"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Os bons filhos à casa tornam
















Foto: Jo McCaughey

Podem não ter a projecção de uns No Age ou de uns Wavves, mas o que é certo é que os Times New Viking estavam lá, na linha da frente, do "novo" lo-fi norte-americano. Por eles responde também uma obra substancialmente mais vasta do que a daqueles "concorrentes", inclusive com incursões por algumas das mais gigantescas independentes da terra-natal. Primeiro passaram pela Matador, depois pela Merge Records, sem, contudo, atingirem os níveis de aceitação pública que deles eram expectáveis por parte daquelas editoras.

Goradas as expectativas de uma subida de escalão, os Times New Viking resignam-se com o regresso Sitlbreeze Records, a casa que primeiro os acolheu e a mais uma data de bandas no mesmo comprimento de onda. Para assinalar a ocasião acabam de lançar Over & Over, um EP de seis temas que, por sinal, não é um regresso às massas disformes de ruído dos tempos da anterior ligação entre ambas as partes. Antes pelo contrário, Over &  Over reforça a inclinação para canções dignas desse nome, próximas de merecer o rótulo de pop, algo que o óptimo álbum Dancer Equirred (2011) já introduzia no universo dos TNV. No entanto, as guitarras de pontas afiadas de Jared Phillips e os teclados dissonantes de Beth Murphy, continuam presentes de uma forma nada dissimulada. Os jogos resultantes da combinação da voz desta última com a do baterista Adam Elliot, somados de um maior cunho melódico, são os principais factores que determinam este EP como o melhor conjunto de temas dos TNV até à data. Por agora são apenas uns curtos catorze minutos, que nos deixam a salivar pelo álbum que se adivinha.


"Middle Class Drags" [Siltbreeze, 2012]

quarta-feira, 16 de março de 2011

Temos (quase) novo viking

















Quando os No Age, os Wavves, ou a miríade de bandas similares reergueu a bandeira do lo-fi de confecção caseira, já os Times New Viking tinham algum currículo como corruptores da canção pop. Essa estava lá, no cerne, dissimulada pelo ruído e pelas gravações propositadamente mal-acabadas. Foi assim ao longo de quatro álbuns, registados nas mais precárias condições segundo os ensinamentos do-it-yourself.

No entanto, ao vivo, parecia evidente a vontade das canções em libertarem-se e ganharem corpo. Algo que agora nos é prometido para o próximo Dancer Equired, primeiro do trio do Ohio pela Merge Records depois da passagem pela não menos emblemática Matador. A editora avança-nos que o novo disco assinala a estreia dos TNV num estúdio digno desse nome, e também o primeiro com participações exteriores à banda. Consequentemente, os novos temas surgem limpos de alguma rugosidade e com uma luminosidade insolente, sem que, no entanto, traiam as premissas que juntaram estes três antigos estudantes de arte numa banda. O primeiro avanço, já conhecido de alguns de um split exclusivo da digressão com os "padrinhos" Guided by Voices, confirma a promessa e eleva as expectativas:

"No Room To Live" [Merge, 2011]

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ao vivo #50
















Times New Viking + Lee Ranaldo / Rafael Toral @ Galeria Zé dos Bois, 21/04/2010

Provenientes de Dayton, no Ohio, cidade que pariu os incontornáveis Guided by Voices, os Times New Viking são muitas vezes apontados como os patronos do novo lo-fi ruidoso - vulgo shitgaze - que se produz nos Estados Unidos. Em palco, o trio faz por se libertar de tal espartilho, deixando desprender-se o tempero pop inerente aos seus esboços de canção. Efectivamente, aquilo que a sala apinhada da ZdB presenciou ontem à noite foi uma banda na boa tradição indie-pop que não enjeita alguma sujidade do garage e um ou outro delírio surf-pop. Das micro-canções debitadas em cadência vertiginosa sobressai um pendor melódico que, nos discos, está disfarçado pelas camadas de ruído. Esta faceta fica a dever-se, em grande medida, à prestação do guitarrista Jared Phillips que, qual  Joey Santiago rejuvenescido, vai aguentando os assaltos dissonantes debitados pelo teclado da Lolita Beth Murphy. A carinha laroca, misto de inocência e perversão, por seu turno, é a arrivista geradora de todo o entusiasmo da plateia que resiste estoicamente à alta temperatura da sala.

