"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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sexta-feira, 18 de abril de 2008

THE REVOLUTION WILL NOT BE TELEVISED


















PUBLIC ENEMY
It Takes A Nation Of Millions To Hold Us Back

(Def Jam, 1988)

Pois é, meus caros... como podem verificar, nem só de indie pop/rock vive o Homem. Cá por casa, volta e meia, fazem-se algumas incursões por outras sonoridades. Inclusive géneros ainda vítimas de algum preconceito por parte de muitos consumidores de música.
A minha abertura ao hip hop devo-a sobretudo a este disco, talvez o maior clássico do género, lançado há precisamente 20 anos. Eric B. & Rakim também têm algumas culpas no cartório...
Inovador tanto nas palavras como nos sons, It Takes A Nation... conserva, volvidas duas décadas uma frescura de que apenas um grupo muito restrito de discos se pode orgulhar. Não terá sido à toa que, à data da sua edição, o New Musical Express (então uma "bíblia" insuspeita) atribuía aos Public Enemy o epíteto de greatest rock'n'roll band in the world. Afirmação provocatória, é certo, mas nada descabida.
Para além do estatuto pioneiro em termos estritamente musicais, fruto do magnífico trabalho de samplagem da equipa de produtores designada por The Bomb Squad, as repercussões de It Takes A Nation... fizeram também sentir-se na sociedade americana, "adormecida" pela administração conservadora de Ronald Reagan. Com palavras duras mas certeiras, Chuck D, um cidadão circunspecto e letrado, discorre sobre inúmeros problemas sociais, muitas vezes ignorados pelos media americanos. Chuck gostava mesmo de definir os Public Enemy como "a CNN dos pretos"...
Ao povo frequentador deste blogue, menos dado a estes sons, deixo um pedido: por uma vez que seja, oiçam It Takes A Nation... (ou o sucessor Fear Of A Black Planet, de 1990) sem ideias pré-concebidas. Os ouvidos mais desempoeirados vão agradecer. Don't believe the hype!
Para o ilustrar hesitei entre vários temas. Optei por este, que ainda há poucos dias passou por aqui numa excelente versão:


"Black Steel In The Hour Of Chaos"

terça-feira, 8 de abril de 2008

GOOD COVER VERSIONS #6

TRICKY
"Black Steel" (Island, 1995)
[Original: Public Enemy (1988)]

Enfant terrible da cena que emergiu da cidade de Bristol em meados da década passada, Adrian Thaws, vulgo Tricky, nunca se encaixou bem no rótulo trip hop a que estavam também associados os Massive Attack e os Portishead.
Enquanto aqueles iam beber a músicas de outras latitudes, como o dub, a fonte de inspiração de Tricky era o hip hop norte-americano, o qual reescrevia devidamente subvertido.
Para que não restassem dúvidas, logo no primeiro disco incluía esta reinterpretação de um clássico do nome maior do movimento. Já no álbum subsequente, recriava "Lyrics Of Fury" dos esquecidos Eric B & Rakim, os quais também samplava no assombroso "Makes Me Wanna Die".

No original um tema em que Chuck D. manifesta, de forma ultra-raivosa, a recusa em servir as tropas de um país que tão mal trata os negros, ao mesmo tempo que incita ao amotinamento nas prisões, "Black Steel" é transposto na perfeição por Tricky para a realidade do Reino Unido. Ainda que, o veículo para o destilar da raiva seja a voz de Martina Topley-Bird, companheira da altura.
Paradoxalmente, é a faixa de cunho mais rockeiro incluída em Maxinquaye.