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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Umbanda é homenageada em selo dos Correios

Os Correios realizam nesta quinta-feira (15) o lançamento do selo especial Umbanda - Sincretismo Religioso Brasileiro, durante sessão solene em homenagem à Umbanda, às 20h, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
A cerimônia ocorre no Plenário Juscelino Kubitschek de Oliveira, com a presença do presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira, do deputado federal Vicentinho e dos deputados estaduais Gerson Bittencourt, Leci Brandão e Luis Cláudio Marcolino, além de líderes religiosos.
O selo traz a imagem, com fundo vermelho, do fundador da Umbanda, Zélio Fernandino de Moraes, e destaca dois atabaques, instrumentos musicais utilizados na prática dos rituais de Umbanda e símbolos oficiais da religião. A técnica utilizada foi desenho digital, pela artista Lidia M. H. Neiva.
A tiragem é de 600 mil selos, com valor facial de R$ 1,20 cada.
As peças filatélicas podem ser adquiridas nas agências dos Correios, na loja virtual (www.correios.com.br/correiosonline) ou na 
Central de Vendas à Distância (centralvendas@correios.com.br).

Fonte:
http://www.correios.com.br/para-voce/noticias/umbanda-e-homenageada-em-selo-dos-correios

domingo, 6 de abril de 2014

ENCONTROS COM MÉDIUNS NOTÁVEIS

Tomei conhecimento deste livro de Waldemar Falcão agora via Facebook  achando que era novidade e, para minha surpresa, fiquei sabendo que ele foi lançado em 2005.
Na verdade post em questão, fala do lançamento do livro em formato de bolso e em formato digital. 
Ao que parece,  deve ser um livro bem interessante... eu já pedi o meu.
Acabei encontrando no blog de Waldemar Falcão 6 postagens acerca dos médiuns notáveis. São relatos que deixam aquele gostinho de quero mais.
Confira-os nos links abaixo.


Encontro nº 1:
Walkyr Figueiredo Rocha ("a Umbanda Tradicional")

Encontro nº 2:
Nazaré da Silva Santos ("a Umbanda Cruzada")

Encontro nª 3:
Luiz da Silva Ferreira ("a Umbanda e o Candomblé")

Encontro nº 4:
Paulo Vitucci ("o Cavalo do Rei Salomão")

Encontro nº 5:
Lourival de Freitas ("o Bruxo das Laranjeiras")

Encontro nº 6:
Célia do Carmo Ferreira da Silva ("a Processualística Universal")


Links originais: 
http://bloglog.globo.com/blog/blog.do?act=loadSite&id=91&postId=4236&permalink=true
http://bloglog.globo.com/blog/blog.do?act=loadSite&id=91&postId=4467&permalink=true
http://bloglog.globo.com/blog/blog.do?act=loadSite&id=91&postId=4720&permalink=true
http://bloglog.globo.com/blog/blog.do?act=loadSite&id=91&postId=5608&permalink=true
http://bloglog.globo.com/blog/blog.do?act=loadSite&id=91&postId=5867&permalink=true
http://bloglog.globo.com/blog/blog.do?act=loadSite&id=91&postId=5925&permalink=true

