Mostrar mensagens com a etiqueta Objectivos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Objectivos. Mostrar todas as mensagens

Esperar

1 comentários


De Dezembro a Fevereiro os calendários de sementes estão em branco, apenas cantam as aves sedentárias, as árvores estão em modo de suspensão.

Esta pausa de Inverno, aqui na suavidade de quem está longe do Pólo e do Equador, é um ritual óbvio mas que nem por isso torna mais fácil a adaptação no primeiro ano em que se vive e a depende da cadência das estações.
Em vez de um longo descanso antes das 12 horas diárias de trabalho do Verão, começa o pico da (quase) estagnação a ser um teste á resolução em relação a tudo aquilo que se planeia vezes sem conta nos cadernos, guardanapos e discussões com quem já passa pelo mesmo há mais tempo.

Quem passou ou passa por algum processo de planeamento sabe que ao fim de um tempo o raciocínio começa a ser circular e cada vez menos crítico, especialmente sem o valioso contributo externo.

Quando comecei sabia que tinha que me preparar para aprender a fazer e a falhar inevitavelmente mas não estava pronto para me defender dos rigores da espera, quando as possibilidades todas ainda parecem muito distantes e quando se tem tempo a mais para pensar. 

Felizmente de cada vez que se sai 5 minutos mais tarde por causa da luz fico gradualmente obrigado a concretizar mais e a divagar menos.


Denso ou intensivo?

4 comentários


Ao procurar modelos para o tipo de produção agrícola que gostaria de praticar encontro muitos exemplos que confrontam o que valorizo ambientalmente com o que é compreensivelmente valorizado em termos de eficiência económica. As duas coisas não são necessariamente contraditórias, mas vejo que é sempre raro ou difícil atingir um equilíbrio entre elas.

Como estou responsável por uma pequena quinta que está, segundo o modelo de implementação habitual, no limiar ou abaixo da rentabilidade que o viabiliza, vejo-me impelido por profissionais da área a apostar em apenas num produto do modo mais intensivo e especializado possível, ocupando absolutamente toda a área disponível. Por outro lado gostaria de produzir intensivamente mas de uma forma que incluísse vários produtos que se complementam em termos de uso do solo, integrando melhor produção animal e vegetal por exemplo.

Não se trata apenas de pôr todos os ovos no mesmo cesto face ao risco de perder a produção toda por causa de uma semana chuvosa que coincida com a colheita por exemplo, mas de diversificar também o tipo de serviços e produtos que podem ser oferecidos. Com a variedade poderia diversificar também a clientela para além dos entrepostos e dirigindo-me ao mesmo tempo para o comércio local, algo que tenho vindo a ser absolutamente desaconselhado a fazer mas que sinto que posso experimentar gradualmente nesta fase inicial, especialmente estando dentro de uma área urbana, próxima de um mercado potencial.

A Sunny Creek (na foto) é uma produtora biológica australiana de frutos silvestres, castanha e maçã que produz na seca planície a norte de Melbourne com um sistema agro-florestal que integra os vários frutos, pensado para lidar com o clima e escassez de água, criando um oásis que é também economicamente próspero pela valorização que os seus clientes fazem deste modo de produção. Produzem com médias por hectare bem menores que os melhores casos de estudo tecnológicos destas culturas mas investiram também muito menos para obter o que têm - no fundo o saldo económico é semelhante mas o saldo ambiental e social é muito melhor. O que exigiu foi mais tempo e conhecimento, e uma relação mais elaborada e próxima com o cliente final.

Aqui não vejo muitas contradições, só inspiração.

Aprender, fazendo

6 comentários
"As crianças são animais de criação extensiva e devem ser deixadas a pastar nos canteiros de morangos no Verão" John Seymour




Nunca entendi porque é que no nosso Ensino Básico transmitimos às crianças muito do conhecimento acumulado pela Humanidade durante milhares de anos como a Língua, Matemática e Ciência e não estendemos o currículo a todas as ferramentas elementares para a compreensão do mundo físico, como a Agricultura, e o conhecimento prático do mundo natural envolvente através da Biologia aplicada.

