"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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terça-feira, 23 de julho de 2013

Fragments of a rainy season
















Foto: Willy Vanderperre

Quando surgiram, há quase um meia dúzia de anos, os ingleses These New Puritans anunciavam-se como uma espécie de redenção pelo vandalismo às referências post-punk do passado recente, prática que dava algumas mostras de abrandamento. Sem ser um disco propriamente brilhante, o seu álbum de estreia era uma manta de retalhos de citações díspares, com especial incidência em The Fall, que demonstrava alguma coragem pelo risco e deixava muitas possibilidades em aberto. Dois anos volvidos, com Hidden (2010) confirmavam a desconfiança que tínhamos de serem uma banda imprevisível, com um disco resultante de um mundo globalizado assente no uso das percussões, de uma exuberância quase tribal.

De uma banda que não conhece a palavra estagnação poderíamos esperar quase tudo, mas talvez nada nos tivesse preparado para o assombro que é o novo Field Of Reeds. Com familiaridades com a música concreta, a neo-erudita, ou o jazz, este é disco que assinala um corte quase definitivo com o universo pop/rock, do qual restam tênues sinais na estrutura dos temas. Quase impenetrável num primeiro contacto, pela sua frieza minimalista, revela-se gradualmente, com uma riqueza de detalhes algo invulgar. Na especial atenção que é dada ao pormenor não há lugar para as guitarras, mas a sua ausência é colmatada por uma panóplia de recursos que inclui diferentes teclados, sopros avulsos, secções de cordas, e coros discretos. Claro está que este passo de gigante exigiu o envolvimento de muito mais gente para além do trio base dos These New Puritans. Nos participantes externos ganha especial destaque, ao ponto de ter honras em muitas das fotos promocionais da banda, a portuguesa Elisa Rodrigues, jovem cantora ligada à vastidão do universo jazz. É dela a voz que funciona como contraponto de estranheza em vários temas a Jack Barnett, este normalmente monocórdico, sem que isso signifique enfado. Arrojado e desafiante, pelo menos para ouvidos polidos, Field Of Reeds poderia estar próximo das mais recentes aventuras de Scott Walker, caso este tivesse já cortado o cordão umbilical que o liga ao passado pop. Ou até de uns Radiohead, se estes não andassem há uma boa dúzia de anos à volta de uma ideia há muito gasta.

"Fragment Two" [Infectious, 2013]

domingo, 7 de março de 2010

Em escuta #48

 

THESE NEW PURITANS _  Hidden [Angular/Domino, 2010]

Revelados há coisa de dois anos, os TNPs ficaram conhecidos como seguidores da facção mais cerebral do post-punk, com os The Fall a sobressairem no leque de referências. Ainda que algo desequilibrado e pecando por tardio, o registo de estreia deu provas de que ainda era possível extrair ideias do revivalismo das sonoridades que fizeram história no período 1978-82. Neste segundo fôlego, das guitarras de pontas afiadas restam apenas vestígios imersos na profusão de sintetizadores, sopros, e percussões imponentes. Cria-se assim um ambiente austero, de frieza pós-apocalíptica que faria outro sentido há 10-12 anos, quando pairava no ar a tensão pré-milenar. Nesta mudança de azimutes não estará inocente o produtor Graham Sutton, mentor dos Bark Psychosis, pioneiros das linguagens post-rock e um dos mais enigmáticos colectivos da década de 1990. Com esta proposta a roçar a globalidade e a erudição vanguardista, louvam-se os TNPs pela coragem de assunir o risco. Contudo, a ambição desmedida esbarra na relativa inexperiência da banda para tal empreitada, o que faz com que Hidden seja um disco de conceitos algo baços. [6,5]


BEACH HOUSE _  Teen Dream [Sub Pop, 2010]

Se uns operam transformações estéticas radicais, dos Beach House não se esperam mudanças de rumo abruptas, mas antes fidelidade às paisagens idílicas em tons sépia que se propiciam a servir de música genérica. Porém, Teen Dream até abdica em certa medida do intimismo folky carregado de misticismo do par de registos anteriores, abrindo-se à entrada de alguma luz e aspirando à grandeza épica. Sem querer negar legitimidade aos intentos do duo de Baltimore, tenho de admitir que o minimalismo resultante da combinação dos teclados vintage e das caixas de ritmos conduzem a um estado de letargia que não permite vislumbrar diferenças significativas entre cada tema. "Norway" e "10 Miles Stereo" são raros momentos de elevação acima da superfície, com a voz grave de Victoria Legrand a criar um misto de volúpia e desconforto. No resto, fica assegurado o ambiente pacífico e acolhedor no qual os velhinhos discos dos Mazzy Star costumam envolver-nos. [7]


THE SOFT PACK  _ The Soft Pack [Kemado/Heavenly, 2010]