Com falta de coragem para desafiar a mole humana que sobrelotava a ZdB, e adivinhando as precárias condições de climatização do "aquário", optei por "assistir" ao concerto de Lee Ranaldo e Rafael Toral do lado de fora deste (do "aquário", entenda-se). A mesma medida sensata foi tomada pela restante família Sonic Youth (Coco Gordon Moore incluída), aqui deslocada para assistir à prestação dos dois mestres da distorção. Sem a mais que provável envolvência do in loco, disfrutei de uma longa peça de drone contínuo e em progressão, primeiro com ruídos esparsos, perto do final em esplendor sónico.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Em escuta #47









HOPE SANDOVAL & THE WARM INVENTIONS _ Through The Devil Softly [Netwerk, 2009]

Após o encerramento das actividades dos incensados Mazzy Star, a carreira de Hope Sandoval entrou em estado semi-latente, com aparições esporádicas em trabalhos alheios e raros discos em nome próprio. Este segundo álbum com os Warm Inventions (basicamente Colm O'Ciósig, baterista dos My Bloody Valentine) que aqui se aventura por outros instrumentos e também pela composição) interrompe um jejum de oito anos, mas vem assinalado pelas marcas identitárias que fizeram a fama desta menina-sereia, a um tempo capaz de encantar, a outro de assombrar. A toada é lenta, triste e desencantada. A música, revestida de elementos folksy de cores esbatidas, põe uma atenção especial a cada detalhe. Num primeiro contacto, Through The Devil... arrasta o ouvinte para um estado de letargia, para a posteriori revelar pérolas como o hiper-tenso, quase velvetiano, "For The Rest Of Your Life", ou o grandiloquente e dramático "Trouble". Para o fim, "Satellite" reserva a maior surpresa sob a forma de canção de embalar granulosa de efeito exasperante. [8]


ROWLAND S. HOWARD _ Pop Crimes [Liberation, 2009]

A vida de R. S. Howard, interrompida no passado dia 30 de Dezembro, foi mais um daqueles casos típicos do músico sobejamente talentoso que sabota qualquer hipótese de maior reconhecimento público. A conduta desregrada e os anos de depressão em muito contribuiram para que a carreira de um dos mais inovadores guitarristas da era pós-punk (nos Birthday Party, ao lado de Nick Cave) não tenha rendido mais que dois álbuns em nome próprio. Pop Crimes foi o último e, sabe-se agora, é uma espécie de epitáfio de um homem que pressente que o tempo lhe escasseia. Abre com "(I Now) A Girl Called Johnny", dueto de travo clássico com Jonnine Standish dos britânicos HTRK (leia-se Hate Rock) carregado da ambiguidade que remete para as parcerias de Lee Hazlewood e Nancy Sinatra. A versão hiper groovey de "Life's What You Make It" (Talk Talk), exemplarmente readaptada, é escolha que reforça o carácter resumo-de-uma-vida do disco. De resto, Pop Crimes oferece mais meia dúzia de temas, às vezes semi-baladas, às vezes semi-declamados, mas sempre prenhes de nostalgia, remorso e tensão. A voz seca, vagamente nasalada, confere a crueza própria dos poetas-músicos malditos. [7,5]


MOUNT EERIE _ Wind's Poem [P.W. Elverum & Sun Ltd.]

Mount Eerie é, de há uns anos a esta parte, o alter ego de Phil Elverum, personagem extremamente prolífica que os seguidores das musicalidades lo-fi reverenciam desde os tempos em que respondia pela nomenclatura The Microphones. No período que antecipou o lançamento de Wind's Poem especulou-se que este seria a incursão de Elverum pelos meandros do black metal. Efectivamente, uma boa parte dos temas do alinhamento caracterizam-se pela profusão de drones demolidores e arrastados. Porém, a passagem pelo filtro do retardador, a aparência doméstica da coisa, e a fragilidade da voz ,frustam qualquer prespectiva de aproximação à pretensa imponência do "género maldito". As faixas restantes são lamentos débeis ,carregados de profundo intimismo, com as electrónicas paisagísticas a espreitar aqui e ali. No conjunto, Wind's Poem é um longo mantra catalizador de cenários de devastação. Da terra queimada, Elverum ergue-se com o lirismo e espiritualidade que o título sugerem. [8,5]


