"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Mil imagens #46



John Lydon (Public Image Ltd) - Nova Iorque, 1989
[Foto: Joe Dilworth]

terça-feira, 25 de junho de 2013

Ao vivo #107


















Public Image Ltd. @ Casa da Música, 22/06/2013

Posso estar enganado, mas arrisco afirmar que os principais motivos para a forte afluência de público à Casa da Música terão sido essencialmente dois: a presença da "outra" banda de John Lydon depois dos Sex Pistols, e os hits moderados desses mesmos Public Image Ltd. em meados de oitentas. Isto sem esquecer os preços convidativos dos bilhetes, algo pouco usual por cá. Postas as coisas deste modo, até parece que os PiL não foram formados por Lydon como reacção aos Pistols (e principalmente a Malcolm McLaren), e que o seu principal legado não reside no primeiro par de álbuns, quando Keith Levene e Jah Wobble ainda militavam no colectivo, do mais revolucionário e influente da música popular desde finais de setentas para cá. Repito que posso estar enganado, mas foram impressões que ficaram das conversas alheias  e das reacções do público aos diferentes temas.

Sem o excelso guitarrista de então, assim como sem o baixista que fez nome a solo, Lydon socorre-se de uma formação de membros resgatados às diferentes reencarnações dos PiL. Pelo que vimos no sábado, e principalmente pelo que víramos num destes Primaveras, não se pode dizer que esteja mal acompanhado, já que estes se revelam músicos competentes, embora sem o rasgo de génio dos companheiros originais. Mas não é por isso que deixam de percorrer um alinhamento abrangente, incluindo os temas mais significativos daqueles dois discos essenciais. Os resultados da execução merecem, no entanto, uma apreciação algo dividida. Se num primeiro instante podemos desculpar os PiL do baixo volume do som, não sei se por inépcia do técnico responsável (começa a tornar-se um mau hábito...), se por opção dos senhores xoninhas da CdM, temos de lhes apontar o facto de os temas apresentados soarem demasiado semelhantes entre si. As razões para tal serão duas: os maneirismos vocais de John Lydon, com o habitual efeito da projecção da voz, e o protagonismo dado à pulsão do baixo. Por outro lado, esta última opção tem como ganho o realçar do apelo dançante da música dos PiL, algo que rendeu carreiras de milhões a muita boa gente ligada àquela coisa do neo-post-punk

Ao fim de quase duas de concerto, penso que esta opinião dividida é também a da maior parte do público, pelo menos tendo como fonte mais algumas das conversas acidentalmente ouvidas. Numa noite de dualidades, o próprio John Lydon, principal estrela da companhia, esteve em dois modos: ora com uma cordialidade que o tem caracterizado nos últimos tempos (não sabemos se com algum cinismo à mistura), ora com amostras da aplaudida irascibilidade que era imagem de marca de outrora.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

R.I.P.

MALCOLM McLAREN
[1946-2010]

Malcolm McLaren sucumbiu hoje a uma forma rara de cancro. Tinha 64 anos de idade.
Iniciado no mundo do showbiz através da moda, McLaren teve a primeira incursão no universo musical quando rumou aos Estados Unidos, onde concebeu as roupas e foi fugazmente agente dos já decadentes New York Dolls. Da breve experiência americana trouxe notas para um plano ambicioso. De volta a Inglaterra, tornou-se manager, porta-voz e, segundo o próprio, ideólogo, dos Sex Pistols, símbolo maior do rastilho punk que mudou irreversivelmente o curso da música popular dos últimos 35 anos. A ligação aos Pistols terminou em escassos meses e de forma quezilenta. Antes de se aventurar em nome próprio, em discos que vagueiam pelo hip-hop, pelas electrónicas, e pelo muzak, McLaren ainda teve tempo para gerar novas ondas de choque como conspirador por detrás dos Bow Wow Wow, banda com letras de teor sexual explícito na qual pontificava a adolescente Annabella Lwin.
Visionário astuto, mas também controverso, desbocado, e controlador, McLaren assegurou, por direito próprio, um lugar na História. Depois da experiência amarga com os Pistols, um Johnny Rotten inflamado de ressentimento, e agora rebaptizado de John Lydon, dirigia-se-lhe nestes termos no primeiro single da sua nova banda:

"Two sides to every story
Somebody had to stop me
I'm not the same as when I began
I will not be treated as property" 


Public Image Ltd. "Public Image" [Virgin, 1978]

terça-feira, 17 de novembro de 2009

All the people I like are those that are dead #1


Uma nova rubrica de periodicidade irregular em louvor daqueles que partiram deixando marca indelével da sua passagem por este mundo.