Este papel terciário ou inexistente na formação clássica, faz depois que certas actividades sejam alvo de alguma diminuição social e cultural, apesar da sua óbvia importância no quotidiano.
O caso mais visível é o da produção de alimentos, mas estende-se a todas as actividades, desde produzir utensílios, vestuário, culinária ou mesmo à construção propriamente dita, basicamente conhecimentos também resultantes da evolução da civilização. Pior ainda, a sua presença nos currículos do saudosismo ruralista  e patriarcal da ditadura manchou para várias gerações a presença destas actividades no ensino.

Fico no entanto curioso com métodos de educação que incluem alguns destes aspectos ou transferem a sala de aula para um contexto exterior e exclusivamente prático, mas não deixo de pensar que as ATLs semi-obrigatórias que agora existem podiam ser passadas (pelo menos parcialmente) com as crianças a aprenderem mais sobre os animais, fenómenos e objectos que os rodeiam.

É fundamental para o seu desenvolvimento e auto-confiança desenvolverem aptidões das quais retirem uma utilidade prática e imediata fora do abrigo de uma sala de aula ou da supervisão constante.
Gostava de um dia integrar na quinta uma forma de educação (em regime de ATL, AEC ou outro) que seja alternativa ou complemento à educação básica das crianças da cidade onde resido.

Não garantia é que voltassem com a roupa limpa a casa.

Encontrar Terra

6 comentários



Tendo crescido num subúrbio no seio de uma família sem qualquer ligação ao mundo rural, o que é relativamente raro em Portugal, encontrar um lugar tornou-se incrivelmente difícil, apesar de por todo o lado ver solo agrícola subaproveitado ou mesmo não utilizado que parecia troçar da minha condição de desterrado, que está prestes a alterar-se.

Como algumas pessoas devem de certeza passar pelo mesmo, deixo algumas dicas, tendo em conta a salvaguarda de existirem imensas especificações para cada situação. No meu caso procurei no Minho, no mínimo um hectare contíguo numa região onde domina o minifúndio, e o objectivo era arrendar.

Alguns critérios para definir as zonas a escolher:

- Definir as necessidades gerais em termos de características de área e endafoclimáticas para as culturas escolhidas, em termos de altitude, pluviosidade, composição geral dos solos da região, entre outras
- Determinar que áreas são logisticamente mais viáveis e que estão próximas de pontos onde posso publicitar e vender os meus produtos e/ou onde existe um mercado local próximo que absorva os produtos e serviços (neste caso entrepostos e cooperativas agrícolas e uma cidade por perto)
- Encontrar locais onde já sejam produzidas culturas idênticas ao que pretendo produzir e onde existe apoio técnico e material ao tipo de actividade que quero desenvolver
- Encontrar que áreas têm aspectos interessantes do ponto de vista da valorização da produção, como produtos DOP ou IGP que interessem, se são áreas identificadas com dada produção de qualidade ou consideradas como Zonas Desfavorecidas (para âmbito de candidatura a apoios).
- Definir que valores se podem pagar pelo arrendamento (ou compra, se for o caso) e que atenuantes podem valorizar mais ou menos dado local, como despesas quotidianas de deslocação e habitação
- Definir que locais são interessantes para desenvolver a vida quotidiana local

Ser proactivo:

- Coloquei anúncios em papéis A5 com o que procurava e contacto em cooperativas, juntas de freguesia e cafés junto das áreas que me agradaram. Tive muitas chamadas interessantes mas por acaso não encontrei desta forma
- Circulando bastante e com os olhos abertos por toda a região de interesse, ao encontrar um local possível procurar o proprietário através dos vizinhos. "Melgar" sem descanso até obter uma resposta concreta, sendo totalmente transparente e assertivo com os objectivos
- Recorrer a pessoas que conheçam muitos proprietários numa região, como são os engenheiros da cooperativa ou que façam projectos de investimento na zona, as pessoas que normalmente fazem limpezas de terrenos (normalmente feitos por propietários ausentes de quintas) ou outros.
- Não rejeitar à partida possibilidades oferecidas por amigos de amigos ou familiares distantes que têm propriedades na família ou desafiá-los a utilizar esses espaços produtivamente.
- Apesar de serem raros, averiguar se o concelho da área de interesse tem uma iniciativa de Bolsa de Terras
- As imobiliárias NÃO são um bom meio de encontrar terrenos agrícolas a preços verosímeis, mas não custa ver um site agregador de ofertas para ver se existe algo