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

PONTO DO CABOCLO PENA BRANCA POR TOMAZ LIMA


O texto abaixo é de Tomaz Lima

"Fui inspirado pelo Caboclo Pena Branca para compor este ponto em 2010. Hoje posto a explicação:
Meu tesouro não é de ouro, meu tesouro não é de prata. A minha riqueza não é material. Meu caminho é no vento, os meios pelos quais eu trabalho não fazem parte das coisas da ciência exata. Minha força está na mata, a natureza e seus elementos como a água, as ervas, e outros segredos são meus meios materiais de comunicação e instrumentos de cura objetivos com os seres vivos. Minha missão é resgatar o elo que se perdeu entre Jesus de Nazaré e a humanidade. Minha flecha é certeira, pois o que faço tem objetivo, nada é ao acaso. Meu bodoque é de marfim, tenho legitimidade no que faço e meus motivos são nobres e elevados. Minha lança é de aroeira, a lança penetra  fundo e sua marca é indelével, pois o que digo ou faço, não escondo. A aroeira é uma madeira forte e dura que não se quebra com qualquer pancada, também ela indica nobreza de atitude livre de apegos e de preferências por quem quer que seja. Estou  ligado e preso aos fundamentos da doutrina de Jesus de Nazaré. A Umbanda não tem ouro, a Umbanda não tem prata, 
não  fazemos comércio com a religião, nem usamos os poderes que recebemos para obter vantagens ou indulgências. A Umbanda em si mesma é o tesouro, a meta e a verdade que liberta, auxilia e torna possível a vida mais equilibrada e harmoniosa entre as pessoas, as criaturas de Deus . Aqueles que por opção não seguem os fundamentos da Umbanda e se  arvoram em mensageiros do poder de Jesus de Nazaré, não cumprem, na verdade,  com o verdadeiro espírito da verdadeira Religião que é a prática da CARIDADE, seja em casa , no trabalho, no templo ou em qualquer lugar. Caridade NÃO É DAR ESMOLAS, a verdadeira caridade é a ajuda livre de apego ao resultado de suas ações. A caridade não vê sexo, idade, cor, posição social ou beleza de quem se vai ajudar. Quem se desvia dos objetivos mais elevados, como a pureza, a bondade, a delicadeza no trato com os demais, a lisura nas suas atividades materiais, a bondade no trato com desajustados e desequilibrados. Nada pode justificar a  rudeza, a rispidez ou a violência, a não ser que você esteja sob ameaça e tenha que lutar por sua própria vida, dos demais ou do seu País. Sou de Jesus de Nazaré, pois nele  ponho minha vida e minhas esperanças , ele é meu porto seguro, minha fortaleza e minha esperança. Nunca me desvio dos meus objetivos nesta vida pois sei que nada é mais forte do que o amor e a bondade, nada é mais poderoso do que uma atitude positiva que leve os demais e você próprio a trilhar um caminho de vitória espiritual. Se perguntar o meu nome, eu me chamo CABOCLO PENA BRANCA e SOU DE OXALÁ, Jesus de Nazaré, o Pastor do Rebanho que segue a verdade que não se perde nem com o tempo, nem com a vida fugaz e passageira.   Dia 23 de julho de 2013 ano da verdade! "


sexta-feira, 26 de julho de 2013

NANÃ BURUQUÊ - A GRANDE AVÓ


EU VI SENHORA SANT'ANA,
SENTADA NA CACHOEIRA.
E ELA BRADAVA TANTO,
CHAMANDO OGUM
PARA JURAR BANDEIRA.
Ponto  e Nanã na Umbanda

Nanã é a grande avó de todos os Orixás. Ela é responsável por todas as questões maternas relacionadas com as mulheres, ela é o espírito da Terra e da Lua.
Uma sábia senhora que gosta de cuidar de si mesma, enquanto observa a Terra e seus netos. 
Nanã pode nos auxiliar nas questões de saúde em geral ou aquelas referentes ao útero e a gravidez, especificamente.
Seu campo de ação é próximo aos rios, pois ela é a mãe de todas as águas, inclusive da água doce. É através de Nanã, que Oxum recebe as águas para formar seus rios.
Nanã pode ser vista também nos pântanos, onde recebe suas oferendas.(*)

