"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Feridas abertas













Sem se conseguir explicar bem o porquê, desde cedo o nome dos Swervedriver foi associado à vaga shoegazer da alvorada de noventas. É quase certo que esta arrumação desajustada da sonoridade da banda fique a dever-se à sua ligação à Creation Records, editora por excelência da "coisa", a mesma dos Ride e dos Slowdive. No entanto, por contraste com a música contemplativa destes, os londrinos eram adeptos do espalhafato, da adrenalina e da sujidade, com uma proposta que ia beber directamente numa América selvagem de estradas poeirentas. As referências tanto podiam ser as do rock mais rebelde de uma vintena de anos antes, como as mais recentes expressões sónicas do indie-rock ianque. Foi sob estas regras que editaram Raise (1991) e Mezcal Head (1993), dois óptimos álbuns que fizeram frente à brigada de guitarras desalinhadas que chegava do outro lado do Atlântico. Até à dissolução, em 1998, haveria ainda tempo para mais um par de registos, menos inspirados e algo desenquadrados das sonoridades plácidas que entretanto dominavam o gosto do público consumidor de música.

Uma década volvida desde o fim, os Swervedriver deixaram-se contagiar pelo síndroma da nostalgia e regressaram ao activo. Desde então, têm pisado os palcos com a assiduidade permitida pela carreira a solo do vocalista Adam Franklin. Só neste que é o ano de todos os regressos aos discos, e com uma agenda de concertos progressivamente mais preenchida, se decidiram a presentear-nos com música nova. O álbum está prometido para o ano que vem, mas já roda por aí um aperitivo que antes apenas estava disponível na edição limitada em vinil colorido, destinada à venda nos concertos. Este novo tema é já um indício de que, no futuro álbum, poderemos contar com todas as marcas identitárias dos Swervedriver, isto é, espirais de guitarras distorcidas, nível de decibéis perto do vermelho, e um mergulho na imagética da América rebelde. Quase aposto que o título seja uma referência à primeira encarnação dos Dinosaur Jr., em jeito de homenagem à banda que mais os terá influenciado na vontade subversiva de fazer as guitarras soar bem alto, precisamente numa altura em que a esmagadora maioria da Inglaterra indie ainda andava deslumbrada com os sonoridades jangly pós-Smiths.

 
"Deep Wound" [TYM, 2013]

terça-feira, 30 de junho de 2009

Discos pe(r)didos #27


















SWERVEDRIVER
Mezcal Head [Creation, 1993]

Embora pertencentes ao catálogo da Creation Records, pátria honorária do género, os Swervedriver sempre soaram demasiado abrasivos para encaixar nos parâmetros do shoegazing. Por contraste com os conterrâneos - de Oxford - Ride, derivados da veia espectral dos My Bloody Valentine, os Swervedriver preferiam citar a sujidade primária dos Stooges e respectivas descendências. Nas letras, demonstrativas de uma notória obsessão pelas temáticas do crime e da vida na estrada, pressentem-se influências da geração beat e demais simbologia da contra-cultura ianque.
Se o promissor debute Raise (1991) ainda padecia de um certo desequilíbrio derivado de ideias desenvolvidas em diferentes estádios de maturação, o subsequente Mezcal Head exibe uma banda plenamente confiante e certa do rumo a seguir, mesmo que no interim tenha ocorrido uma mudança de secção rítmica. Na coesão da dezena de temas, alguns sobressaem: "Duel", que com a suas guitarras elípticas originou um hit menor em terras do Tio Sam; o cintilante "Blowin' Cool", único desvio à toada negra instalada; o contemplativo, narcótico e mui psicadélico "Duress"; e sobretudo "Last Train To Satansville", peça central de Mezcal Head que traça o relato de uma viagem algo atribulada, com os riffs invasivos a causar alguns calafrios. Neste último, o segmento instrumental final faz-nos levantar a hipótese de os Swervedriver serem parentes bastardos das facções mais "jazzísticas" do post-rock.
Merecedores de um culto pouco mais que restrito na terra natal, os Swervedriver chegaram a ameaçar explodir do outro lado do Atlântico, tendo mesmo aberto alguns espectáculos para os Smashing Pumpkins na tour de promoção ao histórico Siamese Dream. Em inactividade desde 1999, após a edição do desapontante 99th Dream, foram em finais do ano passado atingidos pela febre de reuniões que marca este início de século, para já apenas para algumas aparições em palco. Paralelamente, o hiper-activo frontman Adam Franklin mantém uma carreira a solo e o projecto Magnet Morning, este em conjunto com o baterista dos Interpol.



"Last Train To Satansville"

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Filhos de um Ford Mustang

Nascidos em 1990, na cidade inglesa de Oxford, os Swervedriver espalharam as suas melodias espiraladas por toda a década passada. Devido à data de nascimento, ao gosto pela distorção, e à ligação contratual à Creation Records, foram precipitadamente catalogados de shoegazers. No entanto, nas suas canções reveladoras de um invulgar fascínio por automóveis, denotavam claras afinidades com o espírito mais libertário do rock'n'roll, conforme professado por gente como The Stooges, MC5, Sonic Youth, Dinosaur Jr., ou Spacemen 3.
Este ano, quase uma década volvida desde a primeira morte, os Swervedriver voltaram ao activo para uma digressão por terras do Tio Sam, onde sempre tiveram maior acolhimento do que na pátria. Para assinalar este aplaudido regresso, a editora Hi-Speed Soul Records prepara, para inícios do ano que vem, um aliciante pacote de reedições que inclui os três discos gravados pelos Swervedriver para o selo de Alan McGee, remasterizados e expandidos. A saber: Raise(1991), Mezcal Head (1993), e Ejector Seat Reservation (1995).
Para recordar - ou descobrir - deixo-vos aquele que foi, à data, o promissor primeiro single. destes antepassados dos BRMC.

"Son Of Mustang Ford" [Creation, 1990]

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Magnetismo natural














Em artigo publicado na imprensa, Sam Fogarino, baterista dos nova-iorquinos Interpol, confessava a sua paixão pela música dos Swervedriver. Ao tomar conhecimento deste facto, Adam Franklin, vocalista/guitarrista da banda britânica, recorreu aos contactos de um amigo comum para conhecer o músico norte-americano. Como resultado desse encontro, nasciam os Magnetic Morning.
No único registo que tem editado - um EP homónimo - o duo renega quase em absoluto as estéticas dos colectivos de proveniência, enveredando por uma sonoridade cinemática que, embora fazendo uso da voz, privilegia o aspecto instrumental de cada tema. Segundo se sabe, esta aventura conhecerá novos desenvolvimentos ainda este ano, com a edição do álbum de estreia, o qual terá sido gravado durante o mês findo.

Magnetic Morning no MySpace