amazona escocesa, nas Ilhas Hebridas e alcança sua fortaleça, Dunscaith (o "Castelo da Sombra"), que resceve seu nome do proprio da sua senhora, pois Scáthach não significa mais que "Sombra", nomem que já denota uma caracter não puramente humano da guerreira, e que o aproxima a uma mulher do além (bandsidhe) mas do que a uma mortal. O proprio caminho cara a morada de Scáthach esta marcado como uma entrada num mundo sobrenatural, através da passagem perigossa por uma misteriossa planicie, da qual uma das metades congela a quem a pisa e a outra o cobre com a sua erva


Uma vez no Castelo da Sombra, é recevido pela filha de Scáthach  Uathach que namora do heroi ulato,  e lhe faz chegar a sua mãe a nova da da chegada de Cú Chulainn Scáthach, ainda percevendo o interesse pelo forasteiro da sua filha, oferece-lhe a este que partilhe a sua cama. Ao qual segue um extranho episodio em que Uathch serve a comida disfarzada de servo. e é lesionada num dedo por Cu Chulain, o qual faz que os homens do castelo o confrontem e sejam vencidos por ele. Pouco depois diz-se que Cú Chulainn e Uathach são parelha. 

"Uathach, a filha de Scathach, foi ao seu encontro. Ela olhou para ele. Ela não falou com ele, tanto a sua forma movia o seu desejo. No entanto, ela foi e elogiou-o à mãe.

«O homem agradou-te», disse a mãe. «Ele virá para a minha cama e eu dormirei com ele esta noite. »

«Isso não será chato para mim. »

A donzela serviu-lhe água e comida. Ela recebeu-o sob o disfarce de um servo. Ele magoou-a e partiu-lhe o dedo. A donzela gritou. Este percorreu todo o exército do dun, de tal modo que um campeão se levantou contra ele, viz. Cochor Crufe. Ele e Cuchulind lutaram e o campeão caiu.

Scathach ficou triste com isso, de tal modo que ele lhe disse que tomaria (sobre si) os serviços do homem que tinha caído. ... Tudo foi feito assim. Ora, esta era a época em que ele estava com Scathach e era companheiro de Uathach, sua filha" (Tochmarc Emire, 65-85)

Temos aqui um estranho ato de violencia -uma especie de speudo-combate?- que remata em lecção para mulher travestida de servo (masculino) (3), e a morte dum guerreiro, seguida de Cú Chulainn convertido em vasalho en sustituição do homem que matara de Scáthach, e, finalmente o namoro do heroi com Uathach, mas passando igualmente Cú Chulainn a primeira noite  pelo leito de Scáthach. 


Aife segundo o pintor John Duncan (1866–1945)

Uma ambiguidade que desaparece quando no seguinte episodio o ulate se encontra com Aife. Aife é outra doncela guerreira como Scáthach.  da qual é a irmã gemelga (uma especie de dobrete?) e adversaria. Cú Chulainn como guerreiro vassalo de Scáthasch enfronta-a na batalha e após vence-la em um epissodio que remata em uma especie de luta corpo a corpo, lhe faz prometer cesar as hostilidades e converter-se em sua amante. 

"Então, Cú Chulainn foi ao encontro de Aiffe e perguntou-lhe (a Scathch) o que mais amava. Scathach disse: «Isto é o que Aiffe mais ama, o seu cocheiro e os seus dois cavalos de carruagem.» Então lutaram no caminho, Cú Chulainn e Aiffe. Depois, ela partiu a arma de Cuchulind de modo a que a sua espada não ultrapassasse o punho. Então Cuchulind disse: «Ai de mim!» disse ele, «O cocheiro de Aiffe e os seus dois cavalos de carro caíram no vale e morreram todos. » Com isto, Aiffe olhou para cima. Com isto Cú Chulainn aproximou-se dela, agarrou-a por baixo do peito, atirou-a para cima (do ombro) como um fardo e foi ter com o seu próprio anfitrião. Ele. atirá-la para o chão.
« Vida por vida! » disse ela.