Nanã foi a primeira esposa de Oxalá, tendo com ele três filhos: Iroko, Obaluaiê e Oxumarê.
Segundo as pesquisas de Pierre Verger, Nanã, no culto anterior à chegada dos orixás iorubanos à região da atual  Nigéria, teria um posto hierárquico semelhante ao de Oxalá - ou até mesmo de Olorum.
Na mitologia do Daomé, Nanã às vezes é apresentada como orixá feminino, às vezes como masculino ou até mesmo assexuado, pai (ou mãe) de todas as coisas, seres e orixás.
Orixá indiscutivelmente feminino, primeira mulher de Oxalá (representado a antiguidade da civilização que a cultuava) e associada sempre à maternidade. É por tudo isso, a mais velha deusa das águas, tendo associações tanto com a morte como a posição reservada aos velhos em qualquer sociedade.
O elemento de Nanã é a lama, o lodo do fundo dos rios e dos mares em geral. É, por extensão a deusa dos pântanos, o ponto de contato das águas com a terra, a separação entre  o que já havia (Água) e o que foi libertado por mando de Olorum ( a terra do "saco da criação") - sendo portanto, sua criação simultânea à da criação do mundo.
Segundo Pierre Verger, "Nanã é o arquétipo das pessoas que agem com calma e benevolência, dignidade e gentileza. Das pessoas lentas nos cumprimentos de seus trabalhos e que julgam ter a eternidade à sua frente para acabar seus afazeres. Elas gostam de crianças e educam-nas, talvez com excesso de doçura e mansidão, pois possuem tendencia a se comportar com a indulgência das avós.
Agem com segurança e majestade. Suas reações bem equilibradas e a pertinência de suas decisões mantem-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça."
Na Umbanda, Nanã Buruquê é sincretizada como Nossa Senhora Sant'ana, mãe da Virgem Maria e, não é mera coincidência o fato de hoje ser comemorado o dia dos Avós.
Suas cores são o branco e o azul, na Umbanda e Roxa no Candomblé.
Quanto ao dia da semana à ela consagrado, existem variações, uns dedicam a Terça-feira, outros à Quarta-feira (associando-a  ao culto de seu filho Obaluaê) e por fim, ao Sábado, juntamente com as outras orixás das águas Oxum e Iemanjá.
É apelidada de "Vovó", e sua saudação é Salubá! (**)


(*)Fonte texto e imagem:
http://divinemoon.tumblr.com/post/50684202095/nana-buruku-nana-is-the-great-grandmother-of
(**) Revista Planeta Cultos Afro-brasileiros - Os Orixás - Ed.Planeta

sexta-feira, 12 de julho de 2013

UMBANDA: SETENÁRIO UNIVERSAL

O setenário universal, são as 7 forças da natureza que tudo ordenam e criam, destroem para construir de novo, num constante vai e vem, como se estivessem pulsando.
Representam as sete forças onde Zambi-apongue (princípio absoluto) se apóia para construir o mundo.

Essas forças são as seguintes:

Oxalá: ser em equilíbrio dominado a matéria. A luz da verdade e o sol da matéria.
É também representado pelo simboloque significa a energia concentrada no espirito puro. 
Representa para o homem o 1º raio cósmico (vontade e poder do Pai), que rege o chakra coronário.

Xangô: a alma em busca do equilíbrio para retornar ao Criador. É a balança que simboliza a justiça de Oxalá. 
Significa a força e o poder e representa para o homem o 2º raio cósmico (sabedoria), que rege o chakra cardíaco.

Yori: energia dirigida em ondas vibratórias, isto é, pura, modulada, sonora. É a eloquência, a inteligência e o domínio das ciências.
Representa para o homem o 3º raio cósmico (inteligência ativa), que rege o chakra laríngeo.

Yorimá: os quatro elementos materiais abertos em relação aos pontos cardeais. A regeneração pela provação. É o tempo atuando como regenerador pela transformação do espirito livre da matéria. 
Representa para o homem o 4º raio cósmico (harmonia no conflito), que rege o chakra sacro.

Yemanjá: duas almas em regeneração. Duplo gerante. O reflexo, o pensamento, o mistério da vida.
Representa para o homem o 5º raio cósmico (conhecimento concreto, que rege o chakra frontal.

Oxóssi: energia dirigida. A vontade. O princípio da vida e da morte.
Representa para o homem o 6º raio cósmico (idealismo, devoção), que rege o chakra esplênico.

Ogum: a alma em busca do retorno ao seio do Criador. A luta, o trabalho, a partida, o arranque. 
Representa para o ser humano o 7º raio cósmico (ordem cerimonial), que rege o chakra do plexo solar.

Além dessas 7 forças - que na umbanda representam as 7 linhas básicas - existem outras, que são suas subdivisões. 
Por exemplo:

Oxum - duas almas em oposição, mas harmonicamente equilibradas. o Amor, a doçura.

Iansã - duplo raio. A dupla força que vem de cima para regenerar.


