"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Good cover versions #49











TH' FAITH HEALERS _ "S.O.S." [Clawfist, 1994]
[Original: ABBA (1975)]

Surgidos na ebulição londrina de inícios de noventas, os Th' Faith Healers foram colados à chamada Camden Lurch Scene, um "movimento" artificial criado pela imprensa no qual as bandas associadas pouco mais tinham em comum do que a origem geográfica. Neste caso, tratava-se de uma banda a operar nos meandros do noise-rock, fortemente influenciada pelo kraut e com alto teor de experimentação. Facto histórico talvez mais relevante é que tenham pertencido à primeira fornada de bandas da Too Pure Records, editora nesta fase muito acarinhada e apoiada por John Peel. Por conseguinte, foram várias as participações dos Th' Faith Healers nas célebres BBC Sessions a convite do não menos célebre radialista. No capítulo das habituais versões mais ou menos improváveis, a banda londrina atirou-se com unhas e dentes a "S.O.S.", um dos hits maiores dessa máquina de os fazer chamada ABBA. Sim, esses mesmos que a cada dois natais nos atemorizam com mais uma compilação para burguês saudosista. Os tais que inauguraram o jeito dos suecos para produzir enlatados inócuos para o consumo em massa. Aqueles que se iam moldando ao sabor da corrente dos setentas: ora eram um derivado glam, ora eram disco refundido, o tempo todo eram chungaria da pior espécie. No caso de "S.O.S." estamos perante uma aproximação aos excessos da fase decadente (e vendável) do primeiro género, com uma irritante pianada em código Morse a servir de marca distintiva. Nas mãos dos Th' Faith Healers, talvez até seja o tema mais acessível por eles registado, com a vocalista Roxanne Stephen a cantar verdadeiramente, ao invés de enveredar pelos habituais monólogos semi-declamdos. Contudo, evita os tiques canoros das moçoilas do original. Da martelada ao piano e dos sintetizadores primitivos, nem vestígios. Há, isso sim, gitarradas trepidantes em doses cavalares.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Postais primaveris - Parte V: Indie vintage












THROWING MUSES
Olhados com desconfiança quando se tornaram a primeira banda norte-americana no catálogo da 4AD, os Throwing Muses são hoje uma das bandas sobreviventes da fornada indie de oitentas. Nos tempos áureos, destacaram-se pelas canções de estrutura pouco óbvia, as letras torturadas de Kristin Hersh e, esporadicamente, a luminosidade de Tanya Donelly. Com a partida da meia-irmã para outras aventuras, Hersh, que parece ter encontrado um certo equilíbrio emocional, tem mantida viva uma chama que teima em resistir. Sempre com a preciosa colaboração do fiel baterista David Narcizo.

"Vicky's Box"
[4AD, 1986]











SAINT ETIENNE
Criação do jornalista e estudioso pop Bob Stanley, os Saint Etienne destacaram-se no início da década de 1990 ao incorporar batidas de dança em canções de forte tempero pop. Sempre com o olhar fixo nas memórias da Swinging London de sessentas, a banda tem sabido manter uma carreira em grande estilo e sem sobressaltos, introduzindo amiúde pequenas novidades que não descaracterizam uma sonoridade muito própria. O charme clássico da vocalista Sarah Cracknel é um dos seus maiores trunfos.

"Nothing Can Stop Us"
[Heavenly, 1991]











THE VASELINES
Uma semana após a edição do primeiro e único álbum, Eugene Kelly e Frances McKee puseram fim à breve carreira dos Vaselines. Quando tudo parecia indicar que a banda se tornasse apenas uma nota de rodapé na cena indie twee proveniente de Glasgow na segunda metade da década de 1980, eis que surge Kurt Cobain a declarar o seu amor pelas composições ingénuas da dupla. A reboque da associação aos Nirvana (que chegaram a gravar duas covers dos Vaselines), a Sub Pop haveria de reunir a totalidade da sua obra no fundamental The Way Of The Vaselines (1992). Mais do que uma manobra de saudosismo, a recente reunião afigura-se como uma oportunidade única de reavivar um passado que urge descobrir.

"Son Of A Gun"
[53rd & 3rd, 1987]












TH' FAITH HEALERS
Originalmente activos entre 1990 e 1994, os Faith Healers foram, não só um dos primeiros nomes revelados pela então promissora Too Pure Records, como pioneiros da recuperação do kraut - em particular dos Can, dos quais gravaram uma versão de "Mother Sky" - em cenário indie rock. Completamente desenquadrada das tendências vigentes, a sua música densa, hipnótica, e algo tresloucada, receberia o aplauso de John Peel, que chegou a convidar a banda para algumas das suas afamadas sessões radiofónicas. No preciso momento em que a sua influência parece estar mais viva que nunca, os Faith Healers regressam para recolher a merecida recompensa.

"My Loser"
[Too Pure, 1992]













THE BATS
Embora nascidos na cidade neo-zelandesa de Christchurch, os Bats acabariam por ficar intimamente ligados à influente "cena" de Dunedin, a mesma que revelou nomes como The Clean, The Chills, The Verlaines, ou Bailter Space. Liderados há quase trinta anos por Paul Kean, são hoje um caso raro de longevidade e produtividade. Apesar do passar do tempo, o recente The Guilty Office mantém intactas as características que fazem dos Bats uma banda especial: um apurado sentido melódico em canções com a dose certa de uma terna melancolia. Há coisas que, de tão boas, têm direito a som e imagem:


"North By North" [Communion, 1987]

quarta-feira, 1 de abril de 2009

S. Valentim em Junho


















Aproveitando a passagem dos My Bloody Valentine por Barcelona, a pretexto de mais uma edição do Primavera Sound, parece ter aparecido finalmente uma alma caridosa que tomou a iniciativa de trazer Kevin Shields e C.ª aqui ao rectângulo. O happening terá lugar no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a 1 de Junho próximo. Na primeira parte deste concerto há muito esperado, e também destacados do cartaz do festival catalão, estarão os saudosos Th' Faith Healers, recentemente regressados ao activo. Se bem se lembram, esta banda londrina de cunho marcadamente kraut foi em inícios da década passada, juntamente com PJ Harvey e os Stereolab, uma das primeiras apostas da então recém-criada Too Pure Records.
E agora, minha gente, é correr aos ingressos antes que esgotem...