Problemas mais comuns são normalmente porque o proprietário:

- Não quer arrendar porque considera que "fica depois sem o terreno", porque "você depois nunca mais sai"
- Vai arrendando informalmente mas não quer assinar qualquer contrato
- Quer um valor irrealista para a renda ou não admite um prazo razoável (o mínimo legal são 7 anos)
- Não tem o imóvel em situação regular ou está a meio de um processo de partilhas
- Não se sabe sequer quem é o proprietário legal ou onde se encontra (muitas vezes emigrado)

As soluções possíveis são:

- Demonstrar que um contrato de arrendamento protege ambas as partes
- Que não faz sentido arrendar sem rentabilizar e o valor das rendas está tabelado (no meu caso a  média pedida, para condições muito variadas, foi de 500€/ha/ano)
- Há que verificar dívidas, descrição e proprietário nas Finanças antes de qualquer compromisso
- Alegar que tirar algum rendimento e manter o terreno limpo e vedado já é um "lucro" do arrendamento


Boa caçada!

7 pontos para a instalação de jovens agricultores

0 comentários
O Eng. José Martino tem mais um interessante artigo no seu blogue

Perguntam-me muitas vezes: qual a estratégia que devo fazer para me instalar como jovem empresário agrícola?
A minha resposta é a seguinte:

1 - Fazer o levantamento das atividades agrícolas que podem ser mais interessantes.
2 - Organizar um plano de visitas a explorações e organizações de comercialização, nacionais e estrangeiras, com o objetivo de recolher o máximo de informações (elaborar um guião de perguntas e pontos a validar. elaborar um relatório de cada visita) para decisão sobre as atividades a eleger (entre uma a duas).
3 - Rever e atualizar o plano de trabalhos de quinze em quinze dias até chegar ao objetivo final: Tomar a decisão sobre as atividades a investir tendo em conta o perfil do empresário, a sua maior ou menor intensidade em capital, acompanhamento no campo, mão de obra, etc. Recomendo que escolham atividades que tenham em conta a vocação do empresário, aquelas que lhe geram paixão, que têm a ver com o seu perfil pessoal.


4 - Elaborar o plano de negócio. Definir com rigor os capitais próprios ou alheios necessários ao investimento e exploração até se tornar positiva a conta de tesouraria
5 -  Apresentar a candidatura ao ProDeR para captar os incentivos de primeira instalação de jovens agricultores
6 - Estagiar
7 - Com as ajudas do ProDeR contratadas avançar para o investimento

Resoluções sem soluções

0 comentários
Sobre a lista do ano passado constato incumprimentos e desvios, mas também estou mais perto ou mais informado em relação a coisas que pretendia fazer.

- A Apicultura ainda não se materializou, mas está perto, idem queijo
- Fiz as primeiras conservas, com sucesso e com vontade de subir o nível e intensidade
- Aumentei o número de receitas mas não encontrei a formação intermediária que pretendia
- Com horta o Vermicompostor não compensa muito
- Apercebi-me do difícil que é ter vestuário contemporâneo e local/de fibras naturais

As novas resoluções a seguir, em textos autónomos.

12 Conselhos simples para a produção agrícola de pequena escala

2 comentários


Fruto de alguns apontamentos feitos em formações relacionadas com este tema. Os pontos não estão por nenhuma ordem particular, embora uns tenham bem mais importância do que outros.

1. Variedade, consociação, rotação
É sempre essencial utilizar os ciclos naturais que servem como prevenção para quebras de produção por vários motivos, partindo sempre do ciclo regenerativo e de construção do solo fértil, a base de tudo.

2. Integração animal e vegetal
Numa produção artificial e deliberada de alimentos como é a agricultura é necessário usar a complementaridade natural de espécies vegetais e animais para o seu benefício mútuo.