« Os meus três desejos para mim! » disse ele.

«Tu tê-los-ás.»

«Estes são os meus três desejos: dar reféns a Scathach sem nunca mais se lhe opor, estar comigo esta noite antes do seu próprio Dun e dar-me à luz um filho. »

É concedido assim e tudo foi feito. Depois disse que estava grávida" (Tochmarc Emire, 65-8)

O filho saido desta união sera Conla, quem anos depois ira a Irlanda a busca de seu progenitor e será morto tragicamente por ele em um combate, em um caso do tipico topos epico indo-europeu do "Combate do Pai e o Filho" (Vater und sohn kampf theme). 


Temos no relato da juventude do heroi pois um periodo iniciatico em que Cú Chulainn se relaciona com uma triada de mulheres (duas irmãs, a outra filha) com as que em dois casos combate, e da outro da que resta (Scathach) recive treinamento em artes marciais (a tecnica do salto do salmão) assim como as armas que logo portara (a lança Gae Bolga). Triabe (4) com a que o heroe inicia-se não apenas na guerra mas também no sexo, antes de voltar a Irlanda e tomar por esposa a Emer. 
   

Do Mito a Arqueologia e ao Folklore

Estas fortes connotações miticas que observamos no ciclo epico sob a juventude do heroe irlandes podem ser especialmente relevante para a interpretação da bainha de espada de Gryniv, pelo seu contexto céltico e porque permitem armonizar a hipotese do combate com a de uma cena vinculada ao cortelho e matrimonio. Ao longo de esta postagem temos observado como em diversos contexto do mundo indo-europeu occidental se repetia um mesmo padrão temático e narrativo (5): 

1) Uma mulher que impõe como condição ao matrimonio ou acceso sexual uma dura proba, que normalemente implica um combate ou competição atlética,

2) a victoria concede os favores da mulher no entanto a derrota leva aparelhada a morte do pretendente.

3) Ocasionalmente de essa união entre heroi e a mulher guerreira ou fera sai um filho

4) Frequèntemente isto se situa no contexto de iniciação do heroi cara a condição de guerreiro e homem adulto.

Na peça de  Gryniv e cena do combate entre o homem e a mulher ocupa um lugar central da composição entre outra imagens. nas que se repressentam animais e feras mitologicas, assim com um guerreiro a cavalo (o proprio guerreiro que luta com a mulher no episodio central?), não seria tão estranho, por tanto. que em esta peça, e neste contexto da Idade do Ferro, tenhamos recolhido um tema mìtico de iniciação guerreiro-sexual, similar ao que no outro extremo do mundo celtico topamos refletivo no ciclo do héroe irlandés.


O tema da proba ao que uma mulher sobrenatural somete a um homem, como condição para aceder ao matrimonio, está, além das fonte, antigas e medievais, também no folklore de tradiçáo oral europeu. Especialmente na Peninsula Ibérica são comuns, tanto na Galiza e Portugal como em Asturia, as lendas em que uma moura ou xana (na terminologia asturiana) aparece-se a um home mortal impondo-lhe uma proba para poder casar com ela, e prometendo-lhe em dote os tesouros que junto a ela se guardam (6). 


Na maioria dos casos a mulher torna em uma gigantesca serpe, ante a qual o pretendente deve mostrar seu valor: beijando-a na boca, deixando que se-lhe enrroque no corpo ou o lamba de acima a embaixo coa sua lingua bifida Se o homem supera este ordálio, a mulher retorna a sua condição de formosa mulher e concede o prometido (matrimonio e riqueça) ao pretendente. 