Ossaim - a energia dirigida de duas almas. O mistério da sobrevivência, da cura e da relação entre vida e morte.


Omulu/Obaluaê - a transformação da matéria. A fronteira entre a vida e a morte.



Fonte texto e imagem: Textos de autoria de Adilvar Brasão de Freitas para a Revista Planeta - Especial Cultos Afro-brasileiros - Edição de 1996

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

ORAÇÃO AO CABOCLO 7 FLECHAS


imagem: Sete Flechas, por Agnes do santo



Salve Deus Pai , criador de todo o universo! 
Salve São Sebastião, 
Rei da Mata e Guia de todos os Caboclos!
Salve, Pai Sete-Flechas e sua falange de obreiros!
Pai Sete-Flechas, baixai sobre nós um raio de vossa Divina Luz, iluminando os nossos espíritos, para que possamos entrar em comunicação com vossa centelha divina de onde emanam as vossas sagradas Flechas, defendendo-nos e amparando-nos neste mundo.
Salve as Sete-Flechas que vos foram dadas espiritualmente para defender e proteger de todas as dificuldades e angústias neste mundo.
Bendito seja o sagrado nome de São Sebastião, de Oxóssi, que vos botou sobre o vosso braço direito a Flecha da Saúde para que derrame sobre nós os bálsamos curadores.
Bendito seja o sagrado nome de São Jorge e de Ogum, que vos colocou sobre o braço esquerdo a Flecha da Defesa a fim de que sejam defendidos de todas as maldades materiais e espirituais.
Bendito seja o sagrado nome de São Jerônimo e de Xangô que vos cruzou uma Flecha em vosso peito para nos defender das injustiças da humanidade.
Bendita seja a mãe e nome da Senhora da Conceição que vos cruzou uma flecha em vossas costas, para nos defender de todas as traições de nossos inimigos.
Bendito seja o nome do Senhor do Bonfim, nosso Pai Oxalá, que vos botou uma Flecha sobre vossa perna direita, para abrir os nossos caminhos, materiais e na senda da espiritualidade.
Bendito seja o divino nome de Nossa Senhora dos Navegantes e de nossa mãe Iemanjá que vos botou uma Flecha sobre vossa perna esquerda, para lavar os nossos caminhos, iluminar nossos espíritos e nos defender de todas as forças contrárias a vontade de Deus.
Bendito seja o sagrado nome de São João Batista, e o nome de Xangô, que entregou em vossas sagradas mãos a Flecha da FORÇA ASTRAL SUPERIOR, para distribuir a humanidade a divina força da fé e da verdade.
Deus Pai foi quem ordenou , os santos as flechas entregou: 
com as forças das Sete-Flechas me abençoou..."

http://www.africanasraizes.com.br/sete.html

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

ORAÇÃO A OXALÁ



Salve Oxalá, força divina do amor, exemplo de abnegação e carinho!
Nós vos rogamos, ó bondoso Mestre, a vossa proteção para que possamos sentir em nossos corações cada vez mais viva a chama do nosso amor por Deus e por todas as suas criaturas.
Derramai vossas bençãos por sobre todos nós e especialmente por sobre os que se encontram nos hospitais e penitenciárias, por sobre todos os que nascem neste momento e, ainda muito especialmente pelos que desencarnaram e se dirigem,  já em espírito, ao mundo invisível, para o ajuste de contas.
Proteção ó Pai Oxalá!
Força e proteção para todos os que trilham o caminho do bem e misericórdia para os que vivem no mal e para o mal, esquecidos de si próprios.
Assim seja!

*Texto adaptado do livro "Orações da Umbanda" - José de Arimatéia Nunes - 12ª edição-Editora Eco

domingo, 28 de março de 2010

O ENCANTO DOS ORIXÁS

imagem: Zélio Fernandino de Morais


O encanto dos Orixás
por Leonardo Boff


Quando atinge grau elevado de complexidade, toda cultura encontra sua expressão artística, literária e espiritual. Mas ao criar uma religião a partir de uma experiência profunda do Mistério do mundo, ela alcança sua maturidade e aponta para valores universais. É o que representa a Umbanda, religião, nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1908, bebendo das matrizes da mais genuina brasilidade, feita de europeus, de africanos e de indígenas. Num contexto de desamparo social, com milhares de pessoas desenraizadas, vindas da selva e dos grotões do Brasil profundo, desempregadas, doentes pela insalubridade notória do Rio nos inícios do século XX, irrompeu uma fortíssima experiência espiritual.

