"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Saint Pop
















Embora nos últimos meses nos tenham brindado com reedições em catadupa, dos Saint Etienne não se escuta material inédito há sete anos, desde a altura do álbum Tales From The Turnpike House. Se bem se lembram, esta foi a banda que, há duas décadas, trouxe a dança para a pop, ou vice-versa, consoante o ponto de vista. Apesar de alguns tiques de francesismo, desde cedo que a fábrica de hits dos Saint Etienne não escondia uma obsessão pela cultura popular genuinamente britânica, em particular pelos tempos da swinging London. Com o correr dos anos, a música tornou-se mais atmosférica, contemplativa até, retendo, no entanto, toda a elegância que a figura da vocalista Sarah Cracknell personifica.

Sabemos agora que o fim do silêncio está para breve. Parece que o novo ano promete novo álbum, por sinal um recuo às sonoridades mais dançantes do passado. Parece também que as velhas raposas Bob Stanley e Pete Wiggs puxam da cartilha para nos emergir no mundo mágico de referências pop. O primeiro sinal do regresso ao passado é o avanço "Tonight", no qual Sarah, possuída pelo espírito teenager, expressa toda a excitação que precede a ida a um concerto, com detalhe nos preparativos. Por outro lado, é o próprio Stanley que nos afiança que o disco que aí vem é todo ele uma celebração do poder da pop, e da forma como ela afecta e condiciona as nossas vidas. Dancemos a isso, então!



"Tonight" [Heavenly, 2012]

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Good cover versions #55











SAINT ETIENNE _ "Everything Flows" [Heavenly, 1993]
[Original: Teenage Fanclub (1990)]



Se a música pop preenche uma boa fatia da vossa tempo, já por mais do que uma vez vos terão questionado (ou questionaram-se) de qual a vossa canção preferida. Quando confrontado com a pergunta, posso responder que são muitas, enumerando algumas, ou então atirar uma única, que pode variar com o tempo, as  fases da lua, ou o movimento das marés. Em diferentes fases, esta distinção já recaiu sobre canções de "monstros sagrados" como The Beatles, The Beach Boys, Love, The Smiths, ou Big Star. 

Porém, de há uns meses a esta parte, a preferência tem estabilizado em "Everything Flows", aquele que foi, precisamente, o cartão de visita dos meus estimados Teenage Fanclub (TFC), por sinal uma banda de "dimensão" bem inferior à das citadas. Talvez seja porque, nesta fase primária, contenha, em estado bruto, todos os condimentos que me fazem render ao agrupamento escocês: o assalto sónico inspirado pelos Dinosaur Jr., combinado com um inapelável sentido pop (herdado justamente de algumas das bandas acima), ao qual J Mascis pôde um dia apenas aspirar. A isto, some-se o impulso juvenil, tão próprio à essência pop-rock, mais ingénuo que melancólico, e poderá estar justificada a minha escolha.

Sendo esta uma canção em tão elevada estima, é natural que torça o nariz a possíveis versões que lhe retirem o verdadeiro sentido. Fico descansado quando a tarefa é entregue a bandas como os Saint Etienne (SE), o trio inglês que soube trazer a cultura mod de sessentas e o easy-listening ao rebuliço estético de noventas. A versão de "Everything Flows" foi gravada por alturas de So Tough, o segundo e mui recomendável álbum, que abdicou do balearic estiloso da estreia ao investir numa pop elegante e sofisticada, propícia a ambientes requintados. Nas mãos da dupla de artesãos dos SE, "Everything Flows" é esventrada e reinventada a golpes de teclados, tornando-se verdadeiramente uma outra canção. Na colocação bem doseada do charme da voz de Sarah Cracknell, reside, eventualmente, uma réstia da imaculidade de Norman Blake no original dos TFC.

domingo, 19 de setembro de 2010

Good cover versions #42













SAINT ETIENNE _ "Kiss And Make Up" [Heavenly, 1990]
[Original: The Field Mice como "Let's Kiss And Make Up" (1989)]

Até à estabilização do trio imutável até aos dias de hoje, com a entrada da estilosa Sarah Cracknell, os Saint Etienne, veículo dos estudiosos pop Bob Stanley e Pete Wiggs para a recuperação das memórias swinging sixties à luz da cena de dança vigente, pareciam o típico projecto de estúdio com diferentes vozes (femininas) contratadas. Desse período, fica também registada a queda da dupla para a concretização de versões improváveis: o cartão de visita tinha sido uma releitura do clássico de Neil Young "Only Love Can Break Your Heart" com a voz de Moira Lambert. Consideravelmente mais obscura, a escolha para segundo single conta com a participação de Donna Savage (dos neozelandeses Dead Famous People) na apropriação de "Let's Kiss And Make Up", tema do álbum de estreia dos The Field Mice, banda emblemática do catálogo da Sarah Records e do universo twee-pop acarinhada pelo saudoso John Peel.
Tratado de elegância, embora insuflada de uma certa ingenuidade pela voz imaculada de Savage, "Kiss And Make Up" é paradigmática dos Saint Etienne de então, com a base descaradamente pop a dar abrigo às balearic beats que, na altura, contaminavam muita da música de dança produzida no Reino Unido. O brilho exuberante desta versão está em evidente contraste com o original, uma ternurenta e lisérgica demonstração de devoção por outrém. No fundo, nada de anormal nos The Field Mice, habitualmente usados por Robert Wratten para cortejar a musa (e colega) Annemari Davies. A mesma que motivou o azedume dor-de-corno dos posteriores Trembling Blue Stars.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Escrito nas estrelas



