Mas, com tudo, existem algumas variantes que pressentam uma forma de "desencantamento" da mulher mais violenta ou heroica (em sentido marcial), como fazer-lhe uma ferida ao monstro, ou mesmo mata-lo, resuscitando logo do corpo morto da cobrega a moura de novo no seu feitio de formosa moça. Numa verssão recolhida em Momam (Germade, Lugo, Galiza) isto adquire uns carateres muito explicitos e cruentos:

“Pena do encanto: Disse que unha rapaça aparecia ali polas manhãs dando de comer a umas pitinhas e um rapaz achegóuse-lhe. Ela díxo-lhe que estava encantada e para desencanta-la tinha que ir ali o dia de Sam Joám e colher unha pedrinha e tira-la ó rio.
Ela aparecia em forma de serpe e para desencantala debía-lhe de cortar a cabeça duma soa vez cum sabre que aí aparecia. O rapaz prometeu ajuda-la se despois ela casaba com el. O dia de Sam Joám o rapaz foi à Pena do Encanto. E ó tirar a pedra ó rio, apareceu o sabre. Despois apareceu a serpe. Pero como era enorme, o rapaz tivo medo. A rapaça, moi triste, marchou ó mar convertida em serpe para sempre” (AAVV., 1994)

Da Moura à Galharda

O inusual tema da decapitação com uma espada especial de esta lenda germadina, tem um significativo paralelo exato nos romances de outra figura mitica peninsular: a chamada "Gallarda Matadora de Hombre" ou "Gallarda Matadora de Siete Maridos". Em um romançe sefardi Armistead e Silverman toparam uma variante na que a monstroça mulher homicida lhe faz a seu matador uma estranha petição: que lhe deu um segundo golpe depois de morta. 

Y de enfrente la veigo venir como el grano de agranada:
 Le demandí si era cazada. - Cazada, por los mis pecados.
Siete maridos ha tomado; todos los siete eran matados
y por no hazerme el mi dicho y ni menos el mi comando.
- Y yo te haré el tu dicho y también y el tu comando.
- Tenéme esta linda candela y vos haré la linda sena
y de culebras y alacranes y todo modo de animales.
Y fin que se haze la sena y vos haré la linda cama. -
Y del ombligo para arriva, una linda dama sería.
 Y del ombligo para abaxo, un negro animal sería.
Y yo vezí de la madre, que la mujer se echa delantre.
 Y ya le dio una d'eya y la hizo media por media.
- Y dame una otra d'eya, una ves me parió mi madre
(Armistead & Silverman, 1984)

Estes dois autores se perguntam o porque da estranha petição do segundo golpe de espada, pois o primeiro já partira o corpo da Galharda em dois. Em algumas outras versões o golpe da espada tem como consequência não partir o corpo da Galharda senão decapita-la ("Desenvainó la su espada, / la cabeza le cortaba") ao igual que no caso da moura germadina. Através do estudo dos paralelos folcloricos Armistead e Silverman concluiam que se bem o primeiro golpe da arma matava o segundo -paradoxalmente- dava de novo a vida. Isto concorda plenamente com o caaso da decapição "salvadora" da lenda germadina. 


Há outro elementos confluintes entre as mouras nordestinas e a Galharda, como o carater semi-humano, pois as vezes esta última é descrita com um hibrido: de cintura para acima humano e  "escuro animal" para abaixo, o qual recorda ao corpo semi-ofidico da fada Melusina, ou as metamorfoses de mulher a serpe e serpe a mulher tão tipicas das mouras e xanas do Noroeste Peninsular. Mas a Galharda normalmente adquire caracteres plenamente humanos se bem estranhos e perigossos, como outra figura emparentada com ela no folklore Hispânico: A Serrana de La Vera. 
  

A Serrana e a Galharda

A Galharda como a Serrana aparecsem como mulheres asociais que vivem no monte, em uma solitaria cabana ou numa profunda cova, a qual atraim as suas vitimas: pastores ou moços. com os que saciam seus desejos sexuais e aos que depois matam qual mantis humanas. A lenda da Galharda nos amostra na sua cavana, na qual de uma das traves do teto se vem colgar as 7 caveiras, daqueles que foram seus "maridos" temporarios. A Serrana oferece ao "serranito" igualmente para bever a caveira de uma das sua victimas dizindo-lhe que a proxima cunca há ser feita da sua. 