3. Usar os comportamentos naturais das espécies
Respeitar a especificidade das necessidades de cada espécie na sua adaptação ás circunstâncias da exploração é o meio mais económico e fácil de evitar problema.

4. Toda a estação tem os seus frutos
Trabalhando com uma produção diversificada e distribuída em diversos picos durante o ano pode permitir maior resiliência face a quebras ou variações na produção e no ritmo de trabalho.

5. O que faço só poderia ser feito aqui
Especificidade e diferenciação são o mesmo, uma produção adaptada à região permite aproveitar os seus frutos específicos como elemento diferenciador, o que pode incluir produtos DOP/IGP/ETG.

6. Na quinta não existe lixo
A eliminação ou reaproveitamento total de todos os resíduos ou excessos é sinal de que existe uma coordenação e complementaridade correcta entre as diversas produções.

7. O excesso dos vizinhos é a minha sorte
Se a exploração não é capaz de criar este ciclo fechado de reciclagem de materiais orgânicos, é possível incluir produções vizinhas de forma a complementar o ciclo, como transformar refugo frutícola em ração.

8. Clientes têm a chave da casa
Numa produção diferenciada de pequena escala é importante partilhar os processos de produção com os clientes que reconhecem esse valor acrescentado, e promover a visita física ou virtual no marketing.

9. Não estou a competir com a Argentina ou com a Alemanha
Não faz sentido competir com mercados que produzem recorrendo a subsídios maciços ou exploração laboral e ambiental desregrada, mas sim fazer o contrário, procurando um nicho específico.

10. Comer na época é comer sempre fresco
Apostar na qualidade de ingredientes que não dependem da sua facilidade de armazenamento ou ainda na precocidade relativa de algumas culturas exportáveis para outros climas.

11. Aproveitar os residentes da minha terra
O segredo da produção diferenciada pode estar em conhecimentos da gastronomia e agricultura local, e a união de produtores faz a força, podendo reduzir custos de comercialização e processamento.

12. Só se tinha tantos porcos quantos as árvores permitissem
Existem variadas densidades para variados produtos e tipos de produção, a rentabilidade não depende do tamanho mas do grau de investimento e tempo, deixando o local decidir o que produzir.

Desabafo

2 comentários
A oferta formativa em Portugal para a agricultura distribui-se em 3 campos: formação profissional equivalente ao liceu; cursos ultra-específicos de fim-de-semana para o mais básico dos amadores e licenciaturas ou formações apenas abertas a técnicos.

Não existe absolutamente nenhum meio intermédio de formação prática e intensiva que permita a conversão de mão-de-obra em produtores qualificados sem requerer anos de aulas, não existe acesso a cursos profissionais sem ser para produtores estabelecidos, não existem estágios nem formação prática e profissional sem ser aquela providenciada em programas dirigidos exclusivamente a desempregados de longa duração.

Em muitos países não é preciso ter um curso técnico para trabalhar na manutenção de espaços verdes, nem 2 anos de treino em máquinas agrícolas que nem carta de condução exigem. A solução foi outra:  "on-the-job training", que permite aprender e fazer rapidamente e ao mesmo tempo e que permite que a mão-de-obra disponível possa rapidamente começar a trabalhar.

Esta formação para o certificado tem que ser complementada por cursos mais pragmáticos que permitam trazer rapidamente mais gente para a Agricultura.

Pequenas Resoluções para um Ano Novo

0 comentários





























- Aprender Apicultura/ser almofada de alfinetes humana

- Fazer conservas e secagem como deve ser e em quantidade

- Aprender a cozinhar a sério, para saber mais do que 10 receitas

- Fazer um vermicompostor, para me redimir de todos os que comi para impressionar colegas de primária

- Aumentar a produção da horta, para pelo menos garantir barrigada de morangos

- Comprar um conjunto de roupa -casaco, camisa, calças- feito à mão/local (botas já tenho)

- Aprender a fazer queijo curado, possivelmente da ordenha ao prato

- Desistir apenas de menos de metade das resoluções assumidas