"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A defesa é o melhor ataque
















Foto: Bryan Zimmerman

Para o bem e para o mal, 2013 há-de ficar lembrado como o ano de todos os regressos. Quem me lembre assim de repente, de bandas que não estivessem oficialmente extintas, já tivemos nova música de My Bloody Valentine, The Pastels, e Pixies, tudo gente com bem mais do que uma década de inactividade editorial. Para juntar ao rol faltavam os magníficos Sebadoh, sem álbum novo há catorze anos, mas com EP para aguçar o apetite ainda no ano passado, na altura com promessa de longa-duração no corrente.

A promessa foi cumprida na semana passada com Defend Yourself, disco que faz rejubilar todos aqueles que já sentiam falta de canções novas da banda que, mais que nenhuma outra, definiu a cartilha indie-pop/rock. Antes de mais, e para que não entrem em euforias desmedidas, convém esclarecer que apesar de excelente, o novo álbum está longe de atingir o nível de excelência de III (1991) ou Bakesale (1994), o que, convenhamos, não era fácil. Mas, felizmente, não sendo propriamente um tratado de "baixa-fidelidade", também não padece da incaracterística sobre-produção do anterior e mal amado The Sebadoh (1999). Já que falámos de III, digamos que, com este, Defend Yourself tem em comum as muitas viragens bruscas, da rispidez rock para o sentimentalismo melódico, e vice-versa. Dividida quase democraticamente a tarefa da composição, cabe maioritariamente a Jason Loewenstein o lote de temas mais rudes e ruidosos. Já Lou Barlow, aparentemente de bem com a vida e de regresso aos Dinosaur Jr. para o escapismo noisy, deixa fluir a faceta de eterno pinga-amor em mais que dois pares de canções belíssimas. Nestes, pressente-se uma doçura que estava ausente nos célebres exemplares de dor-de-corno do passado, estabelecendo alguma familiaridade com os temas gravados com os Folk Implosion, um dos seus vários projectos ocupacionais. Em suma, nada de particularmente novo, apenas algo mais do mesmo, o que para quem sofre de sebadohnite aguda já é o bastante.

 
"I Will" [Joyful Noise / Domino, 2013]

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Pára tudo!
















Já não será novidade para os devotos mais atentos, mas fica aí a notícia do ano para os mais distraídos: os Sebadoh estão de volta aos discos! Não é a formação "clássica", pois Eric Gaffney abandonou o barco logo a seguir à série de concertos que assinalou a reedição de boa parte do catálogo desta que é uma das mais importantes "instituições" indie de noventas. Nem tão pouco é a formação que gravou o último The Sebadoh (1999), pois o papel de baterista é agora entregue ao ex-Fiery Furnaces Bob D'Amico. Mas tem, obviamente, os eternos Lou Barlow e Jason Loewenstein que, como é hábito, alternam os créditos da composição e as vozes.

Secret, o EP de cinco temas hoje lançado pode ser escutado aqui. Como poderão constatar, longe vão os tempos das catarses de ruído e berraria. Agora os Sebadoh, sem beliscar a identidade, apostam em temas mais ortodoxos, pese embora a distorção e o modo caseiro de fazer as coisas ainda façam parte da ementa. Os três temas de Barlow têm uma maior carga melancólica, os dois de Loewenstein alternam entre o rock descarnado e o folksy e são mais ambíguos. As boas notícias não se ficam por aqui, pois o EP antecede um álbum já em preparação com edição prevista para o próximo ano. Este regresso súbito é também motivo para mais uma ronda de concertos, por ora com datas marcadas apenas para os states. Agora, é tudo uma questão de cruzar os dedos e torcer para que as boas gentes da Catalunha nos realizem um desejo antigo...

quarta-feira, 16 de abril de 2008

DISCOS PE(R)DIDOS #18

















SEBADOH
III

(Homestead, 1991)

Ao terceiro disco, os Sebadoh surgiam como algo mais do que um veículo para as gravações caseiras avulsas de Eric Gaffney e Lou Barlow, registadas em separado. Com a entrada de Jason Loewenstein não só ganhavam um terceiro compositor e multi-instrumentista, como adquiriam o estatuto de banda, ainda que os seus membros vivessem afastados por centenas de quilómetros.
Marco incontornável do chamado lo-fi, "género" que levou a novos patamares, III é a súmula das mais variadas estéticas do underground norte-americano da década que o precedeu. Tal compêndio resulta das diferentes sensibilidades de cada um dos compositores: Barlow contribui com cativantes melodias, essencialmente acústicas, para construir os temas mais emocionais; Gaffney adiciona o rock ruidoso, a facção pós-hardcore de III; por seu turno, as canções de Loewenstein, menor número, situam-se algures entre os dois extremos, funcionando como elemento de coesão.
É nesta "coerência incoerente" que reside o poder de sedução de III, um autêntico carrossel de sensações para o ouvinte - cada faixa é sempre diferente da anterior, evitando a previsibilidade e o aborrecimento.
Na recente reedição de que foi alvo por parte da Domino (quem mais?), III vem acrescido de um segundo disco de bónus. Para além de diversas versões alternativas para temas da edição original, o disco extra contém, na íntegra, o histórico (e raro) EP Gimme Indie Rock!. Motivo mais que suficiente para a sua aquisição.
Nas muitas vezes que tenho ouvido este disco, descubro sempre novas faixas preferidas, e chego à evidente conclusão: em III, os Sebadoh são um exemplo de coragem em assumir o risco, sem medo de errar. Uma característica de muitas bandas no passado, substituída por doses generosas de calculismo na esmagadora maioria da música actual. Sad but true!
O devaneio que se segue, responsável pelas honras de encerramento, comprova esta afirmação:

domingo, 4 de novembro de 2007

SINGLES BAR #16

SEBADOH
Soul And Fire (Domino, 1993)

It's all a matter of soul and fire
Infatuation or true desire
The thrill of discovery, divine intervention
Cruel, cruel change, pain of rejection
As you walk away, think of all the joy we shared
If you decide you need me, I'll be wondering if I care
Not there to soothe your soul, friend to tender friend
I think our love is coming to an end

Em 1989, insatisfeito com a papel dominador de J Mascis, Lou Barlow abandonou os Dinosaur Jr.. Nesta altura, tinha já criado o projecto SEBADOH, igualmente um trio e veículo para as composições que não tinham lugar nos discos dos Dinosaur.
Quando editaram Bubble And Scrape, o álbum que abre com "Soul And Fire", os Sebadoh dispunham já de um considerável culto nos restritos meios underground. O ponto de viragem deu-se com este single que, longe de ser um sucesso comercial, foi alvo de rodagem insistente nas college radios norte-americanas, expondo a música do trio a um público mais alargado.
Para aqueles que conhecem aquela que será, provavelmente, a melhor break-up song da história do indie rock é fácil perceber os motivos que levam "Soul And Fire" a ser, ainda hoje, a canção mais aplaudida dos Sebadoh (como aconteceu no concerto de Barlow a solo, há coisa de dois anos, na ZdB). Como todas as grandes canções pop devem ser, "Soul And Fire" é bela e incisiva: o tom de abandono na voz, subindo ligeiramente apenas no refrão, e a economia de meios do acompanhamento instrumental, fazem com que a letra vá directa ao ouvinte.
Sendo uma canção que aborda uma temática muito delicada, cantada de forma tocante, impressiona a forma como "Soul And Fire" está tão longe de soar lamechas. Será aí que reside todo o seu poder de sedução.
Vídeo de "Soul And Fire" (ao vivo 02/09/2007)