Em este cenario de panico e horror o moço fuge e denuncia a assesina que e capturada e punida, ou bem no caso do "oitavo" marido da Galharda, ele mesmo a mata antes do amencer, derramando a sangue da homicida como antes fora derramada a das sua vitimas no chão. As verssões que da mitica Serrana ofereceram as obras teatrais do Século de Ouro Espanhol (aqui) incidiram em racionalizar sua figura, convertindo-a em um precedente dos squycho-killers da crónica negra actual. Dão-lhe igualmente além da denominação generica do folclore um nome propio apelidos, familia e linhagem reconhecivel e mesmo explicam as causas biográficas de tal odio aos homens (o ter sido "deshonrada" por seu namorado), tudo muito acorde com a ética e valores gerais sob o sexo e a honra que o teatro da época reflite. 

Boa parte de essas verssões racionalistas e cultas impregnaram, através das representações dramaticas às que assistia o povo, ao proprio foclore (aqui). Mas de vez em quando baixo este transforndo desmitificador e secularizado emerge o fundo o velho fundo sobrenatural do velho ciclo folclorico de estas mulheres "matadoras de homens" A propria forma meio humana no romançe sefardi de Armistead; as verssões que fazem a Serrana não plenamente humana senão um hibrido: filha de um pastor e uma égua. 



Carater semi-equino que nos evoca inmediatamente  forma equina dos "corredores" do folclore portugues, que de forma similar aos lobisomes correm "a  fada" de uma malição mas não em forma de lobos, senão de cavalos, mas igualmente as recorrentes associaçóes ao cavalo das mouras galaico-poruguesa (7). Mas isto também evocam outros carateres equinos mais antigos: a Macha irlandesa ou Epona Gaulesa

No proprio ambito lusitano, no que se situa a Extremadura onde se localizam a maioria das lendas sob a Serrana, temos a pressença de uma divindade pré-romana denominada Ikoina Loinmina (uma "Equina Luminosa"-?-) na celebre inscripção lusitana de Cabeço das Fraguas (Schattner & Santos, 2010). Esta lenda que atribui à Serrana descender de um pastor e uma égua apressenta igualmente um curiosso paralelo com uma tradição apocrifa sob os origens da deusa Epona recolhida pelo Pseudo-Plutarco (8). 

A Galharda e A Serrana são mulheres apenas montesaias, homicidas, sexualmente activas (9), caçadoras e que mesmo chegam a retar aos homens naquelas coisas nas que estem deveram dominar como os combates de luta, mas que não adquirem por isso necessariamente os carateres masculinos nem repulsivos, das bruxas horriveis e gigantas ogressas de boa parte do folkore nórdico.

Não são tampouco velhas de abançada idade, como a Caillheach gaelica nem a Velha moura hora benefactora oura terrivel, ou a Orca Velha antropofaga.  Adquirem pelo contrario a forma das jovens fadas (mouras, , bandshide) de cabelos loiros e ricos vestidos que umem a seu atrativo tentador a potencial perigosidade


A Galharda deve Morrer

Tal vez, esta similitude com a moura ou fada, assim o creemos, seja mais que formal ou epidermica, e detras de derrota e morte da Serrana ou a Galharda houvera um contexto similar as probas de desencantamento das mouras, e após o segundo golpe de espada, emergiriam resuscitadas, e accessiveis já ao casamento, com o homem triunfante nesta autentico ordalio por combate a morte. 

Mas, além do estranho, segundo golpe desnecesario, nada fica, perde-se totalmente qualquer conexão feérica. O segundo golpe, que nunca sera dado, poderia, em este ordem de coisas, apenas resuscitar a uma Galharda na sua forma anterior de depredadora puramente maligna. Por isso o segundo golpe, resto inexplicado no relato do velho topos mitico nuca é executado pelo herói, não o pode ser. 

