"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Floating in space


















John Dwyer faz parte daquela estirpe rara de músicos incansáveis, daqueles cuja hiper-actividade é difícil de acompanhar até pelo seguidor mais acérrimo. Tem sido essa a metodologia com os Thee Oh Sees, o combo que encabeça e que, no curto espaço de sete anos, já rendeu a impressionante soma de onze álbum de estúdio. É também nome de culto junto da crescente falange da retromania, já que a sua música não esconde uma profunda afeição pelas sonoridades "garageiras" de sessentas, com um modus operandi respeitador pelos princípios lo-fi.

Com o mais recente Floating Coffin, Dwyer vem baralhar um pouco as contas, já que este é o seu trabalho mais robusto em termos de gravação, uma quase rendição à "alta-fidelidade". É também um mergulho assumido na psicadelia, algo que já estava latente no passado recente em esboços de alienação rock'n'roll. Extremamente enérgico, Floating Coffin é percorrido por um manancial de riffs insidiosos, acompanhados por um órgão inebriante e pelos falsettos tresloucados de John Dwyer, muitas vezes impossíveis de distinguir dos momentos em que Brigid Dawson dá um ar da sua graça no microfone. Quando os Thee Oh Sees concedem um abrandamento para recuperar fôlego, como acontece no planante "No Spell", a um sentir kraut que confirma que as musicalidades mais marginais andam sempre próximas. Perante a dificuldade subjacente à quantidade e à qualidade da oferta de o eleger como o melhor trabalho dos Thee Oh Sees, como tem acontecido nalguns quadrantes, faço-lhe a devida justiça ao proclamar Floating Coffin uma das trips musicais mais delirantes do ano corrente. Com capa a condizer, é preciso que se diga.

 
"Toe Cutter - Thumb Buster" [Castle Face, 2013]

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

América putrefacta

















Se nos cingirmos unicamente ao ano corrente, é inegável que a figura de proa da tendência psych-garage que tem eclodido da costa oeste norte-americana seja o inesgotável Ty Segall. No entanto, o puto-maravilha ainda tem muito caminho a palmilhar para atingir o estatuto de John Dwyer, já com década e meia ao serviço do métier, tanto num número infindável de bandas, como sempre disponível para dar uma mãozinha aos amigos. Desde então praticamente omnipresente no "movimento", tem nos Thee Oh Sees a sua ocupação presente. De todos os projectos que já abraçou, talvez este seja o mais visível e, como todos os outros, é extremamente prolífico em matéria de edições discográficas. 

Editado há cerca de três meses, Putrifiers II é já o décimo álbum de uma discografia que dá ameaça avolumar-se a qualquer instante. Por sinal, para uma banda com fama de cultivar a excelência em palco, desprezando a qualidade técnica em disco, é naquele em que o quarteto franciscano melhor explora as potencialidade de um estúdio. Consequentemente, o produto final é o seu disco mais límpido até à data. Espécie de súmula do caminho percorrido, Putrifiers II vem pejado de guitarras envoltas em fuzz, trips com sopros e órgãos em desalinho, canções convidativas à deriva mental, alguma sujidade e muita perversão, inevitáveis visitas à cave obscurecida dos Velvet Underground, e até incursões aos territórios do kraut (ver/ouvir abaixo). As vozes, alternando entre o grave e o falsetto, ficam quase em exclusivo a cargo de Dwyer, deixando, desta feita, Brigid Dawson praticamente remetida aos coros que abrilhantam o conjunto de canções mais dignas desse nome no reportório dos Thee Oh Sees.

 
"Lupine Dominus" [In The Red, 2012]

domingo, 27 de julho de 2008

Mil sons valem mais do que uma imagem


















THEE OH SEES
The Master's Bedroom Is Worth Spending A Night In
[Tomlab/Castle Face, 2008]

Por detrás de uma imagem de gosto duvidoso (um parente afastado dos Caretos de Podence?!) esconde-se um dos mais deliciosos conjuntos de canções dos últimos meses. The Master's Bedroom... assinala a estreia sob nova designação do projecto "mutante" de John Dwyer, figura já com vasto currículo no underground californiano. Os 15 temas, divertidos e perversos, reflectem um melting pot de uma miríade de sonoridades, do passado e do presente: psychobilly, surf music, noise rock, garage, lo-fi, jangle pop, e até psicadelismo west coast! A produção à maneira antiga, com muito eco e reverberação, confere um charme vintage à coisa. A espaços, podem fazer lembrar o lado rudimentar dos Pixies dos primórdios, ou até mesmo uns Blood on the Wall com défice de adrenalina, sem que isso belisque de forma alguma a originalidade do projecto.
Mais um para engrossar a lista dos recomendáveis de 2008...

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