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Apontadores [XIX] : Consumo Cooperativo

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À procura de $$$

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Mesmo espartana, a experiência de dois anos de Thoreau teve como uma base uma instalação de custo zero (os terrenos eram da família) e algumas poupanças que, mesmo irrisórias, participavam quotidianamente naquilo que não podia produzir (cereais, óleos e sal, sobretudo).
A auto-suficiência é um ideal bastante heróico e motivador mas não é totalmente realista se o que se pretende é uma conciliação da máxima qualidade de vida com o mínimo de "custos de manutenção".
É uma relação tensa, cujos atritos são difíceis de gerir, mas a síntese faz tudo valer a pena- mesmo se, como diz o T. , podemos não acumular riqueza enquanto nos tornamos "milionários de tempo".
E como ganhar o suficiente para cobrir o que for necessário em relação a saúde, educação, lazer e também o que não se produz?

Foram surgindo umas dicas ao longo do tempo:

CSA: Criar uma cooperativa com um cabaz mensal de determinado produto excedente, que dadas as pequenas dimensões da exploração teria que ser algo de valor acrescentado, como:


Produção Extensiva de Carne : Teria que ser de gado miúdo e de baixas exigências de alimentação, como caprinos ou ovinos, se houvesse nas imediações pasto disponível em baldio ou em arrendamento. Ou então aves, em combinação com pomar. Seria sempre em pequena escala, para cobrir gastos em alimentação, sobretudo.


Produtos Transformados: Produtos passíveis de serem fabricados com um pequeno excedente de produção, como mel, queijo, molhos, etc.Isto agora que a legislação permite vender e fazer isto em casa.


Conservação de espécies Autóctones: A par do espaço disponível e da produção de produtos de origem animal, poderiam ser escolhidas espécies autóctones que são alvo de apoios da PAC, alguns são fornecidos e gratuitamente controlados por associações específicas.


Rações para MPB: Com o contacto com pequenos produtores e amadores constata-se facilmente que nem as rações disponíveis para aves são económicas nem é possível adquirir lotes sem presença de OGM ou cereais de má qualidade.


Trabalhos Sazonais de Cultura: Por todo o país existem épocas em que se pode complementar o rendimento com a apanha de uva, laranja, cereja, azeitona, etc nas explorações de outros.


Plantas Aromáticas Secas: É um sector de valor acrescentado em crescimento no país, uma vez que o clima providencia épocas de crescimento mais longas e pode ser exportado já seco. Existe um momento propício à constituição de cooperativas deste tipo de produção.


Banca de Frescos: É a solução tradicional dos produtores, mas sofre de concorrência directa e intensa tanto de agentes locais como internacionais o que obriga à criatividade e conveniência- em vez de se venderem os legumes isolados, fazer molhos para sopa (tipo "ramo creme de alho françês para 3 pax"), saladas frescas já feitas, ou a vender transplantes de rebentos no início das épocas, por exemplo.


Serviços de Biodiversidade: É difícil explorar o mercado de donativos e serviços públicos, mas podem ser muito compensatórios (em satisfação pessoal e bancária) - podem ir do controlo de fogos usando gado caprino,  à plantação de árvores reconstituição de habitats, etc. Tem que haver experiência e know-how técnico demonstrado e fundamentado para conquistar confiança.


Formação: Um local pode ser o palco de formações sobre artes rurais de qualquer tipo, não apenas agrícolas e não apenas restringidas ao que é praticado ou que se conhece, um bom programa para acompanhar outras fontes de rendimento como:


Turismo de Natureza: Este tipo de turismo certificado abrange várias tipologias, desde as mais convencionais Casas de Campo, até ao Glamping sazonal e o agro-turismo. Tem condições específicas para ser bem sucedido, nomeadamente estar numa zona classificada (pelo menos Rede Natura) que seja imediatamente acessível a partir do empreendimento e outras valências como refeições e zona para banhos.


Dentro destas hipóteses existe uma diversidade enorme de exigências em termos de localização, área, acesso a mercados, competências, etc. mas não é de todo impossível a convivência de quase todos, mantendo o fundamental: um quotidiano variado e gratificante e a colmatação de necessidades económicas (e não só),  fazendo aquilo de que se gosta.

Léxico [I] : CSA

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Uma CSA (Community Supported Agriculture) é uma forma de comercialização de produtos agrícolas iniciada na Suíça e hoje com uma sólida presença e popularidade nos EUA. Consiste na compra, por parte de consumidores locais, de produtos alimentares e bens transformados de uma exploração ou cooperativa agrícola em troco de um valor fixo por um período de tempo estabelecido. Nalguns casos a participação do consumidor vai para além do contrato anual ou da duração da época de produção e são vendidas participações das próprias quintas, aproximando-se mais de um projecto cooperativo com membros financiadores e membros produtores.Os membros financiadores retêm o acesso a algumas instalações das quintas.

Do ponto de vista do produtor os benefícios são o tempo e esforço libertado na comercialização e logística da sua produção e/ou a negociação com distribuidores; a possibilidade de acomodar pequenas produções ou policulturas e a previsibilidade da receita; e também a ajuda ao financiamento do início de actividade sem recorrer à banca e/ou concorrer a apoios. É um modelo que serve eficazmente pequenas explorações e por esse motivo adapta-se mais facilmente a nichos como a agricultura tradicional, biológica, biodinâmica ou outras.

Os clientes podem ganhar maior conveniência, com as entregas caseiras; os preços podem ser mais baixos e/ou mais justos para o produtor, com a eliminação do distribuidor; e os alimentos tendem a ser mais frescos, não tendo passado pela sequência de processamento, refrigeração e embalamento o que também permite reduzir os impactos ambientais relacionados.

Em Portugal existem alguns projectos de aproximação produtores tradicionais e de pequena escala ao consumidor, em tudo semelhantes ao serviço que as bancas dos mercados municipais -em crise- ainda proporcionam, com menores margens de lucro que os grandes distribuidores de cadeias de supermercados. Existe, por exemplo, a empresa Raízes, no Porto, que combina produção própria e distribuição de pequenos produtores.