O interiorano Zélio Moraes atesta a comunicação da Divindade sob a figura do Caboclo das Sete Encruzilhadas da tradição indígena e do Preto Velho da dos escravos. Essa revelação tem como destinatários primordiais os humildes e destituídos de todo apoio material e espiritual. Ela quer reforçar neles a percepção da profunda igualdade entre todos, homens e mulheres, se propõe potenciar a caridade e o amor fraterno, mitigar as injustiças, consolar os aflitos e reintegrar o ser humano na natureza sob a égide do Evangelho e da figura sagrada do Divino Mestre Jesus.

O nome Umbanda é carregado de significação. É composto de OM (o som originário do universo nas tradições orientais) e de BANDHA (movimento inecessante da força divina). Sincretiza de forma criativa elementos das várias tradições religiosas de nosso pais criando um sistema coerente. Privilegia as tradições do Candomblé da Bahia por serem as mais populares e próximas aos seres humanos em suas necessidades. Mas não as considera como entidades, apenas como forças ou espíritos puros que através dos Guias espirituais se acercam das pessoas para ajudá-las. Os Orixás, a Mata Virgem, o Rompe Mato, o Sete Flechas, a Cachoeira, a Jurema e os Caboclos representam facetas arquetípicas da Divindade. Elas não multiplicam Deus num falso panteismo mas concretizam, sob os mais diversos nomes, o único e mesmo Deus. Este se sacramentaliza nos elementos da natureza como nas montanhas, nas cachoeiras, nas matas, no mar, no fogo e nas tempestades. Ao confrontar-se com estas realidades, o fiel entra em comunhão com Deus.

A Umbanda é uma religião profundamente ecológica. Devolve ao ser humano o sentido da reverência face às energias cósmicas. Renuncia aos sacrifícios de animais para restringir-se somente às flores e à luz, realidades sutis e espirituais.

Há um diplomata brasileiro, Flávio Perri, que serviu em embaixadas importantes como Paris, Roma, Genebra e Nova York que se deixou encantar pela religião da Umbanda. Com recursos das ciências comparadas das religiões e dos vários métodos hermenêuticos elaborou perspicazes reflexões que levam exatamente este título O Encanto dos Orixás, desvendando-nos a riqueza espiritual da Umbanda. Permeia seu trabalho com poemas próprios de fina percepção espiritual. Ele se inscreve no gênero dos poetas-pensadores e místicos como Alvaro Campos (Fernando Pessoa), Murilo Mendes, T. S. Elliot e o sufi Rumi. Mesmo sob o encanto, seu estilo é contido, sem qualquer exaltação, pois é esse rigor que a natureza do espiritual exige.

Além disso, ajuda a desmontar preconceitos que cercam a Umbanda, por causa de suas origens nos pobres da cultura popular, espontaneamente sincréticos. Que eles tenham produzido significativa espiritualidade e criado uma religião cujos meios de expressão são puros e singelos revela quão profunda e rica é a cultura desses humilhados e ofendidos, nossos irmãos e irmãs. Como se dizia nos primórdios do Cristianismo que, em sua origem também era uma religião de escravos e de marginalizados, “os pobres são nossos mestres, os humildes, nossos doutores”.

Talvez algum leitor/a estranhe que um teólogo como eu diga tudo isso que escrevi. Apenas respondo: um teólogo que não consegue ver Deus para além dos limites de sua religião ou igreja não é um bom teólogo. É antes um erudito de doutrinas. Perde a ocasião de se encontrar com Deus que se comunica por outros caminhos e que fala por diferentes mensageiros, seus verdadeiros anjos. Deus desborda de nossas cabeças e dogmas.


(Leonardo Boff é autor de Meditação da Luz. O caminho da simplicidade. Vozes 2009.)


Mais sobre Zélio Fernandino de Morais em Acervo Ayom