TIMES NEW VIKING _ Born Again Revisited [Matador, 2009]

Depois da relativa aclamação de Rip It Off (2008), os Times New Viking poderiam ter optado por uma metamorfose estética por considerarem que a fórmula se havia esgotado. Não o fizeram, e isso significa que Born Again... repete a dose de guitarras rudes e órgãos desalinhados, debaixo dos quais se tentam erguer melodias inapelavelmente pop. Na chinfrineira sente-se o apego às regras ditadas pelos pioneiros do garage, nos esboços de canções o afecto pelas girl-groups de uma era próxima. No todo, estão implícitos os princípios básicos do lo-fi. Daqui se conclui que os TNV não são deste tempo. E também, que este tempo poderá não ser o deles se a breve trecho não adicionarem outros condimentos à receita. [7]

quarta-feira, 8 de julho de 2009

20 anos de música "merginal"











Fundada por Mac McCaughan e Laura Ballance, respectivamente vocalista/guitarrista e baixista dos Superchunk, com o intuito de lançar os discos da sua banda, a Merge Records leva já 20 anos de história. Desviada do plano inicial, nestas duas décadas a editora sedeada na Carolina do Norte foi responsável por discos marcantes de bandas como Neutral Milk Hotel, Arcade Fire, Lambchop, The Trail of Dead, Polvo, The Clientele e, claro, Superchunk. Para assinalar a efeméride, os últimos meses têm conhecido uma série de edições comemorativas, todas elas com fins beneméritos.
Score! - 20 Years Of Merge Records consiste numa colecção de 14 CDs que fazem o resumo destes últimos 20 anos de edições, com a particularidade de o alinhamento ter sido escolhido por um curador diferente. Georgia Hubley (Yo La Tengo), David Byrne, Peter Buck (R.E.M.), e realizadora Miranda July estiveram entre os "jurados". Sujeita a subscrição entretanto encerrada, a boxset tinha um preço proibitivo nestes tempos de crise.
Mais em conta para o consumidor é Score!... - The Covers, como o próprio título indica, uma compilação de temas originalmente lançados pela Merge. Ao todo, são 20 versões interpretadas por uma série de convidados externos à editora. Da lista fazem parte, entre outros, Les Savy Fav, The New Pornographers, The National, Bright Eyes, Okkervil River, Ryan Adams, The Shins, The Apples in Stereo, e Broken Social Scene. Dos temas escolhidos, os Superchunk são obviamente os mais representados com um total de quatro. Caso estejam interessados, convém que se apressem, pois a edição é limitada a 7000 exemplares. De entre as duas dezenas de versões, não resisto a exibir a transformação radical levada a cabo pelos noiseniks Times New Viking de um original de um certo colectivo canadiano, até há bem pouco tempo visto como a melhor banda de todos os tempos. Ainda se lembram deles, suponho.


segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Novas dos Vikings

Mal refeitos que estamos desse portentoso pedaço de distorção que é Rip It Off, e os Times New Viking (TNV) voltam à carga. A nova investida do trio de Columbus, Ohio, surge sob a forma de um EP de cinco faixas intitulado Stay Awake, com saída para o mercado agendada para amanhã.
Para quem ainda não se tenha dado conta, relembro que os TNV são dos mais dignos representantes do novo ruído ianque, e uma das mais sérias apostas da Matador Records nos tempos mais recentes. Pela amostra disponibilizada há algumas semanas, julgo que continuam no trilho certo.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O HORA DOS VIKINGS

Há já algum tempo que vos queria falar destes Times New Viking (TNV), um trio proveniente do estado norte-americano do Ohio, terra de muitas e boas bandas.
O motivo do entusiasmo por estas bandas é Rip It Off, o terceiro álbum lançado em Janeiro que assinalou a estreia pela respeitável Matador Records.
Possíveis comparações aos Guided by Voices, aos Pavement dos primórdios, ou aos Pixies, não sendo de todo despropositadas, serão sempre redutoras, pois os TNV são donos de uma sonoridade muito própria: canções curtas construídas à base de órgão saturado e guitarras distorcidas que não escondem uma certa sensibilidade pop.
Desaconselhável aos ouvidos mais sensíveis, mas recomendado a quem aceita desafios. A este segundo grupo, uma sugestão: play it loud!

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