"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

10 anos é muito tempo #17



















...AND YOU WILL KNOW US BY THE TRAIL OF DEAD
Madonna [Merge, 1999]

Por alturas da edição do segundo disco da banda que, como pretendido, ficou conhecida por Trail of Dead, Everett True afirmou que, com o definhamento dos Sonic Youth e a latência dos Fugazi, alguém tinha que destilar a raiva e ser o municiador da explosão sónica com camadas de guitarras em fusão. Depois de se penetrar na densidade textural de Madonna (dispensam-se as interpretações marotas), não há como negar a razão àquele influente divulgador da "cena" independente. Efectivamente, o combo texano consegue, com frescura e vivacide, captar simultaneamente o experimentalismo "acessível" dos primeiros e a alienação militante dos segundos.
Após um breve trecho de abertura, somos confrontados com a vertigem furiosa de "Mistakes And Regrets". Ainda que metade das palavras berradas por Conrad Kelly sejam imperceptíveis, facilmente adivinhamos sentimentos pouco amistosos para com o destinatário. A velocidade mantém-se no vermelho nos dois temas seguintes, exemplarmente movidos pela bateria marcial. No ritmo quase-valsa do belíssimo "Clair De Lune" é concedida uma trégua ao ouvinte. A partir deste ponto, Madonna entra num estado de semi-ebulição no qual se pressente um crescendo de tensão. Nesta secção intermédia destaca-se "Mark David Chapman", clara alusão aos tais Sonic Youth do período que compreende EVOL e Sister. Nesta tema, a partir da referência ao assassino de John Lennon, os Trail of Dead reflectem sobre a influência da música na vida das pessoas. Já perto do final, o reboliço catártico atinge novo pico com "A Perfect Teenhood". No melhor espírito juvenil, este tema culmina na repetição exaustiva a plenos pulmões de um expressivo "fuck you!" ao qual se segue o caos ruidoso.
Três anos volvidos, os Trail of Dead aprimoraram a fórmula com o superlativo Source Tags & Codes. Daí em diante, o declínio tem sido gradual, em relação de proporcionalidade com as referências prog e a espiritualidades ancestrais.


"Mistakes And Regrets"

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Em escuta #37

Novo formato para esta rubrica, com resenhas mais breves.









ASOBI SEKSU Hush [Polyvinyl, 2009]

Apesar de serem frequentemente comparados aos saudosos Lush, parece-me faltar na música dos nova-iorquinos Asobi Seksu (sexo fortuito, em japonês) a densidade que caracterizava os primeiros discos da banda de Miki Berinyi. Neste terceiro álbum, mais do que nunca, nota-se uma ostensiva colagem à pop soporífera dos Blonde Redhead mais recentes (vocalista de origem nipónica incluída), a piscar o olho aos pretensiosismos entediantes que associamos à editora 4AD. Nos dois últimos temas, que fogem à modorra dominante, Hush é salvo por um triz do desatre absoluto: "Me & Mary, com a incursão despudorada das guitarras, e "Blind Little Rain", deliciosamente sinistro.


...AND YOU WILL KNOW US BY THE TRAIL OF DEAD The Century Of Self [Justice, 2009]

Já não restam dúvidas que os músicos dos Trail of Dead são tecnicamente irrepreensíveis. A constatação deste facto só torna mais dispensável este terceiro mergulho consecutivo na pretensa complexidade a pender para o progressivo, onde não faltam as gritarias politizadas e as habituais referências a civilizações ancestrais. No capítulo das novidades, trazem apenas um assomo a esse outro monstro designado por rock celta (cf. "Isis Unveiled"). Na generalidade, mais do mesmo de uma banda que, após o superlativo Source Tags & Codes, tem vindo a desenhar o rasto da própria morte criativa.


JE SUIS ANIMAL Self-Taught Magic From A Book [Perfect Pop / Angular, 2008]

Ao segundo disco - o primeiro, homónimo, conheceu apenas edição entre-muros - os noruegueses Je Suis Animal afirmam-se como mais um nome válido na recuperação das estéticas que marcaram o período áureo do indie pop. Self-Taught... viaja até a um momento imaginário em que os McCarthy de Tim Gane e Lætitia Sadier se metamorfoseiam nos Stereolab. Com os primeiros partilham uma notória ingenuidade, com os segundos a profusão intrumental e as referências francófonas. A bela voz de Elin Grimstad faz-nos crer que este conjunto de canções deliciosas não seriam corpo estranho no catálogo da Sarah Records. Tudo boas referências...


SURF CITY Surf City EP [Arch Hill, 2007 / Morr Music, 2008]

Não obstante o seu distanciamento geográfico e a fraca expressão demográfica, a Nova Zelândia é, desde há décadas, pátria de um significativo número de bandas queridas do público indie ocidental. Estes Surf City prometem, para já, manter viva a chama da melhor pop produzida no país dos kiwis. Tal como os seus antepassados, são orgulhosos praticantes da filosofia DIY. Nestas seis breves canções frenéticas, conjugam na perfeição as guitarras surf, o psicadelismo pop dos Zombies, e a urgência delirante que nos atraiu nos Arcade Fire de outros tempos. Pede-se-lhes um álbum urgentemente.

domingo, 5 de agosto de 2007