"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Discos pe(r)didos #29


















WHIPPING BOY
Heartworm
[Columbia, 1995]

Por vezes há discos já quase esquecidos que se nos grudam aos tímpanos e teimam em não nos largar durante dias a fio. Heartworm, segundo álbum dos irlandeses Whipping Boy, e primeiro e único por uma multinacional, é o mais recente desses casos na vida deste que vos escreve. Confesso que, antes de lhe voltar a pegar, já me tinha esquecido da força que emana deste disco, um possível elo perdido entre os Joy Division e os Twilight Sad, só para terem uma ideia.
Heartworm são onze canções escorreitas, sem pontos fracos, daquelas em que as seis cordas sublinham a tensão nos refrões, e nas quais uns violinos discretos conferem o tal elemento da tradição celta. Porém, o principal trunfo reside na voz sóbria, calorosa e grave de Ferghal McKee. São dele também as letras carregadas de verve poética, relatos da vida mundana de uma Irlanda em pleno processo de aburguesamento. Por vezes é terno e romântico, para logo no momento seguinte descarregar amargura e sarcasmo.
A abrir, "Twinkle" é a declaração unilateral do fim de um amor. Em parte, "When We Were Young" é glorificação da juventude, com os primeiros amores, a ideia da imortalidade, as primeiras bebedeiras, os pequenos delitos; por outro lado é uma reflexão sobre as consequências que determinados actos menos correctos têm na vida futura de cada um de nós. "Tripped" é a afirmação da individualidade. Já em "The Honeymoon Is Over" o título é sobejamente esclarecedor, embora deixe escapar uma hipotética mensagem sócio-política. "We Don't Need Nobody Else" é grito de rejeição dos heróis terrenos, com especial dedicatória ao vocalista da mais famosa banda irlandesa. "Personality" é o elogio do sexo feminino. No encerramento, com "Morningrise" e a faixa escondida "A Natural", adensa-se a tensão: o primeiro é uma espécie de antevisão do balanço em fim de vida, enquanto o último, em tom puramente declamatório, é a tomada de consciência da doença por parte de um doente mental.
Recebido com grande entusiasmo pela crítica, Heartworm não lograria alcançar resultados comerciais visíveis do ponto de vista de uma multinacional, o que geraria algumas pressões por parte da editora. O sucessor surgiria apenas em 2000, já após a dissolução da banda, através de uma pequena independente.


"When We Were Young"