JOHN McGEOCH
[1955-2004]

Embora caracterizado pelo radicalismo experimentalista, o período post-punk não rejeitou em absoluto as qualidades técnicas dos seus protagonistas. No capítulo das seis cordas, Ketih Levene (Public Image Ltd.) e Andy Gill (Gang of Four) são dois dos mais destacados executantes. A estes, porém, sobrepõe-se John McGeoch, guitarrista que, além de ter colaborado em alguns dos mais importantes projectos do "movimento", viu a sua técnica ser admirada e/ou copiada por notáveis que lhe sucederam, tais como The Edge, Johnny Marr, Dave Navarro, ou Jonny Greenwood.
Nascido na Escócia, onde passou a infância, John Alexander McGeoch mudou-se com a família para a capital inglesa em plena adolescência. Aquando do auge do furacão punk, o jovem John era estudante universitário na cidade de Manchester. Foi aí que um amigo comum o apresentou a Howard Devoto, este acabado de abandonar os Buzzcocks. Juntos criaram as bases dos Magazine, a banda que Devoto tinha em mente para ir além das limitações dos três acordes do punk. Ao primeiro álbum (Real Life de 1978), a banda logrou alcançar os seus intentos, injectando de ambição artística um período em que a rudeza era palavra de ordem. A crítica foi unânime na aclamação e o público teve uma reacção relativamente positiva. Com o decorrer do tempo, o entusiasmo de McGeoch foi esmorecendo, até ao ponto da ruptura definitiva após a edição do terceiro álbum, o igulamente superlativo The Correct Use Of Soap (1980). Na parte final da sua permanência nos Magazine, McGeoch aceitou o convite (juntamente com outros colegas de banda) para colaborar nos Visage, veículo synthpop do "carreirista" Steve Strange. Embora este tenha sido o projecto mais bem sucedido comercialmente em que McGeoch se envolveu, foi aquele em que a sua colaboração foi mais discreta.
Com o abandono dos Magazine, iniciou novo capítulo como membro de pleno direito nos The Banshees, com os quais gravou três álbuns. O período passado sob o comando de Siouxsie Sioux coincide com o pico criativo da banda e, porventura, com o auge da carreira de McGeoch. Após um colapso nervoso motivado pelo stress da preenchida agenda de concertos, e pela ingestão abusiva de bebidas alcoólicas, Siouxsie viu-se obrigada a prescindir dos seus serviços.
Em 1983, reuniu-se com o baterista John Doyle, antigo companheiro nos Magazine, e com ex-elementos dos escoceses The Skids para formar The Armoury Show, banda de existência breve com a qual gravaria o álbum Waiting For The Floods (1985), bem recebido pela crítica mas ignorado pelo público. Em 1986, a atravessar dificuldades económicas, e juntamente com Doyle, aceitou o convite de John Lydon para integrar a formação dos Public Image Ltd., com os quais ficou até à dissolução em 1992, tornado-se assim o membro mais duradouro na banda além do próprio Lydon. Ironicamente, a passagem de McGeoch pelos PiL coincidiu com a fase mais desinteressante daquela que terá sido a mais emblemática banda do post-punk.
A partir de 1995 e até à data da sua morte, que surgiu de forma inesperada durante o sono, abraçou uma carreira de enfermeiro. Neste período, a produção musical resumiu-se a colaborações pontuais com John Keeble (Spandau Ballet) e Glenn Gregory (Heaven 17), e algumas peças por encomenda de canais televisivos.


Magazine
"Shot By Both Sides" [Virgin, 1978]



Visage
"Fade To Grey" [Polydor, 1980]



Siouxsie & The Banshees
"Christine" [Polydor, 1980]



The Armoury Show
"We Can Be Brave Again" [Parlophone, 1985]



Public Image Ltd.
"Seattle" [Virgin, 1987]

terça-feira, 23 de junho de 2009

Singles Bar #34



















PUBLIC IMAGE LTD.
Death Disco [Virgin, 1979]

"Seen it in your eyes
Seen it in your eyes
Never no more hope away
Final in a fade
Watch her slowly die
Saw it in her eyes
Choking on a bed
Flowers rotting dead
Seen it in her eyes
Ending in a day
Silence was a way
Seeing in your eyes
Seeing in your eyes
Seeing in your eyes
I'm seeing through my eyes
Words cannot express
Words cannot express"


Descarregada a raiva do primeiro contra Malcolm McLaren e antigos companheiros nos Sex Pistols, John Lydon, Keith Lavene, e Jah Wobble - o trio criativo da primeira formação dos Public Image Ltd. (PiL) - estavam por fim preparados para a plena libertação das amarras impostas pela ortodoxia punk. Efectivamente, no single que sucedeu ao promissor álbum de estreia, os PiL dão um claro passo em frente, incorporando elementos disco e dub, à mistura com as originais linhas de guitarra de Levene. Nesta espécie de dança macabra, a voz habitualmente neurótica de Lydon surge desesperada, enaltecendo um certo tom doloroso. O teor catártico das palavras deriva da experiência recente do vocalista dos PiL ao acompanhar o sofrimento da mãe, antes desta perecer ao cancro. Alguns meses volvidos da edição original, ligeiramente alterado na parte final, e devido às alegadas semelhanças do trabalho de Lavene com excertos da obra de Tchaikovsky, este mesmo tema surgia em Metal Box - a obra definitiva do pós-punk - rebaptizado de "Swan Lake". Em qualquer das suas versões, "Death Disco" é um tema negro, profundamente opressivo, e assumidamente vanguardista, factores que não impediram uma carreira meritória nas tabelas de vendas britânicas. Mas esses, já todos o sabemos, eram outros tempos... Belos tempos, por sinal.