Vindo ao mundo como The Muslims, designação abandonada depois de alguma controvérsia que envolveu acusações de xenofobia, este colectivo californiano estreia-se como The Soft Pack com um suculento menu garage-rock com a dose suficiente de groove para fazer sacudir o corpo ao mais empedernido dos ouvintes. Pela façanha, deverá ser dado o devido mérito à produção do ex-Girls Against Boys Eli Janney que, mesmo com os típicos órgãos ébrios e dissonantes a darem um ar da sua graça ("Move Along"), faz de The Soft Pack um disco livre de qualquer resquício de sujidade, o que abona em favor de um maior imediatismo. À receita básica são adicionados elementos surf-rock e punk-pop, pelo que estão garantidas as manifestações de ennui juvenil ("Answer To Yourself", "Down On Loving" ) e as declarações inequívocas de intenções ("C'mon"). E, por momentos, fui atacado pela saudade dos tempos em que os Strokes eram uma banda relevante... [8,5]


FANFARLO _ Reservoir [Topspin, 2009]

Chego tarde, mas ainda a tempo, ao disco de estreia deste combo que, por manifesta preguiça mental, tem sido rotulado de "Arcade Fire ingleses". Não que a pop de câmera dos Fanfarlo não tenha afinidades com a banda de Win Butler. Tem-nas e bastante evidentes, sobretudo no cariz orquestral destes onze temas, que para além dos utensílios usuais na pop, recorrem a uma panóplia de instrumentos que inclui acordeão, mandolim, trompete, clarinete, saxofone, glockenspiel, piano, violino, e até serra com arco. Sucede que as canções dos londrinos, cuidadosamente elaboradas ao ponto de adquirirem uma aura de intemporalidade, não resvalam para a pompa que se reconhece aos de Montreal, preservando toda a sua frescura a cada nova audição. Por outro lado, o vocalista Simon Balthazar tem um timbre sóbrio, bem distinto do histeriónico Butler, o que faz com que as canções, necessariamente melancólicas, soem apenas moderamente dramáticas. Para rematar, refira-se a ainda abundância de guitarras jangly e os de floreados de uma certa folk pastoral, que fazem de Reservoir um produto genuinamente britânico. [8]

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

EFEITO DOMINÓ

Operando a partir de Londres, a Domino Records pode hoje orgulhar-se de ser a mais bem sucedida editora independente nascida no Reino Unido, o que não está nada mal para quem, há quinze anos, apenas queria fazer a distribuição de um single dos Sebadoh em solo europeu.
Com uma agenda preenchidíssima neste ano de 2008, sobretudo marcada pelo regresso muitos dos "consagrados" da casa (Franz Ferdinand, The Kills, Clinic, Sons & Daughters), os senhores da Domino têm também na manga uma série de novas apostas para acrescentar ao já extenso e ecléctico catálogo. Três dessas apostas já de seguida:



LIGHTSPEED CHAMPION
Devonte Hynes é um americano radicado em Inglaterra, antes conhecido como guitarrista dos electro-rockers Test Icicles. No seu vasto currículo consta ainda uma colaboração com os recomendáveis Whirlwind Heat.
Após a morte prematura dos Icicles (que, segundo o próprio, nunca gostaram da música que faziam), Hynes renasce agora sob o alter ego Lightspeed Champion e com uma sonoridade nas antípodas daquilo que lhe conhecíamos. A prova está no álbum Falling Off The Lavender Bridge, já disponível desde a semana passada.
Gravado em Omaha, no Nebraska, com a ajuda de vários músicos do "contingente Saddle Creek", Falling... é um disco pop elegante, suave e melancólico, com notórias contaminações country. Algo que poderia ter resultado da fusão de três entes bem distintos: Ryan Adams, Ed Harcourt e Kele Okereke. Depois de este último ter aprendido a cantar, é claro.
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THESE NEW PURITANS
Nunca pensou Mark E. Smith que, ao fim de 30 anos loucos à frente dessa instituição chamada The Fall, ser hoje mais citado que nunca.
Esta banda oriunda de Southend-on-Sea, uma pequena cidade costeira no sueste de Inglaterra, é mais uma trupe de afilhados daquele eterno desalinhado. Beat Pyramid, o primeiro álbum lançado ontem, é demonstrativo de uma pop transviada e musculada, com subtis apontamentos electrónicos que convidam à dança. A espaços trazem-nos também à memória a segunda encarnação dos PiL.
Vai uma aposta em como "Elvis", o single corrente, vai ser dançado desenfreadamente por muita boa gente nos próximos meses?
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CORRECTO
Esta banda escocesa tem algo mais em comum com os conterrâneos Franz Ferdinand (FF) do que o baterista, Paul Thomson. Tem também, uma certa propensão para a recuperação, em contexto vagamente arty, de alguns dos melhores sons que assinalaram a viragem dos setentas para os oitentas.
E é claro que há também diferenças: enquanto aquilo que conhecemos até agora da banda de Alex Kapranos tem uma certa queda para a festa, os Correcto apresentam-se com uma postura mais tensa, mais distante, mais séria. Trocando isto por miúdos, digamos que se a segunda banda preferida (logo a seguir aos Gang of Four) dos FF são os Orange Juice, os Correcto terão uma especial simpatia pelos Josef K, ou até pelos Wire.
O álbum de estreia homónimo está apontado para finais do próximo mês e tem nos singles "Joni" e "Do It Better" bons aperitivos. Sobretudo neste último.
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