"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Ao vivo #31



















Sonic Boom/Spectrum @ Museu Nacional de Arte Contemporânea, 26/11/2008


Com um pequeno desvio relativamente à hora inicialmente prevista, Peter Kember, o homem que, ainda adolescente, adoptou o pseudónimo de Sonic Boom como metade criativa dos superlativos Spacemen 3, aproxima-se da mesa onde estão dispostas a ferramentas de "trabalho": teclados diminutos, samplers, e uma série de maquinaria vária da qual desconheço o nome. Contrariando o meu prognóstico inicial, a sala está apinhada. Após as saudações da praxe, e algo timidamente, Kember dirigi-se ao público para anunciar que o primeiro tema é dedicado a Mary Hansen. O tema em questão é um instrumental de progressões em espiral que podia fazer parte do compêndio dos Stereolab, a banda de que a homenageada fez parte até ao súbito falecimento em 2002. As 3/4 peças que se seguem são longos mantras com intromissões de ruído metálico. Quando já estamos irremediavelmente enredados na teia e prestes a subir à troposfera, os lamentos esporádicos provindos da voz - ecoada, como seria de esperar - trazem-nos de volta ao solo. Depois de uma curta pausa para satisfazer as necessidades de nicotina (soube-se depois), Kember pega na guitarra e ataca uma versão descarnada de "Transparent Radiation", numa longa viagem até 1987, ano da edição de The Perfect Prescription, um dos clássicos da banda que lhe deu fama. Na sequência do momento mais "convencional" da noite, novo regresso às máquinas para um final solene ao som de "Then I Just Drifted Away". Novamente tímidos, os agradecimentos e as despedidas surgem abafados pela merecida ovação.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Explosões sónicas no Chiado

Peter Kember, também conhecido por Sonic Boom, foi em tempos uma das metades criativas dos Spacemen 3. Com o final daquela seminal banda, o ex-companheiro Jason Pierce construiu uma carreira de sucesso ao comando dos Spiritualized, conhecidos pelo pendor orquestral dos seus discos. Coube a Kember, na obscuridade, prosseguir a demanda aventureira daquela banda de Rugby nos dois projectos subsequentes: os Experimental Audio Research (ou E.A.R.), veículo de construção de paisagens sonoras com colaboradores como Kevin Shields, Eddie Prévost e Kevin Martin (a.k.a. The Bug); e os Spectrum, cultores de um certo hipnotismo drone na linha dos Spacemen 3.
Estes últimos, de quem não tínhamos notícias há mais de dez anos, anunciam para o final do corrente ano a edição de On The Wings Of Mercury, o quarto álbum de originais. Isto, alguns meses depois de um disco em colaboração com o célebre produtor Jim Dickinson (Big Star, The Replacements).
Ainda este mês, os Spectrum deslocam-se pela primeira vez a Portugal para dois concertos: dia 26 no Museu Nacional de Arte Contemporânea, vulgo Museu do Chiado, em Lisboa; e no dia seguinte no Theatro Circo. O primeiro destes acontecimentos contará, obviamente, com a presença deste que vos escreve.

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