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Denso ou intensivo?

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Ao procurar modelos para o tipo de produção agrícola que gostaria de praticar encontro muitos exemplos que confrontam o que valorizo ambientalmente com o que é compreensivelmente valorizado em termos de eficiência económica. As duas coisas não são necessariamente contraditórias, mas vejo que é sempre raro ou difícil atingir um equilíbrio entre elas.

Como estou responsável por uma pequena quinta que está, segundo o modelo de implementação habitual, no limiar ou abaixo da rentabilidade que o viabiliza, vejo-me impelido por profissionais da área a apostar em apenas num produto do modo mais intensivo e especializado possível, ocupando absolutamente toda a área disponível. Por outro lado gostaria de produzir intensivamente mas de uma forma que incluísse vários produtos que se complementam em termos de uso do solo, integrando melhor produção animal e vegetal por exemplo.

Não se trata apenas de pôr todos os ovos no mesmo cesto face ao risco de perder a produção toda por causa de uma semana chuvosa que coincida com a colheita por exemplo, mas de diversificar também o tipo de serviços e produtos que podem ser oferecidos. Com a variedade poderia diversificar também a clientela para além dos entrepostos e dirigindo-me ao mesmo tempo para o comércio local, algo que tenho vindo a ser absolutamente desaconselhado a fazer mas que sinto que posso experimentar gradualmente nesta fase inicial, especialmente estando dentro de uma área urbana, próxima de um mercado potencial.

A Sunny Creek (na foto) é uma produtora biológica australiana de frutos silvestres, castanha e maçã que produz na seca planície a norte de Melbourne com um sistema agro-florestal que integra os vários frutos, pensado para lidar com o clima e escassez de água, criando um oásis que é também economicamente próspero pela valorização que os seus clientes fazem deste modo de produção. Produzem com médias por hectare bem menores que os melhores casos de estudo tecnológicos destas culturas mas investiram também muito menos para obter o que têm - no fundo o saldo económico é semelhante mas o saldo ambiental e social é muito melhor. O que exigiu foi mais tempo e conhecimento, e uma relação mais elaborada e próxima com o cliente final.

Aqui não vejo muitas contradições, só inspiração.

TV Rural [XVII] : O Nosso Veneno Quotidiano

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Este documentário recente sobre as diversas formas de contaminação no sistema alimentar e os processos políticos de regulação do mesmo passou na RTP2 na semana passada em horário nobre.
Como gerou muita (merecida) atenção e muitos só o apanharam a meio aqui fica o filme completo.

Pragmatismo e Caricatura do Pragmatismo

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À esquerda, Polyface Farm (@vaaerial) , à direita uma exploração intensiva de aves ( @sraproject).
À esquerda, pastagem rotativa da Polyface Farm que consiste num sistema em que um pasto de culturas perenes e anuais (com forrageiras e feno produzido à parte) em que se alternam aves e gado bovino. O gado recolhe as ervas altas e deposita o estrume, as galinhas seguem-no alguns dias depois, quando as larvas do estrume estão a surgir, e tratam do resto do pasto e das pestes do gado, finalmente seguidas pelos coelhos. Os animais são processados e vendidos na quinta e a esta importa uma pequena quantidade do combustível (tem um conjunto muito reduzido de máquinas com mais de 20 anos) e nenhum fertilizante, pesticidas, herbicidas ou tratamento sanitário (é multada frequentemente). É um esquema produtivo circular em que o solo é constantemente fornecido de húmus, para acompanhamento de aumentos de produção dos animais saudáveis, que têm os seus comportamentos naturais encorajados e omnipresentes.

À direita, uma exploração ultra-intensiva de gado bovino (apenas) que consiste em abrigos onde os animais são mantidos toda a vida num espaço equivalente ao seu volume sem nunca terem pastado ou visto a luz do sol. A "piscina" ao lado consiste num poço ao livre de vários metros de profundidade de excremento e que, apesar de uma espessa parede de betão, permite infiltrações no solo e aquíferos subterrâneos (não é possível beber água do poço em alguns condados do EUA). Este excremento é levado por camiões para uma incineradora. O gado é mantido em proximidade extrema entre indivíduos e resíduos e alimentado exclusivamente a milho, que não consegue digerir por não ter evoluído nesse sentido, assim, como resultado, tem que ser medicado constantemente (através da ração) para não sucumbir antes do momento do abate. O campo à volta é plantado com milho transgénico em vez de pasto, o que implica trabalhar o solo com sementes adquiridas e um conjunto grande de fertilizantes, herbicidas e pesticidas com maquinaria pesada.

Apenas um deles não recebe subsídios que constituem 60% da fonte de financiamento; não contribui para poluir aquíferos, solos e ar; é mais produtivo em produtos diversificados; não está dependente de grandes fornecimentos de combustível, químicos de síntese e farmacêuticos; gera 5 vezes mais empregos; ocupa menos solo (que melhora produtivamente) e é capaz de vender em grandes e pequenas quantidades. O outro é o que alimenta grande parte dos países industrializados.