THE PAINS OF BEING PURE AT HEART
Higher Than The Stars EP
[Slumberland, 2009]

Autores de um dos discos mais badalados do corrente ano, os nova-iorquinos Pains of Being Pure at Heart dão sinais de actividade com a recente edição de um EP de cinco temas, o segundo registo neste formato na ainda curta carreira. Como esperado, e não obstante algumas novidades estéticas, Higher Than The Stars continua de olhar fixo no passado. São canções derivativas, é certo, porém, denunciadoras de uma destreza única na criação de melodias que alimentam os sonhos dos eternos adolescentes. Nas texturas dos teclados e nos rendilhados das guitarras, o tema-título lembra os The Cure em modo pop. "103" é punk-pop com a estridência contida dos escoceses Shop Assistants, provavelmente a referência mais óbvia do quarteto. Em "Falling Over" os teclados voltam a ser chamados à linha da frente, originando uma inflexão new wave algo inesperada. Já "Twins" é power-pop tal como professado pelos Teenage Fanclub. Para o final fica guardada a jóia da coroa: uma elegante remistura do tema-título a cargo dos Saint Etienne, em tudo reminiscente da pop dançante em que notabilizou este trio inglês há quase vinte anos.

http://www.myspace.com/thepainsofbeingpureatheart

terça-feira, 26 de maio de 2009

Postais primaveris - Parte V: Indie vintage












THROWING MUSES
Olhados com desconfiança quando se tornaram a primeira banda norte-americana no catálogo da 4AD, os Throwing Muses são hoje uma das bandas sobreviventes da fornada indie de oitentas. Nos tempos áureos, destacaram-se pelas canções de estrutura pouco óbvia, as letras torturadas de Kristin Hersh e, esporadicamente, a luminosidade de Tanya Donelly. Com a partida da meia-irmã para outras aventuras, Hersh, que parece ter encontrado um certo equilíbrio emocional, tem mantida viva uma chama que teima em resistir. Sempre com a preciosa colaboração do fiel baterista David Narcizo.

"Vicky's Box"
[4AD, 1986]











SAINT ETIENNE
Criação do jornalista e estudioso pop Bob Stanley, os Saint Etienne destacaram-se no início da década de 1990 ao incorporar batidas de dança em canções de forte tempero pop. Sempre com o olhar fixo nas memórias da Swinging London de sessentas, a banda tem sabido manter uma carreira em grande estilo e sem sobressaltos, introduzindo amiúde pequenas novidades que não descaracterizam uma sonoridade muito própria. O charme clássico da vocalista Sarah Cracknel é um dos seus maiores trunfos.

"Nothing Can Stop Us"
[Heavenly, 1991]











THE VASELINES
Uma semana após a edição do primeiro e único álbum, Eugene Kelly e Frances McKee puseram fim à breve carreira dos Vaselines. Quando tudo parecia indicar que a banda se tornasse apenas uma nota de rodapé na cena indie twee proveniente de Glasgow na segunda metade da década de 1980, eis que surge Kurt Cobain a declarar o seu amor pelas composições ingénuas da dupla. A reboque da associação aos Nirvana (que chegaram a gravar duas covers dos Vaselines), a Sub Pop haveria de reunir a totalidade da sua obra no fundamental The Way Of The Vaselines (1992). Mais do que uma manobra de saudosismo, a recente reunião afigura-se como uma oportunidade única de reavivar um passado que urge descobrir.

"Son Of A Gun"
[53rd & 3rd, 1987]












TH' FAITH HEALERS
Originalmente activos entre 1990 e 1994, os Faith Healers foram, não só um dos primeiros nomes revelados pela então promissora Too Pure Records, como pioneiros da recuperação do kraut - em particular dos Can, dos quais gravaram uma versão de "Mother Sky" - em cenário indie rock. Completamente desenquadrada das tendências vigentes, a sua música densa, hipnótica, e algo tresloucada, receberia o aplauso de John Peel, que chegou a convidar a banda para algumas das suas afamadas sessões radiofónicas. No preciso momento em que a sua influência parece estar mais viva que nunca, os Faith Healers regressam para recolher a merecida recompensa.

"My Loser"
[Too Pure, 1992]













THE BATS
Embora nascidos na cidade neo-zelandesa de Christchurch, os Bats acabariam por ficar intimamente ligados à influente "cena" de Dunedin, a mesma que revelou nomes como The Clean, The Chills, The Verlaines, ou Bailter Space. Liderados há quase trinta anos por Paul Kean, são hoje um caso raro de longevidade e produtividade. Apesar do passar do tempo, o recente The Guilty Office mantém intactas as características que fazem dos Bats uma banda especial: um apurado sentido melódico em canções com a dose certa de uma terna melancolia. Há coisas que, de tão boas, têm direito a som e imagem:


"North By North" [Communion, 1987]