"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Levez vos skinny fists comme antennas to heaven!
















Nunca serão demais as publicações que façam jus ao trabalho de Sonny Smith. Isto porque, tanto ao nível da qualidade como da quantidade, este californiano tem sido incansável na recuperação da pureza pop de outros tempos. Principalmente com os Sonny and The Sunsets, o projecto de formação que lhe ocupa a maior parte do tempo. Se bem se lembram, ainda mal passou um ano desde que este editaram Longtime Companion, o já há algum tempo prometido "álbum country". Como característica, este disco tinha ainda uma atmosfera de gravidade pouco habitual em Smith, isto porque expiava demónios do fim de uma relação amorosa já duradoura.

Doze meses volvidos, e com o novo Antenna To The Afterworld, Sonny reincide nalguma seriedade. Desta feita, as onze canções de travo retro debruçam-se amiúde sobre a mortalidade e o sentido da vida. Segundo apurámos, é mais um trabalho com cunho pessoal, já que procura inspiração na morte de alguém próximo. Nas letras, que cedem às reflexões metafísicas, são também constantes as sugestões de imagens de deriva espacial, algo que não conseguimos escutar sem esboçar um sorriso de simpatia pelos fofice dos quadros sugeridos. Neste particular, Sonny Smith não se esquiva à auto-citação, remetendo-nos para o trabalho isolado de Earth Girl Helen Brown, projecto por si patrocinado do qual já gostaríamos de ter novidades. Guiado por sintetizadores rudimentares, e com a voz nasalada e as guitarras registadas no mesmo regime de baixa-fidelidade, Antenna To The Afterworld espraia-se pelas diferentes sensibilidades do seu autor, com uma pincelada psych aqui, e um travo folky acolá. Contudo, o sentido de canção pop é constante, ou não fosse este mais um delicioso trabalho de alguém que, como poucos no presente, entende tal conceito.

 
"Green Blood" [Polyvinyl, 2013]

terça-feira, 10 de julho de 2012

Let's move to the country!















Sonny Smith é um dos mais empenhados e produtivos arqueologistas da pop actual. Concorrente à altura, só talvez John Dwyer, o "senhor Thee Oh Sees". Mas se este último envereda pela toada mais rockeira e psicadélica do garage, Smith está mais empenhado na escrita de temas que poderemos catalogar como pop. À frente de Sonny and the Sunsets, projecto que tem contado com a colaboração de aliados variáveis, leva já algum tempo a revisitar conceitos de outras eras, quando, no universo pop, a pureza se sobrepunha à seriedade. O ponto alto aconteceu com o projecto 100 Records, concepção de 200 canções (lado A e lado B) para 100 bandas imaginárias. A ideia não chegou a passar para disco mas virou exposição, com capas exclusivamente criadas por artistas gráficos amigos e uma jukebox onde tocam a totalidade dos temas compostos e gravados para o efeito.

Num passado recente, Smith já tinha anunciado uma mudança de azimutes, nomeadamente com a gravação de um disco country. A promessa é cumprida com o novíssimo Longtime Companion, álbum no qual dominam os instrumentos acústicos, com lap steels a rodos. Contudo, Smith não perdeu o norte pop, bem como aquele travo lo-fi que põe em cada trabalho. Longtime Companion tem ainda a particularidade de ser o mais pessoal dos seus discos, já que, alegadamente, aborda o fim da relação com Thalia Harbour, companheira de longa data inclusive nos Sunsets. Contém, por isso, uma aura de melancolia que estabelece alguns paralelismos com Sea Change de Beck, embora longe da densidade deste. Uma boa amostra do resultado final, talvez a melhor, é este delicioso remake do tema de encerramento do anterior Hit After Hit (2011):


"Pretend You Love Me" [Polyvinyl, 2012]