A Galharda e a Serrana são pois. já na sua concepção, puramente cristiã e humanizada,  "irredimiveis" pelos seus graves crimes e pecados, e não há jã transissão, salvadora à apacivel cara a vida coniugal, possivel.  A velha mulher mitica, incomprendida, só pode -deve- "morrer". 

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Audios 

Cátedra de Estudios Leoneses "La mujer como protagonista: Sobre matadoras" (coleção de recolhas em audio de diversos romançes sob a Gallarda e a Serrana) aqui

NOTAS

1) Um paralelo de este motivo asociado a carreira para ganhar a noiva, com destacaveis coincidencias com as história de Atalante, tem sido estudado entre os povos eslavos do sul por Holzer (2020)
2) A remoção do cinto (zoster) como parte da panoplia militar pode ser entendido como uma negação da condição militar ,similar a capturar as armas pelo inimigo, mas tampouco se pode desbotar o facto de que o zoster formava, o modo de cingidor, parte do vestido feminino igualmente, e que remove-lo supõe deixar livre o frouxo o chiton, pelo que também pode entender-se este gesto com um forte sentido erótico. A conexão entre o sometimento sexual a vontade do varão e a perda da "força" que o cinto repressenta, recorda ceteris paribus ao o que lhe sucedera a certa mulher-guerreira dum relato cavaleiresco árabe (História do Rei Omar-Al Neman e os seus filhos) contido em As Mil e Uma Noites que perdera a sua força e habilidades guerreiras, devindo apenas uma feble mulher como outra, tras perder a sua virgnidade
3) Essa vestimenta masculina de Uathach podia comparar-se igualmente com a verstimenta hipoteticametne "masculina" da mulher com calças curtas da bainha de espada de Gryniv, citada ao inicio.
4) É inevitavel por em relação esta triade formada por Scáthach-Uathach-Aife no relato épico com um trassunto do que no panteão representam as triple das deusas celticas da soberania e a guerra, como a tripla Macha ou a tripla Morrigan
5) Não descontamos a priori a possibilidade de topar paralelos de este padrão mitico igualmente no ambito dos indo-europeus orientais, nâo é esta a finalidade de este texto breve. Embora consideramos pode ser de muito interesse. essa futura extanssão da exploração sobre as mulheres guerreiras da epica ou relatos folcloricos nos ambitos indo-iraniano, armenio, ou eslavo. 
6) Prosperidade material muito buscada pelo campones pobre, mas que da que através da comparativa das variantes se pode derivar de relatos de tipo melusinico que em ultimo termo são um avatar  reciclado da velha mitologia da mulher sobrenatural, personaficação da Soberania sob o territorio, ao qual oferesce a prosperidade através da união frutifera com o monarca (Tenreiro, 2006, De Milio, 2024)
7) Em parelelo a forma hidrida de humana e animal da Galharda, alguns romances de acordo com esta origem biologica atribuem a Serrana ter a metade inferior do corpo de equina: “De medio cuerpo p~arriba / tiene figura de fiera; / de medio cuerpo p´abajo / tiene figura de yegua” (Dominguez Moreno, 1985)
8) "Fulvius Stellus odiava às mulheres e costumava unir-se a uma égua, e no devido tempo a égua deu à luz uma linda menina e eles a chamaram de Epona. Ela é a deusa que se preocupa com a proteção dos cavalos. Assim o diz Agesilaüs no terceiro livro de sua História Italiana" (Pseudo-Plut. Paral. Minora 29)
9) Existe uma polaridade estrutural, possivelmente originaria, entre as verssões que mostram a conduta de rejeitamento do matrimonio e o submetimento ao varão como resultado de um celibato iniciatico prolongado (Atalanta, Brunilda) e aquelas que, -as vezes em esse mesmo contexto iniciatico (Scáthach e o resto da triade escocesa). ou fora de ele (Galharda, Serrana, Orca Velha) mostram uma conducta sexual não apenas à margem do matrimonial mas tinguida de um certo selvaginsmo, conducta que nunca contexto de moral cristiana apedas pode entender-se como puramente maligna, perigossa, tanto fisica como eticamente.