"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Upa, upa!

















Daniel Blumberg é um rapaz ocupado. Esqueçamos o passado pouco edificante à frente de uns tais Cajun Dance Party, e lembremos que é ele o frontman dos mui recomendáveis Yuck, autores de um disco homónimo que é tão somente do melhor que a música pop pariu nos últimos anos. Não que seja um trabalho particularmente inventivo, pois tresanda às linguagens indie da alvorada de noventas, com óbvias filiações em bandas como Teenage Fanclub, Dinosaur Jr. e similares, mas impressionante na frescura e sinceridade que patenteia numa dúzia de canções prenhes de espírito juvenil. Tem sido alvo de intensa promoção, numa preenchidíssima agenda de concertos com a qual já fui em feliz contemplado.

Não obstante a azáfama que o quarteto que lidera implica, Blumberg ainda consegue arranjar tempo para os projectos pessoais. Sob a designação Oupa, e em regime solitário, acaba de lançar Forget, um pequeno álbum que exibe uma faceta que a música dos Yuck não deixa revelar. Os temas, em número de sete, estendem-se em durações um pouco além das convenções pop. Impera uma certa melancolia contemplativa, materializada em frágeis melodias de piano e teclados texturais. A voz, normalmente em falsetto suavizado, revela intimismo e introspecção. Lançado em auto-edição, Forget não é propriamente a oitava maravilha do mundo. Mas também é verdade que não deixa de ser algo mais que mera curiosidade, para admiradores dos Yuck e não só. As ambiências criadas estão em perfeita sintonia com estes dias de ar pesado e denso.

"Physical" [Boiled Egg, 2011]

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

(hol)Y (f)UCK!*
















Se estivéssemos no ano das trevas de 1998, apostávamos, sem grande margem de risco, que Yuck era nome de uma daquelas bandas aparvalhadas que a MTV nos tentava impingir como supostamente "cómicas". Mas estamos em 2011, e o estonteante "Rubber" já por cá passou para desfazer quaisquer equívocos. Esse mesmo tema, lá está, a encerrar o alinhamento nos seus sete e tal minutos de torpor drony mas, no entanto, não é de todo representativo da matéria de que se faz Yuck, o disco. Esse parece desterrado da temporada 1991/92, ainda o Emil Kostadinov espalhava classe nos relvados e os Dinosaur Jr., os Sonic Youth, os Teenage Fanclub, os Superchunk, e os inevitáveis Nirvana faziam sonhar com um futuro radioso para a música pop - no sentido abrangente do termo - de guitarras. Não se cumpriu esse tal sonho, mas os Yuck aí estão para o manter vivo com as suas canções fuzzy, melodiosas, descomprometidas e impregnadas de espírito juvenil, especialmente indicadas para pôr moles de gente a saltar na vertical. Tal qual como toda a pop digna desse nome deveria ser. Nem mais. E o que é que trazem de novo? - perguntam vocês. Absolutamente nada. Porém, estas dúzia de canções é de tal forma bem urdida a partir das fontes reconhecíveis, de tal modo fresca e honesta, que me leva a confidenciar-vos que Yuck me tem entusiasmado como nenhum outro disco antes dele lançado na já longa vida deste pasquim. Ora vejam lá porquê:

"Holing Out" [Fat Possum, 2011]

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* Trocadilho com direitos reservados.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Rubber souls

















Foto: Andy Willisher

No deserto de ideias que é a música pop actual ainda há bandas capazes de nos entusiasmar e ansiar por um lançamento discográfico em formato longo. É o caso do Yuck, colectivo que assentou arraiais em Londres, mas com elementos de diferentes proveniências. São quatro. Por vezes cinco, quando a irmã do vocalista Daniel Blumberg se lhes junta nos coros. Como poderão aferir pelas amostras disponíveis no seu Myspace, fazem da variedade estética o modus operandi. Fervorosos dos Dinosaur Jr., recuam, por vezes, àqueles tempos em que os Teenage Fanclub ou os Swervediver soavam mais americanos que muitas bandas ianques. Noutras, têm a leveza pop juvenil que, a espaços, encontramos em discos dos Pixies ou dos Sonic Youth. Shoegaze ou grunge são termos que integram no léxico, mas em sentido muito lato. São ruidosos e espectrais, mas também melancólicos  e melodiosos. Ou seja, a típica banda que, há 20 anos, Alan McGee dava tudo para ter no catálogo da Creation. Vejam-nos/oiçam-nos na sua faceta mais trippy e esqueçam que tanto vocalista como guitarrista fizeram um dia parte dessa nota de rodapé chamada Cajun Dance Party. Surpreendente, não?

"Rubber" [Mercury, 2010]